sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Sofrimento, tristeza, doença e Deus

Qual é o sentido do sofrimento? E da tristeza? E da doença?
Porque é que eles existem? Porque é que Deus os permite?
Estas e outras perguntas já muitas vezes me passaram pela cabeça (a quem não passam?) mas quando um amigo que não acredita em Deus mas coloca, faz-me pensar mais sobre o assunto. Faz-me ir mais ao fundo da minha fé…
Quando começamos a pensar melhor no assunto, vemos que o sofrimento, a tristeza e a doença não são coisas más em si mesmas, são tão somente o reverso da medalha do conforto, da alegria e da saúde… Como é que nós conheceríamos estas sensações sem passarmos pelos seus opostos?
No fundamento da filosofia Taoista está o princípio da dualidade do Yin e do Yang pelo qual as coisas não são em si positivas ou negativas e as coisas que nos incomodam nada mais são do que aquilo que nos faz saborear as coisas de que gostamos.
E Deus? Onde é que entra nisto? Porque é que Deus não faz tudo confortável, alegre e saudável? Se Deus tudo pode…
Deus, que nos criou e nos amou desde que nada mais éramos do que duas células que se uniram, obviamente não tira qualquer prazer de nos fazer passar pelo sofrimento, pela tristeza e pela doença. Deus que se fez um homem humilde e pequeno em Belém de Judá por nós, obviamente nunca nos abandona nem nos bons nem, muito menos, nos maus momentos.
Então como é que O encontramos lá? Como é que O encontramos no meio das lágrimas?
Não me parece que encontrar Deus esteja ao alcance das capacidades humanas. Compreendê-Lo está muito acima das nossas limitações. Mas deixarmos que Ele nos encontre, criarmos as condições para que Ele nos fale, predispormo-nos a escutá-Lo, tudo isso já depende de nós. Afinal de contas, foi Ele que se revelou aos profetas, que se fez Santo e que continua a actuar em nós pela força do Espírito Santo.
E como é que Ele nos fala no sofrimento, na tristeza e na doença?
Simplesmente com um “estou aqui”. Simplesmente com um “nem um cabelo da tua cabeça há-de cair sem que eu o conte”. Simplesmente inspirando-nos a Sua força e usando-nos para chegarmos a quem está pior do que nós ou usando alguém que nos é próximo para chegar a nós.
E como é que Ele compreende o nosso sofrimento? Porque a mais importante lição de Deus é mesmo que, sendo Deus todo Poderoso também se fez homem e se submeteu ao sofrimento que os homens Lhe inflingiram.
Muito mais haveria para escrever mas nem o meu tempo nem a pachorra de quem me lê o permitem mas o que eu não queria deixar de sublinhar é que a pergunta fundamental que eu faço em ocasiões como estas não é “porque é que Deus permite… ?” mas sim “onde é que está Deus nesta ocasião e o que é que Ele quer de mim?”.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Cultura em Portugal

Na Lusa, o meu site de referência para ir sabendo o que se passa no mundo, vinha um artigo sobre a cultura dos Portugueses com muitas conclusões diferentes. Eu, é claro, pus-me logo a ver onde é que me inseria neste povo de que eu tanto gosto e do qual o Isaac, um Mexicano meio louco que me foi lá parar a casa, me diz que eu não pareço nada fazer parte.
A primeira é a de que os Portugueses foram mais aos Museus do que no ano passado. Hip, hip, hurray! Eu, por acaso, sou um dos Portugueses que fui mais vezes a Museus este ano do que no ano passado, isto apesar do grupinho do "fitness cultural" estar um bocadinho desactivado desde que começaram as vindimas (há aqui uma correlação causa/efeito pelo facto de o Filipe ter deixado durante algum tempo de vir a Lisboa por causa das vindimas e depois perdemos o hábito).
No que toca ao cinema, diz que os Portugueses também foram mais ao cinema. Ora eu não sei se fui mais ou não, mas certamente que vi mais filmes porque às minhas sessões de cinema, juntei umas três ante-estreias vistas com a Constança no Grémio, o que deve elevar a minha média para cerca de 1,3 filmes por mês.
Por outro lado os Portugueses também viram mais filmes Portugueses, sendo que o "filme da treta, com 271 mil espectadores, foi o mais visto dos filmes nacionais. Pronto... Confesso que ainda não foi este ano que vi um filme Tuga no cinema... O "Jaime", que é o único filme Português de que me lembro de ter gostado (para além de todos aqueles filmes do Vasco Santana, Beatriz Costa, Ribeirinho, etc., que eu adoro) vi em DVD. Lembro-me de há muitos anos ir ver um filme sobre Jesuítas no Japão no Séc. XVI ao cinema Londres e jurei para nunca mais ir ver um filme Português! Essa jura já não é válida, mas pura e simplesmente nunca me apetece ir ver nenhum.
Em compensação, a maioria dos filmes que fui ver ao cinema não eram Americanos. Brasil, Itália, Espanha, Palestina... Muitas outras Nações ocuparam mais o meu panorama cinéfilo que essa gente que vive entre o México e o Canadá.
Por último, a Literatura. Conclui-se que, apesar do lançamento do plano para a leitura, em média um Tuga não lê mais que um livro por ano. Com isto fiquei sériamente preocupado porque eu, que estou a ler muito pouco e imensamente menos do que gostaria, leio cerca de um livro por mês. Ora isto quer dizer que se eu estiver num grupo de 12 pessoas há a fortíssima probabilidade de ter sido o único a ler um livro no último ano. Apesar disso, publicam-se mais de 1000 obras por mês em Portugal. Pergunto-me quem as lerá...
Comentando estes números, esse iluminário de seu nome Saramago veio dizer que a leitura é forçosamente uma coisa de minorias e que não se pode obrigar a maioria a ler. Realmente, já não se fazem Comunistas como antigamente! Uma coisa é certa, não se pode obrigar a maioria a ler os livros dele, isso de certeza, com risco dessa maioria começar a escrever pior ainda. Tentei ler dois e desisti ao fim de dois ou três capítulos porque resistir à tentação de lhe corrigir os constantes erros de sintaxe foi-me absolutamente impossível!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Neste dia nasceram...

O dia 27 de Dezembro é fatídico porque nunca consigo estar com todas as pessoas importantes para mim que fazem anos neste dia. Num dia normal ninguém faz anos. Num dia especial, alguém próximo faz anos. Mas, no dia 27 de Dezembro...
De 1911 nasceu o meu avô Mana que, obviamente não é o meu único avô (tenho mais três, como toda a gente) mas é o único que eu cheguei a conhecer e ainda conheço. Parabéns avô (até logo ao jantar)!
De 1949 nasceu o meu tio Camané que não é o Camané fadista mas é o meu tio mais vizinho (pelo menos vizinho dos meus Pais), a quem eu sempre cravei para ficar lá em casa à espera de cada vez que me esquecia das chaves de casa, o que acontecia com alguma frequência. Parabéns tio!
De 1980 nasceram a Inês e o João que chegam hoje à minha provecta idade. A Inês é minha amiga desde que entrei para a FDUNL e o João desde que entrei para o MSV. Aos dois o meu pedido de desculpas por me baldar aos vossos anos quase todos os anos, mas a ideia do meu avô nascer no dia em que vocês viriam a nascer não veio nada a calhar. Se tivesse nascido a 29 de Fevereiro dava muito mais jeito porque não só era 4 vezes mais jovem do que é, como calhava logo num dia em que as probabilidades de alguém fazer no mesmo dia que ele eram 4 vezes menores! Parabéns Inês e João!

E a propósito do meu último post:

DIZER NÃO AO ABORTO, PORQUÊ?
Dia 3 de Janeiro 2007
Dr. João Paulo Malta (médico obstetra)
Dra. Elisabete Rodrigues (Assistente Social do Ponto de Apoio à Vida)
Dr. António Maria Pinheiro Torres (Advogado e Político)
21.30 no Salão Paroquial de Nossa Senhora do Carmo - Av. Maria Helena Vieira da Silva 12 - (Perto do Hospital Pulido Valente e do Metro da Quinta das Conchas)

E depois do Natal...

O Natal passou, as pessoas foram melhores, mais alegres, trocaram presentes, boas festas, mensagens, cartões, emails, juntaram-se, celebraram... E agora voltam aos seus trabalhos:
"- Como foi o seu Natal, senhor Engenheiro?"
"- Oh... O mesmo de sempre: a consoada em casa dos meus Pais, o dia de Natal em casa dos meus sogros... E o seu, senhor Arquitecto?"
" - Isto este ano nem pareceu Natal! Os miúdos passaram o Natal com a Mãe e eu passei com a minha irmã, o meu cunhado e o miúdo deles..."
Depois destas breves confidências pós-Natalícias, depois de exporem um bocadinho as suas fraquezas e as suas alegrias, as pessoas voltam aos seus trabalhos para voltarem a expor as suas fraquezas e alegrias no ano seguinte. Voltam aos seus projectos, aos seus "targets", às metas e objectivos no trabalho, voltam aos seus processos, ficheiros e balanços, voltam ao computador, à secretária ou ao estirador.
E o Natal ficou para trás, com mais um quilinho ou dois por causa das filhoses e dos demais doces em excesso.
Pois este ano não pode ser assim: o Natal não pode ter terminado. Este Menino nasceu mas muitos outros há para nascer cujas vidas só dependem de uma ida às urnas, daqui a um mês e meio. Tantos futuros, tantos sonhos, tantos projectos nas nossas mãos, ao alcance de uma cruz num boletim de voto...
Que este ano não nos esqueçamos do Natal! Pelo menos até dia 11 de Fevereiro, se não der para mais...

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Um Santo Natal!

Aqui deixo a todos os brilhantíssimos, inteligentíssimos, fantastiquíssimos, festivadíssimos mas, acima de tudo humilíssimos leitores do blogadíssimo os votos de um Santo Natal!
Partilho aqui um bonito poema de Alberto Caeiro que me foi enviado pela minha amiga Cristina:
Poema do Menino Jesus


Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
>
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
>
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
>
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
>
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
>
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
>
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
>
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
>
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Luzos às Armas...

Pela Fé, pelo Rey e pela Pátria...
Esta fotografia foi tirada no Palácio Real de Sintra aqui há uns dois meses. Reparei neste Brazão Real que inclui as armas da Casa Real de Bragança e, se não estou em erro, da Casa Real de Sabóia (a Rainha D. Maria Pia, mulher de D. Luís I, era filha do Rei de Itália).
Esta Rainha Italiana tornou-se uma Portuguesa de gema e, na minha opinião, pouca justiça se lhe faz hoje em dia na nossa História. Menciona-se o facto dela ter vindo de Itália com hábitos caros e sumptuosos mas não se menciona o facto de os ter mudado; menciona-se o facto de ter dito ao Marechal Saldanha que se fosse ela o Rei o mandava decapitar, mas não se menciona as tropelias em que o velho Marechal tinha andado metido.
E, acima de tudo, não se menciona a importância que esta teve na diplomacia Portuguesa que se seguiu à questão do Mapa Côr-de-Rosa, viajando a Itália e Alemanha para que estes países nos apoiassem contra a nossa "Velha Aliada" e também a estes países e outros para negociar a dívida Portuguesa, que na altura era avultada.
Ao morrer, na sua Itália natal, pediu para ser virada para Portugal apesar do mal que cá tinha sido tratada, apesar de cá ter visto ser assassinados o filho e neto, apesar dos tenebrosos governantes da época não a deixarem regressar. Luzos, às armas pela Rainha!

Maria no Natal

A leitura do Evangelho de hoje é a da visitação, que é umas das minhas leituras preferidas no Evangelho.
O anjo diz a Maria que a sua prima Isabel também está à espera de bébé e esta, esquecendo-se que ela própria também esperava um bébé e esquecendo-se dos perigos e dificuldades que representavam uma mulher a viajar pelas estradas da Judeia do seu tempo, vai ter com a sua prima.
Se este esquecimento de nós mesmos e esta ajuda despojada são para mim um exemplo, outro exemplo é o de Isabel que a mim, com o meu feitiozinho, ainda me parece mais difícil de seguir. Estivesse eu no lugar dela e teria logo começado a contar como Zacarias* tinha falado com um anjo, como eu, tão velhota, tinha engravidado pela graça de Deus, como tinha sido prometido por Deus que o meu filho seria um grande profeta. No fundo tinha andado na gabarolice até me lembrar de perguntar pela minha prima que tinha acabado de fazer uma viajem de sei lá quantos dias.
Em vez disso, as primeiras palavras de Isabel são de uma humildade enorme. Não menciona os factos de estar à espera com muita idade de um prometido grande profeta e de o seu marido estar mudo desde a visita ao templo por obra de um anjo, apenas se espanta que Maria a esteja a visitar e demonstra toda a alegria em receber a sua prima e na sua condição de Mãe de Deus.
* E não Jeremias, como tinha escrito anteriormente. Recebi logo um mail vindo de Londres a lembrar-me que o Pai de São João Baptista era Zacarias...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Parabéns!

Um beijinho de Parabéns e um abraço muito grande, daqui até à Dinamarca, para uma certa e determinada menina que faz hoje 27 esplenderosos anos.
Esperamos-te muito em breve por cá para te darmos um condigno beijo, mas entretanto já aqui ficam os Parabéns.
E já agora: miúda, estás melhor que nunca, a idade rejuvenesce-te!

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Anarquia

Trabalhando perto do Chiado, é raro o dia em que não sou abordado por umas quantas pessoas que fazem malabarismos com fogo e sei lá mais o quê e que pedem dinheiro. Os cabelos com rastas, as roupas com um ar de que já não sabem o que é uma máquina de lavar e as caras, braços, pernas e tudo o mais cobertos de tatuagens e piercings... Tudo junto, dá um ar bastante assustador que nos remete para aqueles filmes de ficção tipo o Eragon passados numa Idade Média imaginária cheia de gente feroz que luta a soldo de tiranos perversos.
Um dia perguntei a um rapaz que havia de ter a minha idade (26, anos para quem não sabe) mas bastante mais alto e encorpado que eu, porque é que ele não ia trabalhar. Sugeri-lhe que ganhar o seu dinheiro com o trabalho, viver numa casa com a renda paga por si e comer às suas prórpias custas seriam coisas que o iam deixar bastante realizado.
Respondeu-me que era Anarquista e que não se conformava com esta sociedade capitalista e que vivia em função do dinheiro, ao que lhe respondi que muito estranhava essas suas ideias, uma vez que ele estava ali a insistir comigo para lhe dar dinheiro.
De facto, é muito fácil sermos anarquistas e esperar que toda a restante sociedade, composta principalmente por não-anarquistas, nos sustente, nos dê umas esmolas por causa de uns malabarismos e de umas músicas meio estranhas que eu faço no meio da rua. O difícil é trabalharmos todos os dias, aturarmos indisposições de chefes ou até de colegas, aguentarmos os stresses e as noitadas com coisas que nos aparecem hoje "para ontem", etc. Tudo isso é difícil, mas francamente a mim realiza-me mais.
Gosto de chegar à casa paga pelo meu trabalho, ler um bom livro pago com o meu trabalho, jantar a comida que paguei com o meu trabalho, etc. Gosto de sair de casa com um aspecto que seja agradável aos outros, com um cheiro que não incomode ninguém, com a roupa minimamente em condições.
No fundo, gosto de ser agradável aos outros, sei que os outros não têm que me sustentar a não ser que por uma infelicidade qualquer eu não possa trabalhar ou não consiga encontrar trabalho.
Faz-me uma certa impressão quem ache que todo o mundo lhe deve e que o seu mundo é constituído por direitos sem obrigações...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Natal

Dentro de uma semana é Natal.
No ano passado, por esta altura, já começava a antecipar os 3 diazinhos que ia passar em Macau, com a família Salgueiro, para celebrar o Natal. Na China toda a gente estava a querer aderir a este feriado "Ocidental" e os programas que eu tinha que dar passavam em todas as turmas por falar sobre o Natal. Quer dizer, sobre o Natal não era bem... Era mais sobre o comercialismo Americano criado à volta do Natal.
Julgo que deve ser chocante para o materialismo e sede de dinheiro, poder e reconhecimento que se vive hoje em dia que Deus, que tudo pode, tenha escolhido fazer-se homem, que pouco pode, apesar de tantas vezes achar que pode mais que Deus, e ainda para mais um homem pequenino e pobre.
Vai daí, para festejar o Natal, inventou-se um bonancheirão velhote, que já pouco tem a ver com o tradicional São Nicolau, a guiar umas renas que distribui presentes e gargalhadas pelo mundo todo. Pareceu, porventura, mais adequado...
Pois essa era a estória que queriam que eu contasse na China, mas eu decidi não a contar. Achei que o Natal Americano nada tem a ver com o Natal de Portugal, de Israel, da China e de toda a terra. Contei aos meus alunos, desde os alunos do Instituto, até aos das Universidades, sobre o nascimento de um Menino em Belém há muitos, muitos anos... Contei-lhes que esse Menino não era Americano nem Europeu mas sim Asiático, como eles, mas do Médio Oriente. Contei-lhes que esse Menino foi fruto de um acto de amor de Deus pelos homens possibilitado pelo Sim de uma rapariga de 16 anos.
E eles responderam-me que isso valia mais a pena celebrar do que um velhote com uma garrafa de coca-cola na mão a ser puxado por umas escravizadas renas voadoras. Gostei da resposta!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Piadinha vinda da China

One beautiful December evening Huan Cho and his girlfriend Jung Lee were sitting by the side of the ocean. It was a romantic full moon, when Huan Cho said "Hey baby, how about playing Weeweechu."
"Oh no, not now, lets look at the moon" said Jung Lee.
"Oh, c'mon baby, let's you and I play Weeweechu. I love you and it's theperfect time," Huan Cho begged.
"But I rather just hold your hand and watch the moon."
"Please Jung Lee, just once, play Weeweechu with me."
Jung Lee looked at Huan Cho and said, "OK, we'll play Weeweechu..... coz I can see how much you love me."
(Scroll down)
Huan Cho grabbed his guitar and both sang....
"Weeweechu a melly Chlistmas,
Weeweechu a melly Chlistmas,
Weeweechu a melly Chlistmas, and a Happy New Yeal."

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Esquerda / Direita

Diz-se que já não há diferenças entre a Esquerda e a Direita, mas eu não sei até que ponto se tem procurado nos lugares certos...
Para mim há três dicotomias para se poder fazer a distinção entre Esquerda e Direita.
A primeira é a económica: Liberalismo Vs Intervencionismo. Nesta, é-se tanto mais de Direita quanto mais se quiser deixar a economia entregue aos agentes económicos privados e tanto mais de Esquerda quanto mais se procurar a intervenção do Estado e demais entidades públicas.
A segunda é a social: Conservadorismo Vs Liberalismo. Aqui ser-se-á tanto mais de Direita quanto mais se defender os valores oriundos das instituições e tradições e tanto mais de Esquerda quanto se for contra esses mesmos valores, eventualmente inventando novos valores. Repare-se que Liberalismo é usado na concepção económica para a Direita e na concepção social para a Esquerda, o que provoca alguns desentendimentos, nomeadamente entre Anglo-Saxónicos e Continentais.
Last but not least, a terceira é a Nacional: Nacionalismo Vs Globalismo. É de Direita quem mais procura conservar os valores, integridade e independência do seu país e de Esquerda quem é mais a favor do reforço dos poderes das entidades supra ou ultra estaduais e da sua intervenção nas tomadas de decisão.
Já no que toca aos direitos e liberdades individuais, não há qualquer padrão: há regimes democráticos mais à Direita e outros mais à Esquerda e regimes ditatoriais também mais à Direita ou à Esquerda. A escolha é infindável e é à vontade do freguêz.
É claro que depois as coisas se misturam bastante: os Democrata-Cristãos, por exemplo, tradicionalmente considerados de Direita, são económicamente intervencionistas qb enquanto que os Neo-Sociais-Democratas são mais liberais neste ponto.
Conclusão: que há diferenças entre Direita e Esquerda, há, mas tem que se ver em que campo se está a falar.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Eragon

Viver-se alheado às novidades literárias e cinematográficas tem bastantes aspectos negativos, mas também tem outros positivos.
Eu até que vou sabendo dos filmes em segunda mão, por amigos que foram ver e gostaram, mas óbviamente não quando os vejo em ante-estreia, certo?
Ora ontem fui ver o Eragon e não fazia a mais pálida ideia do que tal coisa seria- bastou a Constança convidar para eu aceitar sem mais, sem investigar sobre o que seria o filme, o que diziam as críticas, nada de nada! E o bom de eu ir assim muitas vezes ao cinema é que tenho boas surpresas porque não estou à espera de absolutamente nada.
Fã como sou do estilo Senhor dos Anéis, fiquei fã da triologia, coisa que eu só soube que era depois de ver o filme e mal posso esperar para comprar os livros.
Mas reconheço que a estória não chega nem aos calcanhares da do Senhor dos Anéis. Dado que poucas pessoas terão visto o filme, não a vou contar, mas é muito banal e previsível- o motivo porque quero comprar os livros é apenas porque fiquei curioso em relação aos próximos e porque de certeza que se as descrições literárias forem tão ricas como os efeitos especiais, eu vou gostar bastante.
De resto, e sem contar a estória, posso apenas avançar que escolheram um elenco em que os bons são todos bonitinhos*, talentosos e valentes e os maus são todos feios, porcos e broncos. Não se pode realçar nenhum papel que seja, nem mesmo o de Jeremy Irons, que até é dos meus actores preferidos.
Devem achar que eu estou com esquizofrenia porque primeiro elogio imenso e depois corto na casaca, mas a verdade é que gostei bastante: é um filme leve (mas com partes um bocadinho violentas), que não nos obriga a grandes pensamentos, ideal para ver depois de um dia preenchido dia de trabalho, que nos prende do princípio ao fim, com efeitos especiais espetaculares mas que, racionalmente, é bastante mediano.
*Chega ao exagero do actor principal parecer um modelo daqueles muito padronizados da Tommy Hilfiger.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

36 anos

Faz 36 anos que o Senhor meu Pai e a Senhora minha Avó iam morrendo num acidente de automóvel na descida de entrada em Mangualde porque a estrada estava cheia de gêlo. Iam cheios de pressa para o casamento do próprio e já com algum considerável atraso.
Já a Senhora minha Mãe nem reparou em nenhum atraso, entretida como estava em casa a vestir-se, a aperaltar-se e na galhofice com as amigas deixou passar as horas e tornou o atraso ainda maior. Como é que os dois acabaram por se encontrar ao mesmo tempo e no mesmo lugar, a Igreja Paroquial da Mesquitela, saberá Deus, mas reza a lenda que foi com todos estes atrasos e distracções que tudo começou...
Tudo? Sim, tudo do que me diz respeito, claro está! Passado pouco mais de um ano apareceu todo lampeiro e chorão o filho varão, Tiago, logo seguido do mais destemido Gonçalo, para quem coser uma cabeça a sangue frio nada tem de maior problema. Depois de uma pausa de seis anos veio a menina do grupo, a Mariana, que veio dar um bocadinho de côr-de-rosa à prole Sacadura-Alvim.
Esta experiência permitiu aos Senhores meus Pais, um ano mais tarde, atingir a obra prima, que já podem bem adivinhar quem foi...
E tudo isto começou no dia de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina, o que não é assim tão estranho se tivermos em conta os quatro índios que resultaram desse dia!
Mãezinha... Paizinho... MUITOS PARABÉNS! E peço desculpa pela lembrança tardia, aliás provocada pelo telefonema materno a dizer: "mas que pouca vergonha! que espécie de filhos é que eu tenho que nenhum se lembrou do dia de hoje!" Não é culpa nossa! É culpa da Virgem de Guadalupe não nos bafejou com boa memória, o que é que a Mãe quer?

Natal RFM

Entristece-me um bocadinho o que se tem feito do Natal- de uma festa de família e de alegria para festejar o nascimento de Jesus, passou-se a um consumismo desmedido- todos os parentes, amigos e vagamente conhecidos têm que saber que nos lembrámos deles sob pena de excomunhão social imediata.
Para tal, cai-se na azáfama de comprar os presentes, escrever os cartões, mails e SMSs, correr desmedidamente de um lado para o outro e nunca, ou muito raramente, parar para pensar naquele Menino que há 2006 anos nasceu nas mais humildes condições para nos trazer uma mensagem de amor.
Também não paramos para pensar nos outros Meninos que, tal como Esse, não nascem nas melhores condições e, pior ainda, crescem rodeados por coisas que não deviam rodear a sua inocência: droga, alcóol, abusos, delinquência... Se tiverem sorte, esses Meninos vão ao conhecimento de um qualquer Juís de Família e Menores que procura lidar com a situação, sendo que muitas vezes é preciso retirá-los temporáriamente à família.
Ora, a RFM está promover uma campanha de Natal pela reconstrução da casa que vai servir ao projecto Céu Aberto. Este projecto visa, precisamente, alojar estas crianças e estes jovens que, por algum motivo, não têm para onde ir. Por algum motivo foram retiradas às famílias pelo tribunal.
Com a ajuda de todos, a casa vai ficar linda, confortável e vai proporcionar o ambiente adequado ao crescimento destes jovens. Mas por melhor que a casa seja, é sempre pior viver numa casa de acolhimento do que numa família em condições. Por esse motivo, o Céu Aberto também vai acompanhar as famílias, motivá-las a mudar para que possam voltar a receber os seus filhos.
Isto sim, é Natal! Ver no outro "o próximo" e fazer alguma coisa para o ajudar!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Cerveja/Vinho e Mulheres

Em Portugal, se pedirmos uma Imperial, vamos poder escolher entre 2 ou 3 da mesma marca e conhecemos bem as principais marcas de cerveja Portuguesa: Super Bock, Sagres, Cintra e Tagus. Claro que cada um tem as suas preferências mas acaba por ir dar tudo à mesma. Eu, por exemplo, prefiro a Super Bock porque me parece um bocadinho menos agressiva que a sua principal rival, a Sagres, mas quando chego a um bar peço uma imperial e nem espero que me perguntem de que marca porque sei que me vão trazer a marca que têm.
Ora, em Inglaterra não é assim...
Fui a uns quantos Pubs em Londres e Oxford no outro fim de semana com o meu amigo James. Ao chegarmos a cada Pub podiamos escolher uma de muitas cervejas, não necessáriamente as mesmas do Pub anterior e há até certos Pubs que têm a sua própria cerveja.
Ora, o James era bastante entendido no assunto, pelo que levava sempre um certo tempo a escolher entre cada uma, como eu levo sempre um certo tempo a escolher entre diferentes vinhos. A certa altura, num Pub em Oxford, ele pediu opinião à barwoman sobre uma cerveja e ela começa a dizer que essa cerveja é encorpada, com um ligeiro aroma frutado, etc.. Eu a certa altura começo-me a rir porque, na minha ignorância, mesmo reconhecendo que há cervejas melhores e piores, nunca me lembraria de descrever uma cerveja como sendo encorpada e com um aroma frutado.
Acabo por dizer à senhora que eles, Ingleses, falavam da cerveja como nós, Portugueses, falamos do vinho, o que tornava complicado a um principiante como eu (não a beber cerveja, mas a degustá-la) escolher uma cerveja para beber.
Logo um velhote sentado ao balcão com uma valente pint à frente me dá uma cotovelada cúmplice e diz: "isto é como uma mulher: experimenta várias, vê qual é a que gostas mais e depois mantém-te com ela!"
Afinal de contas, é mais simples do que parece!

Vanitas vanitatum est omnia vanitas*

Hoje, mal liguei o rádio antes do banho, o Zé Coimbra disse-me exactamente o que eu queria ouvir:
-"Está um frio de rachar! Estão 7º em Lisboa..."
Oh como isso me deixou feliz!
E a explicação para essa felicidade é muito simples: ontem, depois de um fim-de-semana muito bem passado com um belíssimo grupo de amigos em Vila Velha de Ródão** em casa do Coronel Paixão, a quem eu aqui agradeço, vinhamos um grupo de boa gente pela estrada nacional quando decidimos parar em Nisa para almoçar (às 4 da tarde!) e foi aí que eu o vi: o capote Alentejano que há muito tempo ambicionava mas que era sempre tão caro em todas as feiras onde o tinha visto, que eu acabava por desistir.
Em Nisa o capote era bem mais barato do que nos outros sítios e era lindo de morrer: verde com uma pele que eu suponho ser de lebre (desculpem a ignorância nestas matérias) e tão quentinho que uma pessoa lá dentro nem quer sair cá para fora.
Vai daí comprei-o e hoje o meu caminho Château d'Alvim - Ministério foi feito no mais cómodo dos confortos que se possa imaginar! Agora vou mesmo ter que comprar um chapéu a condizer porque, com o corpo tão quente, sinto a cabeça muito mais fria!
Há no entanto um pequeno problema... É que um capote verde deve ser usado por um proprietário Alentejano. Ora eu, de origens principalmente Beirãs com um bocadinho de Ribatejano à mistura e sem ter um sobreirozinho que seja no Alentejo, sinto-me ligeiramente descontextualizado naquele capote.
Vai daí, caros leitores Alentejanos: não tendes por aí um hectarzinho a mais que me queireis dar agora pelo Natal? Uma terrinha singela com uns 7 ou 8 sobreiros só para eu poder dizer que vou ao meu montado Alentejano com o meu capote verde? Não vos preocupais com os porcos que eu próprio compro uns 2 ou 3 barroquinhos pretos do Alentejo...
* Título corrigido de acordo com o comentário - em tempos que já lá vão, acabei o Liceu com 16 a Latim, mas o meu Cícero já há muito que ficou para trás. Apesar disso ainda me lembre de muita coisa no seu tratado sobre a Amizade, De Amicitia- não de Latim, mas do conteúdo.
** Na própria vila há muita divergência na doutrina sobre se se usa o acento no O ou não, já que os bombeiros têm o acento, a pousada não tem, etc. Mas sem dúvida que, não tendo acento, a sílaba de acentuação é a última e então lê-se rôdão...

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Uma aventura numa Estrada Inglesa

No Domingo, ao chegarmos a Londres vindos de Oxford, vimos que a M6, Auto-estrada que entra na cidade, estava muito congestionada porque aquela gente decidiu fazer obras e cortar 2 vias ao trânsito na altura do regresso de fim de semana.
Vai daí o Nuno decidiu sair da Auto-estrada e encontrar o seu próprio caminho. Ele e a Mariana puxam do Mapa e olham para um lado, olham para o outro, viram-no ao contrário, espreitam por trás... Acabaram por dar nas vistas, pelo que a certa altura pára um autocarro Inglês ao nosso lado com um Senhor a fazer sinais. Abre-se a janela e ele diz:
- Perderam-se ou estão perdidos? (ler com pronúncia Madeirense porque foi assim que foi pronunciado)
Pois era nada mais nada menos do que um compatriota da ilha do Mestre Alberto que vendo uma matrícula Portuguesa e um mapa armado em pombinha da Cat'rina a passar de mão em mão se apiedara de nós e nos explicou um bom atalho para fugir ao trânsito! Viva Portugal e a entreajuda no Estrangeiro!

Um alçapão, please!

Ontem passei o dia num Seminário sobre Direito do Ambiente. O Seminário foi muito bom, os oradores excelentes, fartei-me de aprender e aqui deixo os agradecimentos e Parabéns ao Dr. Cláudio Monteiro e à UyM pela iniciativa.
No entanto, a certa altura surgiu uma daquelas situações que eu não sabia onde me havia de meter e se houvesse um buraquinho no chão eu quereria escorregar por lá (quando eu falo em buraquinho, falo mais num alçapão como há nos salões do Château d'Alvim porque em nove meses em Portugal já engordei 8 Kgs e um buraquinho já não serviria para mim).
Imaginai vós que está toda uma sala de Advogados e dos seus clientes promotores imobiliários e turísticos a criticar a Reserva Ecológica Nacional e que a certa altura altura o Dr. Cláudio Monteiro, que foi meu Professor e com certeza não fez por mal, diz à sala que eu posso ajudar a responder a algumas perguntas dado que estou a trabalhar no gabinete do Senhor SEOTC.
Nesse momento passaram-me pela cabeça toda uma série de lugares muito mais aprazíveis e onde eu preferiria estar como, por exemplo, o Afeganistão, o Iraque ou um campo de ensaios nucleares na Coreia do Norte...
Vêde que numa posição daquelas nem me era pedida a minha opinião (que eu, em qualquer dos casos não daria) mas sim a opinião do gabinete, pelo que procurei ser o mais diplomático e cortêz possível. Diplomáticos e cortêzes foram também as restantes pessoas porque devem ter tido pena de mim. Tenho a certeza que estava com a cara mais encarnada que eles devem ter visto nas suas vidas, tal foi o calor que senti ao ouvir aquilo! Mas mesmo assim, não ganhei para o susto!

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

A bela Francisca

Aqui, nesta fotografia, podem já ver a lindíssima Francisca à porta da Cairfax Tower! Estão a vê-la? Não, não estou a falar da Raquel, que está com um cachecol azul e luvas pretas e que também é muito gira mas que é uma respeitável senhora casada, falo da Francisca que está ali escondidinha por mais dois meses e tal na barriga da Raquel...
O Johan e a Raquel estão muito contentes com ela, que se tem portado muito bem, e já começam a querer vê-la sem ser numas ecografias a preto e branco, se bem que pelas ecografias que eu vi, a miúda já tem perfil de braza, com umas mãozinhas muito perfeitinhas e uma cabecinha muito redondinha, do tamanho de uma tangerina.
Tão pequenina que ela é e já bem que podia ser um símbolo das Nações Unidas: filha de um Holandês e de uma Portuguesa e neta de um Angolano, vai nascer em Inglaterra, onde também deve passar os primeiros anos de vida.
Francisca: estamos todos ansiosos por te ver, mas não te stresses nem te despaches, leva o teu tempo e tenta só nascer lá mais para Março quando Oxford já vai estar mais morninha.

+ 1 post telegráfico

Ando aqui um bocado atrapalhado com muito trabalho, por isso o post de hoje continua telegráfico. stop
Estas são as duas Marianas (prima e irmã) em Londres. stop
Por mero acaso ia a passar um táxi muito interessante atrás. stop
Cheers! stop

Mais uma fotografia de Inglaterra. stop

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Post tipo telegrama

Fim de semana em Londres foi lindo! stop
Tenho imensas coisas para contar. stop
Mas o trabalho está a acumular-se na secretária. stop
Por isso deixo só aqui uma foto. stop
Como podeis calcular, sou eu em Inlgaterra (Oxford) com os meus guarda-costas. stop
Reparai só como o guarda-costas à minha direita tem só uma camisola fininha apesar do frio que se nos entrava pelos ossos em Oxford. stop
Isto é para mostrar como eu sei escolher uns fortalhaços como guarda-costas. stop
Não comeceis a pensar que eu tenho menos de 1,90m, os guarda-costas é que tinham 2,20m cada um! stop
Espero que noutros sítios contem algumas coisas para eu depois não estar a repetir. stop
Cheers! stop

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Your Majesty:

Lilibeth, dear: warm up the muffins, boil the tea: here I go!

PARABÉNS!

Imaginem uma miúda que faz tudo bem: ela pinta bem, faz esculturas giras, monta bem a cavalo, dança bem, foi das melhores alunas no Técnico do seu ano, faz festas giras, é divertida e agora até deu em poetiza...
Agora imaginem que esta miúda se transforma em actriz, sobe a um palco durante a peça: "peças completas de Shakespeare em 97 minutos", põe uma cabeleira e grita que nem uma desalmada.
Não estão a imaginar? nÃO! Então eu deixo aqui uma fotografia:

Constança: que depois destes 25 venham outros 25 e atrás desses mais umas 3 vezes 25...

MUITOS PARABÉNS!

Londrissimamente Blogado

Dentro de umas horas o autor deste inteligentíssimo, brilhantíssimo, especialíssimo, Luso-Sino-Inglesíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog estará em Londres.
Devo confessar que levo uma mochila... Tenho medo!
Vou ver a família, os amigos, as decorações de Natal... Vou verificar se as pints ainda são do mesmo tamanho... Vou a exposições que abriram há pouco tempo, a uma peça de teatro que se poderá orgulhar de me ter tido na assistência, etc..
Por esse motivo, o Blogadíssimo encerra os seus posts durante o fim de semana prolongado.
Voltamo-nos a encontrar na 2.ª Feira para mais uma semana de quatro dias: não acham que deviam ser todas assim?

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Americanos...

Caro Filipe

Telefonema de ontem do meu grande amigo Filipe:
Eu - Uai ni hao!
Ele - Oh palerma! Não te estás a esquecer de nada?
Eu- Hummmm... Não!
Ele- Os anos de alguém...
Eu- (louro e burro) Não! Os anos da Tança não são hoje!
(momento de silêncio)
Eu- PARABÉNS! Muitos Parabéns! Eu ia telefonar-te agora mesmo...
Ele- Tarde de mais!
Eu- Pois, foram ontem...
Ele- Não!
Eu- Exacto, no Domingo...
Ele- Não te enterres mais!
Pois é Filipe, é trágica esta cabeça loura... Para dizer a verdade, eu sabia que fazias na mesma altura que a Tança, mas achava que era uns dias DEPOIS, não ANTES! Vai daí, tarde, a más horas e publicamente:
PARABÉNS PELOS 27 ANOS ANOS COMPLETADOS NA PASSADA SEXTA FEIRA, DIA 24 DE NOVEMBRO

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Melhor blog 2006

A Geração Rasca promove uma votação sobre o melhor blog de 2006 - a idéia é tão gira, que eu nem sei porque é chamam rasca a esta geração! Não é fácil votar, porque há blogues que eu gosto mais de ler e não estão aqui. O brilho nos olhos, por exemplo, é brilhante, mas a Mafalda não tem escrito muito de há uns dois meses para cá (já me confessou que assim recebe mais mails pessoais: malandra!) ; as crónicas de Londres e o Expresso de Shanghai são blogues de que eu gosto imenso mas são para serem lido pelos amigos (como eu) porque são bastante pessoais...
Vai daí, a minha votação é esta:
- Melhor Blog Individual Feminino - SLIH-SLIN
A Bi é imaginativa, divertida, diversificada, cor-de-rosa… Só é pena não ter muito gosto! Afinal de contas, que mulher no seu juízo perfeito é que ia achar que eu ficava atrás do George Clooney no concurso de homem mais sexy do mundo? Logo que corrigir essa pequena afirmação, torna o SLIH um blog ainda melhor, mas por enquanto já cá fica com o meu voto.

- Melhor Blog Individual Masculino - Toques de Deus
“Mas que irritante, este gajo! Será que podia deixar de ser um beato e deixar de referir sempre os seus amiguinhos Jesuítas?” Isto deve ter sido a vossa reacção, mas a verdade é que não conheço MESMO o Nuno Branco, SJ! Se o nomeio, é porque gosto mesmo muito de ler o blog dele- faz-me rezar!

- Melhor Blog Colectivo – 31 da Armada
No 31 da Armada lê-se sobre política, religião, sociedade, mundo… No 31 da Armada lê-se opiniões diferentes, iguais, levemente discordantes… O 31 da Armada lê-se e pronto!

- Melhor Blog Temático – Fotos da Maf
Para a categoria de melhor blog temático, escolho um blog fotográfico e com algumas estórias. O tema, a fotografia, é apenas o ponto de partida para muitos bons momentos de blogação.

- Melhor Blog - O cachimbo de Magritte
As cachimbadas que se vão dando neste blog tiram-nos do consensualismo a que a sociedade Portuguesa tem vindo a ser habituada. Vale a pena ir lá para pensar…

- Melhor Blogger – Torcato da Luz
Não é fácil escolher o melhor blogger de todos, mas devo dizer que nem hesitei em escolher o autor do ofício diário. Ele é um blogger, é um pintor, um fotógrafo, um poeta… Acho que basta ir lá para perceber porque é que tem o meu voto sem hesitação!

A Igreja na China

Durante o tempo em que vivi na China, frequentei as celebrações da Igreja Católica Patriótica. Para quem não sabe, na China é proibida a intervenção do Vaticano em quaisquer assuntos que se relacionem com a Igreja Chinesa, o que, na prática, quer dizer que se formou uma Igreja Nacional separada de Roma, tal como aconteceu com a Igreja Anglicana de Henrique VIII.
Durante uns tempos, e talvez para agradar aos olhos do mundo, o governo Chinês, que é quem escolhe os bispos dessa Igreja, decidiu ouvir a opinião da Santa Sé sobre essas nomeações. Confiava o governo Chinês que, deste modo, o Vaticano ia, de um momento para o outro, deixar de reconhecer a independência da Formosa.
De facto, toda a gente no mundo reconhece que a Formosa é de facto independente: têm uma História, uma raça, uma cultura e um sistema político e económico que os separa do Império do Meio. No entanto, a China comporta-se como um adolescente intimidador e básicamente vai dizendo que "se queres ser amigo dele, não brincas comigo!" Esta política Chinesa tem funcionado na perfeição: a maioria dos países do mundo reconhece a República Popular como a única China e a Formosa como uma província.
Ora, o Vaticano é dos poucos estados que tem o carácter de reconhecer as especificidades da Formosa e, por isso, lidar com a ilha como Estado independente que é, logo, como castigo de adolescente brigão, o Partido Comunista vai nomeando Bispos atrás de Bispos sem consultar a Santa Sé e quem perde com isto são os Católicos Chineses.
Ao entrar na minha Paróquia em Shantou, fiquei muito espantado de ver um quadro com a imagem do Papa Bento XVI na Sacristia, uma estátua de Nossa Senhora de Lourdes com Santa Marie Bernardette (a vidente de Lourdes) no jardim e o nosso Santo António de Lisboa mesmo à direita do Altar.
Em conversas que tive com a Irmã Qi, uma irmã Ursulina que tinha feito a formação em França e com quem eu podia conversar em Francês, ela foi-me dizendo que todos os Católicos gostavam muito do Papa e se sentiam ligados a Roma e aos seus ensinamentos. Eu, como pessoa inconveniente que sou, perguntei logo pelos Bispos nomeados pelo governo ao que ela, Chinesa como é, respondeu com um evasivo: "são os Bispos que temos!"
O Papa já manifestou a sua intenção de dialogar com Pequim mas Pequim não dialoga com o Vaticano sem que este reconheça a Formosa como província da República Popular. Quem perde com esta obstinação do governo chinês são não só os 8 milhões de Católicos Romanos que praticam a sua fé na clandestinidade como os cerca de 30 milhões de Católicos Patrióticos que o que querem mesmo é estar ligados ao Papa como o resto das Igrejas do mundo.
Imitação: Paulo Portas

Caro primo Paulo, lá por sermos primos em 7543º grau, não quer dizer que tenhamos perdido esta enorme qualidade dos Sacaduras de sermos naturalmente deslumbrantes.
Por isso qualquer mudança de imagem só pode ser para melhor, porque os Sacaduras são como um bom vintage, ganham qualidades com a idade.

Hotmail

No caso de alguém me ter mandado mails importantíssimos e de resposta imediata para o hotmail, eu vou já avisando que aquilo anda pifado há cerca de uma semana e não consigo aderir a esse mail.
Se era para eu salvar o mundo de uma catástrofe, deviam-me ter telefonado para o TM!

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

E depois do Eneagrama...

Pois é, lá fiz o eneagrama e venho de lá maravilhado (o que é típico das pessoas do meu número)!
Pois então aquilo funciona mais ou menos assim: há nove tipos básicos de personalidade e a cada um foi atribuído um número. É muito difícil alguém ser totalmente um tipo base, pelo que tem "asas" nos números que o rodeiam, o que quer dizer que também, recebe características desses números...
Mas já aqui vou eu lançado, e ainda não expliquei o que é preciso explicar antes de mais: é que cada pessoa é única e irrepetível e isso não é afectado pelo facto de pertencer um de nove tipos de pessoas. Não só porque toda a gente tem características de todos os números, mas também porque não há mais ninguém no mundo que tenha o percurso e a história de vida dessa pessoa em concreto, nem mesmo os gémeos autênticos!
Então tudo começa com a fecundação: pode parecer que estou a gozar, mas não estou... É mesmo aí que se começa a formar a personalidade de uma pessoa, com a junção de duas heranças genéticas diferentes que tornam essa pessoa única. Durante a gravidez a Mãe pode estar mais calma ou mais ansiosa, o que transmite ao filho; o parto pode ser mais fácil ou mais difícil, o que também se transmite e depois toda a infância e adolescência, a família, os professores, os amigos, as experiências, as leituras... Tudo isso leva a que pelos 18/20 anos tenhamos formado a personalidade e já nos "encaixemos" num dos nove tipo base de personalidade.
Vai daí, e porque as pessoas são muito complexas, podem-se tornar um bocado intolerantes em relação aos outros: o SETE, que é optimista, dinâmico e sempre em festa, pode não compreender que o CINCO, que é muito intelectual e tem tendência a não gostar de estar com muita gente, não queira ir às festas ou que o QUATRO, que é um artista muito sentimental chore muitas vezes. O OITO, enérgico e autoritário, pode achar que o NOVE é um mole por ser tão apaziguador e zangar-se a sério com o DOIS, por ser o bonzinho que está a querer sempre ajudar os outros. O UM, que é perfeccionista, pode-se irritar com o SEIS, que é muito ligado ao grupo, mesmo que o grupo seja imperfeito e todos eles se podem irritar com o TRÊS por ser tão maníaco da eficiência.
Isto, é claro, é quando estão todos mal, ou em linguagem de eneagrama, desintegrados. Quando estão integrados e se respeitam uns aos outros, conseguem perceber a maravilhosa diversidade que há em todos eles e como cada um deles é tão útil á sociedade em que se integra.
Eu cá sou muito típicamente um número destes, que não vou dizer qual mas no qual todos os meus amigos disseram logo que eu me integrava.*1 Eu nem queria admitir que era esse número porque queria ser todos os números porque todos têm imensas qualidades com as quais me identifico*2, mas logo o Pe. Gonçalo, que foi quem orientou o eneagrama, me disse que era óbvio que eu queria ser todos os números porque isso era a atitude típica das pessoas do meu número!
*1 Sim Francisca, Inês e Zé, vocês tinham razão e a outra Inês e eu estávamos a mentir... Brincadeirinha! Aliás, as mentirinhas e brincadeiras são altamente desculpáveis a alguém com o nosso número, não são?
*2 A humildade não é o ponto forte das pessoas do meu número: achamos sempre que temos todas as qualidades e nenhum dos defeitos, o que, de resto, me aconteceu mesmo a mim! eheheh Mas no meu caso, acho que tenho razão!

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Eu hoje...

Hoje, aqui, encontro-me no amanhã, ali...

A menina que cresceu de mais

Sentada, de pernas cruzadas, à porta de um banco, enfeita-se com pinturas de criança e ri-se.
Às vezes canta, outras vezes pede uma esmola a quem passa, sempre com ar de menina que cresceu demais.
Os traumas do passado já nem ela os conhece, não se lembra deles ou faz por esquecer.
O que é que a terá lançado na rua?
O que é que esta menina que cresceu de mais está ali a fazer sentada todos os dias à porta de um banco a rir-se e a pintar-se com pinturas de criança?

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Sua Majestade a querer o meu dinheirinho!

Porque é que será que o tesouro de Sua Majestade quer saber onde é que eu tenho trabalhado desde que trabalhei em Oxford há bem mais de uma ano atrás?
Porque é que eles me tratam por DM Sacadura?
Será que fiquei a dever alguma coisa ao tesouro de Sua Majestade?
Será que a minha entidade patronal não pagou tudo como se tinha comprometido?
Mas o que é que Sua Majestade quer dos tostõezinhos que eu lá ganhei quando ela é que aparece na Forbes todos os anos?
Estas e outras intrigantes questões perseguem-me desde 3.ª feira, dia em que os senhores meus Pais me deram uma carta que eu tinha recebido do tesouro de Sua Majestade a pedir para eu preencher um questionário sobre onde tenho andado a trabalhar e quanto tenho ganho.
Ora Sua Majestade, com todo o respeito e desde já lhe beijando a Real mão, bem pode ir dar uma volta ao bilhar grande, que se espera alguma coisa daqui do meu magro bolsinho bem pode esperar sentada no seu real Trono que ainda não há-de ser no seu reinado nem nos reinados dos senhores seus filho e neto que eu hei-de pagar o que quer que seja por causa de um empregozito de Verão no qual me foi dito que todos os assuntos fiscais tinham sido tratados…
Tudo isto com a devida vénia, claro está!
Free Hugs Campaign. Inspiring Story! (music by sick puppies)

Caro Artur,
Obrigado por este vídeo inspirador!
Um abraço

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Lijiang

Este vídeo foi feito pelo meu amigo Mário e é sobre uma cidade que eu também já visitei: Li Jiang.

Château d'Alvim - as fotos

É também preciso saber-se cozinhar, senão ninguém lá quer ir. Convidar-se amigos, família, gente divertida...

Ah, e, já agora, também dá jeito trabalhar-se bem com o paintbrush para se fazer umas montagens mais jeitosas que estas!

Château d'Alvim - as fotos

No fim, é preciso descansar já com o trabalho (bem) feito!

Château d'Alvim - as fotos


E pôr mãos à obra:

Château d'Alvim - as fotos

É preciso saber escolher as cores certas:

Château d'Alvim - as fotos

Depois é preciso contratar-se mão de obra fléxível e inventiva:

Château d'Alvim - as fotos

Para se pintar uma casa, é preciso contratar-se uma especialista:


terça-feira, 21 de novembro de 2006

Cerise et Antoine

I tried to write this post in French, I really did! It’s just that it was taking so long because all accents were wrong and the masculine and feminine were really cracking my head, so I just decided to do it in English…
So, restarting: dear Cerise and Antoine:
It was a pleasure to receive you in Château d’Alvim, that happens to have a French name (this was an unexpected coincidence), to go to Sintra and Cascais almost pretending to be a tourist like thousands of other tourists and herbalife people strolling around in those streets.
But I particularly liked our dinner yesterday, when I had to give up on French and talk in English, otherwise I couldn’t expose my ideas (I promise to study a little more of French from now on). I loved listening to your ideas, quite new to me, I must confess, but certainly the ideas of people who think about things and aren’t just confortably waiting for life to pass them by.
You were my first “couchsurfing” experience and what a good experience you were! Thank you very much for your visit and I hope to see you soon in Paris or back in Lisbon!
Just do it!

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Liberdade de Trajar

Vai sair uma Lei em Espanha a proibir o uso de trajes típicamente Portugueses, como sejam os vestidos de minhota ou os fatos de campino, nos espaços públicos, apenas podendo estes ser usados em espaços de acesso restrito.
Esta Lei visa proteger as pessoas que os usam de serem discriminadas, uma vez que identificam essas pessoas com um país que nunca quis fazer parte do Reino e que por diversas vezes guerreou a Espanha.
Ridículo, não é?
É óbvio que isto é peta, mas não é peta que o governo Holandês se prepara para proibir o uso da Burca como o Francês proibiu o uso de véus e outros símbolos religiosos nas escolas. Isto parece-me não só ridículo como imoral! Isto serve para "proteger" as mulheres que usam Burca de discriminação.
O que é que está mal nesta estória de haver discriminação contra as burcas: a burca em si ou a discriminação? É que se é a discriminação, então não há Lei que o valha, o que valia a pena o governo fazer era uma acção de informação e sensibilização para as diferenças religiosas...
Se uma mulher opta por usar burca, correndo o risco de ser discriminada, então é porque valoriza mais o facto de poder respeitar os seus preceitos religiosos do que o de ser discriminada. É uma opção individual ou até de grupo que temos mais é que respeitar.
Já compreendia que me dissessem que todos os miúdos passavam a usar farda para não haver discriminação em função de uns levarem óptimas marcas e outros roupas velhas; de uns serem "betinhos", outros "dreads" e outros "punks". Para evitar fundarem-se gangs que se identificam pelas cores e se metem à pancadaria uns com os outros.
Agora proibir os trajos de uma religião já me parece uma coisa diferente, especialmente quando estamos aqui a falar de adultos que devem poder escolher a sua maneira de trajar. Como Católico que sou, defendo a Liberdade Religiosa em todas as suas vertentes e não a laicização imposta pelo Estado.
Graças a Deus, julgo que em Portugal uma medida destas seria inconstitucional, mas o mal é que há por aí muita coisa insconstitucional que o tribunal Constitucional, em sede de fiscalização prévia, deixa passar...

Little Miss Sunshine

O que eu chorei a rir com este filme!
Uma família típicamente Americana... Quer dizer, interrompo este post para dizer que eu nunca estive nos EUA e, apesar de conhecer muitos Americanos, não conheço nenhuma família inteira, só membros dispersos, por isso depreendo que isto seja uma família típicamente Americana pelos filmes que vejo. No entanto, graças a Deus que os filmes não revelam muito sobre os países porque senão quem seguisse o cinema Português com atenção ia pensar que isto é um país deprimente com toda a gente a chutar para a veia, a berrar palavrões e à batatada.
Por isso recomeço...
Uma família que eu imagino ser típicamente Americana, com um Pai que eu imagino ser típicamente Americano e toda uma atitude que eu imagino ser típicamente Americana tem que se deslocar em peso à Califórnia para satisfazer o desejo da menina que quer ganhar um concurso de beleza.
Já o enredo me parece surreal, mas depois os personagens são mais do outro mundo ainda! Ou talvez não... Talvez aquilo seja a normalidade e o filme ponha o dêdo na ferida das nossas atitudes e do nosso "politicamente correcto".
Mas o que vale mesmo a pena dizer é que estava com a vizinha aqui do lado e os dois rimos que nem umas hienas. Vale MUITO a pena ver este filme! E isto apesar do infelicíssimo título Português... Caros senhores da Lusomundo: têem-me aqui à disposição para vos arranjar títulos para os filmes: dão-me o DVD para eu ver em ante-estreia e eu decido o título, tá bem? O público Português agradece!

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Teremos mulher no Eliseu?

Couch surfing

Já andava um bocado farto de estar sózinho no meu château onde eu quase me perco todos os dias, onde deambulo pelas imensas e gigantescas divisões por entre os reposteiros, os gobelins, as pratas e as companhias das Índias. Onde acendo as luzes para entrar numa divisão para logo as apagar quando a atravesso para entrar noutra divisão. Onde vejo a chuva a escorrer pelos vitrais e contemplo as escadarias atapetadas de encarnado vazias, sem passos, sem uma multidão que as suba e desça a toda a hora (por acaso até há uma multidão de pessoas que gosta de dar cabeçadas nas minhas escadarias - vá-se lá entender esta gente!)...
Bem sei que de há uma semana para cá jantaram no Château d'Alvim 13 pessoas em 4 dias diferentes, o que até me faz considerar a hipótese de deixar o Direito e dedicar-me à Culinária, mas quando saíam e eu ficava a deambular sózinho pelos salões, a falar com os fantasmas das vacas e dos vaqueiros que lá viviam quando aquilo ainda não era um château, mas sim uma vacaria (já contei esta estória no blogadíssimo?)...
Vai daí inscrevi-me no couchsurfing e hoje vou ter os meus primeiros "surfers" lá em casa: o Antoine e a Cerise, Franceses, de Paris, que vêm directamente da Cidade das Luzes para visitar a "mui nobre e semp' leal Civitas Olisiponensis" e que lá ficam durante o fim de semana.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Eu, Patriota, me confesso!

Ontem ao jantar falávamos, entre outras coisas, do meu patriotismo. De facto, sou muito patriota, gosto imenso de Portugal, dos Portugueses, dos nossos feitios, conversas, maneiras de fazer as coisas...
Sou um fã incondicional da nossa comida, dos nossos hábitos, do fado, da tourada Portuguesa, dos vinhos do Alentejo, do Douro, do Dão e da Bairrada, do nosso fatalismo e de sermos mais expansivos que todos os Nórdicos e mais reservados que todos os Mediterrânicos.
Eu, como os outros 10 milhões que cá vivem, irrito-me com as nossas burocracias, os nossos maus serviços e os buracos na rua; fico triste com o pouco intervencionismo dos cidadãos e com a sua maneira muito própria de aceitarem ideias como absolutas (também falávamos disto).
E do que gosto e não gosto em Portugal podia aqui continuar a enumerar exaustivamente numa lista que não caberia no blog, mas isso não tem nada a ver com ser Patriota. É que vivi na China e adorei a comida, o chá e a sonoridade do Mandarim. Antes tinha estado um mês em Inglaterra onde fiquei fã dos seus hábitos académicos preservados desde o tempo em que os hábitos fora da academia eram bem diferentes, das "pints" e dos jardins. Também já andei dois meses pelo Brasil donde saí fascinado com o ambiente de mistura da alegria e do fatalismo (que devem ter herdado daqui), com a cozinha Mineira e com a música e dança.
Então se o Patriotismo não tem a ver com gostos, só pode ter a ver com o sentimento de pertença. Sou de Portugal e Portugal é meu. É como ser filho dos meus Pais: eu cá sou parecido com eles em duas mil coisas e diferente em duas mil outras mas faço parte da minha família não por acidente de percurso mas por um grande sentimento de pertença.
Gostei imenso de viver na China, integrei-me lindamente, sinto que podia lá ter continuado a viver por mais uma boa meia dúzia de anos ou talvez até ao resto da minha vida. E como a China aconteceu o mesmo em Inlgaterra, Brasil, França, Dinamarca, Áustria, Itália, etc., etc., etc....
Mas só pertenço a Portugal e só Portugal me pertence. Para além disso, não há nada a fazer.
Sim, sou patriota, Português... E com muito gosto!

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Bem Pensante

Uma expressão que sempre me intrigou é "bem pensante"! O que é que é uma pessoa bem pensante?
É uma pessoa que tem raciocínio rápido? É uma pessoa que tem um discurso lógico? É uma pessoa que pensa o mesmo que a pessoa que assim a descreve?
Acabei por chegar à conclusão que bem pensante cabe nesta última categoria de pessoas e que acaba por ser um auto-elogio. Imaginemos que eu acabo de dizer ao meu amigo Abel que o que nós precisamos mesmo neste país é de um primeiro-Ministro Bielorusso porque só os Bielorussos têm todas as qualidades necessárias para bem governar os Portugueses.
Nisto, sem ter ouvido o que eu tinha dito, chega o Bento e diz:
"- O que nós precisamos mesmo neste país é de um primeiro-Ministro Bielorusso porque só os Bielorussos têm todas as qualidades necessárias para bem governar os Portugueses!"
Logo me virarei para o Abel e comentarei num susurrar cúmplice: "olha aqui está uma pessoa bem pensante!"

Quanto é a bandeirada?

À saída do Centro Comercial Colombo, em Lisboa...

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Make a wish

E se pudéssemos voltar atrás? Não dá, pois não?
Então e se não permitirmos que ocasiões destas se repitam?
Isso já é possível!

Casamento

Vá-se lá saber porquê, mas nos últimos dias o tema do casamento tem surgido muito nas conversas de quem me rodeia. E é giro ver a diferença de posições entre amigos sobre o assunto. Uns acham que a comunhão de bens é muito importante, outros consideram-na acessória; uns acham que a adopção de um nome comum é mais do que um mero símbolismo da união dos dois, outros acham que é coisa do passado e que cada um deve manter o seu nome; uns acham que o casal deve ter as contas em comum, outros que cada um deve manter as suas contas.
Já a história do casamento é muito curiosa. Até meados do século XIX, o casamento era um Sacramento da Igreja, tal como a Ordem e a Comunhão, sem quaisquer efeitos civis, no entanto, nesta altura, o Estado veio considerar necessário atribuir efeitos civis ao casamento, em grande parte para proteger a posição da mulher dentro do casamento, uma vez que esta se encontrava num papel mais fraco.
Com o crescente intervencionismo do Estado, cresceram também as obrigações matrimoniais e, com uma maioria masculina sempre na política, em vez de proteger a mulher, o casamento acabou por a submeter ainda mais ao marido. Por outro lado, criou-se a figura do "pai desconhecido" para os filhos nascidos de Mães solteiras- se antes do casamento civil, apesar de ser mal visto pela sociedade, era comum que os Pais perfilhassem os "filhos naturais", no século XX isso passou a ser cada vez mais difícil.
Durante todo este tempo, como era de esperar, o Sacramento do casamento Católico manteve-se pouco alterado: um Sacramento celebrado pelos cônjuges (e não pelo Padre, como se julga) e indissolúvel, porque se diz na Bíblia "o Homem há-de deixar Pai e Mãe e juntar-se à sua Esposa e os dois formarão uma só carne."
Já o casamento civil tem cada vez mais forte contestação. Dos não Católicos porque se apercebem que para efeitos fiscais mais vale ficarem em união de facto e dos Católicos porque se querem o Sacramento da Igreja sem terem que se casar civilmente (mais uma vez, a carga fiscal extra é um desincentivo).
Por outro lado, vá-se lá saber porquê, os únicos que se querem casar civilmente são os homosexuais (pelos vistos não se importam de pagar mais impostos). Mas o problema é que, se o casamento civil ainda faz algum sentido existir é, precisamente porque homens e mulheres ainda têm uma posição diferente no mundo laboral, social, etc.. Porque a posição ainda é um bocadinho diferente (já não muito, mas ainda se faz sentir), ainda se justifica o Estado intervir. Ora, se o casamento faz sentido pelas diferentes posições ocupadas pelos homens e mulheres na sociedade, não faria sentido nenhum o Estado intervir para regular a relação amorosa de dois homens ou duas mulheres.
Cá por mim, acho que a situação actual devia mudar.
Das duas uma: ou o Estado, reconhecendo a importância de proteger o casamento tem uma política fiscal que incentive os casais a contrairem matrimónio ou então deixa de obrigar os Católicos a casarem-se pelo civil sempre que quiserem receber um Sacramento que apenas a si mesmos, a Deus e à Igreja diz respeito. É que ainda há uns dias me estavam a contar do caso de dois Católicos que, fazendo contas à vida, notaram que iam poupar um balúrdio por ano em impostos se se divorciassem. Balúrdio esse que muita falta lhes fazia para pagarem a educação dos filhos. Com isto, divorciaram-se, ele mudou a sua residência fiscal para a casa de férias, ela ficou com a casa onde viviam e continuam casados (pela Igreja) a viver alegremente juntos.
Se isto faz sentido para alguém, então expliquem-me, porque eu, francamente, não o entendo! Até me parece perseguição fiscal aos Católicos que, por ditames de consciência, preferem casar antes de viver juntos!

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Rubrica: dicas para solteiros a viver sózinhos

Há já uns bons tempinhos tinha ficado prometidíssimo aqui no blogadíssimo que ia começar a dar mais atenção aos meus leitores que sejam homens solteiros a viver sózinhos dando-lhes dicas de como sobreviver num mundo que desde pequenos fomos levados a acreditar que era feminino: o mundo do lar!
Pois essa promessa não tem sido cumprida, mas hoje lanço aqui mais duas dicas:
LAVAR A LOUÇA - Nunca, mesmo nunca, vos deveis aventurar a lavar a louça depois de um bom jantar com amigos. O que é bom é para continuar bom e se a noite começa bem não a podemos estragar lá para o fim numa actividade tao detestável como lavar a louça.
Em vez disso, esqueçai os conselhos das Mãezinhas, que já arrastam preconceitos de não sei quantas gerações de Mãezinhas atrás delas, marimbai-vos para a louça e acordem 20 minutos mais cedo no dia seguinte. De manhã a pessoa, com o stresse de sair de casa, lava aquilo com muito mais rapidez.
Aí lavai a louça por esta ordem (que me foi ensinada pela Inês) : copos, talheres e só depois os pratos- esta ordem justifica-se porque vai do que tem menos gordura para o que tem mais. Enchei a pia com água quente com detergente, passem o esfregão em tudo, esvaziem a pia e depois passem tudo com água morna (para não se queimarem nem terem as mãos muito frias).
Quanto aos tachos, enchei-os com água e detergente e quando chegarem do trabalho vão ver que sai tudo ás 1000 maravilhas.
COZINHAR - Prestem atenção de cada vez que comem qualquer coisa que gostam quando vão a casa de pessoas que cozinham bem. Decomponham os sabores, percebam que ingredientes é que essas pessoas usaram, tentem imaginar como é que fizeram aquilo e depois, quando tiverem ocasião, tentem fazer igual em casa.
"Não seria melhor pedir a receita?" - perguntais-me vós... NÃO! Perguntar receitas é pouco apropriado para um homem, não fica bem, é amaricado e não permite ter outras conversas, porque uma vez que se entre no tópico "receitas", nunca mais de se lá sai! Eu sei que tudo isto soa a preconceitos políticamente incorrectos, mas quem vos avisa...

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

As fotos da Maf

Há 26 anos estava alguém a passear pelo Jardim da Estrela quando eis que se não quando tem de ir para o Hospital porque houve uma certa e determinada pessoa que decidiu estragar o passeio nascendo!
Ele há cada um... Há gente mesmo inconveniente!
Apesar de tudo:
PARABÉNS MAFALDA!
Não fui eu que tirei a fotografia e, como é óbvio, também não foi a própria Mafalda, por isso não sei a quem a atribuir.

Obesidade

Estava eu a entrar para o duche hoje de manhã quando ouço na rádio dizerem que cinquenta e tal por cento dos Portugueses são obesos. "Não pode ser", pensei eu, "de certeza que ouvi mal!"
Na dúvida, prestei dobrada atenção às pessoas por quem me cruzei na rua.
Na Lapa, as tias chiquésimas* que deixavam os piquenos no Colégio pareciam saídas de um spa: esplendorosas, vitaminadas, perfumadas e sem um centímetro de gordura em cima dos ossos.
Na Madragoa as velhotas que penduravam a roupa nas janelas não estavam tão esplendorosas mas estariam com certeza longe de ser obesas.
Ao passar pelo ISEG e pelo Liceu Passos Manuel* pude ver que os estudantes universitários e liceais do nosso país também são em geral magros e foi já só em plenas Mercês, depois de me cruzar com umas 100 pessoas, que vi uma senhora dos seus trinta anos com os seus trinta quilinhos a mais... A primeira e única obesa do meu percurso de 20 minutos pelos bairros tipicamente Lisboetas!
Eis que vou agora às Notícias da Lusa e o que é me dizem:
O presidente do 10º Congresso Português de Obesidade (...) frisou que a situação em Portugal é ainda mais preocupante, porque mais de metade dos portugueses (52,4 por cento) sofrem de excesso de peso ou obesidade.
MAS ALGUÉM ACREDITA REALMENTE NISTO? Quer dizer, se não formos todos umas Kates Mosses, estamos todos com excesso de peso e obesidade, é?
Cheira-me a campanha de produtos dietéticos para nos sacarem dinheiro do bolso! Ou isso ou os gordos decidiram unanimemente não viver no centro de Lisboa.
* Mas como é que alguém consegue ter tão bom aspecto logo de manhã? A que horas é que acordam para se arranjarem? Que sono...
*Obrigado anónimo do comentário! Eu sabia que era o Passos Manuel, mas na altura escapou-se-me! Ainda para mais, é o liceu onde andou o meu Pai! E Santa Catarina também era Mercês (ontem deu-me uma coisa má!).

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Verão de São Martinho

Ele voltou!
E eu a pensar que ele se tinha esquecido de nós...
Depois de semanas de chuva e nuvens mesmo quando não chovia, este gajo decidiu mostrar de novo as trombas!

Os Olhos Azuis da minha irmã

Isto não foi escrito por mim, foi escrito por um amigo, o Jaime. A Mónica, de olhos azuis, não é a minha irmã, mas também a conheço. O que ele diz, eu sei que não só não é mentira, como sei que a Trissonomia 21 não tira à Mónica qualquer humanidade ou dignidade.
Nem à Mónica, nem a ninguém!
No último Prós e Contras, a eurodeputada Edite Estrela considerou que o aborto poderia ser legítimo, caso a mãe descobrisse que a criança era portadora de trissomia 21.
Eu tenho uma irmã com olhos azuis. Chama-se Mónica, tem 22 anos e tirou o curso profissional de Serviços Básicos de Hospitalidade. Trabalha hoje numa pastelaria de Lisboa. Os olhos dela são lindos e ela é educada, feminina, anda sempre perfumada...
A Mónica é a minha irmã e irmã de mais três. Gostamos muito dela e ela é muito feliz. Dá unidade à família, está atenta sempre a todos e a cada um.
A sra. eurodeputada não tem os olhos azuis mas tem uns olhos tão bonitos como os da Mónica.
Tem os talentos e as virtudes de avó e de mãe. E tem dificuldades; certamente também chora e se alegra, é mais uma das pessoas deste nosso planeta que acorda todas as manhãs e lava os dentes. De certeza que já viu um pobre na rua e lhe estendeu a mão direita (a esquerda) ou as duas, ou olhou para uma prostituta e sentiu pena. De certeza que já ajudou alguém em apuros. Gostávamos que viesse a nossa casa, provasse os muffins que a Mónica faz e visse o gosto com que ela põe a mesa. E descobrisse que esta menina de olhos azuis tem... trissomia 21.
E ficaria bem contente por ela ter nascido. Tal como nós. Tal como qualquer pessoa.
Jaime Bilbao In Destak

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Psicologia barata?

O Tiago escreveu um post que me pôs a pensar...
E vai daí decidi fazer aqui uma promessa pública: a de que um dia hei-de ser mais "B", só não vou aqui agendar uma data, senão depois esqueço-me e fica tudo estragado porque fico desanimado.
Um dia hei-de conseguir ter uma agenda por mais de uma semana seguida.
Um dia hei-de conseguir ter nessa agenda os anos dos meus amigos e telefonar-lhes a dar os Parabéns.
Um dia hei-de conseguir deixar de marcar vários programas para a mesma data por não me lembrar dos primeiros que já tinha marcado.
Um dia hei-de conseguir estar menos de 5 minutos para sair de casa desde o momento em que estou totalmente pronto até ao momento em que encontro as chaves, a carteira e o telemóvel.
Um dia hei-de conseguir planear uma viagem e fazer um apanhado sobre o que mais vale a pena ver em vez de ler todos os livros e artigos que encontro sobre a História do lugar: não adianta muito saber que o Eduardo VII sucedeu à Rainha Vitória se não sei que o Madame Tussaud's fica naquela rua que agora não me lembro do nome, pois não?
Um dia hei-de conseguir não fixar tanto as pessoas na rua e nos transportes apenas porque estou muito divertido com um qualquer pormenor nelas.
Um dia hei-de-me lembrar que os meus amigos estão no estrangeiro antes de lhes telefonar para um programa e ter que desligar o telefone a correr para eles não pagarem muito em roaming.
Um dia, hei-de mesmo ser mais "B"... Até que esse dia chegue, fiquem todos com as minhas desculpas quando tal não acontecer. Como acho que tenho a agenda cheia para os próximos dias, lembrem-me de me começar a emendar quando tiver a agenda mais vazia, sff!

Manu Chao

Quando uma pessoa se abre a novas amizades, abre-se também a novos pontos de vista, novos gostos e novas formas de pensar.
Quando, no ano da Graça de 2001 fiz um projecto de Acção Social com a Marta no Brasil conheci um grupo musical de que até aí nunca tinha ouvido falar: os Manu Chao. A Marta tornou-se uma das minhas maiores amigas; os Manu Chao tornaram-se um grupo de que eu gostava e dos quais guardava boas recordações ligadas à Marta e ao projecto.
Passados não sei quantos anos fui para a China, onde conheci o Mário, de quem já muitas vezes aqui falei e que é um Salvadorenho fã incondicional dos Manu Chao. Com ele reencontrei este grupo cinco anos depois do projecto no Brasil e fiquei eu também fã.
Antes de voltar para Portugal, o Mário gravou-me um MP3 com as músicas de todos os CDs dos Manu Chao que eu agora ouço imensas vezes enquanto trabalho. Com isso vou-me lembrando de pequenos episódios que se passaram ao som destas músicas: perder um jogo da Fifa contra a Amy porque o Mário se meteu à frente do ecrã enquanto ouvíamos “lágrimas de oro”, o que deu um enorme gozo por parte dele, do Kennedy e do Chris por eu ter perdido contra a única rapariga e uma enorme irritação dela que dizia que podia vencer sem ajuda.
Doutra vez toda a gente se ria e gozava enquanto eu traduzia a música “homens”, que é cantada em Português e que diz qualquer coisa do género “gosto de todos os homens, louros, morenos, baixos altos…” É ingrata a função de tradutor!
E assim entraram os Manu Chao nas minhas memórias e no meu panorama musical. Recomendo vivamente!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Backdorm boys - Don't lie

backdorm boys - Don't lie

O duo mais famoso do blogadíssimo e arredores está de volta com o seu novo êxito: "don't lie", que é como quem diz 别撒谎 (bie sahuang). *
* Os meus agradecimentos à ilustre colega Assessora Jurídica e Sinófila, Dra. Ana Felício (oh Ana, soa bem o "ilustre colega", até parece que voltámos à Advocacia (onde tu nem nunca estiveste).

Château decorado

Já há muito tempo que eu não dava aqui novidades sobre o Château d'Alvim, a minha alegre e ampla mansão de quase 50m2... Ora o Château está a ficar cada vez mais giro, cada vez mais nobre e imponente como devem ser todos os Châteaux. E de quem é o mérito disto, de quem é? Todo meu, que soube escolher, ao longo da vida, a família e os meus amigos de entre as pessoas com mais bom gosto no mundo e quem sabe até talvez em Portugal.
Para começar, foi muito importante a decoração da casa de banho. Eu não mexi uma palha: foi um grupo de amigos que a decorou como presente de anos e o resultado foi excelente (vá, com uma excepçãozinha, que aquele tapete tem muito que se lhe diga... não é Raposinho?).
Fundamental foi também a ajuda da Tia Tuxa que me forneceu a cama, mesa e cadeiras e um quadro que é altamente elogiado por todos os visitantes do Château. Já para não falar na minha Mãezinha, coitadinha*, que andou a carregar comigo uns quantos móveis que estavam na arrecadação e que se adaptaram ao Château como uma luva. Esses móveis eram uma cómoda e um armário de cozinha todos pintados com arte e mestria pela minha cunhadíssima, que também me deu recentemente umas cadeiras que me faziam falta para receber mais pessoas.
E os amigos (principalmente amigas) que ajudam com escolhas e decisões. Tal é o caso da Inês e da Francisca na escolha dos sofás, da Isabel que me fez um candeeiro muito elogiado mas ainda não pendurado porque ainda não descobri como é que isso se faz e, mais recentemente, da Constança, da Maria João e do Marcos.
A Constança foi-me ajudar a montar os sofás e logo fez 1001 esboços de como ficaria a minha sala pintada das mais diversas maneiras. Esta estava enjoadíssimamente branca e a escolha recaiu sobre côres bem vivas como o encarnado "sangue de touro" e o amarelo. Na 4.ª pusémos mãos à obra com a Maria João, o que resultou numa sala muito mais gira e alegre e num dia bem divertido. Enquanto a Constança nos ensinava as técnicas de pintura com esponjados, a Maria João subia para os meus ombros, eu subia o escadote e com muito malabarismo lá pintávamos a parede até ao tecto.
Para além disso, mostraram-me como é que eu podia deixar de ter um T1+1 e passar a ter um T1+2. Deste modo, em vez de ter uma sala, passei a ter uma sala-de-estar e uma biblioteca (o que é uma divisão fundamental para alguém a viver sózinho e convictamente sem televisão).
Como já tinhamos amarelo e encarnado, decidimos fazer côr-de-laranja e pintar a casa de banho. Infelizmente aqueles tons de amarelo e encarnado não o permitiram, pelo que tivémos que comprar um pigmento e ontem o Marcos substituiu a Maria João. Com os seus 1,90m, ele dispensou escadotes, ombros e tudo o mais e sózinho com o braço bem estendido, lá chegava até ao tecto. Mais uma vez, o resultado não podia ser melhor.
A todos estes: muito obrigado! O Château continuará sempre aberto* para vos receber.
*Reparai que sempre que eu digo Mãezinha, sigo de coitadinha. Não é por nenhum motivo especial, porque a Senhora minha Mãe até é uma pessoa feliz, é só mesmo porque fica bem.
* Figurativamente, senhores ladrões, porque ele até tem muita protecção, não pensem que me chegam às inúmeras tapeçarias gobelins, pratas e companhias das Índias.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Marizámos bem!

Depois de andar por aqui e ali, a Mariza deu um concerto no Coliseu dos Recreios que encheu até cima. E quando eu digo até cima, digo literalmente até cima, porque eu estava onde mais alto não podia estar, nas galerias, e aquilo também estava cheio.
Não desiludiu! Cantou, encantou e eu saí de lá com a sensação de que queria mais CDs dela.
Dialogou com o público contando estórias da sua história, cumprimentou os amigos que estavam na plateia, deu um autógrafo a uma miúda de oito anos que foi ter com ela com um bloquinho na mão (a sorte premeia os audazes) e mostrou-se como diva confiante.
Eu, por mim, gosto bastante do estilo diva confiante que nos faz falta em Portugal... Em tempos que já lá vão tivémos a Amália, a Simone de Oliveira, a Madalena Iglésias, hoje em dia temos a Mariza. Faz-nos falta mais.
O fado dela tem toques de samba, morna, jazz e bossa nova: é um fado do mundo, daí ser tão bem aceite fora de Portugal. Não me interpretem mal, sou fã incondicional do fado típico só com as guitarras portuguesa e clássica cantado num ambiente escuro por um(a) fadista vestido(a) de preto gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Apela ao lado fatalista e trágico que de vez em quando se revela em mim e à esperança que ainda tenho que numa manhã de nevoeiro chegue o Dom Sebastião que resgatará o país de sei lá o quê que ele precisa de ser resgatado.
Mas também gosto muito deste fado-canção mais alegre, descontraído e cosmopolita. É um óptimo fado para exportação e também para consumo interno. É um óptimo fado para cantar enquanto limpo a casa ou para ouvir enquanto recebo amigos.