segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Natal... Uma charada?

O Papa Francisco disse, de forma muito dura, que devido ao estado do mundo, entre guerras civis, terrorismo e milhares de refugiados, este Natal seria uma charada. E fui aí que eu me perguntei: "este Natal? Qual Natal?"
Quando há 2015 anos Jesus Cristo nasceu na Palestina, esta estava sob jugo estrangeiro. Bem sei que nos habituámos a pensar nos Romanos como "colonizadores benignos". E, de fato, eram. Um exemplo disso era que a sua nacionalidade não era rácica mas cultural: ao longo dos séculos os  povos colonizados que aceitavam a assimilação foram sendo adotados como nacionais Romanos. Para além disso há o direito, a arquitetura e esta língua que de forma deturpada é ainda hoje a língua mais falada do planeta, o Latim (através do Espanhol, Português, Francês, etc...).
No entanto, com todas as virtudes que ainda hoje exaltamos no Império Romano, não nos podemos esquecer que este era aumentado através de um exército que era o mais eficaz instrumento de guerra alguma vez criado.  Era mantido à custa da repressão dos que contra ele se levantavam (veja-se Barrabás). A escravatura era prática comum e eram os escravos que remavam as galés deste grande exército e mantinham os povos entretidos no circo. Por último, as penas no  sistema criminal eram humilhantes: tomemos o exemplo da crucificação...
Os maiores inimigos dos Romanos eram os Persas e as guerras entre os dois sucediam-se. E os Persas no seu território estavam longe de serem mais meigos que os Romanos. Também a Oriente, o Império Han comportava-se da mesma forma, atacando os seus vizinhos de forma muito pouco simpática. Não sei se há formas simpáticas de se fazer guerras de conquista... Estes são apenas exemplos de como há 2015 o mundo também estava mergulhado em guerra e sofrimento, provavelmente maior do que hoje.
No meio de todo este caos no mundo deu-se o Natal. O Natal é quando Deus se une à humanidade e se faz homem. Esta criança nascida na Palestina não nasceu numa altura de paz e conciliação. Nasceu, sim, quando a humanidade mais precisava do Seu nascimento. Hoje, como nessa altura, precisamos de celebrar o Natal para que nos lembremos desta história de amor de Deus pela humanidade e por toda a criação.
Então a que Natal se poderia estar o Papa a referir? A resposta é óbvia: o Natal do consumismo. O Natal que já começa a inundar as cidades com  montras recheadas e luzes... (Um pequeno aparte para lembrar que essas luzes consomem energia e é a energia que está na base dos conflitos no Médio Oriente). Desse Natal não precisamos. Até parece egoísmo fazê-lo. Mas do Natal do amor de Deus por nós... Desse precisamos tanto quanto sempre precisámos quando Jesus Cristo nasceu numa era tão ou mais atribulada que a nossa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Crise política

Obama, Putin, Cameron, Merkel, Dilma... Todos eles não me largam a querer saber qual a minha opinião sobre a crise política atual em Portugal. Ora, aqui vai ela a ver se eles me deixam em paz e eu consigo voltar à minha vidinha.
Ora, como é óbvio para qualquer destes líderes mundiais, bem como para quaisquer outros leitores deste humilíssimo blog, eu preferia que o duo Passos-Portas tivesse obtido uma maioria absoluta e pudesse prosseguir com o seu governo. Mesmo tendo em conta que o governo anterior tomou muitas medidas que eu não teria tomado caso o PFB (Partido do Fabuloso Blogadíssimo) estivesse no poder (aumentar impostos em tempo de crise! seriously? que  tal cortarem mais na despesa?), mesmo assim acho que fizeram um bom trabalho num mau período.
Só que a coligação no poder perdeu a maioria. Vai daí, a minha segunda escolha preferida era que esta coligação tivesse formado um entendimento com o outro partido democrático no Parlamento, o PS. O acordo podia ser uma coligação ou apenas um acordo parlamentar, o importante é que permitisse governar com estabilidade e de forma manterem-se a estabilidade interna e os compromissos internacionais de Portugal. No entanto, depois das eleições, nem uma semana foi necessária para se entender que o Dr. Costa nem morto aceitaria tal coisa.
Chegámos então à pior opção possível: o PS, partido que sempre defendeu uma democracia de estilo Ocidental, com economia de mercado e integrada na Europa e no espaço Atlântico foi-se colocar nas mãos dos lobos maus e vermelhos à sua esquerda. Os tais que se deliciam com pequenos almoços vindos do infantário.
Eu, o eterno otimista, mesmo assim não estou demasiado preocupado pelo futuro (até porque não tenho filhos a que os lobos esquerdunços possam deitar as patas ao acordar). E os motivos para tal são os seguintes:
O Estado está na miséria. Quer dizer, está menos na miséria do que estava há 4 anos, mas mesmo assim está miserável. Sendo assim, eles não o podem levar muito mais à miséria. Os nossos credores não vão permitir muito mais endividamento, pelo que a esquerda e a extrema esquerda têm um limite para poderem gastar. Nem que isso implique o regresso da troika. Falando nela:
- A troika governa-nos melhor que os nossos políticos nativos. Vejam que a maior parte das boas reformas que este governo fez foram impostas pela troika: direito laboral, arrendamento urbano, privatizações, etc. Ora, com o programa Costa-Centeno, modificado pelo BE e a CDU, em menos de um ano temos os nossos amigos do FMI, CE e BCE de regresso.
- Os dois partidos de extrema esquerda (2+1, se considerarmos o PEV um partido e não um apêndice do PCP) estão tão radiantes com chegarem à esfera do poder que não vão querer deixar cair o Santo António (Costa) do seu pedestal. Ao menos temos alguma estabilidade política... Bem sei que se eu fosse uma pessoa pessimista estaria a pensar que no Orçamento de Estado para 2017 o verniz já estala todo e o Costa terá então legitimidade para pedir uma maioria absoluta em eleições antecipadas. Mas eu não sou pessimista.
- O Euro está baixíssimo face ao US$ e à GB£. Isto tem a vantagem que as pessoas não vão começar já a tirar o dinheiro para as suas contas fora da zona €uro. Hummmm... O problema número 1 é que não custa nada tirar dinheiro para a zona €uro. O problema número 2 é que as minhas contas fora de Portugal estão na zona US$ ou na zona GB£. Ou seja, eu é que estou tramado. Lá se vai o otimismo...