segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ceticismo

Devo confessar que sou um cético em relação a todas as novas teorias de saúde, de vida, de educação que não têm a mínima relação com a minha experiência empírica. Eu sei, sou um conservador.
Claro que por vezes (bastantes vezes até) me engano. Mas muitas mais vezes se vem a provar que afinal "os antigos é que sabiam". Os antigos diziam que se devia comer de tudo. Os modernos cortam nas mais variadas coisas que sempre comemos substituindo-as pelas coisas mais estapafúrdias substâncias que alguma suposta tribo da Amazónia ou antiga civilização extinta entre os Rios Tigre e Eufrates sempre comeram. Normalmente umas sementes sem sabor nenhum cujo único efeito é levar-nos mais vezes à casa de banho.
Vem este texto a propósito deste vídeo do TedX. Este senhor vem dizer umas coisas como se fossem muito novas mas estas mais não são do que o regresso às teorias antigas combatidas durante décadas. Note-se que eu concordo com ele a 100%. Apenas acho que estamos perante mais uma saudável tentativa de regresso ao passado.
Que as crianças precisam de estar "lá fora" parece-me uma coisa óbvia. Já nos idos de 80 o meu pai, que está longe de ser a pessoa mais moderna no mundo, todos os fins-de-semana nos levava aos jardins (zoológico, da Estrela, etc.) ou a algum lugar perto da natureza. As férias eram passadas entre a praia e o campo para ter "um bocadinho de tudo".
Que as crianças precisam de autoridade e de comer coisas variadas e saudáveis também não me é estranho. Passei a infância a ouvir "quem não gosta come mais". Bem como, é claro, a ouvir que a cenoura era boa para os olhos, o peixe e a carne para crescer, os espinafres para ficar forte como o Popeye e sei lá que mais teorias sobre tudo o que vinha à mesa.
Já outro vem dizer outra coisa que não é nova: deem tempo e espaço às crianças para serem crianças.
Afinal... Alguma coisa do que eles dizem é  novo? Nada!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Os parlamentos e a UE


No Reino Unido muito se tem debatido sobre a relação entre as instituições nacionais e as Europeias (veja-se a título de exemplo, este muito bom relatório do CER). Os Britânicos preocupam-se, nomeadamente, com o papel do seu parlamento na actividade legislativa das instituições Europeias. Esta preocupação é perfeitamente compreensível tendo em conta a importância de Westminster no sistema constitucional Britânico. Afinal de contas, é no parlamento que reside a soberania do povo.

Dito assim parece quase que não há grande diferença entre o Reino Unido e Portugal. Tal, no entanto, é errado. Dizer-se que a soberania reside no Parlamento quer dizer que este tem o poder legislativo livre das amarras constitucionais que prendem o legislador Português. Claro que há princípios fundamentais que o parlamento não pode revogar de um momento para o outro. Mas pode ir mudando de acordo com a vontade da maioria parlamentar.

Mesmo que o sistema constitucional Português não reconheça a mesma importância fulcral ao seu parlamento (a AR), não seria mal avisado que nós também tivéssemos este debate. Parece fulcral nos dias que correm, aproximar as instituições da UE e o seu trabalho dos povos da Europa. Sendo assim, nada mais natural do levar as questões da UE às casas que representam os povos da Europa, os seus parlamentos.

Um exemplo óbvio é o actual resgate à Grécia. Este foi decidido numa maratona negocial em Bruxelas pelos chefes de estado e governos, pelo chamado “Eurogrupo”, BCE, etc. Todos estas instituições têm, obviamente, alguma legitimidade democrática. Mas se o assunto não for debatido no Parlamento pelos partidos que representam diferentes sensibilidades políticas nacionais, como é que os cidadãos (cujo dinheiro irá ser direccionado para este resgate) poderão entender as vantagens e desvantagens do mesmo bem como a real posição dos partidos em relação a ele?

Tornar os parlamentos nacionais como casa do debate sobre as questões Euroopeias, é trazer a UE para o seio dos povos que a compõem. Reservar todas as informações a umas declarações numas conferências de imprensa que dão a decisão por consumada, independentemente da opinião dos representantes dos cidadãos, leva ao cada vez maior divórcio entre as instituições e os povos da União Europeia.