sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Augustíssimos I

Certos amigos de longa data, que já conhecem bem os meus traumas de infância, consideram uma falta de respeito pelos meus estimadíssimos leitores eu nunca aqui ter escrito sobre a Augusta e o Augusto, personagens que se relacionam directamente com o meu maior trauma de infância...
Comecemos então pelo princípio da estória.
Como qualquer criança saudável e normal, eu era perdido por animais: não podia ver um à frente que queria logo ter. Mil vezes um animal a um saco de 20Kgs de doces! Queria ser veterinário, queria ser São Francisco d'Assiz, queria ser qualquer coisa que fosse ligada a animais...
Sabendo disto o meu Tio Zé Manel, por ocasião da minha Primeira Comunhão, deu-me uma lindíssima hamster dourada que eu baptizei (sim, com água e tudo que eu não queria lá gentios a viver em casa) com o nome de Augusta.
Ora eu tinha pela Augusta um amor como de um pai por uma filha. Enquanto estudava, lia ou via televisão, a Augusta passeava-se alegremente pelos meus ombros. Se eu ia de férias, fosse para a Figueira da Foz, fosse para a Mesquitela, fosse para onde quer que fosse, a Augusta ia sempre comigo. Certa vez na Figueira ela fez um cortezinho na orelha o que deu convulsão geral e direito à consulta de um veterinário que me tranquilizou, dizendo-me que ela ia sobreviver.
Ora, certo Natal fui para Ourém, como em todos os Natais, e deixei a Augusta em Lisboa. Era só por um dia e ela tinha uma quente bota de lã que a minha Tia Loló tinha feito para mim e que já não me servia, mas que dava para uma bela cama para a Augusta. Tinha água, comida... Tinha tudo!
Fui descansado mas quando no dia seguinte voltei a Augusta estava estática, fria, não se mexia nem respirava... Eu tentei tudo, desde massagens cardíacas a respiração boca-a-focinho mas nada funcionou. O golpe neste coração de pai fui rudíssimo, mas ainda consegui compor um poema e improvisar um caixão com uma caixa de sapatos para enterrar a pobre Augusta no quintal. Pus-lhe uma cruz por cima, para mostrar bem que ali estava um animal baptizado, e deixei o poema como epitáfio.
Como a estória é longa, terei que acabar noutra ocasião, ou ainda sou despedido por incumprir os meus deveres laborais!

Azelhices de um Castelão

Uma coisa importante de se ter quando se vai viver para uma casa nova é uma máquina de lavar a roupa. Ora, tal utensílio da maior importância não poderia faltar no Château d'Alvim que, para quem não sabe, é o enormíssimo castelo com quase 50m2 onde de momento resido.
Ora eu tive a sorte dos meus grandes amigos Raquel e Johan, que foram viver para Oxford, me venderem a máquina deles por um preço bem mais barato do que custaria em nova. No entanto, um dia decidi pôr pela primeira vez a dita cuja a lavar, fui-me deitar, e no dia seguinte o meu castelo parecia uma piscina municipal.
Intrigado com o assunto, escrevi ao Johan que me respondeu que aquela rodelinha de plástico que estava colada com fita-cola em cima da máquina servia precisamente para pôr entre a torneira e a mangueira da máquina para aquilo não inundar...
Eu lembro-me vagamente de a ver antes de pôr o mico-ondas em cima da máquina... Então era para isso que ela servia! O que vale é que tive o bom senso de me esquecer dela e não a deitar fora, por isso ainda lá deve estar.
Mesmo a tempo do fim de semana, quando pago menos pela electricidade!

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

As estranhas ideias de Saramago

Ele de vez em quando há pessoas que se saem com umas bocas um bocado estranhas...
Saramago propõe "pacto de não-agressão" entre Islão e Cristianismo
2006-09-28, 13:44
San Sebastian, Espanha, 28 Set (Lusa) - O Nobel da Literatura José Sara mago propôs hoje um "pacto de não agressão" entre o Islão e o Cristianismo, que vá mais além da Aliança das Civilizações, uma proposta da Europa que considerou insuficiente.
ASP.
Fonte: Agência LUSA
Não se percebe onde o Senhor Saramago quer chegar com isto... Há séculos que não há agressões dos Cristãos aos Muçulmanos; há séculos que o conceito de "Guerra Santa" foi ultrapassado no Cristianismo; o Catecismo da Igreja Católica, livro que tira todas as dúvidas que possam surgir sobre a doutrina da Igreja nas mais diversas matérias, condena vivamente quaisquer guerras e agressões, justificando apenas a defesa a ataques ilegítimos (na qual não se inclui com toda a certeza as guerras que visam acabar com ameaças pouco provadas); todos os Papas desde há século têm condenado as diversas guerras que se foram sucedendo.
Se isto é verdade no que toca à Igreja Católica, não é menos verdade no que toca às outras Igrejas Cristãs, pelo que um pacto de não agressão parece absurdo: um pacto é necessáriamente feito entre duas partes e aqui só é necessário que uma das partes preste uma declaração de não agressão não só aos Cristãos mas também aos Hindus, Budistas, Xintoístas, Agnósticos, etc.. Já para nem falar nos Judeus que têm sido atacados mas também não têm atacado pouco...
Por isso, caro Senhor Nobel: reformule lá as suas palavras e fale de declaração de não agressão, porque os Cristãos não andam aqui a agredir ninguém... A não ser que o senhor interprete os exércitos Americano, Inglês, Italiano, etc. como agressores Cristãos.
Mas nesse caso está-se a esquecer que nos países maioritáriamente Cristãos há liberdade de culto, ao contrário do que acontece na maioria dos países maioritáriamente Islâmicos, pelo que nesses exércitos existem crentes das mais diversas fés.

Volver e Jaime

Já aqui disse que tinha ido ver o volver, do Almodôvar na 2.ª feira, mas não disse nada sobre o filme. Apesar deste dar uma imagem muito negativa dos homens, eu gostei imenso e fartei-me de rir - é um filme de mulheres mas não exclusivamente para mulheres.
Já todos deveis saber que a personagem principal é a Penélope Cruz, o que talvez não sabeis é que este é o filme melhor dela: faz uma personagem cheia de força e de vida que lhe ficou muito bem...
Com um filme tão giro, saí de lá a comentar porque é que os Franceses, Italianos e Espanhóis têm tão bom cinema enquanto que por cá, com os intelectualóides que temos como produtores, só somos capazes de fazer uns filmes deprimentes, parados, escuros, cheios de palavrões, sem estória nenhuma que se aproveite, etc.. Porque é que com o fim do Vasco Santana, do Ribeirinho, do António Silva e da Beatriz Costa se acabou o cinema em Portugal?
Vai daí o Tim lembrou-me do Jaime.
Ah sim! O Jaime! Esse é um bom filme... Pode ter uma estória um bocado triste, mas é sem dúvida um bom filme! Não se vê por sacrifício só para se dizer que se vê cinema Português...
Pronto, retiro o que disse, já se fez um bom filme em Portugal nos últimos 40 anos! Para quando o próximo?

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Eléctrico

Hoje decidi pela primeira vez vir de eléctrico para o trabalho - ontem já tinha comprado o cartão 7 colinas, por isso estava preparado...
Estava eu há uns cinco minutos à espera na Calçada da Estrela, quando passa por mim a pé um homem que olha para mim e prossegue o seu caminho calmamente, sem pressas...
Passados uns outros 10 minutos, já eu estava a considerar vir a pé, lá vem o eléctrico: ALELUIA!
Apanho o eléctrico e fico distraído a observar as pessoas que lá iam, como faço sempre nos transportes públicos.
Quando saio na Calçado do Combro, o mesmo homem passa por mim no seu passo calmo e olha para mim outra vez, desta vez com um ar de gozo enorme estampado na cara. Nem foi preciso ele falar para lhe ler os pensamentos:
"- Oh meu g'anda tanso! Oh p'a mim a chegar antes de ti sem apanhar transportes!"
Fúria!

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Não sabe quem eu sou?

Aviso a todos os que vão ao cinema Londres: a mulher que nos leva aos lugares é antipática como as portas!
Ontem fui com as duas Mafaldas e o Tim ver o volver e já estávamos um bocadinho atrasados, então ela começa a disparatar que o patrão estava lá, e nós íamos passar em frente das pessoas, etc. Vai daí eu interrompo-a para tirar o prato com a cara dela:
- Olhe lá, ninguém se importa que eu passe à frente porque as pessoas gostam muito de me ver. Sabe, eu sou famoso... Não sabe quem eu sou? Não me reconhece da televisão?
A mulher olha para mim com cara de parva (deve ser a única que tem) e já com medo de estar a tratar mal uma estrela do cinema diz um tímido e já meio sumido não... Tem piada como as pessoas não se importam de tratar mal um Zé Ninguém como eu mas já ficam todas borradinhas se pensam que afinal o Zé é alguém!
- É natural, eu sou desconhecido, mas as pessoas gostam de me ver à mesma!
Ela deve ter ficado fula de estar a ser gozada, porque eu ia a entrar com uma das Mafaldas e ela acabou por tratar o Tim e a outra Mafalda ainda pior para se vingar. São as coisas da vida...
Por isso, quando forem à noite ao Londres, vão preparados para gozar um bocadinho com a mulher a ver se ela começa a ser mais educadinha e simpática!

Os meninos da rádio

Todos os dias de manhã ouço a RFM com a Carla Rocha e o Zé Coimbra - gosto das músicas, da "marca do Zé", da "guerra dos sexos", das notícias e até das piadinhas que eles vão dizendo.
Já em casa dos meus Pais ouvia enquanto tomava banho, mas agora, que tenho música ambiente em toda a casa*, ouço enquanto faço o meu exercício, enquanto rego as plantas (que acho que também gostam de rádio), enquanto tomo banho e faço a barba, enquanto me visto, enquanto tomo o pequeno almoço...
A RFM de manhã também serve para medir o pulso à (falta de) cultura dos Portugueses - às vezes é constrangedor o que eles e elas, na guerra dos sexos, não sabem...
Acima de tudo, divirto-me! E, como não me pagam pela publicidade, sou livre de dar os Parabéns à Carla e ao Zé (já somos quase tu cá tu lá) pelo bom programa da manhã.
*É uma outra maneira de dizer que como a casa é mínima, a aparelhagem na sala ouve-se em toda a casa.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Um post à pressa

Estou cheio de trabalho, sem tempo para escrever, mas gostava de partilhar convosco o texto da 1.ª leitura de hoje tirada do Livro dos Provérbios 3, 27-34. Gostei muito dele e revi-me em tantas situações destas, que não podia deixar de o partilhar.
Não negues um benefício a quem dele precisa, se estiver nas tuas mãos poder concedê-lo.
Não digas ao teu próximo: «Vai, e volta depois, amanhã te darei», quando o puderes logo atender.
Não maquines o mal contra teu próximo, quando ele deposita confiança em ti.
Não litigues contra ninguém, sem motivo, quando não te fez mal algum.
Não invejes o homem violento, nem adoptes o seu procedimento, porque o Senhor abomina o homem perverso, mas reserva para os rectos a sua intimidade.
A maldição do Senhor cai sobre a casa do ímpio, mas Ele abençoa a morada dos justos.
Ele escarnece dos escarnecedores, mas concede a sua graça aos humildes.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Bloco de Esquerda

Este não é nem pretende ser um blog político, é um blog meramente pessoal sobre as ideias que de vez em quando me saem da cabeça para os dedos, daí para o teclado, etc. Mas hoje irritei-me com o Bloco de Esquerda, pelo que venho aqui desabafar isso (isto quase podia ser outro confessionário).
Já estou habituado a que o BE seja um partido radical, demagógico, irresponsável e popularucho que guia a sua agenda política pelos meios de comunicação social. Mas mesmo que esteja habituado a isso, ainda há coisas que me surpreendem.
Então não é que dois jornalistas tiveram, vá-se lá saber por que meios, acesso a documentos e gravações confidenciais e publicaram-nos num jornal! Se isto do ponto de vista da ética deontológica profissional é inqualificávelmente mau, do ponto de vista Penal pode constituir um crime se se provar em Tribunal que este acto, para além de estar previsto no código Penal, é ilícito culposo e punível.
Pois o Ministério Público, como é seu dever, acusou os dois jornalistas. O tribunal, que é um órgão independente, condenou-os, e agora isto:
Lisboa, 22 Set (Lusa) - O dirigente do Bloco de Esquerda Fernando Rosas mostrou-se hoje "perplexo" com a actuação do Ministério Público no caso do "Envelope 9", dizendo que, ao acusar dois jornalistas do 24horas, está a tentar "matar o mensageiro".
Mas o que é isto de um dirigente partidário estar a querer interferir na justiça e a mandar bitaques para a opinião pública!!! Mas onde é que nós já chegámos?
Mandem esse homem para a Coreia do Norte, Cuba ou Vietname, porque aqui na Europa civilizada os tribunais ainda mandam na Lei! E sem interferências, sff!

O paradigma dos grupos

A imagem que tenho de um cientista é de um velho despenteado de cabelos brancos rodeado de pipetas e tubos de ensaio; a imagem que tenho de um polícia é de um autoritário e barrigudo senhor com pronúncia das Beiras; a imagem que tenho dos juízes... Uops! Mais vale parar por aqui...
Em qualquer dos casos até hoje nunca conheci um cientista velho, de cabelos brancos e despenteado, conheço a Mafalda, a Ana Luísa, a minha prima Sofia (ou será a Marta? elas são gémeas iguais...): todas elas novas, giras e muito pouco condizentes com a ideia de velho despenteado. Também a maioria dos polícias que eu vejo na rua são novos, sem barriga ou pronúncia das Beiras. Já os juízes... Só desejo que a Ana Sofia e o Miguel não se deixem afectar muito pela profissão! eheheh
Mas tudo isto para dizer que muitas vezes as imagens que temos na nossa cabeça sobre uma profissão, uma nacionalidade ou qualquer grupo de pessoas unidas por alguma coisa em comum não provéem da nossa experiência e podem até nem provir da experiência de ninguém, mas apenas de uma piada que se generalizou.
As sogras, por exemplo, coitadinhas... O que toda a gente goza com elas! Mas a verdade é que a maioria dos meus amigos e amigas casados dá-se muito bem com as suas sogras.
Sendo assim, a piadinha sobre algum grupo até pode ter piada, mas não esperemos encontrar nesse grupo todas as características das piadas.

Um sorrisinho para a câmara!

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Um fado do lar!

Lembrai-vos de quando vos escrevia que os meus duches de manhã eram muito frios? Pois já não são desde ontem!
Tive que passar uma boa parte da manhã em casa à espera dos senhores do gás, mas eles lá chegaram. Bateram à porta na dúvida se estaria alguém ou não porque todas as minhas vizinhas lhes disseram que eu saio sempre de casa pelas 8.30 (eu nem as vejo! Devem trabalhar para a CIA), mas lá me encontraram, esgotado depois de duas horas passadas em limpezas e arrumações.
Na altura de acender o esquentador disseram-me que este não tinha pilhas...
"- Pilhas! Mas o esquentador é a gás!"
Esta santa ignorância fez com que eles esboçassem um sorriso paternal e lá saí eu de casa para correr até ao super-mercado mais próximo, que ainda fica a uns bons 10 minutos de distâncias mas que eu fiz em 3, para eles poderem experimentar o esquentador.
Quando eles se foram embora, tomei o meu primeiro duche quente no Château d'Alvim- que bem que me soube!
E à noite já pude cozinhar. Afinal de contas tinha lá visitas de luxo, os meus primos Filipa e Rodrigo, não podia ficar mal. Experimentei fazer pela primeira vez bifinhos com natas e cogumelos - não ficaram maus, mas aconselho a todos a comprarem cogumelos laminados em vez de cogumelos inteiros. E aconselho também a quando quiserem fazer arroz, não se esquecerem de comprar cebolas e alhos, fica bastante melhor do que totalmente branco.
Se calhar ainda vou aqui abrir uma rubrica com conselhos domésticos para quem seja AINDA mais inexperiente do que eu em assuntos domésticos... Afinal de conta, na China eu já cozinhava, limpava a casa, fazia máquinas de roupa, etc. Sou um fado do lar!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Laura... Een hele lieve meid...

Passámos o fim de semana a cantar isto... Tentem perceber a letra e vejam o quão possidónia é. É linda!
.................................................................
Kijk... ze lacht zonder gevoel
Een onbereikbaar doel...wordt er toch naar gestreefd..
Ruik.. de geur van grootse moed..
het stroomt door haar bloed...maar waarom.
.
Haar naam is Laura...
Een hele lieve meid...
Als ik in haar ogen kijk ben ik de weg heel even kwijt...
Ooh Laura
Een leven vol verdriet... al haar vrienden lopen buiten
Voor Laura geldt dat niet...
.
Proef... de smaak van haar gewedt
Het is zo onterecht, maar daar legt zij zich bij neer....
Hoor... de stemmen in haar hoofd... waardoor ze weer gelooft...
maar waarom...
.
Haar naam is Laura..
Een hele lieve meid...
Als ik in haar ogen kijk ben ik de weg heel even kwijt...
ooh Laura..
Een leven vol verdriet... al haar vrienden lopen buitenMaar...
Voor Laura geldt dat niet...
.
Maar waarom....
Is alles nu voorbij..
Laat het leven nooit meer vrij...
.
Haar naam is Laura...
Een hele lieve meid...
Als ik in haar ogen kijk ben ik de weg heel even kwijt..
Oooh laura...
Een leven vol verdriet... al haar vrienden lopen buiten
Maar... voor Laura geldt dat niet...!

Luso-Alentejanos?

A falar com uma Holandesa, que anda a viver por cá há algum tempo, estava a explicar as diferenças entre os diversos Portugueses. É óbvio que ela já desconfiava que num grande país como Portugal, com mais do dobro da área do país dela, as diferenças fossem acentuadas, mas quando eu disse que os Alentejanos eram assim mais para o relaxado ela desatou-se a rir.
Fiquei admirado por uma Holandesa não concordar que os Alentejanos são assim mais para o relaxados, mas afinal de contas ela só estava a achar piada um Português estar a dizer que outros Portugueses eram relaxados, porque ela já nos achava em geral um povo com poucas relações de amizade com o trabalho.
Como é que é possível alguém pensar isso?
Juro que ainda no outro vi um Português trabalhar! Quer dizer... Ele estava mais a mandar dois Eslavos e um Africano trabalhar, mas mandar trabalhar também dá muito trabalho! E o trabalho é tão importante para nós, que até temos um Ministro do Trabalho!
De facto ele há gente que não se vê ao espelho! Bem, agora estou muito cansado por escrever este post, vou ali ter com o resto do pessoal à sala do café.

Pode repetir, sff?

Vá-se lá saber porque obscuros motivos, mas certas e determinadas pessoas deram agora em chamar-me Yeti...
Yeti!!!

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Blog da Amy

Ainda não percebi como é que se mete aqui vídeos do youtube, mas carreguem no link que está no título para se rirem a bom rir. Um conselho: não tenham chefes por perto porque não se vão MESMO conseguir controlar.

Feiras Novas

E o blogadíssimo deslocou-se para o Nuórte este final de semana, mais precisamente para as festas de Puónte de Lima...
Pois então, perguntais-me bós, mas o que é que lá se faz nessas festas?
Ora na 6.ª à noite num se faz grande coisa tirando uma pessoa ir-se ambientando à bila, à multidão, à pronúncia e ao fino, uma coisa que se parece incríbelmente com a imperial mas num é porque é um fino. Da 1.ª vez o pacóvio do Sul ainda pede imperial, à 2.ª ainda pode hesitar um bocado, à 12.ª ou 13.ª vez já num tem dúbidas de que o que quer mesmo é um fino e num uma daquela iágua de labar pratos que lá os Sulistas têm que se chama imperial.
Por essa altura já certa e determinada personagem treme ante o facto de alguém o poder considerar de Lisboa e diz ser da Figueira da Foz, de Mangualde ou de Ourém, conforme nessa altura se sentir mais da praia, da serra ou do bale. É também nessa altura que essa personagem já bai dizendo que a baca debia de ter ficado na mangedoira, ante a surpresa de certos nortenhos que não sabiam que em Ourém também se trocava os "bês pelos bês"...
Mas se a 1.ª noite tende a ser dibertida, a 2.ª ultrapassa todos os recordes. É ver os ex-Lisboetas já cuonbertidos ao Maínho a dançarem o bira como se não hubesse amanhã e a cantar ao desafio coisas como:
Agora, agora, agora, Luísinha agora
Meu peito suspira meu coração chora!
E pruonto, agora que tibe de imigrar aqui para Lisboa, que num é nem de perto nem de longe, tão dibertida cuomo a minha Puonte de Lima onde nasci e fui criado (tibe uma cuoisa qualquer com a minha memória que num sei o que é, num se me alembra nada do passado mas tenho a certeza que sou de Ponte de Lima), estou a entrar em depressóm puorque aqui ninguém conhece a tal da Luísinha, as pessoas não se ajuntam em rodas para dançar o bira e num pude ficar na cama até ás 2 da tarde! Fuosgas!

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Scooter

Isto pode bem começar a ser um blog de classificados- vou anunciando aqui o que quero comprar ou vender e todos podem dar sugestões ou opiniões.
Pois neste momento quero comprar uma scooter. Alguém sabe de alguém que queira vender uma? Eu já estive a ver no sapo, mas eram só motas XPTOs e eu, que não tenho carta de mota, quero uma scooter assim humilde e simpática, barata (óbvio!) e que me leve onde quero ir sem grandes problemas de estacionamento. Se puder ser colorida, melhor ainda, mas se for preta, cinzenta ou branca, será bem vinda à mesma.
Eu até que faço bem a pé o percurso casa-trabalho-casa, mas quero-me inscrever num ginásio (a Moby Dick começa-me a parecer muitíssimo elegante) e no Inglês (parece incrível já ter dado aulas e não ter nenhum diploma) e isso já me vai fazer dar mais umas voltinhas.
A gerência agradece.

Tradução

Um amigo meu Indonésio devia estar possuído pelo demo e mandou-me este mail... Que bom é receber mails em Indonésio! Acho que lhe vou responder com um em Português..
Saya selalu merasa tidak nyaman kalau harus datang ke pernikahan keluarga. Biasanya, tante? dan oma? akan datang pada saya sambil me-nepuk? pundak, "Kamu berikutnya kan?" kata mereka. Kebiasaan ini berhenti setelah saya melakukan hal yang sama pada mereka di setiap acara pemakaman keluarga

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Duches matinais

Estais a ver este senhor a tomar o seu duche logo pela manhã?
Poderia ser eu, pensais vós, mas enganais-vos redondamente! De facto o senhor até é mais ou menos alourado como eu, até tem barba, como eu e até parece ser limpinho, como eu.
Mas reparai só no vapor que sai da água. Vêde só a nuvem que envolve o homem. Atentai bem no ar de comodidade com que ele passa as mãos quentinhas pela cara também quentinha...
Então não posso ser eu porque só na próxima Quarta é que a GDP se vai dignar a deslocar-se ao Château d'Alvim e instalar o gás, para que eu possa usufruir da comodidade de ter água quente.
Nessa altura terei que pagar €34,00 (!!!) para ir lá um homem inspeccionar se aquilo está bem e depois ainda pago mais €56,00 na primeira factura! E isto é se eu tiver sorte e não tiver que mandar alguém arranjar sabe-se lá o quê...
Já ouvi falar de assaltos à mão armada que causavam menos prejuízos do que isto! Se não fosse já ter esquentador e fogão comprava tudo eléctrico. E se não fosse isto ser um repeitabilíssimo, educadíssimo, polidíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog e eu escreveria aqui que eles não passam de uns... Uau! Controlei-me!

Amazónia

Pronto, admito, é verdade!
Todos aqueles que andam a murmurar que eu de facto não estou a viver sózinho e que por baixo desta capa de rato de sacristia lavado com água benta está um possuído pelo demo, têm toda a razão. De facto estou em união de facto com duas personagens (logo duas!): a Daisy, Inglesa, e a Margarida, Portuguesa.
Pois estas personagens foram-me legadas pela Raquel e o Johan e são duas plantas (peço desde já desculpa àqueles que estavam a imaginar altos regabófes no Château d'Alvim). A Daisy é pequenina e foi dada à Raquel por uma amiga Inglesa quando ela esteve a viver em Oxford e foi ela que lhe deu o nome. A Margarida já é bastante grande e fui eu quem lhe dei o nome: como a imaginação não abundava, traduzi o nome da outra para escrever agora o post. As duas tiveram que ser deixadas para trás pelo casal Van der Wijk que foi viver para Inglaterra onde todos os animais e plantas são sujeitos a quarentena (o que não os impediu de ter as vacas loucas).
Todos os dias, mal me levanto, dirijo-me ao andar de cima, que ainda está vazio e só tem a Margarida, para a regar e lhe abrir a janela para ela apanhar Sol. Apesar da Raquel me ter pedido para falar com ela, não sou capaz de muito mais do que um sonolento bom dia e um até já. Depois disso volto para o andar de baixo onde rego a Daisy e a ponho à janela. Com essa não preciso de falar porque a miúda "ouve" a música que eu ligo mal acordo, mal chego a casa, mal tenho oportunidade e parece-me que gosta bastante, que ainda no outro dia me pareceu que ela estava a bombar ao som dos Manu Chao.
Com tudo isto, caros Raquel e Johan, podem ver que as duas estão a ser bem cuidadinhas e encontraram um dono protectivo e carinhoso. E com tudo isto, caros médicos do Júlio de Matos que aqui podem ler uma confissão pública de que eu todos os dias digo os bons dias a uma planta, se me quiserem encontrar, procurem em Bragança, onde eu estou todos os dias. Tenho 1,97m, sou moreno de olhos castanhos e com uma enorme verruga no nariz - muito fácil de reconhecer!

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

My super ex-girlfriend

Sabeis aquela sensação de sair de um filme a pensar: "ora aqui está uma coisa inteligente em que pensar", ou "nunca tinha pensado naquilo" ou ainda com aquela sensação de que aprendemos mais sobre a vida e as pessoas?
My super ex-girlfriend não é desses filmes! Mas ainda bem!
Ontem não estava nada com vontade de ir ver um filme inteligente, que me pusesse a pensar ou que me fizesse perspectivar melhor a minha vida: estava-me mesmo a apetecer um filme de palhaçada que me fizesse rir um bocado e para isso este filme era óptimo.
É um filme que goza com os super-heróis que são sempre bonzinhos e com os super-vilões que são sempre mauzinhos e com os super-heróis e super-vilões que são sempre inimigos, etc. E também goza com os namoros, com os ciúmes, com as namoradas e namorados, com os engates e as tampas.
Se o virdes, não ireis sair da sala com a sensação de que é o melhor filme que já visteis, mas ireis gostar de ter ido.
Um conselho: não levai crianças! Eu tinha uma família com três filhos à minha frente e estava embaraçado por eles porque tem certas partes de humor um bocadinho avançado de mais para os miúdos. Quer dizer... Se eles vêem os morangos com açúcar, isto até lhes vai parecer um filme muito casto!

terça-feira, 12 de setembro de 2006

11 de Setembro

Um amigo meu, armado em Batista Bastos dos tempos modernos, perguntou a um grupo de amigos por mail:
“- E você, onde é que você estava no 11 de Setembro?” (Ele escreveu Dezembro, mas foi um mero lapso que nós já esperávamos dele).
Ora eu estava no Brasil, mais precisamente em Montes Claros com o MSV a fazer um projecto de acção social. Soube da notícia quando estava a entrar numa casa com a Rita Lancastre que fazia anos nesse dia - 1.º achávamos que os putos estavam a ver um filme qualquer até que o Pai disse num tom descontraído como se não se passasse nada de mais:
"Não é fiumi não! Tem uns caras qui mandaram uns avião numas torris dji Nova Iórrqui..."
Como os brazucas são alarmistas, na rede Globo começaram logo a dizer que os aeroportos Norte-Americanos e Europeus iam estar fechados durante um longo período, que ia haver a III.ª Grade Guerra de proporções inimagináveis porque o Afeganistão e o Iraque tinham armas nucleares, etc.
Eu limitei-me a sugerir que fossemos os sete que estávamos a fazer o projecto para o Rio de Janeiro tentar encontrar emprego, porque eles também diziam que ia haver hackers informáticos a dar cabo de todas as ligações informáticas e que, por isso, também íamos ficar sem transferências de guito vindas de Portugal.
A tarde passámo-la na capela das Escravas a rezar pela Paz no Mundo - pelos vistos deu resultado porque não houve III GM... :-)

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Château d'Alvim com castelão

Havia um enormíssimo Château em Lisboa que estava a receber coisas para acomodar um nobre castelão, mas que continuava sem o próprio do nobre castelão. O Château sentia-se triste, abandonado e sem utilidade e suspirava pelo dia em que um garboso, gentil e nobre castelão o iria habitar.
Esse dia finalmente chegou no passado Sábado. O nobre castelão foi a um casamento para os lados de Sintra* e ao voltar a Lisboa já não voltou ao castelo de seus pais mas sim para o seu novo Château.
É claro que o castelão sentiu logo falta de algumas coisas que tinha no castelo de seus pais, como pratos e copos, por exemplo, pelo que Sábado de manhã, com muito poucas horas de sono (porque tinha um almoço em Azeitão nesse mesmo dia), lá se dirigiu aos fornecedores de pratos e copos da Casa Real, que estava a abarrotar da mais alta nobreza do Reino (saíu-me cada Duque na rifa!) para suprir essas necessidades com a mais fina porcelana e os mais cintilantes cristais.
É claro que certas necessidades ainda não puderam ser supridas, como um duche quente de manhã, por exemplo, dado que o Château ainda não dispõe de ligação à rede de gás, mas isso é apenas uma questão de dias...
O Château d'Alvim está cada vez mais um confortável Châteaux, pronto a receber amigos e família do nobre castelão.
*Parabéns Inês e Tomás!

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Small world

Ontem fui almoçar com o Tiago e algumas outras pessoas que andam metidas nestas estórias da habitação social para trocarmos impressões sobre as políticas levadas a cabo em Inglaterra e em Portugal. O Tiago falou da sua experiência a trabalhar numa housing association de Londres, a Dulce a Maria João das suas experiências com habitação a custos controlados em Portugal e a Ana e eu, que percebemos menos do assunto, ouvimos cheios de interesse.
Todos saímos de lá satisfeitos pela boa conversa e a boa comida e eu fiquei com a impressão de que o nosso mundo está cada vez mais pequeno. Aqui há uns anos parecia que as experiências estrangeiras em matéria de políticas sociais eram muito avançadas, que nunca lá chegariamos, que os outros é que eram bons e nós uns pobres coitados, etc. Isto, é claro, era fomentado pelos intelectuais que iam ao estrangeiro e vinham de lá com umas teorias formidáveis em que só mostravam os pontos positivos do que por lá se passava para demonstrar a todos os que os liam ou ouviam os pacóvios que eram de não conhecerem estas novas realidades.
Ontem o Tiago falou com toda a simplicidade das virtudes e defeitos da política de habitação social em Inglaterra, a Dulce e a Maria João fizeram o mesmo sobre Portugal e saímos de lá todos com a impressão que nós temos muito a aprender com os Ingleses mas eles também terão umas quantas coisas a aprender connosco. Parece que, apesar de os dois países terem problemas e soluções muito diferentes, estão os dois muito próximos no que toca ao esforço de integrar todos na sociedade da melhor maneira possível.
Parece que já não há um fosso tão grande entre os diversos países. Parece que o mundo está a encolher...

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Saudade

Saudade é uma palavra de que muito se fala mas de muito difícil explicação.
Para mim, saudade é sentir que um bocadinho do meu coração fica para trás, junto de pessoas de quem me separo, de pessoas que se separam de mim.
Para mim saudade é uma troca como a de berlindes na escola: tu levas um bocadinho de mim e eu um bocadinho de ti. A certa altura já deixei tantos bocadinhos meus espalhados e já ficaram em mim tantos bocadinhos de outras pessoas que eu já não sei se eu sou eu ou se eu sou uma soma de todos aqueles por quem, como o Principezinho, me deixei cativar.
Para mim saudade é também esperança. Esperança de que aqueles que entraram nesta troca estejam sempre em mim e eu neles.
Para mim saudade é a recordação tal como deriva do Latim - re cordare - trazer ao coração.
Para mim não há vida sem saudade mas também não há saudade naqueles que não vivem plenamente. Sendo assim, saudade para mim não é sofrer: saudade para mim é viver!

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Tempo de Antena para esclarecimentos:

Ontem, pelas 10 da noite, foram vistos dois homens com um frigorífico num micra branco, algures no caminho entre Benfica e a Lapa.
Os homens tinham os dois cerca 1,70m enquanto que o frigorífico tinha cerca de 1,60m. Os bancos do carro estavam todos dobrados para a frente, com excepção do banco do condutor. O outro passageiro apertava-se lá atrás contra o frigorífico.
Testemunhas que trabalham no media market prestaram declarações nas quais disseram que consideravam impossível um frigorífico daquele tamanho caber dentro de um micra.
Na sequência de acusações feitas sem qualquer fundamento ou ligação à realidade dos factos, este formidabilíssimo, fantastiquíssimo, brilhantíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog vem pelo presente negar que o homem louro de barba que ia atrás com o frigorífico fosse o seu autor ou que o condutor fosse o seu amigo Tim!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Europa e África

Já que ando numa de posts sérios (isto de ter 26 anos já pesa...), vou tentar tirar desta cabecinha ainda loura mas agora mais velha algumas ideias que vão mais ou menos no sentido daquelas perguntas que eu tinha feito ontem.
O que é que nós, Europeus, queremos que aconteça em África?
Claro que a hipótese de a Europa acolher os 800 milhões de Africanos, seria não só impossível como indesejável.
Mas não há dúvidas de que a Europa tens os meios para pôr fim aos conflictos em África e para promover o seu desenvolvimento. A Europa tem excesso de licenciados, que faltam em África; a Europa tem a maior parte das melhores Universidades do Mundo com excesso de mestres e doutores; a Europa tem dinheiro para construir estradas, pontes, portos e aeroportos onde eles fazem mais falta.
Por outro lado, a África está "mesmo aqui ao lado", com laços culturais fortes com a Europa e pode representar o maior aliado comercial do velho continente, desde que, é claro, as economias dos seus países estejam a funcionar ao mínimo.
A República Popular da China e a Formosa, por exemplo, já se aperceberam do enorme potencial de África e têm investimentos e acções de cooperação bilateral de milhares de milhões de euros com a maioria dos países do continente (aliás, ate se servem disso como forma de legitimação internacional, no braço de ferro que os dois suportam há 58 anos para serem reconhecidos como a China legítima).
Os Estados Unidos, Israel e Rússia também já se aperceberam não tanto do que podem construir em África, mas mais do dinheiro que podem ganhar com a venda de armamento, pelo que não têm problemas em permitir que as guerras continuem para benefício das suas indústrias de armamento.
E a Europa? Quando é que se vai aperceber da importância que a África tem no panorama internacional? Quando é que se vai aperceber que a China e a Formosa podem ser parceiros fulcrais em África numa tentativa de retirar a importância que os Estados Unidos, Israel e Rússia têm nos conflictos e nos regimes autoritários do continente?

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Imigrantes

Para se entender verdadeiramente uma pessoa, temos que vestir as suas roupas, calçar os seus sapatos e viver a sua vida ou, pelo menos, imaginar como isso seria.
Vinha agora no metro que, como podem imaginar, estava cheio e vinha mesmo ao meu lado um homem negro com dois filhos: uma miúda de uns 5 anos com umas trancinhas muito bem feitas a acabar nuns bonequinhos, vestida com todo o cuidado e a vestir umas sandalias côr-de-rosa e um miúdo de uns 3 anos com calções e camisas impacávelmente passados e também com umas sandálias, mas estas azuis.
Já o homem estava vestido com menos cuidado: umas calças e uma tshirt com manchas de tinta indiciavam que devia ser pintor.
Falavam os três numa língua crioula que só dava para entender uma ou outra palavra solta e parecia que, apesar de irem apertados entre a multidão que enchia o metro, iam sózinhos no seu mundo bem longe daqui, com a sua língua, as suas graças e os seus gestos próprios.
E foi aí que eu me imaginei na situação deles: a viver num país de gente diferente, a fazer trabalhos cansativos e desgastantes, a não querer desligar-me do meu país e a ensinar Português aos meus filhos sem eles nunca terem conhecido Portugal (que é o que provavelmente acontecia com aqueles miúdos). E tudo isto posto perante a alternativa entre viver assim ou voltar a um país miserável onde os meus filhos, agora tão limpinhos e bem apresentados, iriam passar fome e ser privados de estudar.
E vem isto a propósito do alarme que se gerou quando mais umas centenas de imigrantes clandestinos tentaram há uns dias entrar nas Canárias para daí seguir destino para a Europa. Será que eles querem mesmo viver num continente frio, de gente tão diferente e onde serão recebidos com desconfiança e até violência? Não me parece...
O que me parece é que eles querem fugir de uma vida condenada à miséria, à guerra, à doença e ao analfabetismo; que eles querem alimentar os filhos, pô-los na escola a estudar e ter a certeza de que a sua casa não vai ser invadida durante a noite por uns quaisquer guerrilheiros a soldo de um qualquer barão da guerra movidos pelas piores intenções; que eles querem que os filhos possam ser atendidos em hospitais quando estão doentes e comer à hora das refeições.
E nós? O que é que nós queremos?
Queremos que eles morram de fome, doença ou numa qualquer guerra sem sentido?
Queremos que os seus filhos creçam sem saber ler ou escrever e que venham a ser os pequenos guerrilheiros que ou morrem antes da idade adulta ou se tornam em barõezinhos que recrutam novos pequenos guerrilheiros?
Queremos que as suas filhas morram de parto com 20 ao dar à luz o 5.º filho e que os seus filhos apanhem e dessiminem a SIDA que se tornou numa epidimia incontrolável em África?
Se não queremos isso, o que é que queremos fazer?

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Parabéns Mariana!

MARIANA, minha primíssima Londrina: MUITOS PARABÉNS!
É uma pena ter que passar os anos aí em Londres, sem sandes de courato (kourat sandwiches), iscas com elas (isks with them) ou patanisquinhas de bacalhau (little patanisks of cod fish). Ainda ontem lá na Mesquitela me diziam que isso da Mariana estar aí tão longe é uma grande pena- espere o postal que lhe vai chegar.

Só ler AMANHÃ!

Dado que a net em minha casa pifou, vou já aqui deixar um post para três pessoas muito importantes lerem amanhã.
INÊS: MUITOS PARABÉNS! Parece que ainda ontem te conheci, uma gaiata de 19 anos e hoje já estás a fazer um quarto de século! Estás mais madura, mais bronzeada, mais experiente, mais licenciada e para ti os dentes já não são um enigma a descobrir mas um mistério deslindado!
ANA SOFIA: MUITOS PARABÉNS! Não fosse o teu código civil com umas brilhantes anotações feitas algures durante uma aula de Teoria Geral, e nunca terias chegado à brilhante magistrada que és hoje em dia... Não precisas de agradecer: tudo pelos amigos.
TERESA: MUITOS PARABÉNS! O mercado literário nacional espera que seja com 26 anos que publicas o teu primeiro livro, que apresentes e defendas a tua tese e que comeces a dar aulas na Universidade!