segunda-feira, 31 de julho de 2006

O meu primeiro salto

Ora , como eu já tinha dito, passei este fim-de-semana em Évora num curso de pára-quedismo e adorei! Disseram-me que ou se adora ou se detesta e eu, a Joana, o Filipe e o Manel todos adorámos, por isso já combinámos lá voltar dentro de duas semanas para mais dois saltinhos.
Tenho tanta coisa para contar que decidi centrar-me só no 1.º salto, senão hoje não trabalhava para ficar aqui a escrever.
Depois da formação intensiva que tivémos Sábado, Domingo de manhã lá fomos arrancados do nosso pequeno-almoço no bar da D. Luísa para o avião. Não sei porquê, mas ia muito calmo. Achei que ia sentir o mesmo que senti aqui há uns anos, quando o Tiago e eu saímos de minha casa carregadíssimos de papeis para ir fazer o exame de Proceso Civil I, mas não- ia muito mais calmo.
O avião lá começou a subir e eu estava posicionado em 2.º lugar, depois do Manel- o avião era pequenino e fazia um ruído ensurdecedor, pelo que as condições de conforto não eram muitas: ia apertado, com calor e não conseguia falar, três coisas que me deixam pouco à vontade.
A certa altura o Manel e eu tivémos ordem para nos ajoelharmos e o avião parou: abriram a porta, o Manel saltou e a seguir fui eu: as instruções eram claras: olhar para o "lançador", por isso eu tentei fazê-lo pelo máximo de tempo possível, enquanto via o avião afastar-se. Quando o deixei de ver e me centrei no que se andava a passar comigo, foi uma sensação de alívio enorme!
Já não tinha calor, já não estava apertado, já não estava rodeado de uma barulho ensurdecedor, mas sim de um silêncio enorme e de uma tranquilidade imensa. Estava a flutuar no ar!
Depois destes breves segundos, concentro-me a fazer o que me tinha sido dito: olho para cima para ver se estava tudo bem. Não estava. Um dos incidentes para os quais tinhamos sido alertados era de os cabos do pára-quedas estarem enrolados. A situação era de muito fácil resolução: dei ás pernas em tesoura para fazer com que o meu corpo se enrolasse no sentido oposto: ficou tudo desenroladinho e muito bonito. Estava tudo em ordem!
Olhei então em volta para ver se estava sózinho e não em perigo de chocar contra o Manel: nem o vi, estava bem longe de mim. Estendo as mãos acima, apanho os guiadores, viro à Direita e à Esquerda para ver como é que tudo funcionava e pude voltar a contemplar o cenário. Que calma! Julgo que só quem já foi ao deserto ou fez mergulho entenderá esta sensação de calma.
"- Diogo, se me estás a ouvir, vira à Direita!"
Foi a primeira instrução que eu recebi do Nini que estava lá em baixo a orientar-me. Assim fiz.
"- Agora à esquerda!" Voltei a seguir as instruções.
"- Agora vira-te para a cidade de Évora!" Que espetáculo! Entende-se verdadeiramente porque é que aquela cidade é património mundial: a Sé, a Universidade, os Lóios... Ver tudo isto de cima tem outro gosto: nesse momento somos únicos e todos aqueles pontinhos mínimos lá em baixo mais não são do que isso mesmo: uns inofensivos pontinhos!
Depois disso voltei-me para a pista e procurei a manga que me devia orientar na aterragem: não a vi ainda, mas fui seguindo as instruções do Nini. A certa altura comecei a ver o chão a aproximar-se, comecei a ver a manga: tinha que aterrar contra o vento... Comecei a posicionar-me e a descer em direcção da pista de terra. A distância entre os meus pés e o chão era cada vez menor e quando estava a dois metros puxei os dois guiadores com força: isto fez-me abrandar bastante e tornou a aterragem muito mais suave.
Já no chão, o pára-quedas tem que ser rapidamente recolhido, não vá vir uma rabanada de vento que o insufle novamente. Mas ainda estava meio no ar quando já estava na terra!

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Cantar em Alentejano

Eu ouvi um rapazinho
Às quatro da madrugada
Gemendo como um porquinho
E com a cara estampada
.
Em cima de uma azinheira
O magano se espetou
Às quatro da madrugada
Sem pára-quedas voou!
.
Este fim-de-semana vou estar em Évora a fazer pára-quedismo, por isso se forem a passar por lá e me virem em cima de um chaparro, não se admirem e parem para dizer olá. A gerência deste brilhantíssimo, voadíssimo, aeradíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog agradece!
Filipa Missió: perdi o teu número e como sei que lês o blogadíssimo, vou aproveitá-lo como caixa de mensagens. Vou almoçar hoje com o Tim, queres vir? Se sim, telefona. Beijinho

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Na minha casinha

Desculpai-me se o tema da casa começa a ser muito recorrente, mas tenho mesmo que contar isto: já tenho os dois primeiros aparelhos para a casa: uma panela wok para cozinhar como fazia na China e um conjunto de fondue para ter umas refeições divertidas com os amigos.
Posso não ter cama, fogão ou o frigorífico (as três coisas que eu acho absolutamente essenciais numa casa), mas a coisa já se começa a compor.
Na Segunda assino o contrato, em Agosto começo a comprar as coisas e, em princípio, quando fizer 26 anos* já lá vou estar a viver.
* No dia de São Bartolomeu, em que o povo diz que o diabo anda à solta...

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Château d'Alvim

Hoje fui discutir algumas clásulas do contrato de arrendamento com o meu senhorio e o Duarte fez-me companhia e assessorou-me como verdadeiro Advogado que é. Pedi-lhe para escrever umas pequenas impressões para que os leitores deste fantastiquíssimo, formidabilíssimo, habitadíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog, possam conhecer um bocadinho melhor o novo Château d'Alvim.
Primeiras Impressões ...
Tive o previlégio de, nesta tarde em que está um verdadeiro calor de ananazes, ter ido bairro da Lapa dentro conhecer a futura mini - mansão apalhaçada do senhor Dr. Diogo de Alvim e Alvim ..
Inserida num tipico páteo alfacinha (que concerteza se vai relevar demasiado tipico), esta pequena casa revela grande potencial para jantaradas e momentos de bom convivio.
A entrada faz-se para a melhor parte da casa - a zona de refeições - onde o DONO da casa cozinha e os convivas fazem, simplesmente, companhia.
Das restantes divisões destaco a sala de estar ... Esta divisão apresenta-se com dois grandes perigos .. o primeiro é das escadas em caracol que levam à mesma ... imagino que em dias de jantares mais "regados" com esse nectar que faz parte da dieta mediterrânica seja dificil (muito mesmo) descer aos andares inferiores .. e o segundo grande perigo, é no fundo o "pequeno" poder que o senhor Dr. vai ter sobre os seus convivas mais "indesejados" de expulsa-los através do alçapão que dá direito a uns ossos partidos quando se aterra no R/C. Por isso, quem for convidado para lá ir deve levar sempre algo do agrado do dono da casa.
No fundo, é a casa de um jovem rapaz perto da "movida" lisboeta e ao que me parece indicada para uns muitos e bons jantares com amigos.

O avô Mana

Hoje é dia dos avós e eu nunca aqui escrevi sobre o meu avô Mana, por isso achei que era tempo de colmatar essa falta. Como é óbvio toda a gente tem, em princípio, quatro avós e não apenas um. Ora os meus Avós Mariana, Carmo e António terão que me desculpar, mas este post é só sobre o avô Mana porque foi o único que teve a gentileza de ainda estar vivo quando eu nasci e de continuar vivo passados quase 26 anos desse grande acontecimento.
Em primeiro lugar há que localizar profissionalmente o avô Mana: hoje em dia, com 94 anos, está reformado, mas antes era piloto aviador da Força Aérea. Como já tinha passado à reserva quando começou a guerra ultramarina e ainda era um "gaiato de calções" durante a I Grande Guerra, o meu avô ficou conhecido como o "Coronel sem batalhas". Enquanto piloto aviador, foi incumbido de muitas missões internacionais e teve que viver (mesmo que por uns meses) nos Estados Unidos, França e Alemanha. Ora, esta missão na Alemanha foi uns poucos aninhos antes da II Grande Guerra e ele esteve no mesmo hotel do que o próprio Hittler, o que, não senod à primeira vista uma experiência agradável, é, quanto mais não seja, memorável, porque não há no mundo quem não tenha ouvido falar do homem.
Para além do estrangeiro, foi também encarregue de missões em Moçambique e na Guiné, foi director do Museu do Ar, etc. Depois de passar á reforma viveu em Angola como director da Companhia dos Açucares e só em 1961 se estabeleceu definitivamente em Lisboa. Fez muito pelo país e tenho a certeza que todos os filhos e netos têm muito orgulho nele.
Mas mais do que o que o avô Mana fez pelo país, fica em nós marcada a sua personalidade como pessoa muito divertida e alegre, um verdadeiro contador de estórias e um animador de qualquer festa ou reunião. Tem, para além disso, uma enorme habilidade para fazer quadras satíricas, sendo que os seus alvos preferidos, como Monárquico ferrenho que é, são os Presidentes da República.
Como feitio acho que puxei a ele em muitas coisas, nomeadamente na distracção, em certas reacções impulsivas inesperadas e numa enorme habilidade para cometer "gafes" constantemente. Só espero também poder vir a puxar a ele nas muitas qualidades!
Feliz dia dos avós!

terça-feira, 25 de julho de 2006

Skinheads no Metro de Lisboa?

Estava eu hoje a sair do metro quando me deu um frio no estomago: ali estava à saída, com um ar ameaçador, um grupo de três skinheads. De um momento para o outro gelei, pensei em correr de volta para o metro, escondi-me atrás de uma senhora mais cheínha e foi nessa altura que me lembrei que era branco, louro, de olhos azuis, e que estaria a salvo de quaisquer preconceitos rácicos.
Respirei de alívio e lá avancei, ainda que meio a medo. Os três eram uns matulões com pelo menos 1,85m, uns ombros e uns braços de meter medo, com a cabeça rapada, botas pretas da tropa, calças e tshirt preta... Bem, a certa altura aquilo cheirou-me mal! Por mais skinheads que fossem, porque é que andariam todos de igual? Em vez de seguir o meu caminho, parei uns momentos a observá-los e percebi que todos tinham umas estampices encarnadas nas tshirts com os símbolos do que seria uma empresa de segurança.
Pois é! Eram nem mais nem menos do que os novos seguranças do metro! Aquela ideia de pôr uns rapazinhos e umas rapariguinhas com camisa branca e um ar civilizado deve ter passado de moda e agora, num gesto de imenso mau gosto, decidiram pôr uma empresa de segurança que veste os seus funcionários como se fossem os buldogs amestrados do Hittler!
Testem-nos a ver se têm raiva, sff!

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Fim de semana

Um grupo de óptimos amigos, cheios de animação e bom humor.
Uma praia fantástica, com um areal enorme para se poder passear e ter boas conversas.
Eis os ingredientes de um óptimo fim de semana, como o que acabei de viver. Mas agora, com a secretária cheia de assuntos, não me posso prender muito em recordações. Vou atacar o trabalho como Santiago os Mouros!

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Eça de Queirós

Meu caro José Maria Eça de Queirós,
Peço antes do mais que leia este post como vindo de um fã incondicional: sempre gostei muito da sua obra e acho que já a li quase toda, o que é um feito.
No entanto, esta confusão de julgar que um livro seu era da Sophia de mello Breynner merece um pedido de desculpas público: "o Tesouro", que eu mencionei no meu último post, e conforme correcção da Alexandra que o estudou comigo, foi escrito por si e não por qualquer outro autor Português, por melhor que ele, neste caso, ela, fosse.
Com um forte pedido de desculpas, peço a confiança de aqui deixar um abraço,
O autor deste enganadíssimo blog!

Ruy e Rostabal

Aqui há muitos anos estudei em Português um conto que poderia ser da Sophia de Mello Breynner (ou não!) de que gostei muito na altura, mas do qual hoje em dia só me lembro daquele que era capaz de ser o título (ou não, mais uma vez!) que era "Ruy e Rostabal" e de um bocadinho da estória.
Ora, a estória passava-se na Idade Média e era sobre dois irmãos, precisamente o Ruy e o Rostabal, que encontravam um tesouro* e que depois começavam à luta por causa dele e já nem me lembro se não acabavam por morrer os dois.
Vem isto a propósito de uma cena que eu vi hoje. Vinha eu ali pela Rua da Escola Politécnica acima quando me dei conta que uma senhora já de idade, do outro lado da rua, ia a remexer na carteira e deixa cair um papel. Eu não me apercebi muito bem que tipo de papel era até que passa um matulão, que ia a andar em sentido contrário ao da senhora, que apanha o papel, que eu aí percebi que era uma nota, e se põe a correr pela rua fora.
Eu não sei qual o valor da nota e a senhora nem se apercebeu, mas quanto é que é preciso para comprometer os princípios de uma pessoa? Lembrei-me do Ruy que mata o Rostabal (ou vice-versa), o próprio irmão, por um tesouro que até era capaz de nem existir!
O matulão nem tinha aspecto de ladrão nem nada: podia ter assim um ar dread, com camisa de basket, o boné do avesso, uns mega ténis e uns calções compridos e descaídos a mostrar a cueca, mas não tinha ar de ladrão!
E fazer isto a uma velhinha que até tinha um ar humilde e que dava a impressão que devia estar a ir para a Missa ali em São Mamede!
Eu ainda dei um grito, mas nem a senhora se tinha apercebido do que se tinha passado, nem ele se deixou intimidar por um engravatado com metade do tamanho dele que estava do outro lado da rua com um ar ameaçador.
A senhora lá seguiu pacificamente o seu caminho, ele lá correu alegremente com a nota na mão e eu lá fiquei a pensar em como é fácil vender os princípios...
*Agora que falo disto, acho que o título poderia ser "O Tesouro".

quinta-feira, 20 de julho de 2006

As saudades que eu já tinha...

Da minha alegre casinha, tão modesta quanto eu!
Lembram-se desta música dos Xutos? Pois eu agora vou poder começar a cantá-la com propriedade porque arranjei uma alegre casinha, tão modesta como eu.
A casinha é arrendada porque não me quero meter agora em grandes dívidas e o que pagaria em IMT (a nova versão do SISA), é o mesmo que pago em três anos de rendas. Está remodelada mas não mobilada e estou a tratar do contrato de arrendamento feito pelo senhorio - sim, porque para eu assinar, ele vai ter que ser muito alterado, que eu gosto das coisas muito by the book.
Não se pode dizer que seja na minha zona de sonho, porque o que eu queria mesmo era uma casa aqui no Chiado e acabei por arranjar na Lapa, longe do metro e da animação que caracteriza esta zona onde eu trabalho. No entanto também tem as suas vantagens: é mesmo em frente ao colégio das Escravas, que são umas irmãs de quem eu gosto muito, é uma casinha com dois andares num pátio operário muito engraçado e foi a casa com a renda mais barata que eu encontrei porque o pátio agora está em obras e o senhorio faz um bom desconto no primeiro ano.
Neste momento está muito branquinha por dentro, mas isso vai ter que mudar, que eu cá não gosto do ambiente de hospital e tenciono lá dar uma festa da pintura e pôr todos os meus amigos a dar largas à imaginação.
E agora abro aqui um concurso público para se arranjar um nome para a casa. Venham ideias e sugestões!

Finalmente!

A Maria, a Inês e o Gonçalo acabaram os cursos! FINALMENTE!
Não digo finalmente porque eles fossem maus alunos, alguma vez tivessem chumbado ou andassem a empatar cadeiras umas atrás das outras: são todos óptimos alunos e, tanto quanto sei, estão os três no top5 dos seus cursos. Apenas digo finalmente porque, por razões alheias às suas vontades, a sua experiência universitária foi um bocadinho atribulada, entre mudanças de cursos, mudanças de faculdades, alguns objectivos atingidos e outros não tanto.
Ao contrário de mim, que acabei o curso já com algumas saudades antecipadas do que deixava para trás, eles estão ansiosos para meter as mãos ao trabalho.
A Inês e a Maria acabam medicina dentária e sei por experiência própria que têm imenso jeito para a coisa e que, apesar de aspirarem línguas, bochechas e beiças aos seus pacientes com os poderosos aspiradores da FMDUL, estão preparadas para essa vida de bocas escancaradas e olhares de certa forma temerosos, com que todos entramos num consultório de um dentista pela primeira vez.
Quanto ao Gonçalo, não posso dizer que saiba por experiência própria como é que ele trabalha, porque não sou um bicho e ele está a acabar medicina veterinária. Mas sei que é ele que vai preparar todo um exército de cavalos, cães e jericos para em 2015, seiscentos anos depois, voltarmos a invadir Ceuta, resgatando-a das mãos espanholas que a têm prisioneira*.
Aos três: FINALMENTE! Muitos Parabéns e Tróia nunca mais será a mesma com tanto festejo!
*Etnocentrismo, Nic? ;-)

terça-feira, 18 de julho de 2006

Etnocentrismos, Parte III

Se há coisa que quem me conhece sabe que eu gosto, é de um bom debate, especialmente se a pessoa "do outro lado" apresenta bons argumentos, como o Nic apresenta.
Será que, em geral, os povos da Europa têm uma "crença na superioridade do povo a que se pertence, acompanhada de sentimento de menosprezo por padrões culturais que se afastam da posição cultural do observador"?
Quanto à crença da superioridade...
Fomos educados a valorizar aquilo que de melhor temos, seja na Europa, na Ásia, na América ou em qualquer outro país. Se perguntarmos a um Francês porque é que a França é melhor do que os outros países, ele há-de responder que é porque tem a melhor qualidade e quantidade de queijos, vinhos e restaurantes requintados do mundo. Já um Espanhol responderá que é por terem a melhor paella, as melhores danças e as mulheres mais sallerosas. Por seu lado um Inglês responderá que a Inglaterra é o berço da Democracia moderna parlamentarista e dos Direitos Civis e um Português dirá, sem sombra para dúvidas, que Portugal é melhor que todos os outros países por causa do caldinho verde, da broa de milho e, especialmente, do Diogo Alvim, autor deste fantastiquíssimo, brilhantíssimo, mas, acima de tudo, humilíssimo blog.
Note-se uma coisa: nem os Ingleses reclamam ter a melhor Paella, nem os Franceses reclamam para si a glória do melhor caldo verde, nem os Espanhóis dizem ser a pátria do Diogo Alvim (e é bom que não digam MESMO!) nem os Portugueses dizem que a sua III República é o berço da Democracia Ocidental (nasceu tão tortinha, coitadinha... ainda bem que melhorou bastante desde o início!).
Repare-se como se estão a valorizar coisas diferentes para aplicar ao mesmo conceito: o melhor país do mundo. E será que o mesmo não se passa nos outros países? Na China, por exemplo, estão firmemente convencidos que a sua cozinha é a única comestível em todo o mundo, na América pensam que a Liberdade nasceu ali e no Brasil que não há música para além do samba, do forró e da bossa-nova (inclino-me ligeiramente a concordar com eles) e por isso todos eles são superiores aos outros.
Parece então que em todo o mundo as pessoas valorizam aquilo que melhor têm, desvalorizando o que os outros têm, numa espécie de: "o que é que me interessa que os Australianos tenham cangurus, se nós cá temos o cavalo do Sorraia?"
Então passemos à segunda fase: o desprezo por outros padrões culturais. De facto o "Pai Abrãao" veio de uma religião que acreditava estar no elo de sangue entre os seus crentes a sua vitória. Para se ser Judeu de religião, tinha que se ser Judeu de raça. As duas religiões que se basearam no Judaísmo já foram completamente diferentes: Cristianismo e Islamismo acreditam que a salvação se encontra ao alcance de todos, independentemente da sua raça ou origem. Assim, podemos encontrar dentro da Cristandade e do Islão as mais diversas raças, etnias, línguas e origens, numa mistura de humanidades impressionante.
Todas se acham mais verdadeiras? Claro que sim! Se eu não achasse que o Cristianismo era mais verdadeiro que o Islamismo, era Islâmico! O Nic diz que Jesus foi "um bom homem com uma boa filosofia de vida", mas se eu acreditasse nisso, não era Cristão, porque eu não sigo uma "filosofia de vida", sigo um Deus que incarnou por mim, fazendo-se homem e sofrendo como eu sofro por amor a mim.
E é aí que entra o nosso São Bento: um homem que pregou o amor e o entendimento entre os homens da Europa numa das alturas mais turbulentas deste pequeno Continente. Não pregou o desprezo dos Francos pelos Celtas ou dos Italianos pelos Germanos: pregou o amor entre todos eles em nome de Jesus: o entendimento e o diálogo, como forma de abraçar a nova fé.
Isto está longe, muito longe, de um qualquer desprezo pelos seus vizinhos. Claro que as guerras no Continente continuaram e ainda no século XXI o Continente não está livre de guerras. No entanto, também não se pode negar que o muito que se tem alcançado em diálogos, acordos e cooperação nestes 21 séculos de Cristianismo é bastante mais do que o (também) muito que se perdeu em guerras e discórdias, apesar de que, do ponto de vista Histórico, uma guerra é sempre bastante mais valorizada do que um período de Paz.
Etnocentrismo? Algum, ma non troppo!

Etnocentrismos, continuação

Meus caros: isto de ter um blog só meu, é uma fraude: o blog é para mim e para quem o lê. Vai daí, achei que este comentário vindo do "outro lado do estreito", que é como quem diz, mesmo ao pé de Shantou mas a umas boas braçadas de distância, merecia mais destaque do que apenas ficar numa janelinha que se tem que abrir.
Só uns comentários técnicos: ao fazer copy paste, isto desformatou-se. Tentei pôr uns quantos parágrafos, mas agora não dá para ver se está tudo bem. Pus tudo a verde porque como os meus posts são sempre escritos a preto, isso marca a diferença (não quero roubar direitos de autor).
Obrigado, pela oportunidade de mais uma interessante conversa!
Quando perguntei se o sr Bento (utilizei gajo, ma’ traducao do ingles “guy”) como padroeiro da europa, teria a haver alguma coisa com o etnocentrismo muito patente ainda nos dias de hoje na europa, de modo algum quiz dizer que todos e cada europeu sao etnocentristas. Se houve alusao, foi feita em termos gerais, para ouvir a tua opiniao, como resposta ‘a minha pergunta.
Assim, ilustro um pouco melhor as ideias por detraz da pergunta:Comeco por definir etnocentrismo: "crença na superioridade do povo a que se pertence, acompanhada de sentimento de menosprezo por padrões culturais que se afastam da posição cultural do observador."Para alem do passado historico da europa, o etnocentrismo esta' ainda hoje bem visivel, exemplos generalizados:- o que os portugueses pensam dos espanhois;- o que os espanhois pensam dos portugueses e dos franceses;- o que os franceses pensam dos espanhois, belgas, italianos, ingleses e alemaes;- o que os ingleses pensam dos franceses e de todos os outros "continentais"por ai' fora...ate' aos paises resultantes da desintegracao da Yugoslavia (ai' o etnocentrismo vai mesmo a extremos).Etc, etc…Talvez que a unica ideia que "uniu" os europeus foi de facto a presseguicao e chacina contra outras religioes (as cruzadas). A nivel de religiao entao, o caso e' ainda mais grave. Na europa cristianizada, nao se tem muito em conta, outras religioes por se ter a certeza que elas nao passam de fantasias de outros povos enquanto que a da trindade e' a unica “verdadeira”!Esse problema e' contudo originario em Abraao, pois todas as religioes e vertentes originadas a partir do seu discurso, ou seja as religioes judaico-cristas e islamicas, apresentam as mesmas caracteristicas:Intolerancia pelas outras, mais ou menos controlada segundo as eras, porque teem passado.
Ora uma, ora outras, teem vindo desde Abraao a combater as outras.
No sec XXI, a ICAR ja nao e' a das 3 que mata mais gente (como foi nos tempos da inquisicao, por exemplo), nem promove tanto o odio pelos que nao a seguem, como tambem o fez num passado recente.Atencao que nao acuso jesus cristo, ele foi apenas um bom homem com uma boa filosofia de vida e nada tem a haver com os erros que outros homens fizeram em aproveitarem-se da sua filosofia e a usar de acordo com interesses proprios!
Como apresentaste o sr. Bento como "pai da europa", e como acabei de te mostar o etnocentrismo e’ ainda um denominador comum nas culturas europeias, simplesmente perguntei (de forma informal admito, mas estamos entre amigos), se a ele tambem se devia o etnocentrismo europeu.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

No barbeiro

Estava eu no barbeiro a livrar-me da trunfa que já abundava, quando entra um homem dos seus 60 anos, que se vira em jeito de quem quer conversa:
- Olha lá, oh João, tu viste-me esta gaja que passou aqui em frente?
- O quê? - O barbeiro já tinha a sua idade, mas notou que eu me tinha começado a rir...
- Esta gaja que passou aqui à frente... Tinha cá um par de ma...
- OLHA LÁ - grita o barbeiro porventura chateado de não ter visto a beldade- TU NÃO VÊS QUE EU ESTOU A TRABALHAR? Tenho lá tempo para olhar para as gajas! Põe-te mas é a andar daqui para fora, senão chego-te a roupa ao pêlo.
Depois do outro se ir embora, confidencia com um sorriso:
- É muito meu amigo...
Não valia a pena ele ter dito, eu já tinha percebido pela forma carinhosa com que ele lhe disse "chego-te a roupa ao pêlo".

Etnocentrismos

O Nic, que foi o meu vizinho do outro lado do Canal da Formosa quando eu estava em Shantou e que tem um dos blogs que eu mais gosto de visitar, escreveu aqui que seria por causa de São Bento que haveria algo que ele chamava de Etnocentrismo Europeu.
Bem, fiquei convencido que a referência a esse grande Santo era apenas para fazer passar a mensagem que os Europeus são Etnocêntricos, porque não será por a Europa ter um Padroeiro (aliás, tem vários, estou-me a lembrar ainda de Santa Catarina de Siena e de Santa Edith Stein, por exemplo) que os seus povos são Etnocêntricos. Quanto mais não seja porque cada Continente tem também um ou mais Padroeiros, que não são mais do que pessoas que trabalharam por toda a Humanidade mas se destacaram mais num determinado Continente- fará todo o sentido que a Beata Teresa de calcutá, se vier a ser Canonizada, se venha a juntar aos Padroeiros da Ásia, apesar de ser Albanesa de origem.
Pois então falemos de Etnocentrismos...
Todos os Continentes têm, para além de uma certa unidade territorial, uma certa unidade histórica e cultural. Claro que o Sul da África é muito diferente do Norte e que a Ásia mais Oriental já pouco tem a ver com o Médio Oriente, mas aqui estamos a falar de Continentes enormes divididos por grandes montanhas, desertos e lagos. A Europa não é assim: é um Continete pequeno, quase todo ele povoável, sem desertos nem cordilheiras que ofereçam obstáculos intransponíveis (o que são os Alpes comparados com os Himalais, por exemplo?).
Talvez por isso, apesar da sua enorme diversidade, há também uma certa herança comum: somos todos os netos dos Romanos, dos Vickings, dos Eslavos e dos Celtas e todos bebemos a nossa cultura de copos Helénicos e Judaicos. Acima de tudo, uma coisa uniu a Europa: o Cristianismo. Ortodoxos no Oriente, Católicos no Centro e Sul e Protestantes no Centro e Norte, mas todos seguidores do mesmo Deus, a Santíssima Trindade de Pai, Filho e Espírito Santo.
E é aqui que entra o Etnocentrismo: é que os Europeus, que têm o Cristianosmo como o centro da sua unidade e da sua alma comum, desde cedo que o decidiram partilhar com os outros povos. Infelizmente hoje em dia, uma comunicação social populista e um certo espírito maçónico de ressabiamento contra a nossa herança Cristã, só sabem apontar os defeitos e erros neste nosso desejo de dar aos outros povos o melhor que nós tinhamos. De facto, erros os houve, mas houve muitos mais exemplos de abnegação pessoal e de amor ao próximo entre povos que parecia que nada tinham nem podiam ter em comum.
Fomos também o Continente que mais buscou os outros Continentes e, com a exclusão da América, que é por excelência o Continente da miscenização por força da sua História, é a Europa o Continente onde vivem mais pessoas oriundas de outros Continentes. Em Lisboa, por exemplo, que até está longe de ser uma grande metrópole a nível Europeu, é impossível andar na rua cinco minutos sem ver casais mistos de Portugueses com Africanos, Indianos, Brasileiros ou "Lestes".
Se ser Etnocêntrico quer dizer ser fechado, então dos três antigos continentes, o menos Etnocêntrico será sem dúvida a Europa.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Ausências

Vós deveis estar a achar que me deu o badagaio e morri, mas a verdade é que na semana passada estive em estudo intensivo para o exame da OA e ontem de novo em estudo intensivo para este exame, por isso o trabalho acumulou-se e agora estou a tentar desesperadamente reduzir o monte de processos na secretária.
E logo hoje que tinha tanto para escrever sobre um dos melhores filmes que eu ja vi, "O Advogado do Diabo", visto ontem depois do exame... Ficará para outro dia!

terça-feira, 11 de julho de 2006

Ora et labora

Hoje é dia de São Bento, Padroeiro da Europa e fundador dos Beneditinos que têm um dos lemas mais conhecidos do mundo "ora et labora" (reza e trabalha).
São Bento viveu na altura da derrocada do Império Romano e da invasão da Europa por hordas de bárbaros vindos do Leste e do Norte. No seu tempo, parecia que a Igreja tinha chegado ao fim tais eram as destruições e saques às Igrejas e Comunidades Religiosas que tinham florescido no último século do Império.
Mas esta percepção não podia ser mais falsa: de facto, a Igreja tinha nascido, como vítima de perseguições sanguinárias, tinha nascido pequena e clandestina tendo como força espalhar a palavra de um humilde crucificado, filho de um carpinteiro da Galileia. Às perseguições iniciais promovidas pelos Judeus da Judeia e das diversas comunidades espalhadas pelo Império, seguiram-se as perseguições dos Imperadores.
Pois quando o Império caiu, apesar de duramente atacada pelos Bárbaros, a Igreja ressurgiu ainda mais forte. Os antigos atacantes tornaram-se seus protectores: a Igreja dos escravos e servos da gleba tornou-se também a Igreja dos reis e poderosos. Tornou-se uma Igreja verdadeiramente Católica, ou seja, Universal: integrando pessoas de diferentes raças e culturas, pobres e ricas, poderosas e humildes...
No meio de todas estas transformações esteve São Bento e a sua regra Monástica. A Ordem de Sã Bento erguei mosteiros por toda a Europa: mosteiros que promoviam a cultura através da cópia dos livros antigos, em que viviam filhos de camponeses e de reis como irmãos. Para além de Pai da Europa, pode-se dizer que São Bento foi também um dos Pais fundadores da Democracia, com essas ideias peregrinas de juntar gente de todas as origens na mesma Ordem e de todos terem a sua importância e o seu reconhecimento comunitário.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

ITÁLIA

Livre do exame, foi com uma alegria especial que ontem vi o jogo e que me senti Italiano a 100% e que vibrei especialmente com a expulsão daquele #%*+ do Zidane!
Por isso, prá menina e pró menino, aqui deixo um bocadinho do que Itália tem (já os vi aos dois ao vivo e a cores)!

Uff!

Estou de volta ao trabalho e nem imaginam como isso me deixa contente! Mais um dia que fosse enfiado em casa a estudar para o exame da OA e eu começava a destruir as paredes à cabeçada.
A quem interessar: o exame correu-me bam mas a exigência da minha parte também não era grande: como sabia que o 16 para dispensar da oral era impossível, só queria mesmo o 10 e acho que até devo levar mais uns pontinhos do que o 10.
E pronto! Acabou-se! Não saiu nenhum divórcio mas sim um contrato-promessa de compra e venda de um imóvel, o que até é uma coisa que fiz quando era Advogado, depois saiu-me um assistente num processo penal com uns delegados do Ministério Público que deviam estar todos possuídos por forças demoníacas (aliás, ninguem me tira da cabeça que a única solução digna para um caso daqueles era um bom exrcismo à moda antiga em Latim e tudo).
E agora: ao trabalho que ele se acumulou na secretária!

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Dia de mentalização

Estou ABSOLUTAMENTE irritado com este exame da OA de amanhã!
Imaginem, para perceberem o estúpido da situação, que um licenciado em Medicina, depois de fazer aquele examão que eles têm para escolher a especialidade, passado um ano o tinha que fazer outra vez. Nesse ano trabalhou numa só área, imaginemos oftalmologia como a minha amiga Ana, e passado um ano tem que fazer um exame que pode incluir, como o anterior, cardiologia, pediatria, otorrinolaringologia, etc.
Ora é isso que se passa com a Ordem dos Advogados: ao fim de um ano de estágio fazemos os exames de deontologia e processos civil e penal. No ano que se segue o suposto é começarmos a especializarmo-nos, tirarmos uma pós-graduação numa determinada área, etc. É que o Direito é uma ciência vasta demais para toda a gente saber de tudo e a legislação cada vez mais complicada obriga mesmo a uma certa especialização.
Ao fim desse segundo ano voltamos a fazer um examão EXACTAMENTE sobre as mesmas matérias! Matérias em que provavelmente já não tocamos há um ano e que nunca mais tencionamos tocar na vida.
Eu, por exemplo, que até gostei muito de Direito da Família na faculdade, nunca me passou pela família exercê-lo na vida activa: detestaria ter que andar a mexer nesses cestos de roupa suja que são os divórcios ou as acções de paternidade! É certo que alguém tem que o fazer, mas não eu!
Eu estou no Urbanismo, que é um Direito bastante asséptico e a anos-luz de distância dos divórcios, crimes de sangue e insultos. Não tenho feitio para essas coisas e se alguma mulher me chegasse ao escritório a contar sobre as infidelidades do marido, eu tapava muito bem os ouvidos e cantava o "na minha cama com ela" até ela se ir embora.
Pois agora, ando aqui a estudar os divórcios que até me lixo! E Direito Público, de que eu percebo e gosto, nem vê-lo!
Por tudo isto hoje é o dia da mentalização! Como me dizia ontem a Maria João, este é um exame de resistência acima de tudo: tem que se saber daquilo, mas como é impossível saber tudo, o que se tem que fazer é manter a calma e contar bem o tempo. E sem ser o "fia-te na Virgem e não corras", também há que pôr as coisas nas mãos de Deus e andar em frente.
E agora vou-me... Tenho que dar uma vista de olhos aos divórcios!

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Viva Itália!

Bem, acho que depois de os nossos meninos terem sido vergonhosamente roubados (sim, eu sou daqueles ressabiados que culpa o árbitro por um penalty mal marcado e pela falta de marcação de um outro penalty a nosso favor 5 minutos depois) hoje sinto a nossa herança romana a pulsar-me nas veias.
Hoje sinto-me assim meio Gucci, Prada, Armani.. Assim meio Fiorentino, Bolognese, Milanese... Hoje nem me sinto Diogo mas Didacus: Didacus Alvinini!
Os nossos antepassados históricos, os Italianos, vão defrontar o nosso 2.º pior inimigo histórico logo a seguir à Espanha e por isso eu hoje, para além de ressabiado, frustrado e injustiçado (se calhar devia ter escrito tudo no superlativo do blog) sinto-me totalmente Italiano.
E, por isso, o que eu tenho para vos dizer hoje é: allore, oggi mi sento moltíssimo Italiano! Grazie! Ciao! Mamma mia al spaguetti! E outras coisas que tal ditas com movimentos de mãos cómicos e que distraem qualquer pessoa que me esteja a ver.
E quanto ao 3.º lugar... Se já nem do 2.º reza a História, quanto mais do 3.º... Dêem-no aos Alemães por terem organizado o Mundial e tragam os nossos meninos para casa que eles devem estar tristes e a precisar de uma recepção em grande na Portela!
E agora tenho que ir porque tenho que estilizar a barba, pôr gel no cabelo e ver se encontro um casaco qualquer do meu Pai dos anos 70, daqueles pelo joelho e com um cinto de dar um nó na cintura, para ver se pareço um metrosexual, peço perdão, um Italiano.
Viva Itália!

quarta-feira, 5 de julho de 2006

A vida em rosa?

Grandes demais para um país tão pequeno, já desde o século XV que os Portugueses estão sempre a ver se arranjam maneira de ir "para fora" espalhar o seu desenrascanço- começou por Marrocos, continuou pela Índia e Brasil e, já no século XX foram "prá" França, Luxemburgo, Alemanha, EUA, Inglaterra, etc.
Ora, enquanto andávamos pelos Brasis, Áfricas e Ásias, a coisa ainda corria bem. Foi quando decidimos começar a optar pelos selvagens que vivem para lá dos Pirinéus que a cena começou a dar para o torto. É que aquela gente, que descende lá dos Celtas, dos Vickings e dos Hunos, não pensa como nós e depois a coisa azeda.
Imaginemos que Portugal tinha perdido no Mundial contra Angola, perdia hoje contra o Brasil ou tinha jogado e perdido contra a China ou a Ucrânia. Passava pela cabeça de algum Tuga ir atirar pedras às lojas dos nacionais desses países que vivem por cá? Passava pela cabeça de alguém ir incendiar as suas casas e insultar as senhoras suas Mães?
Claro que não! No meio do choro e do desânimo começávamos era a planear ir à Portela receber os nossos meninos que, coitadinhos, até jogaram bem mas os outros é que que foram brutos e maus para eles e o árbitro estava comprado.
Por isso, caros Franceses que vivem em Portugal: mesmo na ínfima possibilidade da selecção do galo ganhar hoje, não vos preocupeis, podeis sair à noite, ir distribuir champagne, paté e champignons pelas ruas, que ninguém vos importunará. A Igreja de São Luís, a Patisserie Française e e a Brasserie de l'Entrecot permanecerão incólumes e as senhoras que vos deram à luz não terão a sua fama desonrada.
É que nós somos civilizados, ao contrário de outros povos que andam por aí já ameaçar os nossos compatriotas que lhes desfazem a vida toda.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Pensatório

Entre outras fascinantes coisas descritas por J. K. Rowlings nos livros do Harry Potter, a coisa que eu mais gostaria de ter não é nem as varinhas mágicas (tenho ar de fada ou quê?), nem as vassouras voantes (idem em relação a bruxas) mas sim o pensieve! Agora já pareço um emigra a falar: é que nunca li o HP em Português, por isso não sei o nome da coisa na nossa língua, por isso vou-lhe chamar o pensatório.
Ora, o pensatório é uma espécie de uma pia para onde o Professor Dumbledore (RIP) tira os pensamentos e as memórias que lhe pesam demasiado na cabeça e, dessa forma, fica com a cabeça livre para pensar noutras coisas.
Neste momento, era mesmo disso que eu precisava! Um pensatório! Eu bem que quero tomar atenção às peças processuais, meios de prova, prazos, incompatibilidades e prisões preventivas, mas como é que se faz isso no meio de tantas outras ideias e pensamentos tão mais interessantes? É que, ainda para mais, já não há café que me valha para tanto Direito!
Ora ter uma coisa que com um toque da varinha mágica (olha, afinal até me dava jeito uma, mas dispenso o vestido côr-de-rosa, o chapéu de bico e as asinhas transparentes) me permitia guardar todos os pensamentos extra-jurídicos para mais tarde voltar a eles quando não tivesse um exame de 6 horas pela frente, seria mesmo muito útil.
Alguém tem por aí um que me possa ceder por uma semana?

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Boa Imprensa

Sendo este blog um bastião de seriedade, honestidade, dignidade mas, acima de tudo, de humildade, não poderia deixar de salientar o que se anda a escrever na melhor imprensa estrangeira.
Nota-se neste artigo profissionalismo, seriedade e acima de tudo fontes bem fundamentadas e credíveis que são um exemplo para a nossa Imprensa.
Quais Diários de Notícisas, Públicos ou Expressos, a partir de hoje vou começar a ler o The Sun!

Aos soluços

Deveis estar a interrogar-vos porque este ininterruptíssimo, assiduidíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog está assim como que meio adormecido só com uns posts aos soluços.
Ora, o motivo é simples e deprimente ao mesmo tempo. É simples porque sendo um blog de autor único (apesar de que a Inês já me prometeu um dia escrever aqui) tem que se cingir à disponibilidade do seu autor. É deprimente porque o motivo pelo qual o seu autor não tem disponibilidade é porque anda de cabeça enfiada em livros, códigos e apontamentos para fazer o exame final da Ordem dos Advogados no próximo Sábado, já se anda a lamuriar pelos cantos e já está quase a dar um tiro na cabeça de todos os responsáveis pelas alterações legislativas que nos últimos dois anos vieram a alterar o CPC, a LOFTJ, o CPP, o RAU e até o próprio Estatuto da OA.
Mas será que não podiam ter esperado EU fazer o exame para alterarem todas essas coisas? Será que o país morria por causa disso? Quando é que os políticos deste país aprendem a telefonar-me antes de alterar as Leis para ver se nessa altura me dá jeito estudar as alterações?
Just you wait... Quando eu chegar a Primeiro Ministro não se fazem alterações legislativas durante 12 anos (o tempo que eu vou estar em São Bento)!

domingo, 2 de julho de 2006

Ricardo

E quem é que hoje não gostaria de ser o Luíz Felipe para poder dar um abraço assim ao Ricardo?

sábado, 1 de julho de 2006