Ora , como eu já tinha dito, passei este fim-de-semana em Évora num curso de pára-quedismo e adorei! Disseram-me que ou se adora ou se detesta e eu, a Joana, o Filipe e o Manel todos adorámos, por isso já combinámos lá voltar dentro de duas semanas para mais dois saltinhos.
Tenho tanta coisa para contar que decidi centrar-me só no 1.º salto, senão hoje não trabalhava para ficar aqui a escrever.
Depois da formação intensiva que tivémos Sábado, Domingo de manhã lá fomos arrancados do nosso pequeno-almoço no bar da D. Luísa para o avião. Não sei porquê, mas ia muito calmo. Achei que ia sentir o mesmo que senti aqui há uns anos, quando o Tiago e eu saímos de minha casa carregadíssimos de papeis para ir fazer o exame de Proceso Civil I, mas não- ia muito mais calmo.
O avião lá começou a subir e eu estava posicionado em 2.º lugar, depois do Manel- o avião era pequenino e fazia um ruído ensurdecedor, pelo que as condições de conforto não eram muitas: ia apertado, com calor e não conseguia falar, três coisas que me deixam pouco à vontade.
A certa altura o Manel e eu tivémos ordem para nos ajoelharmos e o avião parou: abriram a porta, o Manel saltou e a seguir fui eu: as instruções eram claras: olhar para o "lançador", por isso eu tentei fazê-lo pelo máximo de tempo possível, enquanto via o avião afastar-se. Quando o deixei de ver e me centrei no que se andava a passar comigo, foi uma sensação de alívio enorme!
Já não tinha calor, já não estava apertado, já não estava rodeado de uma barulho ensurdecedor, mas sim de um silêncio enorme e de uma tranquilidade imensa. Estava a flutuar no ar!
Depois destes breves segundos, concentro-me a fazer o que me tinha sido dito: olho para cima para ver se estava tudo bem. Não estava. Um dos incidentes para os quais tinhamos sido alertados era de os cabos do pára-quedas estarem enrolados. A situação era de muito fácil resolução: dei ás pernas em tesoura para fazer com que o meu corpo se enrolasse no sentido oposto: ficou tudo desenroladinho e muito bonito. Estava tudo em ordem!
Olhei então em volta para ver se estava sózinho e não em perigo de chocar contra o Manel: nem o vi, estava bem longe de mim. Estendo as mãos acima, apanho os guiadores, viro à Direita e à Esquerda para ver como é que tudo funcionava e pude voltar a contemplar o cenário. Que calma! Julgo que só quem já foi ao deserto ou fez mergulho entenderá esta sensação de calma.
"- Diogo, se me estás a ouvir, vira à Direita!"
Foi a primeira instrução que eu recebi do Nini que estava lá em baixo a orientar-me. Assim fiz.
"- Agora à esquerda!" Voltei a seguir as instruções.
"- Agora vira-te para a cidade de Évora!" Que espetáculo! Entende-se verdadeiramente porque é que aquela cidade é património mundial: a Sé, a Universidade, os Lóios... Ver tudo isto de cima tem outro gosto: nesse momento somos únicos e todos aqueles pontinhos mínimos lá em baixo mais não são do que isso mesmo: uns inofensivos pontinhos!
Depois disso voltei-me para a pista e procurei a manga que me devia orientar na aterragem: não a vi ainda, mas fui seguindo as instruções do Nini. A certa altura comecei a ver o chão a aproximar-se, comecei a ver a manga: tinha que aterrar contra o vento... Comecei a posicionar-me e a descer em direcção da pista de terra. A distância entre os meus pés e o chão era cada vez menor e quando estava a dois metros puxei os dois guiadores com força: isto fez-me abrandar bastante e tornou a aterragem muito mais suave.
Já no chão, o pára-quedas tem que ser rapidamente recolhido, não vá vir uma rabanada de vento que o insufle novamente. Mas ainda estava meio no ar quando já estava na terra!













