quinta-feira, 16 de abril de 2015

Miró: obras públicas ou privadas?

Debate-se agora se as 85 obras de Miró que iam ser leiloadas em Londres eram públicas ou privadas. Pode-se ler sobre este debate aqui e aqui. Depois de neste fim de semana passado em Barcelona ter tido a oportunidade de visitar o Museu Miró de lá, eu prefiro debater sobre se elas deviam ser públicas ou não. Devo já dizer que considero que sim.
Em primeiro lugar há a questão política. Ainda hoje me custa entender que o BPN tenha sido nacionalizado da forma que foi. Ora, já que os contribuintes foram penalizados com o péssimo procedimento, ao menos que agora usufruam de alguns benefícios deste.
Em segundo lugar, parece-me óbvio que manter a coleção em Portugal traria muitos benefícios para o país. 85 obras de um dos maiores artistas contemporâneos, mesmo que sejam de qualidades variáveis, constituiriam um bom espólio. Um Museu Miró numa cidade com potencial turístico ainda em desenvolvimento (por exemplo Santarém, Viseu ou Braga) poderia servir de chamariz turístico. Em alternativa podia-se espalhar as obras por diferentes museus de arte contemporânea.
Em terceiro lugar Portugal está já há uns anos a afirmar-se como um destino com mais do que sol e mar. Isto passa pela imagem de um país cosmopolita nas artes mas para isso há que investir. Dado que temos pouca capacidade para o mecenato em Portugal isso tem de ser feito, como já tem sido feito desde os Descobrimentos, pelo Estado.
Por último, o benefício da venda das obras agora duraria o tempo de um orçamento de estado. O benefício da sua manutenção em Portugal estender-se-ia às gerações futuras. Dado que, assim como assim, as gerações futuras já estarão economicamente encalacradas graças à presente e anteriores gerações, ao menos que tenham alguns benefícios culturais.
Por tudo isto apelo ao governo que em vez de insistir naquilo que foi obviamente um erro, vender este espólio, corrija este erro com uma boa decisão: tratar da sua exposição ao público.