sábado, 26 de outubro de 2019

Festival de Cinema Europeu

Que barrigada de cinema! Cinco dias de Festival de Cinema Europeu, 5 filmes que eu vi de diferentes nacionalidades. Infelizmente, também 5 filmes a que faltei... O tempo não dá para tudo.
O festival abriu em grande com um filme Espanhol genial - Campeones. Conta a história verídica de um treinador de basquetebol que é condenado em tribunal a trabalho comunitário - treinar uma equipa de pessoas com deficiência mental. Foi um filme ao mesmo tempo verdadeiramente emocionante mas também leve e engraçado. Não há dúvida que "nuestros hermanos" já há umas boas décadas que conseguem fazer filmes com grande qualidade e sem perderem a sua identidade.
Logo de seguida, no mesmo dia, veio o Beside Me, da Roménia. Trata-se da história de um grupo de pessoas que fica presa no metro durante umas horas. Não podemos deixar de pensar como nós próprios reagiríamos...
No dia seguinte foi a vez de Portugal, com Os Maias - Episódios da Vida Romântica. Quem, como eu, é fã de Eça de Queiroz e deste livro, vai achar piada comparar aquilo que tinha imaginado ao ler o livro e o que vê no filme. 
Hoje foi o encerramento do festival e aconteceu com chave de ouro, com dois filmes muito bons.
O primeiro, apresentado pela Bélgica, chama-se Le Roi des Belges. É um filme cheio de humor sobre uma viagem do Rei da Bélgica, incógnito, pelos Balcãs durante uma tempestade cósmica que não permite aos aviões voarem. Tenho a impressão que nunca tinha visto um filme Belga mas fiquei cheio de vontade de ver mais.
Logo ali ao lado da Bélgica, outra óptima surpresa, um filme dos Países Baixos muitíssimo bom. The Conductor conta a história de Antonia Brico, uma maestro que inicia a sua carreira entre os anos 20 e 30 do século passado. Uma maestro nos anos 20 e 30, estais vós a pensar... Precisamente! O filme conta a história de como ela teve de ultrapassar um sem número de preconceitos para se tornar maestro. Uma história que nos deixa mais atentos a valorizarmos o talento venha ele de quem vier.
Inspirado por este último filme, deixo aqui uma homenagem à nossa bem portuguesa Joana Carneiro. Que ela nos continue a mostrar o seu talento por muitos anos.




terça-feira, 15 de outubro de 2019

Bancos...

Quem vive em Portugal tem dificuldade em sentir um grande carinho pelos bancos. Sim, estou a falar daquelas instituições financeiras onde temos conta, onde pedimos empréstimo para comprar casa ou para complementar os nossos investimentos.

E esta falta de carinho é porque não apenas os bancos são, enfim... bancos - aquelas instituições cinzentas, com gente cinzenta a fazer coisas cinzentas - como, ainda para mais, ciclicamente, os contribuintes vêm alguns dos milhões que lhes foram retirados em impostos a salvar bancos. É impossível não pensar que, com o dinheiro que a par e passo é injectado nos bancos, nós até podíamos ter um sistema nacional de saúde decente, por exemplo.

No entanto, cá no Zimbábue dei por mim a ter uma enorme saudade dos bancos portugueses, recordando-os com carinho e afeição. O Novo Banquinho, tão verdinho que ele é; a Caixinha Geral e os seus velhinhos; o BPIzinho e o cubozinho a rodar em cima da sede...

Este sentimento, tão novo para mim, de carinho pelos nossos bancos nacionais, tem vindo de uma certa frustração que eu sinto no Zimbábue, o não ter a liberdade de comprar o que quero.

Passo a explicar... Até há uns meses atrás este país tinha um sistema chamado "multi-currency", ou seja, aceitava-se como meio de pagamento uma data de moedas, das quais se destacava o USD, moeda na qual, efectivamente, eram feitas quase todas as transacções. O problema é que, dada a recessão económica prolongada, o país ficou sem moeda estrangeira. Vai daí, apostou-se em ter apenas uma moeda nacional, chamemos-lhe o bond (cada pessoa diz à sua maneira). O mal é que não há bonds por aí a circular. Ou seja: eu pego nos meus dólares, tento trocar por bonds e não os encontro em lado nenhum. Quanto a tentar levantar numa caixa multibanco, isso será impossível, porque elas quase não existem e as que existem estão paradas.

A alternativa...? A alternativa é ter bonds no banco e ter um cartão de pagamento. Ou então, ligar essa conta no banco ao nosso telemóvel e pagar através dele com uma aplicação chamada ecocash e que está para o nosso MBWay como o Homo Erectus para o Homo Sapiens.

Então, abre-se uma conta no banco, certo? Não, não está certo... Ir ao banco aqui pode ser uma empresa para umas quantas horas e, quando lá se chega, falta um qualquer documento que eles não tinham mencionado quando nos enviaram um email de resposta a uma pergunta que tínhamos enviado umas semanas antes. Apesar de não correr há umas boas semanas, tenho a certeza que mais facilmente fazia uma meia maratona amanhã do que abria uma conta num banco aqui!

Note-se que estamos num país que está a precisar imenso de dinheiro vindo de fora. IMENSO, mesmo! Mas a única forma de trazer dinheiro de fora é em notas, porque o sistema bancário não funciona.

E eu com saudades de ir a um restaurante e pagar com cartão. Com saudades de dividir uma conta com amigos por MBWay. Com saudades do Novo Banquinho, da Caixinha, do BPIzinho, do BCPezinho... Tão queridos que eles são! Uns amores...

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

A triste vitória da noite de ontem

É uma grande pena que a grande vitória da noite tenha vindo dos abstencionistas. Foram quase mais 300 mil pessoas que em 2019 decidiram não votar do que em 2015.
Para ser preciso, houve mais 288.027 votos no Território Nacional (excluindo círculos da emigração) em 2015 do que em 2019. Isso é muito mais do que o conjunto dos votos nos três partidos que agora passam a ter um deputado. É também mais do que os resultados do PAN ou até mesmo do CDS, um partido fundador da nossa Democracia.
Há desculpas para isso?
Não pode ser por dificuldade de votar, porque está hoje bem mais fácil votar do que há 4 anos. Eu, por exemplo, com a legislação de há 4 anos não poderia ter votado. Pode-se votar antecipadamente, pode-se votar em mobilidade, etc.
Também não pode ser por falta de opções políticas: os 9 partidos eleitos cobrem todas as matizes políticas imagináveis, desde a extrema esquerda até à extrema direita.
Sim, poder-se-ia dizer que muitos emigrantes não receberam os boletins, mas estou só aqui a falar dos resultados em território nacional.
E acabou-se-me a imaginação para inventar mais desculpas.
Parece-me que temos aqui um puro desinteresse egoísta pelos destinos desta comunidade política que no dia anterior às eleições celebrou 876 anos de vida (est. Zamora 1143).
E é ignorância... Muita ignorância! Se nós, Portugueses, soubéssemos como pessoas noutros países gostariam de ter eleições como as nossas: livres, com campanhas nas quais se debatem diferentes opções para o país, sem prisões nem raptos políticos... Se nós, Portugueses, soubéssemos a sorte que temos!