Ao escrever o post anterior sobre o Ano Novo, dei-me conta que no Verão escrevi um post sobre a minha viagem Balcânica com o meu amigo João. Um post apenas por um motivo absolutamente plausível: o blogspot não funciona nada bem no telemóvel. Note-se que eles me sugeriam que descarregasse a aplicação do blogspot, mas eu não tenho espaço para aplicações novas, pelo que nunca o fiz.
Sendo assim, ficou o leitor ocasional deste tão brilhante quanto humilde blog convencido que a chamada "viagem Balcânica" se tinha reduzido a Zagreb. Pois que não... Percorri uma boa parte da Croácia e da Eslovénia. As pessoas deste último país, já agora, não se consideram como vindo de um país Balcânico e têm bastante razão para isso: nem do ponto de vista geográfico nem cultural o país me parece muito condizente com os outros mais a Sul. No entanto (há sempre um "no entanto"), dado que a Eslovénia fez parte da Jugoslávia e este país era considerado Balcânico, os Eslovenos ficaram assim marcados até hoje e, parece-me, assim continuarão nas décadas que aí vêm.
Todavia (como estava eu a escrever antes do desvio pelo carácter balcânico da Eslovénia) fiz uma muito simpática viagem pelos Balcãs. Teria todo o gosto de agora a descrever em pormenor, não fosse dar-se o problema de ter péssima memória e não ter feito um diário de bordo, como já fiz noutras viagens. Não obstante, muito por alto, a viagem foi mais ou menos assim:
* De Zagreb (já descrito) passámos à Eslovénia, onde visitámos Liubiliana, Lago Bled, Kransjka Gora e Skofja Luka - tudo sítios lindíssimos! Autenticamente de postal! Tanto assim que a Senhora madrecita de mi corazón decidiu pintar um quadro baseado num postal que lhe enviei do Lago Bled. Algures nessas viagens, por engano, entrámos pela Áustria e depois pela Itália adentro;
* Em Skofja Luka chovia como se não houvesse amanhã e todas as previsões diziam que a chuva se manteria na Eslovénia e Norte da Croácia nos dias que se seguiam - sendo assim, em vez de percorrermos a Península da Ístria e depois ir descendo até à Dalmácia, conduzimos num só dia cerca de 500 kms de Liubiliana até à lindíssima cidade de Split;
* De Split passámos à Ilha de Hvar e daí para a Ilha de Korcula - ambas as ilhas lindíssimas, com mar morno transparente, cidades dos tempos em que a República de Veneza dominava a região, etc. Não se pense, contudo, que estas praias são como as nossas, em que confortavelmente passeamos pela areia, jogamos raquetes, etc. Não... Aquilo é mesmo tudo em calhau, pelo que as raquetes levadas de Portugal e que fielmente me acompanharam ao longo de três semanas, não saíram do saco.
* Depois de Korcula regressámos ao continente, até Dubrovnik, sem dúvida um ponto alto da viagem não apenas pela sua extraordinária beleza mas também por me proporcionar uma das coisas que eu mais gosto na vida, um concerto que era suposto ser pago mas que foi de graça! Por engano, é certo, mas lá assisti consoladíssimo, tendo em conta que não estava a pagar nem uma kuna. E no dia seguinte lá fui a um outro concerto para o qual efectivamente tinha comprado um bilhete.
* De Dubrovnik empreendemos a viagem de regresso ao Norte, para irmos ao Parque Plitvice. A beleza natural dos Lagos Plitvice é absolutamente extraordinária mas a quantidade de pessoas que lá está também é. Ao menos deu para encontrar de forma absolutamente inesperada a minha querida amiga Carolina, que também andava a passear pela Croácia. Para não ficarmos abafados por tanta gente, decidimos afastarmo-nos dos lagos e dar um passeio pela mata do Parque, o que nos proporcionou umas duas horas de contacto com a natureza a um passo enérgico, o que foi um bom exercício.
* De Plitvice passámos a Muggia e Trieste, onde terminámos a nossa viagem em conjunto. Muggia é uma pequena cidade costeira muito engraçada enquanto que Trieste já é uma cidade bem maior que parece ter visto dias de glória, dos quais ainda mantém uma grandiosa beleza. No entanto hoje parece estar muito decadente - os edifícios em mau estado, o trânsito mal organizado... Com um bom plano de reabilitação, Trieste tornar-se-ia, de novo, uma cidade muito agradável!
E aí terminou a nossa viagem. O João seguiu para Roma de comboio e eu regressei no carro que tínhamos alugado no início da viagem a Zagreb, de onde apanhei o voo de regresso a Lisboa, a tempo de no dia seguinte ir ao casamento do meu primo homónimo.