Pronto, ando eu aqui a espalhar o bom nome de Portugal com aquelas piedosas mentiras que
já antes relatei mas depois o governo não ajuda!
A minha amiga Filipa praticou a crueldade de me enviar o discurso do Sócrates na Casa Branca e todo eu me contorci de vergonha enquanto o ouvia! Lembrei-me com saudades de alguns Primeiros-ministros anteriores com um Inglês irrepreensível (Cavaco e Guterres) - um deles, sendo agora Presidente, podia-se encarregar de ir a estas coisas em vez do PM a bem do bom nome da Nação, mas enfim...
Pronto, o rapaz até nem é mau rapaz, e é esforçado e tudo o mais, por isso aqui lhe deixo não um mas dois conselhos de graça (oh Senhor PM, de graça até choques eléctricos, por isso aceite estes conselhozinhos vindos de Macau).
NUNCA improvise numa língua que não domina bem. Escreva o discurso antes, leia-o palavra por palavra, treine-o à exaustão com alguém que domine melhor essa língua, aprenda a pronunciar cada palavra e depois, o que tem que improvisar, é o que ninguém vê, lá na reunião a dois com o Presidente dos EUA, com a Rainha de Inglaterra ou com o PM da Austrália. Imaginemos que, por exemplo, que agradecer o SIMPÁTICO discurso anterior. Não diga sympathetic que não quer dizer a mesma coisa, é mais uma expressão de pena, de "oh coitadinho..."
Outra hipotese e aqui vai o segundo conselho que eu até acho melhor, que o primeiro é dar uma de "ah, eu até sei falar esta língua do Xeike Spear muito bem, mas se o gajo (Bush) quando vai a Lisboa (nunca foi, mas por hipótese) fala Inglês, eu aqui em Washington falo Português". Um arrojo de nacionalismo deste género até não lhe ficava mal e não envergonharia a Nação.
A Nação, que se orgulha de produzir muitos e brilhantes poliglotas, agradeceria!
Bem, a única coisa que me consola é que antes do Sócrates falou oBush, cuja eloquência também não é muita. Primeiro começou por dizer que perguntou ao Sócrates como iam as relações bilaterais EUA-UE... Oh homenzinho, isso não se pergunta ao representante da outra parte mas a um assessor de relações internacionais!
Depois diz que agradece ao povo Português o apoio que dá ao governo nos assuntos do Afeganistão e do Iraque. Oh homenzinho, a maioria da malta com quem tenho falado preferia que os nossos GNRs andassem ali pela Zona J ou pela Meia Laranja mas o governo gosta de tomar estas medidas sem antes perguntar à malta e a malta, que ainda não se habituou a viver em democracia, é passiva de mais e não faz mas boas manifs para mostrar o que pensa (quando faz são da iniciativa do BE, por isso: cruzes canhoto!). Mas pronto, de nada, à mesma!