quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Mar azul

Mar azul, Mariana?

O crime do aborto II

Antes de mais, uma resposta ao anónimo das 9.52AM do post de ontem: concordo absolutamente que ideias contrárias enriqueçam o debate e agradeço o teu contributo. Não vou responder hoje porque quero mesmo acabar o post de ontem e o tempo não dá para tudo, mas prometo responder ainda esta semana.
Ora, continuando o post de ontem sobre se o aborto deve ou não ser crime, sendo que basta ler dois ou três posts meus anteriores com o mesmo marcador para se perceber qual vai ser a minha conclusão… eheheh
Explicado o que é um crime, resta explicar uma coisa fundamental: porque é que algumas acções são tipificadas como crime, porque é que outras deixam de o ser e porque é que há ainda outras que nunca são?
As sociedades mudam e com elas as ideias do que deve ou não ser crime, mas em geral um crime é uma acção que uma dada sociedade num dado momento considera que é de tal maneira reprovável que quem agir dessa forma deve ser punido. Assim, acções como a heresia e a sodomia eram consideradas crimes há uns séculos mas a escravatura e os duelos eram aceites. Por outro lado, furtar ou matar sempre foram crimes e fazer um tapete ou comer uma couve nunca foram.
Resta então saber o que leva uma autoridade com poderes de legislar, num dado período de tempo, a criminalizar uma conduta… Há uma fio condutor em todas as criminalizações: elas visam proteger um bem considerado muito importante à sociedade e concluem que a melhor forma de proteger esse bem é criminalizando-o.
Claramente, o bem que se visa proteger com a criminalização do aborto é a vida intra-uterina. Os motivos são mais do que óbvios: é uma vida absolutamente indefesa, tem uma composição genética completa, se a “deixarem em paz” e esta tiver saúde suficiente para vingar, virá a ser uma pessoa completa que trará com as suas qualidades e defeitos mais ou menos contributos para a sociedade.
O facto, em que eu acredito absolutamente, de que a vida humana é sagrada porque vem de Deus e todos os homens são feitos à Sua imagem e semelhança é para aqui verdadeiramente irrelevante no Direito Positivo que temos hoje em dia.
Concluindo qual o bem que deve ser protegido, resta saber se a criminalização é o meio para o fazer…
Infelizmente, ao contrário do que eu tinha pensado, ainda não vai ser hoje que vou acabar este post- todos compreendem que durante as férias o fluxo de trabalho não pára, o que pára é apenas a sua realização… Por isso: to be continued!
P.S. para os MSVistas: de facto o tempo é um recurso tão escasso!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

O crime do aborto

Se perguntarem a uma pessoa "normal" o que é um crime, ela vai responder o mais óbvio: é uma acção que te vale a cadeia se fores "apanhado". No entanto, se perguntarem a alguma dessas pessoas tenebrosas que tiraram o curso de Direito (nas quais eu me incluo), esta vai dizer algo incompreensível como: um crime é uma acção típica, ilícita, culposa e punível, o que, para as tais pessoas normais é o mesmo que falar Árabe no dialecto do Cairo (não vá alguma pessoa normal compreender Árabe padrão).
Vai daí, tirando todas as muitas teorias que sobre isto se construiram, um crime é uma acção deste género:
- Típica porque está tipificada, ou seja, elencada na Lei, no caso de Portugal, no Código Penal.
- Ilícita porque sobre essa acção a Lei faz um juízo reprovativo, proibindo-a.
- Culposa porque só o facto de a pessoa a praticar não é suficiente, é preciso que o tenha feita com intenção (dolo) ou, em certos crimes, que tenha agido sem o zelo que lhe era exigível.
- E punível porque a essa acção, uma vez que o tribunal venha a considerar que esta aconteceu com a tal culpa, corresponde uma pena qualquer.
Dado que os magnos interesses da Nação exigem a minha atenção noutras áreas, e dado que os inteligentíssimos, espertíssimos, fantastiquíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores deste blog também hão-de ter mais que fazer, terei que acabar este post amanhã, mas hoje já fica aqui vagamente delineado o que é um crime para o Direito Português.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Sim, estou preto!

Mas se há coisa que me chateia mesmo é que certas e determinadas pessoas se recusem a admitir que depois de 5 dias de praia, eu pareço um verdadeiro Egípcio, de tão preto que estou!

E aqui deixo um voto de protesto em nome da minoria Sueva que ainda existe neste país, e que é tantas vezes gozada e posta a ridículo pela maioria Romano-Moura que não compreende os esforços que temos que fazer para não sermos confundidos com uma parede ou uma folha de papel.

Ele são horas e horas estendidos na praia, a sofrer com o calor.... Ele são constantes bezuntadelas com cremes de factores elevados, senão ficamos encarnados e lá se vão as noites bem dormidas e os dias de praia seguintes... Ele são banhos e mais banhos de mar para aguentarmos os efeitos do calor em organismos mais propensos às temperaturas que agora se fazem sentir e que nos fazem pensar que afinal não nascemos no país errado...

E que me não chamem bife, que eu sou um puro sangue lusitano! Só é pena é que não seja um luso-árabe como 90% da população originária deste país.

E depois do voto de protesto, uma palavra de boas vindas a todos os emigrantes Ucranianos, Russos e demais gente eslava que faz com que nós, verdadeiros Suevos, nos sintamos uns privilegiados na praia!

Sim, estivémos lá!

E quem é que se atreve a duvidar de que estive em óptima companhia?

Sim, estive lá!

Mas quem é que se atreve a duvidar de que eu estive no Egipto?

Egipcios e Portugueses

Estava eu no Egipto, metido na minha vidinha e tão longe da realidade nacional, quando de repente se me faz luz para perceber as enormes semelhanças entre os Egípcios e os Portugueses.
Aqui há 10 anos, poucas eram as mulheres Egípcias que usavam véu; hoje elas são a maioria. Os motivos para isso são uns quantos, nomeadamente a onda de contestação que a actividade supostamente anti-terrorista do Iraque está a causar em todo o mundo Islâmico e que tem gerado uma onda de radicalismo naqueles países que eram tradicionalmente mais tolerantes.
Mas o que um amigo Português a viver no Egipto me contou foi que outro dos motivos para isso é que os Egípcios estão a seguir o exemplo dos Árabes e dos outros povos do Golfo. Como estes são países ricos e desenvolvidos, os Egípcios querem ser "modernos" como eles e então ser moderno é tapar as mulheres da cabeça aos pés.
Ora isto faz-me lembrar Portugal. Nós, que até temos a melhor lei do aborto da Europa, uma lei que defende a vida humana mas contempla os casos em que não pode ser exigível às Mães continuarem com a gravidez, agora queremos mudar porque os outros, os ricos, os desenvolvidos, os "modernos" é que sabem. Como com eles pode-se pôr termo à vida humana quase sem limites, há por aí muita gente que acha que a nossa Lei deve ser retrógada.
Ora eu, que sou do 1.º país do mundo a abolir a escravatura e a pena de morte por crimes civis, acho que não temos muitas lições a tirar de países como os EUA, a Inglaterra, a Espanha, etc., no que toca a direitos fundamentais, nomeadamente no que toca ao direito à Vida.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Voltei, voltei, voltei de lá...

Apesar do originalíssimo, fantastiquíssimo, especialíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo título deste post, não estive em França (mas a música é bela, não é?)!
Desde que, com muita pena minha, abandonei os inteligentíssimos, cultíssimos e intelectualíssmos leitores deste humilíssimo blog, o que se passou na minha vida foi o seguinte:
- Viagem Lisboa - Madrid - Cairo: Por pouco já não ia fazendo esta última viagem, uma vez que aproveitei a minha estadia de algumas horas em Madrid para ir almoçar com o meu grande amigo Rui que, como anda sempre a viver no Estrangeiro raramente tem o fantástico prazer de estar comigo (haja humildade neste blog, venho mais convencido que nunca!) e ia perdendo o avião!
- Estadia de 5 dias em Hugarda, no Mar Vermelho, só mesmo para o Sol, Mar e Senorqueling- acabei de aportuguesar o nome e mais tarde explico o que é e quão fantástico o é fazer no Mar Vermelho.
- Estadia de, supostamente, 1,5 dias no Cairo para ver as pirâmides, o Museu do Cairo, os quarteirões Copta e Islâmico, umas quantas Mesquitas, etc.
- Regresso a Portugal para ir directamente para a Casa de Retiros de Santo Inácio, na Praia Grande, fazer Exercícios Espirituais (um dia destes ainda acabo em Jesuíta- o que diria o meu avôzinho Pombal se voltasse à terra!).
- Da Praia Grande para Lisboa para participar na marcha pelo Não ao Aborto. Devo confessar que, apesar de optimista, tinha em consideração o tempo por isso não esperava tanta gente! Mas digo-vos que estavam à vontade umas 20 mil pessoas, para mais, nunca para menos... Fiquei muito contente com este meu regresso a Lisboa e com este banho de multidão!
Agora vou ali trabalhar um bocadinho que já estou cansado de tantas férias! eheheh
Como é óbvio, tenho muito mais a contar sobre o que andei a observar no Egipto, mas este post Domingueiro é só mesmo para anunciar que o blogadíssimo está de volta!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Pausa no blogadíssimo

Pois já estou em véspera de ir de férias*!
Estou mesmo a precisar de descansar, de não me preocupar com nada e de não ter obrigações durante os próximos 10 dias. Ora, o meu conceito de descanso é deixar o telemóvel muito bem desligadinho em Lisboa, é não ir à internet, é não ler jornais, não ver televisão, não saber notícias bombásticas nem fofocas escaldantes.
Eu até nem era totalmente assim, porque mesmo de férias gostava de dar uma vista de olhos nos jornais, mas as coisas mudaram e agora já nem as notícias quero saber. No fundo, sobre o que é que lá se lê? Sobre o Bush que vai enviar mais tropas para o Iraque e engrossar um erro que o foi desde o início? Sobre o braço de ferro entre a Administração da PT e a SONAE que lá continua por causa da OPA? Sobre a corrupção no futebol, pedofilia na Casa Pia, desenvolvimento de armas nucleares no Irão e na Coreia e outras novidades fantásticas como estas?
Poupem-nos! A mim e às minhas férias, claro!
Mas agora chega o probleminha: dado que este blog é feito a uma só mão e essa mão vai estar bem longe dos teclados, ele vai necessáriamente estar parado até dia 28 de Janeiro. É uma vida dura, mas alguém a tem que viver...
E perguntam-se vocês: mas onde vai estar o autor deste brilhantíssimo, giríssimo, divertidíssimo, inteligentíssimo, cultíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog?
Então eu já não respondi? Vou estar em FÉRIAS! :-)
* Infelizmente sem a my precious, Ana, essa está algures num daqueles SPAs da Sony com massagens próprias para máquinas.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

My poor lovely precious

Coitadinha da my precious! Está doentinha! De cada vez que se liga faz um barulho estranho e depois fica lá uma coisa a piscar a dizer que aquilo tem um erro. E isto acontece-me em véspera de férias - que falta de consideração!
Fui com ela à Sony e lá disseram-me que levavam 2 semanas a 1 mês a tratar do assunto e que podia ser à volta de €150,00! Disse-lhes que, por muito que eu gostasse da my precious, se fosse esse preço exorbitante não valia a pena arranjarem porque eu preferia comprar uma nova: esse preço foi o que ela me custou há mais de um ano!
É que a garantia que me deram na China era só de um ano (que já passou) e ainda para mais cá em Portugal só dão a garantia de 6 semanas para coisas compradas fora da UE! Como é que é possível? Desde que a máquina fosse da mesma marca, e ele confirmou-me que a my precious era genuina, deveria ser dada a mesma garantia.
Enfim... Agora é ir de férias sem máquina e esperar que o preço seja maneirinho!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Vacina para o cancro II

E agora, sem ser em pergunta para os médicos, pergunto mais aos Senhores Ministros da Saúde e das Finanças.
Nas notícias da Lusa, pude ler mais sobre esta vacina e dizia lá o seguinte: "O cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos - uma por dia em Portugal - e destrói a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma. Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando 900 novos casos por ano e mais de 300 casos mortais."
Também é dito que a vacina deve ser tomada em três doses e que cada dose custará cerca de €160,00 e que o Estado não comparticipará tal vacina. Eu até compreenderia se me dissessem que o Orçamento de Estado está depauperado e que estamos na miséria, logo o Estado não pode comparticipar nem que seja com 20% ou 30% da vacina. Mas a sério que, depois de ter sido dito que caso o Sim à liberalização do aborto ganhe, o Estado está disposto a comparticipar os abortos, eu já achava que estavamos a nadar em dinheiro.
Como contribuinte, e já que o dinheiro é escasso, prefiro que o Estado comparticipe uma vacina 100% eficaz que pode salvar a vida a 300 pessoas por ano e a saúde de outras 600 que não morrem, a que comparticipe a morte de uma vida humana absolutamente inocente e dotada de um DNA diferente dos seus Pais.

Vacina para o cancro I

Recebi umas correcçõezinhas ao meu texto sobre a moda, é que a resposta certa era tons fortes e não tons pastel. Bem, então e o que é que eu faço a toda a minha ropua pastel? (verde-sêco é considerado pastel? é que de há pouco tempo para cá recebi ou comprei muitas coisas verde-secas- estou numa de ir prá tropa!).
Mas o que eu de certeza não ouvi mal é que descobriram a vacina para o cancro do colo do útero e que vais estar disponível em Portugal por €160,00. Ora, houve umas coisas que eu não percebi muito bem, o que é natural, dado que sou um bocado ignorante no que toca a Medicina (e não só, mas disfarço muito bem e passo por culto). Eu até perguntaria à minha amiga Ana, que é médica, mas a miúda está a fazer um estágio em Madrid, pelo que lanço as perguntas para os meus leitores da área da saúde:
1. Não sabia que um cancro podia ser iniciado por uma infecção... O que eles disseram foi que este cancro é iniciado por um vírus e que a vacina (100% eficaz, diga-se de passagem) inocula a pessoa contra este vírus. Então e os outros tipos de cancro? São provocados por vírus?
2. Disseram que os rapazes também a podiam tomar porque podiam ser portadores deste vírus, mas dado que eles não têm útero, qual seria a vantagem?
Obrigado a quem me puder responder...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Moda

Desde já confesso a minha mais absoluta ignorância em termos de moda! Para mim é mundo misterioso no qual julgo que teria tanta facilidade em entrar como no mundo da física quântica.
Não que eu não goste de estar bem apresentado mas é o próprio conceito de moda e os chamados “gurus da moda” que eu me vejo impossibilitado de compreender.
Eu, inocentemente, achava que moda era o que um grupo de pessoas, em determinado momento, veste mais.
Assim, por exemplo, há a moda punk e imagino que de vez em quando se use mais ter a crista cor-de-laranja e noutras tê-la azul-forte. Há a moda beto que há uns anos era estar penteadinho e de padronizados sapatos-vela castanhos ou azul-marinhos e hoje será mais ter um penteado propositadamente despenteado e uns ténis “diferentes” mas que acabam por ser iguais a tantos outros.
Mas consta que não é assim… Consta que a moda tem mais que se lhe diga…
Hoje, no “sexo forte” da RFM uma das perguntas feitas ao desgraçado que se aventurou nessa guerra era “qual ia ser o tom da moda Primavera-Verão deste ano”, sendo que a resposta certa era os “tons pastel”.
Mas como é que eles sabem o que as pessoas vão querer usar a partir de dia 21 de Março? O mais provável é mesmo usarem o mesmo que no ano passado com mais uma coisinha ou outra que compraram agora, que isto a economia não está para grandes despesas…
E isso é moda para quem? Para punks ou para betos? Para góticos ou para skaters? Para tios ou para mitras? Estou mesmo a a imaginar um gótico a entrar numa loja e a dizer: “eu queria estas calças em tom preto pastel, sff!”
E se eu não quiser usar tons pastel e quiser usar a tshir azul forte que comprei há pouco tempo, sou um quota para todo o sempre? E se os meus ténis cor-de-laranja ainda estiverem impecáveis, terei que comprar uns em tom rosa pastel só para estar na moda?
Pois eu vou continuar a usar os mesmos fatos, as mesmas camisas, os mesmos mocassins e as mesmas gravatas que usava no ano passado de 2.ª a 5.ª, as mesmas camisas, camisolas e sapatos-vela que usava no ano passado à 6.ª e as mesmas tshirts, long-sleeves e ténis que usava no ano passado ao fim-de-semana! Não tenho lá tons pastel, recuso-me a comprar e mais nada!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Campanha do referendo

O meu amigo Francisco mandou-me o telejornal de ontem da RTP em que ele próprio aparecia muito bem e muito composto (Parabéns pequenote!) a entregar as assinaturas por um movimento do "Não" (ia lá a minha, muito bonitinha e bem cuidada) mas o que eu vi acabou por me deixar bastante indignado.
Então não é que a estrutura de notícias sobre o referendo foi esta:
- Começaram a falar sobre o aborto ao minuto 20.43 para mostrar que o Primeiro Ministro vota sim no referendo;
- Ao minuto 21.32 focaram as campanhas do PCP e do BE pelo sim, claro está;
- Ao minuto 23.40 mostraram a entrega das assinaturas pela parte dos movimentos do sim.
Com tudo isto estiveram, no total, a falar quase 6 minutos sobre as iniciativas dos que fazem campanha pelo sim no referendo.
No fim, entre os minutos 26.27 e 28.10, bem menos de 2 minutos, lá condescenderam em falar sobre o não que não só apresentou muito mais movimentos espalhados por todo o país, como entregou muito mais assinaturas!
Às 28.10, inserido na mesma notícia, começaram a falar com o senhor da CNE sobre a contagem das assinaturas, pelo que terminaram de falar sobre as posições diferentes.
A isto eu chamo parcialidade jornalística e só tenho pena que com os meus impostos eu esteja a pagar essa parcialidade. O que os canais de televisão, estações de rádio e imprensa escrita pertencentes a grupos privados fazem, é lá com eles, mas uma televisão paga por todos nós deveria ser imparcial também nesta questão do tempo.

Mulheres na prisão?

Já tinha avisado que ia voltar ao tema do aborto e ora aqui está ele de volta.
Talvez seja impressão minha, mas parece-me que os defensores do "sim" tendem a usar muitas falácias para defender a sua opinião e uma das maiores é a da maldade da prisão das mulheres que recorrem ao aborto.
E essa ideia é uma falácia por três motivos:
1. O mais óbvio é que não há registo em Portugal de uma mulher estar presa por recorrer ao aborto, o que, na minha modesta opinião, até é bastante estranho tendo em conta os valores astronómicos que os movimentos do sim apresentam sobre o número de abortos em Portugal;
2. A existência de uma moldura penal para o aborto é uma forma de o Estado dizer que não concorda com aquela actuação, que não concorda e que acha reprovável que se ponha fim a vidas humanas só porque isso apetece a quem as gerou. Isto, é claro, sendo que nos casos em que uma mulher o tenha feito num acto de desespero, sem ter a consciência do que estava a fazer, não haverá culpa, logo não haverá crime;
3. A não existência desta moldura penal, implica que os médicos com poucos escrúpulos, as parteiras de vão de escada que se aproveitam de situações de debilidade e as enfermeiras que com isso compactuam, toda essa gente que ceifou uma vida humana inocente, não sejam deevidamente punidos.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vamos cantar as Janeiras...

Ontem fui renovar o meu há muito caducado passaporte ao Governo Civil durante a hora de almoço. Para não estar horas a secar à espera, decidi ir uma hora antes, ou seja, às 12h, em vez de ir às 13h, quando deve haver mais gente.
Saiu-me o tiro pela culatra.
É que ontem houve um rancho que decidiu ir cantar as Janeiras à Governadora Civil e a maioria dos funcionários decidiu ir assistir. Graças a Deus que houve uma funcionária que não pareceu gostar muito das Janeiras e manteve-se no seu posto, senão tinha ficado a ouvir as Janeiras enquanto morria de fome por mais uma boa hora!

Aula de boas maneiras no autocarro

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer de manhã é de vir a pé para o trabalho, pensando na minha vida, no post do dia, falando com o "Chefe" lá de cima, etc.
Infelizmente, hoje, devido à chuva, fui obrigado a apanhar um autocarro e comigo ia a Su Im, a Coreana do couchsurfing que agora está lá em casa. Quando entrámos no autocarro sentámo-nos mas na paragem seguinte ia entrar muita gente e entre eles duas senhoras de idade. Dado que o autocarro estava cheio, eu sugeri à Su Im levantarmo-nos para dar o lugar.
Pois nesse momento, um senhor dos seus trinta anos não se fez rogado a sentar-se e só se levantou para deixar uma das senhoras passar para o lado da janela para que ele pudesse ficar confortavelmente instalado na cadeira da saída.
A Su Im observou baixinho que na Coreia toda a gente era ensinada a deixar as pessoas de idade sentarem-se nos autocarros. Eu respondi-lhe, de forma bem mais audível para que o dito homem de trinta anos percebesse bem o meu Inglês:
"- Em Portugal também somos assim educados, mas há umas pessoas que não se importam de ser mal-educadas e não fazem caso dessas coisas."

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

E você?

Vale a pena ler o que o meu amigo Luís, o sem pavor, anda por aí a escrever...

Quem é que manda aqui?

Um dos mais falaciosos argumentos a favor da liberalização do aborto é que a mulher deve poder dispor livremente do seu corpo. Ora isso não só é falso como nem se refere ao aborto.
É falso porque uma pessoa não se pode auto-mutilar. Quer dizer, poder até pode, mas não o pode pedir a ninguém. Assim, se me encontrar fora de mim e quiser cortar uma mão, até o posso fazer e o mais que me irá acontecer é ser internado num hospital psiquiátrico, mas se eu pedir a um médico para o fazer e ele aceder está a praticar um crime, cuja pena até poderá ser atenuada porque o fez a pedido da vítima, mas é um crime à mesma. Um crime de ofensas corporais graves...
No entanto o argumento é ainda mais falacioso porque na verdade estamos a falar de um outro corpo que não é o da mulher.
É certo que é um corpo que só se pode desenvolver no corpo da mulher.
É certo que é um corpo que depende a 100% do corpo das mulher para se fornecer de alimentos e oxigénio.
Mas não é certo que seja o corpo da mulher.
Com o referendo sobre a liberalização do aborto a aproximar-se, o tema vai ser cada vez mais recorrente neste blog. Como é óbvio, sou frontalmente contra a liberalização que querem fazer do aborto e proponho expor isso a quem tem a pachorra para me ler mas muito gostaria que a minha voz não fosse a única aqui: comentem, critiquem, vociferem e digam-me que estou a pensar mal... Como sempre o faço, publicarei todos os comentários a não ser aqueles que sejam ofensivos. Que bom é poder aproveitar este espaço de liberdade de pensamento que é a blogosfera!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Peregrinação pela Vida


Peregrinação dia 13 de Janeiro 2007
10.15 - Terço na Capelinha das Aparições
11.00h - Missa com o Senhor D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima
Portugueses em Oração pela Vida no Altar do Mundo, Sinal da Presença de Cristo Vivo junto dos Homens.

Peregrinação de Consagração de todas as Mulheres Grávidas e das Vidas Nascentes. Apresentação a Maria do nosso compromisso de realizarmos, em pleno, todos o esforços pelo Bem Comum e pelo Respeito da Dignidade da Vida e da Pessoa, da Concepção à Morte Natural.

Oração em especial pelas Situações de Grávidas
em Desespero, em particular pelas que passam por Graves Dificuldades, para Poderem Ter os Filhos, para as sabermos continuar a Acolher e a Apoiar.

A idade de negro

Perdidos na Serra de Alcoutim vivem não sei quantas pessoas, de idade já avançada, cujos filhos, não encontrando emprego na região, partiram para Lisboa, para o "Algarve"* ou para o Estrangeiro deixando os Pais num isolamento cada vez maior.
Estas pessoas que ainda lá vivem, vão praticando uma agricultura de subsistência e mais nada, que a idade também já não o permite. Quando deixam de o poder fazer, são levadas para o Lar onde passam o dia sentadas a ver televisão sem qualquer atenção e com muito poucas visitas.
Na sua maioria estão vestidas de negro, em honra de alguém que já morreu ou pura e simplesmente da tristeza que se foi instalando - vestem as roupas da côr da alma...
E esperam... Esperam... Esperam...
Não sei se esperam a morte ou a visita que tarda a chegar!
*Note-se que estamos no Algarve mas lá, quando se fala do Algarve, fala-se da costa.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Resoluções de ano novo

Ora isto de se fazer resoluções de ano novo não é fácil, porque a tendência é não cumpri-las, por isso este ano eu só fiz 3.
- A primeira é a resolução espiritual: procurar ler com mais frequência as cartas pastorais e encíclicas deste Papa, que é um homem de uma cultura e preparação intelectual vastíssima, e dos Papas que o precederam: se é certo que a razão deve buscar a fé para encontrar muitas das respostas que procura, não é menos certo que a fé também deve buscar a razão para se consolidar e fortalecer.
- A segunda é a resolução mais física: voltar a fazer regularmente exercício e perder os oito quilinhos que ganhei desde que cheguei da China. O motivo não é meramente estético, é mesmo que sinto que agora me canso mais fácilmente com coisas que há um ano, quando praticava Tae Kwon Do e só comia aqueles vegetais e massas Chinesas, fazia com uma perna às costas.
- And last but not least, a resolução intelectual: efectivamente aproveitar os Domingos de manhã para visitar os Museus (quando eles são de graça) e procurar aproveitar mais o facto de viver numa cidade cheia de ofertas culturais que até um pobre diabo como eu pode aproveitar porque são de graça. Para começar vou já um concerto este Domingo na FCG.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Avô Mana

Já antes escrevi aqui sobre o meu Avô Mana, piloto-aviador da Força Aérea, muito divertido, conversador e cheio de estórias para contar que na semana passada completou 95 anos.
Algumas dessas estórias já são quase lendas na família.
Como daquela vez em que a pilotar um avião algures para o Norte se guiava por um mapa de uma qualquer companhia de seguros (as Forças Armadas de então tinham ainda menos recursos que as de hoje) quando o mapa voou. Sem ter como se orientar, foi obrigado a aterrar num qualquer descampado e teve tratamento VIP das pessoas de lá que nunca tinham visto um avião de perto.
Ou ainda da outra vez que perdeu os dois motores em plena mata cerrada da Guiné e quando chegou a Bissau já estavam as mulheres dos outros oficiais a consolar a minha avó, já por todos considerada viúva, quando ele entrou em casa.
Para além destas houve outras peripécias sempre vividas com bastante humor passadas na Alemanha, nos EUA, em França, em Moçambique, em Angola… Tudo o que pudessem ser situações potencialmente embaraçosas eram transformadas em paródia pelo nosso “Coronel sem batalhas”.
Na 2.ª feira, depois das festas do Natal, dos próprios anos e da passagem de ano, o avô Mana deixou-nos. Quer dizer, deixar não nos deixou porque a sua memória, o seu exemplo e as suas estórias ficam e dentro de muitos anos, se Deus me der a vida e a saúde do meu avô, ainda as hei-de contar aos meus netos, com mais muitos pontos e repontos como eu faço sempre que conto um conto, e eles ainda se hão-de rir como nós todos nos rimos quando as ouvimos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Mensagem para o dia Mundial da Paz

Ontem foi dia Mundial da Paz.
Vale a pena ler isto...
Nos próximos dias não devo escrever aqui.
O Blogadíssimo vai fazer uma pausa.