sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Sofrimento, tristeza, doença e Deus

Qual é o sentido do sofrimento? E da tristeza? E da doença?
Porque é que eles existem? Porque é que Deus os permite?
Estas e outras perguntas já muitas vezes me passaram pela cabeça (a quem não passam?) mas quando um amigo que não acredita em Deus mas coloca, faz-me pensar mais sobre o assunto. Faz-me ir mais ao fundo da minha fé…
Quando começamos a pensar melhor no assunto, vemos que o sofrimento, a tristeza e a doença não são coisas más em si mesmas, são tão somente o reverso da medalha do conforto, da alegria e da saúde… Como é que nós conheceríamos estas sensações sem passarmos pelos seus opostos?
No fundamento da filosofia Taoista está o princípio da dualidade do Yin e do Yang pelo qual as coisas não são em si positivas ou negativas e as coisas que nos incomodam nada mais são do que aquilo que nos faz saborear as coisas de que gostamos.
E Deus? Onde é que entra nisto? Porque é que Deus não faz tudo confortável, alegre e saudável? Se Deus tudo pode…
Deus, que nos criou e nos amou desde que nada mais éramos do que duas células que se uniram, obviamente não tira qualquer prazer de nos fazer passar pelo sofrimento, pela tristeza e pela doença. Deus que se fez um homem humilde e pequeno em Belém de Judá por nós, obviamente nunca nos abandona nem nos bons nem, muito menos, nos maus momentos.
Então como é que O encontramos lá? Como é que O encontramos no meio das lágrimas?
Não me parece que encontrar Deus esteja ao alcance das capacidades humanas. Compreendê-Lo está muito acima das nossas limitações. Mas deixarmos que Ele nos encontre, criarmos as condições para que Ele nos fale, predispormo-nos a escutá-Lo, tudo isso já depende de nós. Afinal de contas, foi Ele que se revelou aos profetas, que se fez Santo e que continua a actuar em nós pela força do Espírito Santo.
E como é que Ele nos fala no sofrimento, na tristeza e na doença?
Simplesmente com um “estou aqui”. Simplesmente com um “nem um cabelo da tua cabeça há-de cair sem que eu o conte”. Simplesmente inspirando-nos a Sua força e usando-nos para chegarmos a quem está pior do que nós ou usando alguém que nos é próximo para chegar a nós.
E como é que Ele compreende o nosso sofrimento? Porque a mais importante lição de Deus é mesmo que, sendo Deus todo Poderoso também se fez homem e se submeteu ao sofrimento que os homens Lhe inflingiram.
Muito mais haveria para escrever mas nem o meu tempo nem a pachorra de quem me lê o permitem mas o que eu não queria deixar de sublinhar é que a pergunta fundamental que eu faço em ocasiões como estas não é “porque é que Deus permite… ?” mas sim “onde é que está Deus nesta ocasião e o que é que Ele quer de mim?”.

3 comentários:

José Leite disse...

Deus será que às vezes dorme?!!!

Perguntar não ofende...

J disse...

Diogo,

Foi dos seus posts, que mais me fez pensar e rezar sobre o que escreveu. Sem dúvida que as questões que coloca já passaram pela cabeça de cada um de nós. Eu acho que o sofrimento, por muito que a nós simples mortais nos custe, deve ser encarado como diz o P.Vaco Pinto Magalhães, como " não perguntes porquê mas para quê? ", e concordo totalmente com a sua procura de Deus nos momentos menos bons.

Gostava muito que tivesse escrito mais sobre este assunto, porque ao contrário do que escreveu, pelo menos da minha parte tenho todo o gosto em ler o que escreve.~

Desejo-lhe um Bom Ano cheio da presença de Deus.

Um grande beijinho em Cristo

Fátima F disse...

Obrigada :)
por esta reflexão partilhada