segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cozinhas do mundo

Que este mundo se está a tornar cada vez mais pequeno, nota-se principalmente na comida. Nós, Portugueses, estamos provavelmente entre os campeões da internacionalização da nossa comida: a nossa típica broa é feita com milho que foi introduzido no reino no século XVI, os nossos muitos pratos de arroz são feitos com esse cereal introduzido no século XVII, tudo o que é especiarias vieram da Ásia nos séculos XVI e seguintes (e o que seria da nossa doçaria sem a canela?). Mas se isto já é de esperar dos Portugueses, mais estranho é o mesmo acontecer com os Chineses: a quantidade de lojas de bolos que se encontram em Macau e até na China Continental é impressionante: bolos, essa coisa que os Chineses nunca tiveram no seu menú. Para além disso, produzem boa cerveja (tsing tao), péssimo vinho (great wall - mas importam mais do que produzem) e aos poucos também os hábitos alimentares deste povo outrora tão hermético se mudam consideravelmente.
Por isso agora, de cada vez que viajo compro algum ingrediente típico do país: trouxe côco ralado das Filipinas, Caril Amarelo da Tailândia, Verde do Cambodja e Encarnado do Vietnam, ervas da Provença de Paris, etc.. Há quem lhe chame cozinha fusion, o que parece chiquíssimo, mas na realidade não sei cozinhar suficientemente bem nenhuma cozinha tradicional, pelo que misturo todas as que sei mais ou menos.
Outro sinal de que os nossos estômagos andam mais internacionais do que os nossos passaportes é a marcação de um jantar:
- Vamos jantar? Tens alguma ideia de restaurante?
- Hummm... Preferes Chinês, Português, Vietnamita, Japonês, Tailandês, Italiano...?
Claro que já há mesmo restaurantes fusion: Macaense, quer dizer que são os pratos que as mulheres Chinas cozinham para os maridos Tugas a tentar imitar comida Tuga mas com técnicas Chinas ou mesmo os "fusion" Franco-Japonêses, Sino-Italianos, etc..
Este mundo está cada vez mais do tamanho de um estômago.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ele há coisas boas...

Ele há coisas boas aqui no fim do mundo, uma delas é as coisas de graça que a malta arranja. Já se sabe que de graça até choques eléctricos, certo? Ora aqui em Macau há muitas provas de vinhos portugueses principalmente de produtores que acham que Macau é o mercado perfeito para expansão na Ásia.
Hoje lá fui a uma dessas provas: bom vinho, óptimos aperitos que deram para ficar jantado, etc. Gosto disto!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Louquíssimo

(mail escrito à minha amiga noiva Mary C a relatar uma estória da vida real)
Ando a caminhar para a loucura...
Tu bem sabes que eu nunca fui 100% são, não sabes? Já me conheces há uns aninhos e isto para ti não é surpresa, mas agora estou a pirular de vez!
Também sabes que eu sou forreta, não sabes?
Pois agora conto-te esta estória da vida real que se passou comigo.
Não estando disposto a permitir que o sol de Macau danificasse as minhas azuis retinas, comprei uns óculos Ray Ban super estilosos e muuuito caros: cerca de 160€! Estás a ver que isto custou ao Diogo, forreta como é, não estás?
Há coisa de duas semanas, dois meses depois desta tremenda decisão, perdi os óculos. A última vez que os tinha visto tinha sido no meu gabinete, tinha a certeza que os tinha posto na mala do computador, fui ao bar da faculdade tomar um sumo de cenoura e dar 2 dedos de conversa com quem encontrasse, estive no bla bla bla e fui para casa já de noite (não ponho óculos). No dia seguinte não encontro os óculos na mala do computador nem em casa, vou ao gabinete na Uni: não estão lá - reviro papeis, olho em todo o lado. Vou ao bar: ninguém viu os óculos! Malandros dos alunos que encontraram uns óculos Ray Ban no bar da Uni e os palmaram! Malandros dos Chinos! E passam a vida a dizer que são honestos! Voltei a procurar em casa, estive 3 dias de mau humor e 2 semanas a queixar-me do dinheiro deitado à rua. Todos os dias, não fosse o diabo tecê-las, procurava um pouco mais em casa e no gabinete. Nadica de nada!
Domingo estava a almoçar no mesmo restaurante onde há dois meses almocei antes de comprar os óculos com os mesmos dois amigos com quem há dois meses almocei e a ter dificuldade em olhar o mesmo mar que me reflectia a luz do sol que há dois meses me convenceu a fazer aquela loucura de comprar uns Ray Bans. "Não sejas forreta" - diz-me um deles - "vamos mas é lá abaixo comprar-te uns óculos novos!" Os dois a zurzirem-me a cabeça... Cedo! Vou lá abaixo, o homem mostra uma sincera comiseração pela minha tirste situação, que sim, que se lembrava muito bem de nós, mas... Desconto? Nem pensar! Lá gasta o Diogo mais 160€ nuns óculos novos. Debate: compro iguais ou diferentes? Compro diferentes porque olha, já agora não repito muito.
Segunda uso os óculos, quando saio do gabinete ponho os óculos na pasta do computador dado que era noite e vou para casa. 3ª choveu, 4a choveu ainda mais, mas hoje fazia sol. Onde estão os óculos? Procuro os óculos em casa: "ah, cá está a caixa dos óculos dentro da mala do computador!" Vou a sair de casa, abro a caixa dos óculos, tiro os óculos e fico a olhar para eles: são os antigos!
MAS COMO É QUE É POSSÍVEL?!?!?!
Reviro a casa inteira, dou berros comigo mesmo, sai palavrão que ferve (em Inglês e Cantonês, que eu em Português tenho um bloqueio mental contra palavrões) juro que estou a ficar louco ou que alguém me está a pregar uma partida. Volto para o gabinete: a caixa com os óculos novos está em cima da secretária!
Pelos vistos, Segunda feira pus a caixa dos antigos na mala depois de eles terem passado 2 semanas em cima da minha secretária!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eneagrama

Muito simplisticamente falando, o eneagrama é um teste de personalidade que divide os muitos tipos de personalidade em nove tipos base. Cada pessoa com um desses tipos base de personalidade pode ter uma influência mais forte de outro tipo base e pode integrar-se ou desintegrar-se (ou seja, melhorar ou pior a sua reação consigo mesma) em ainda outros tipos diferentes de personalidade.
Eu fiz este teste há cerca de quatro anos integrado num curso de um fim de semana de eneagrama com o CUPAV, o centro universitário dos Jesuítas em Lisboa. Ontem ao jantar a conversa girou muito à volta do eneagrama - as diferentes personalidades, as diferentes reacções que cada pessoa tem às diversas situações, etc..
Gostei muito de fazer este teste porque me permitiu não só conhecer-me a mim mesmo mas também conhecer os outros. Mas um problema que sinto é que, uma vez conhecendo os nove tipos base de personalidade ganhamos maus hábitos tais como:
- presumir que as pessoas que conhecemos são um ou outro tipo base;
- quando sabemos que as pessoas são de um determinado tipo base, tendemos a esperar que elas correspondam sempre a esse tipo base ou à sua asa.
Por outro lado, também ganhamos alguns bons hábitos como:
- entender que reacções semelhantes nem sempre têm a mesma causa;
- procurar combater aqueles que são os nossos defeitos naturais, não os desculpando com um "eu sou mesmo assim."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Óculos

Estou mesmo chateado com a minha própria estupidez! Comprei há dois meses uns óculos caríssimos (mesmo, não estou a brincar como quando digo que uma massagem por 40 RMBs é caríssima) e agora perdi-os! A última vez que os vi foi no café da biblioteca na Segunda. Ontem procurei-os em casa, não encontrei, achei que tinham ficado no gabinete. No gabinete vi que não estavam, achei que não tinha procurado bem em casa. Hoje conclui que não estavam nem num sítio nem noutro, fui ao café da biblioteca e ninguém encontrou nada... Óbvio! Uns Ray Bans verdadeiros... Se fossem óculos da candonga de Zhuhai de certeza que ainda os tinha! Estou fulo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estadia

Durante três semanas no verão vou estar neste bonito sítio a fazer isto.
Ora, eles lá não têm alojamento, mas encontram casas de famílias locais para ficarmos.
Problemas com essas casas:
1. São 20€ por dia mesmo nos dias em que não dormimos lá, tipo se formos passar fins de semana fora, etc.;
2....
Ia arranjar mais problemas, mas pronto, o preço é mesmo O problema.
Vai daí decidi averiguar quem no couchsurfing tinha um quarto a mais que me pudesse arrendar durante os dias em que eu lá ficar nessas três semanas e mandei uns quantos mails. Problema 1: a maior parte deles leva o conceito de couchsurfing à letra e oferece um sofá na sala. Problema 2: a maior parte das pessoas mais novas em Haia, pelos vistos vive num género de repúblicas e o sofá ou colchão que oferecem é no próprio quarto. Problema 3: aqueles que, de facto, têm um quarto a mais vão estar de férias nessa altura!
A coisa não está fácil, mas algo me diz que vou ter que ficar no quarto arranjado pela academia numa família exploradora da quase capital Holandesa. Eles que não pensem que lhes levo pastelinhos de Belém!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

In vino...

Lembro-me lindamente da minha primeira bebedeira e quando eu hoje olho para trás, não percebo como é que ela pode acontecer! Fui com o meu primo André e um amigo meu, o António Talhé, a uma festa monárquica numa adega já não sei de quem algures nos arredores campestres de Lisboa (é assim que os monárquicos são recrutados). O vinho era à discrição e os três não nos fizémos rogados e saímos de lá quase nos braços da irmã mais velha do António que nos levou a casa.
Não me choca ter apanhado a primeira piela aos 15 anos. Não me choca ter bebido quantidades industriais capazes de assustarem qualquer fígado por mais laborador que este seja. O que me choca é que o vinho não era bom e, mesmo assim, eu bebi-o sem hesitações.
A minha relação com o vinho mudou profundamente no verão de 1996. Nesse verão eu passei cinco semanas em Paris em casa dos meus tios Jesus e Claude. Ora o tio Claude é um verdadeiro apreciador de vinho, mas só de bons (muito bons) vinhos. Durante cinco semanas ao almoço e ao jantar provei uma série de vinhos, nenhum deles menos que muito bons. O tio Claude, que é um contador de estórias nato, ensinava-nos (a mim e à Mariana) sempre alguma coisa sobre o vinho que estavamos a beber.
Foi remédio santo! Nunca mais consegui beber mau vinho! Não é que seja um conoisseur que consegue distinguir vinhos de diferentes castas ou regiões, mas topo um vinho mau à légua e não consigo mesmo bebê-lo.
Quando agora, passados quase 13 anos da minha última ida a Paris, parei numa escala em Paris e fui jantar a casa dos meus tios não pude deixar de me lembrar de como lá estar 5 semanas influenciou tanto o meu gosto no que toca aos vinhos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sou o Rui Rosário!

Ele há cada um, que eu até fico a pensar se serei eu que serei demasiado desconfiado...
No verão vou fazer um curso em Haia, na Holanda. Ora, a meio desse curso tenho que ir um fds a Portugal aos casamentos da Maria e do Tiago (no Sábado) e da Alexandra e do Rui (no Domingo), pelo que tive que comprar um bilhete de ida e volta entre Amesterdão e Lisboa. Ora, dado que o meu lugar de destino era Amesterdão, eles recusaram o meu cartão de crédito de Macau (já começo a ficar habituado), pelo que a reserva ficou feita mas eu tive que telefonar para a TAP (e para o skype não vai nada, nada, nada... TUDO!). Depois de esperar muito tempo e de gastar 8 HK$ a ouvir má música (podiam pôr fado, como a PT), lá me apareceu um rapaz com um tom de poucos amigos que, depois de ouvir o meu problema, me disse para lhe dar os dados do meu cartão de crédito.
Ante o meu espanto: "os dados do meu cartão! depois o senhor pode comprar um ferrari online com ele!!!" ele vira-se e diz com a voz mais natural do mundo: "sou o Rui Rosário, da TAP!"
E se o Sr. Rui Rosário passar os meus dados à Sra. Runa Rosária? Ou à Sra. Maria Breviário? Ou ao Sr. João Livro-das-Horas? E porque é que eu hei-de confiar que a TAP apenas contrata funcionários da mais alta idoneidade moral? Se eu fosse os administradores da TAP contratava os funcionários mais baratos: afinal de contas atender telefonemas e pôr uns dados no computador pode ser feito por qualquer um... Funcionários baratos têm amigos na droga e outros com dívidas, por isso como é que eu sei que o Sr. Rui do Rosário, que até se pode chamar José Naftalina ou até pode ser uma Maria Quiosque com uma voz bem abagaçada, não vai a correr dar os meus dados aos seus amigos toxicodependentes ou afundados em dívidas?
Ante todas estas dúvidas, pesei na balança os prós e os contras e achei que faltar aos casamentos da Maria, do Tiago, da Alexandra e do Rui era um trauma maior do que algum toxicodependente encomendar pó de talco da Colômbia com o meu cartão de crédito, pelo que lá lhe dei os dados.
Agora, meus queridos Maria, Tiago, Alexandra e Rui... AI DE VOCÊS... AI DE VOCÊS QUE:
1) decidam adiar os casamentos;
2) se divorciem
3) ão tenham, pelo menos, 5 piquenos nos 13 anos que se seguem a este feliz evento que é a vossa boda;
4) não bebam uma flute de champagne inteira quando vierem saudar a minha mesa.
Pagam-me a maldita viagem e todo o pó de talco que tenha sido encomendado da Colômbia com o meu cartão de crédito!!! E ainda vão andar à procura do Sr. Rui Rosário para eu ajustar umas continhas com ele!

Filipinas

A pedido de muitas famílias... Pronto, vá, a pedido de uma família, mas uma família internacional, aqui deixo um bocadinho do que foram as minhas férias nas Filipinas.
Comecei por visitar Manila, que é uma cidade muito gira porque mistura a parte colonial espanhola, a parte mais moderna de centro de negócios e a parte mais caótica típica de qualquer cidade Asiática. Desde logo pude verificar aquilo que já desconfiava: os Filipinos são super simpáticos e acolhedores mas, infelizmente, tão pobres quanto simpáticos. São um bocadinho os Brasileiros da Ásia, no fundo.
Para além da cidade, visitei o vulcão Taal, perto da cidade, que é um assombro de giro: uma ilha no meio de um lago com um vulcão que tem na sua cratera um outro lago com um poderoso cheiro a enxofre.
Depois de Manila, fui para a ilha de Bohol onde fiz praia e mergulho.
As Filipinas são um país cheio de encantos que eu recomendo mesmo para quem quer fazer umas férias mais prolongadas ou lua-de-mel.




Eleições antecipadas

"Meanwhile, amid concerns that contagion from Greece may spread to other countries, Portuguese bond yields climbed yesterday." In: Times online
É dura a lógica do mercado, mas uma coisa é certa: é que é bem lógica! Quando um país, uma empresa, etc. está por baixo, alguém se vai querer aproveitar disso. Pode parecer errado, mas não é, é muito lógico: se o meu dinheiro tem um maior risco de não ser pago, eu quero vantagens adicionais para o emprestar, ou seja, juros mais elevados. Por outro lado, se um investimento produz mais resultados, mesmo que seja menos seguro, torna-se mais atractivo para expeculadores.
Ora, quem quer expeculação assusta-se com uma atitude: a de seriedade e contenção. Na altura em que os investidores pensarem que o governo Português está a tomar decisões sérias e contidas, deixam de "rodear a presa" e vão cantar para outra freguesia. Se Portugal continua a aparecer como comparação à Grécia em todos os jornais internacionais, é porque o governo Português, nem com o PEC consegue tornar-se credível.
Parece que está na hora de termos eleições antecipadas...

Pater familiae


Quando, faz hoje 69 anos, o meu bonus pater familiae nasceu, foi destinado pela irmã mais velha ao sacerdócio. Quem sabe se, tendo seguido essa via, hoje em dia não seria já Cardeal Patriarca de Lisboa ou mesmo, porque não, Papa? No entanto, o mundo respira de alívio por isso não ter acontecido - não tanto porque o meu bonus pater não tivesse dado um óptimo Papa, mas mais porque se isso tivesse acontecido o mundo nunca teria visto a minha distintíssima, belíssima, extraordinaríssima mas, acima de tudo, humilíssima pessoa.
Para além disso, o mundo também não teria visto aquelas duas igualmente distintíssimas pessoas que podemos ver na foto, bem como outro distintíssimo que não se encontra na fotografia.
Mas por muito distinto que aqui se encontre, não foi assim, de fraque e bem cheiroso, que o bonus pater começou a sua vida. Ah pois é, começou a vida como um menino do campo que andava a preparar armadilhas para os pardais e que quase se afogou numa levada de água... Isto parece mesmo uma coisa do "intigamente": afogar-se numa levada de água! Ainda existirão levadas? Será que aquela coisa no Jardim Gulbenkian é uma levada?
Menino e moço deixou os verdejantes campos de Ourém, entalados entre a Serra d'Aire, e foi na movimentada Lisboa que conheceu a cosmopolita menina que enGraçou a sua vida. Sim, sim, a menina de vestido côr-de-rosa... 40 anos e 4 filhos depois desse conhecimento, o Pater é o que se vê: um distinto senhor que, não sendo cobrador de dívidas difíceis, ainda assim fica muito bem e distinto de fraque.
Paizão: muitos parabéns!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Gregos e outros

Quando abro os jornais cheios de notícias da Grécia, fico com a impressão que aquele é um país de loucos.
Uma coisa que eu expliquei aos meus alunos de ciência política no primeiro semestre foi que em cada opção política que um governo faz, este terá que escolher entre providenciar mais e, logo, gastar mais, ou providenciar menos e desta forma poupar. Parece óbvio, não é? Mas nem sempre é assim...
Em primeiro lugar, pode acontecer que o "balde esteja roto", ou seja, que haja muitas coisas em que o erário público está a perder dinheiro estupidamente. Más administrações, compadrios, corrupções, más decisões... De tudo isto a Grécia e Portugal estão cheios. Pois então, culpe-se os políticos? Numa Democracia, os políticos são aquelas pessoas que se dedicaram à política e conseguiram apoio popular para chegar ao seu cargo. Os outros que nunca se dedicaram à política e se limitaram a votar (ou nem isso) sem conhecer o que dizia o programa eleitoral do partido em que votam ou as qualidades pessoais, profissionais, morais ou académicas das pessoas em quem votam são, muito simplesmente, os palermas. Então, quando milhares de pessoas saem à rua para culpar os políticos, deviam começar a fazê-lo para culpar os palermas, que foi quem elegeu os políticos corruptos.
Para além disso pode acontecer que se esteja a pagar juros de dívidas passadas. Os jovens Gregos queixam-se que é tudo culpa da geração dos pais, mas não terão eles beneficiado pessoalmente de educação pública e do facto de os pais terem dinheiro para, por exemplo, lhes porem queijo feta na salada? A mim não me passa pela cabeça culpar os meus pais pela dívida portuguesa quando, entre Marquesa de Alorna, Filipa de Lancastre e Universidade Nova, eu quase sempre usei a educação pública e quando me vesti, calcei e comi o que os meus pais compravam com os seus ordenados!
Quanto aos sacrifícios "impostos" pela Alemanha e FMI em troca de um avultadíssimo empréstimo... Para quê tanta zanga e tantos insutos aos Alemães? Os Gregos podem sempre recusar e tentar resolver os problemas sozinhos. Do meu ponto de vista, eles só têm a ganhar com a ajuda: a curto prazo permite resolver parte da dívida pública a juros ruinosos para que esta geração não tenha que estar a pagar só juros. Quanto às medidas de contenção, têm que as tomar quer aceitem quer não aceitem o empréstimo.
Por último, quanto aos Alemães: se os Gregos os odeiam assim tanto, deveriam escolher passar férias em Portugal. Deutschern: wie lieben sie!

domingo, 2 de maio de 2010

Up in the air

Em Portugal, comprar um DVD é uma coisa reflectida, pensada... Afinal de contas ainda são, quê, uns 12€? Em Zhuhai comprar um DVD é uma coisa ocasional: por 8 RMBs (estão cada vez mais caros) a pessoa compra e depois pensa se tem pachorra para ver ou não.
Foi assim que comprei o DVD do "up in the air": estava a comprar uma data de DVDs, comecei a falar com um senhor Chinês que, surpreendemente falava lindamente Inglês, eu recomendei-lhe uns dois filmes, ele recomendou este. Isto já foi há umas semanas e só hoje vi o filme...
Atingiu-me como um trovão.
É a estória de um homem que tem um emprego que não tem discrição do mau que é: despedir pessoas. Trabalha para uma empresa de out sourcing cujo serviço prestado é o despedimento de pessoas! Surpreendemente, ele adora o emprego dele. Ficamos a pensar: "há pessoas para tudo", certo? Mas o mais surpreendente é que ele adora esse emprego porque passa a vida a viajar de avião de um lado para o outro e não leva nada nem ninguém na bagagem. Quando eu digo não leva ninguém, é que ele evita envolver-se com quem quer que seja e assim, em termos de emoção, é mais fácil não ter uma casa, dormir sempre em hoteis e, grande objectivo (alcançado) da vida dele, atingir 10 milhões de milhas no cartão de milhas. Sem família ou amigos, isso torna-se fácil.
Pode parecer um daqueles filmes lamechas mas não é, não acaba bem. O que eu gosto de um filme que não acaba bem!
Claro que este filme retrata o extremo, o quase inexistente. Alguém sem amigos, com duas irmãs que não vê há anos, logo, sem família também e, apesar de tudo isto ou, aliás, precisamente por causa de tudo isto, que se sente feliz.
Então o que é existente?
Existente é viver longe da família e dos maiores amigos, estar com eles duas vezes por ano... Vá, não estou numa de auto-comiseração, mas fez-me pensar... Nos últimos quase três anos em Macau fiz bons amigos (mesmo) e quando se vive longe da família os amigos passam a ser muito mais importantes ainda porque são a nossa família. Dois desses amigos, a Priel e o Bjorn, têm as chaves de minha casa, se alguma vez me esquecer de levar as minhas chaves ou precisar de alguma coisa, eles podem entrar em minha casa. Quando no ano passado fui passar o verão a Portugal, lembrei-me em HK que me tinha esquecido de pôr o lixo na rua: 1 mês de lixo a apodrecer em qualquer sítio do mundo, mais ainda com este calor e esta humidade, significa explosão de baratas, pelo que lá vieram eles a minha casa pelos piores motivos.
Agora eles estão de partida para a Alemanha. De vez.
E isto fez-me pensar... Eu também estou um bocadinho up in the air. Vá, um bocadinho, sem exageros... Afinal de contas tenho bons amigos quer aqui quer em Portugal mas e a família? Os meus pais não se chamam Bjorn ou Priel nem os meus irmãos Isabel, Christiaan ou Raquel mas quando eu preciso de alguma coisa é a estes que eu ligo. A minha casa está muito gira (na minha opinião, pelo menos): tenho mobília chinesa a imitar antiga, fotografias de amigos e família, quadros e estatuetas de toda a Ásia: mas os meus pais ou irmãos nem nunca cá vieram (pronto, a Mãe, a Mariana e o Gonçalo foram à antiga que era horrível) porque isto fica, literalmente, para lá de Bagdad. Vou fazendo experiências culinárias sempre que alguém cá vem almoçar ou jantar, umas mais bem sucedidas que outras, e nem nunca cozinhei para os meus sobrinhos.
E já nem falo de ter quase 30 e não ter encontrado uma rapariga de quem possa dizer "esta é para sempre"...
Vá, está bem, estou a ser um bocadinho dramático: bom ordenado, bons amigos, bons programas, uma vida gira... Um certo novo-riquismo de que gosto tanto. Mas, mesmo assim, um bocadinho "up in the air". Neste momento queria mesmo ter menos milhas e mais tempo com "os meus"!