Que este mundo se está a tornar cada vez mais pequeno, nota-se principalmente na comida. Nós, Portugueses, estamos provavelmente entre os campeões da internacionalização da nossa comida: a nossa típica broa é feita com milho que foi introduzido no reino no século XVI, os nossos muitos pratos de arroz são feitos com esse cereal introduzido no século XVII, tudo o que é especiarias vieram da Ásia nos séculos XVI e seguintes (e o que seria da nossa doçaria sem a canela?). Mas se isto já é de esperar dos Portugueses, mais estranho é o mesmo acontecer com os Chineses: a quantidade de lojas de bolos que se encontram em Macau e até na China Continental é impressionante: bolos, essa coisa que os Chineses nunca tiveram no seu menú. Para além disso, produzem boa cerveja (tsing tao), péssimo vinho (great wall - mas importam mais do que produzem) e aos poucos também os hábitos alimentares deste povo outrora tão hermético se mudam consideravelmente.
Por isso agora, de cada vez que viajo compro algum ingrediente típico do país: trouxe côco ralado das Filipinas, Caril Amarelo da Tailândia, Verde do Cambodja e Encarnado do Vietnam, ervas da Provença de Paris, etc.. Há quem lhe chame cozinha fusion, o que parece chiquíssimo, mas na realidade não sei cozinhar suficientemente bem nenhuma cozinha tradicional, pelo que misturo todas as que sei mais ou menos.
Outro sinal de que os nossos estômagos andam mais internacionais do que os nossos passaportes é a marcação de um jantar:
- Vamos jantar? Tens alguma ideia de restaurante?
- Hummm... Preferes Chinês, Português, Vietnamita, Japonês, Tailandês, Italiano...?
Claro que já há mesmo restaurantes fusion: Macaense, quer dizer que são os pratos que as mulheres Chinas cozinham para os maridos Tugas a tentar imitar comida Tuga mas com técnicas Chinas ou mesmo os "fusion" Franco-Japonêses, Sino-Italianos, etc..
Este mundo está cada vez mais do tamanho de um estômago.




