domingo, 27 de setembro de 2009

Esta não é a minha...

Na minha faculdade poucos são os professores Católicos e ainda menos os que vão regularmente à Missa, pelo que eu acabo um bocadinho por ser visto como o "beato da Faculdade". Ora, hoje foi celebrada Missa de um mês pela Filipa, pelo que a Igreja da Taipa, na Missa das 11 horas, que é a das crianças, estava cheia com professores da faculdade.
Ora, o Padre que aí celebra, um padre Xavier, Macaense, até que é simpático, mas eu não gosto muito daquela Missa, precisamente porque é para crianças e costuma ser um bocado aquela seca de "Jesus é nosso amigo e devemos ser bonzinhos". Na minha opinião é mais infantil do que deveria ser, dado que eu me lembro perfeitamente de muitas catequeses da Irmã Elvira quando eu andava na primária e, se me lembro delas, é porque eram ricas de conteúdo e com interpretações da Bíblia que ainda hoje me acompanham.
Mas pronto, que seja infantil, ainda se compreende, mas hoje o padre decidiu que o mais importante era contar não sei quantas estórias de como ele se insurgia contra as mulheres que vão de alças para a Missa, de como ainda ontem tinha ido ao hospital dar a unção dos doentes a uma rapariga e nem lhe tinha feito a cruz nas mãos e nos pés porque ela estava nua por baixo do lençol, de como o nosso corpo podia ser ocasião de pecado, de como tinha posto fora da Igreja uma rapariga que tinha ido a um casamento de alças, etc..
Note-se que estamos numa terra muito quente e ainda mais húmida e que uma rapariga usar alças até é uma prova de bom gosto para não se ver as manchas de humidade nos sovacos...
Com este discurso conseguiu matar dois coelhos de uma cajadada: envergonhar os Católicos praticantes como eu e deixar os não Católicos ufanos de razão de que aquilo que eles passam a vida a dizer que é a Igreja, realmente é a Igreja.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Perder a face

No meio de tantas coisas óptimas que os Chineses têm, uma que certamente está longe de ser óptima, muito longe mesmo de ser óptima, é a mania de não perder a face.
O que é isso do perder a face?
É o não admitirem que estão errados ou que não sabem alguma coisa mas que os torna extremamente tímidos e inseguros.
Mas como é que esta característica se torna tão irritante?
Dois exemplos:
- Na aula, um professor é tipo uma mistura mística entre um profeta, um vidente e um iluminado trascendental. Assim, se um aluno faz uma pergunta a que o professor Chino não sabe responder, ele preferirá inventar uma resposta. Ora este vosso iluminadíssimo, inteligentíssimo, cultíssimo, sapientíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo amigo não se porta assim (deve ser a tal da característica da humildade que estou convencido que tenho em excesso). Assim, se um aluno me faz uma pergunta que eu não sei, eu respondo "não sei, terei que lhe responder na próxima aula depois de estudar mehor o assunto." Ora, agora que eu tenho uma turma só com alunos chineses, esta resposta não foi compreendida, pelo que um aluno decidiu perguntar o mesmo de outra forma duas vezes, a ver se eu entendia a pergunta. Eu acabei por lhe dizer que entendia muito bem a pergunta, só que, como de momento não sabia a resposta, lhe dizia na próxima aula. Talvez convencidos que esta fosse a almejada resposta, muitos alunos tiraram apontamentos desta minha sábia afirmação.
- Na rua se a pessoa pergunta uma direcção a um Chino que ele não compreende ele vira a cara para o lado para não dar a entender que não percebeu. Claro que este vosso amigo não se dá por derrotado, pelo que vai para o outro lado (o lado para onde a cara agora se vira), puxa o braço, faz gestos até o filho do sol lhe dar atenção e ser obrigado, para não perder a face, a tentar compreender a pergunta. No entanto, a maioria dos ocidentais interpreta isto como uma grande antipatia dos Chinos e ficam bastante irritados com aquilo que eles consideram ser insolência mas que não é mais do que uma forma de timidez.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mãe querida, mãe querida...

Ora hoje a mãezinha faz os anos correspondentes a 20 mãos mais 3 dedos. Infelizmente entre toda a descendência da mãezinha, contam-se apenas 12 mãos, por isso nós, filhos e netos, ainda não conseguimos todos juntos fazer as contas de quantos anos tem a mãezinha.
Em termos históricos sabemos que a mãezinha já era grandota quando Goa foi invadida pela Índia. Como nós todos sabemos que Goa foi invadida quando os mamutes ainda pastavam na terra, temos a impressão que a mãe, em pequenina, ainda brincou com mamutes quando Lisboa ainda não tinha sido invadida pelo Dom Afonso Henriques.
Ora, se nasceu antes da invasão de Lisboa, daí aquele aspecto de moura encantada que todos lhe conhecemos: tez morena, olhos e cabelos castanhos a destoar numa família raça superior ariana. Enfim, mas nós desculpamos o facto da mãezinha não ser raça superior uma vez por ano, a 17 de Setembro, quando a mãezinha faz anos. No resto do ano exigimos ser tratados em público por "sir" e "mam" que é para as pessoas acharem que a mãezinha é a nossa empregada Filipina. Nesse dia até a deixamos comer uma broa de milho com queijo da Serra que, como a mãezinha tem as suas origens na Beira Ialta, fica toda contente, coitadinha.
Mas não pensem que, lá por ser moura, a mãezinha é daquelas indigentes que não faz nada. Pois que não é! Imagine-se que com um cão, um emprego a tempo inteiro, um marido e quatro filhos em casa (por ordem de importância) conseguiu a certa altura tirar um curso superior numa universidade pública, sem nunca perder um ano e ainda acabou com média de 14! É uma rapariga mesmo esforçada!
Aliás, esse perfeccionismo até se vê com os filhos. A mãezinha, ao perceber que o primeiro não tinha saído lá muito bem, fez outro. Melhorou, mas ainda não estava perfeito, pelo que teve mais uma. Como o produto ainda viesse defeituoso aventurou-se a ter mais um filho até que, finalmente, o produto saiu perfeito, sem mácula nem defeitos de origem! É obra! E tenho a certeza que se o 4º não tivesse nascido perfeitíssimo, a mãezinha tinha continuado a ter filhos atrás de fihos até que algum saísse perfeito! E isto com todo o stress inerente para alguém que, como a mãezinha, adora sapatos. Para 10 dias na Madeira, por exemplo, a mãezinha levou 16 pares de sapatos. Ora não conseguir ver os próprios pés por causa da gravidez deve ter sido um suplício!
Mãezinha: neste dia tão especial, coma lá a sua broa de milho com queijo da Serra, trate-nos a todos pelo nome e muitos parabéns!

A moura encantada com o cavaleiro celta que a resgatou do palácio do seu pai, o Sheik Al Mando.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem vem atravessa o rio...


Ah, espera, não era este rio, era o outro! Mas dentro do carro também se ouvia pronúncia do Norte.

domingo, 13 de setembro de 2009

I feel like dancing, yeah...


Já era noite quando saí da Missa, fui ao supermercado, à mercearia e quando ia a entrar em casa vejo o primeiro raio. Entro em casa, meto-me ao computador para acabar a aula de amanhã de manhã e os raios e trovões sucedem-se.
A certa altura começa a chover como se não houvesse amanhã. Lembro-me de ir fechar as janelas e enquanto andava pela casa às escuras a fechar as janelas, senti que o apaga e acende constante dos raios era igual ao de uma discoteca.
Não consegui deixar de começar a cantar como se estivesse numa disco dos eighties: "I feel like dancing, yeahhhh!.
Isto de viver numa ilha tropical também tem das suas desvantagens (terá alguma vantagem?) uma delas sendo as trovoadas estrondosas como não se vê igual em Portugal. Cada trovão dura tanto tempo como o tempo que se segue em silêncio e o volume é ensurdecedor.
Enquanto escrevia isto, os trovões amainaram. A tempestade veio de Macau e agora está-se a afastar para Coloane. I still feel like dancing...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alterações no MacAlvine Castle


Thanks Maf!

Já votei!

Ah pois é, parece que as coisas agora mudaram e os emigras agora votam por correspondência...
Ou seja, a malta já não vai ao Consulado, encontra os outros tugas, faz uma festa, inquire sobre o sentido do voto, critica ou elogia o sentido escolhido pelo seu interlocutor, acabam os dois no café tuga mais próximo a dizer mal dos políticos em geral e mais ainda das pessoas que se abstém, etc..
Agora a malta cá recebe o boletim de voto em casa, como podeis ver na imagem. Mas a votação é tão complicada que ainda não mandei o dito cujo de volta para Portugal.
É que tenho que juntar no envelope a cópia do meu cartão de eleitor (que eu não tenho) ou do comprovativo de recenseamento eleitoral (que eu também não tenho). Por isso lá terei que ir ao Consulado um dia destes pedir essas coisas. A chatice é que ainda hoje passei lá à frente e, se soubesse que era assim, tinha já pedido o cartão de eleitor. :-(
Que seca!


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Peso

Depois de sair de Portugal, estava certamente a precisar de perder peso, mas não foi com certeza na Alemanha que comecei. A cerveja Bávara é simplesmente genial e aqueles Biergarteen uma excelente invenção.
Para quem está aí pela Europa, não percam a Oktoberfest que começa já na próxima semana.

É raro chegar ao aeroporto super a horas, mas foi isto que aconteceu desta vez. Tão a horas que tive tempo de ir para o biergarten do aeroporto. Uma cerveja, meto conversa com um alemão de Frankfurt... Duas cervejas, animada conversa...
Terceira cerveja...? F...! My plane is leaving in 15 minutes! Quando cheguei lá, já andava uma hospedeira a chamar por mim e fui o último a embarcar.
"I'm so sorry! I was in the biergarten and lost track of time 'cause of the beer..."
Gargalhada da hospedeira: "that's one of the few excuses I accept!"
Os Alemães são fantásticos!



Salsichas neste pãozinho alemão, kartoffelsalat (salada de batatas) e a maravilhosa HB ao sol à beira-lago com uma paisagem magnífica...

Que melhor tem a vida para oferecer?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Surf e body board em Munique



Munique, Parque Inglês

Murnau am Staffelsee II

Estando a viajar sozinho e gostando de tirar fotografias em que se mostre mesmo que estive no lugar e que não me satisfiz com tirar as fotografias de uma qualquer sítio de viagens na internet, aqui ficam alguns exemplos do "tire-se fotos a si mesmo" à volta do lago e durante o almoço.



O almoço, claro está, um daqueles pães Bávaros de cujo nome me olvidei, salsichas e salada de batata, tudo preparado à maneira Bávara e regado também à maneira Bávara...

Murnau am Staffelsee I

E é aqui que a dúvida começa a nascer nas mentes dos meus leitores: "será que eu fui apenas espectador ou também participante nesta praia urbana?"
É com tristeza e mágoa que me cabe participar que quando visitei aquela praia improvisada não tinha o fato de banho à mão... Devo confessar que ainda me senti tentado a ir para a zona de nudistas. Afinal de contas, ninguém ali me conhecia e, se alguém me dirigisse a palavra, faria como sempre faço quando faço cenas mais edificantes no estrangeiro: finjo que sou espanhol para dar má impressão deles e não nossa. Se bem que, falhe-me um pouco a modéstia, também acho que não deixaria ficar mal o Lusitano orgulho se me apresentasse diate das Germanas sem mais que a minha pelugem natural... Bem, mas uma vez púdico, para sempre púdico e, mesmo sem ninguém que me conhecesse, não fui capaz de tal desvario!
Mas no dia seguinte desforrei-me desta secura em que me achei diante de tanta gente banhada! Fui a uma terra lindíssima chamada Murnao no Lago Staffel e não me poupei a banhos, natação e mergulhos neste lindíssimo lago. A certa altura, quando me dei conta, tinha estado a nadar uns 20 minutos sem interrupção de um lado para o outro.
Para além disso, aluguei uma bicicleta e dei uma volta completa ao lago, onde ia parando de vez em quando para dar um mergulho. Se para uma pessoa normal, duas horas a pedalar teriam chegado para dar a volta ao lago, eu devo admiti-lo que fiz esse percurso, sem contar com os intervalos, numas quatro horas, tantas foram as vezes que me perdi e me meti por becos sem saída. Ainda hoje estou com a traseira dorida!





Na praia em Munique III

"Oh Virgem tantas vezes Santa! Oh santos e fiéis defuntos! Oh anjos, arcanjos e querubins! Não era isso a que nos referíamos com coisas que não se podem fazer num parque no meio da cidade! Estavamos a pensar em surf e body board!"
Peço as mais sentidas deculpas, mas esta minha mente suja e pouco digna de perdão levou logo as coisas para o lado pior! São os vícios e corruptelas deste mundo...
Pois então pensáveis vós em surf o body board?
E pensais vós que os Alemãos, sendo suficientemente matreirospara fazer nudismo no centro da cidade, não o são para fazer surf e body board num rio? Tal como eu passo a vida a dizer ao meu amigo Bjorn: "sneaky, sneaky Germans!" Note-se como a primeira menina e o segundo menino surfam nas ondas como se estivessem em Bali e como o terceiro menino body borda como se não houvesse amanhã no meio de um rio, no meio de um parque, no meio de uma das maiores cidades da Europa!

Na praia em Munique II

"Mas oh prezadíssimo, fantastiquíssimo, aguçadíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo escritor do post acima - pensais vós, caríssimos leitores - há certas coisas que se fazem numa praia que não se podem fazer num jardim público no meio de uma cidade!"
Pois... Eu pensaria o mesmo... Mas apesar de inteligentíssimos, espertíssimos e cultíssimos, vós estás também erradíssimos! Pois que nesta praia no meio da relva os alemãos até nudismo fazem! Vós bem sabeis como sou um acérrimo defensor da moral e dos bons costumes e que até na casa de banho hesito em ficar como Deus nosso Senhor me trouxe ao mundo, mas a fotografia que se segue foi tirada quando eu estava a chegar ao jardim e antes de me aperceber que naquela zona de entrada na praia havia muita gente que se tinha esquecido do fato de banho em casa. Só passados uns passos me dei conta disso...
Para além disso, não a publicaria aqui neste Cristianíssmo, moralíssimo, conservadoríssimo mas, acima de tudo, pudiquíssimo blog, se achasse que esta poderia ofender susceptibilidades mais frágeis. Mas acontece que a distância a que a fotografia foi tirada não permite tais desvarios e leviandades, pelo que me sinto seguro que a podereis mostrar até a monjas de clausura nonagenárias.

Na praia em Munique I

Eis que a certa altura, julgando que estava a passear no Jardim Inglês em Munique, dei-me conta que, afinal de contas, estava na praia. Note-se que Munique fica a uns 600kms (calculo eu assim por alto mas nunca andei a contar) do Adriático, o mar mais próximo.
Então como me pude eu encontrar na praia, perguntais vós, atentíssimos, inteligentíssimos, vivíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitor deste blog a condizer?
É que, à falta de praia, os Alemães improvisam no jardim. Atente-se nas imagens que se seguem e calculem que aqui se faz tudo o que se faz numa praia normal.



Último fim de semana em Portugal

Decidi fazer uma surpresa aos senhores meus pais e aparecer na sexta feira em Vilar Seco, na casa dos meus tios Tuxa e Camané onde eles estavam a passar os últimos dias de férias (como se a Madeira e as termas não fossem suficiente! Há gente que descansa muito...).
Mas devo confessar que não estava preparado para o que eu fui encontrar em Vilar Seco! Vejam-se as imagens destes senhores de já respeitável idade...