segunda-feira, 30 de maio de 2016

Educação - diferentes opções III

Nos posts anteriores escrevi que na génese do desentendimento atual sobre o modelo de educação está o debate entre Igualdade e Liberdade. E está! Infelizmente, julgo que os seus interlocutores nem sempre levam este debate a fundo.

Note-se a seguinte situação. Na Vila Nova de Algum Sítio (VNAS) existem, lado a lado, duas escolas de tipos diferentes. Uma é pública, sendo, como tal, gerida e financiada pelo Estado (em Portugal, o financiamento do Estado é feito pelo erário público que, lembre-se, vem na sua maioria do bolso dos contribuintes, seja diretamente dos indivíduos, seja das suas empresas, ou seja, indiretamente também vem dos indivíduos). A outra é privada, sendo gerida por uma empresa privada, mas sendo financiada pelo Estado.

Numa altura em que as pessoas têm menos filhos em VNAS, não há alunos suficientes para justificar a existência de duas escolas. Dadas que ambas são pagas pelo Estado, este decide acabar com o financiamento da escola que não gere. E é aqui que nasce o problema...

Note-se que qualquer pessoa veria como racional que o Estado, que está a duplicar os seus gastos, faça alguma coisa para poupar dinheiro. Afinal de contas, aquele dinheiro é de todos os contribuintes. o que causa controvérsia é o porquê de o Estado privilegiar a escola que gere em detrimento da que tem gestão privada.

Note-se em primeiro lugar que questão só se coloca quando a escola privada é preferida à pública. Caso seja a privada a não ter alunos, esta é obrigada a fechar porque o Estado só paga pelos alunos que ela tem. Logo, nós temos o Estado a querer cortar o financiamento à escola preferida pelos habitantes de VNAS. Partindo do princípio que estamos numa Democracia e que o governo que quer fazer isto vai ganhar o desagrado dos habitantes de VNAS que nas próximas eleições não vão querer votar nele, porquê este aparente tiro no pé? (Digo tiro no pé porque é irracional a um governo que queira ser reeleito desagradar aos seus eleitores)

No próximo post escreverei sobre os motivos pelos quais um governo poderá, apesar do desagrado provocado em VNAS, querer deixar de financiar uma escola privada. Depois escreverei ainda um outro post sobre os motivos que poderiam levar o governo a, em vez disso, reduzir o número de turmas na escola pública para a adaptar à sua procura.

Educação - diferentes opções II

Conforme eu disse no meu post de ontem, o grande debate que se dá hoje em dia na nossa sociedade não é entre aqueles que defendem a existência de outros modelos de escolas que não as públicas e os que defendem a sua proibição. Estes últimos são uma pequena minoria. O grande debate a que agora se assiste está em quem deve pagar a existência e a frequência de escolas não públicas.

E aqui se esgrime o velho debate entre Igualdade e Liberdade. Como é óbvio não pode haver Igualdade sem Liberdade nem o contrário. E como também é óbvio a Democracia não pode viver sem os dois. Mas dentro do normal funcionamento Democrático, as diferentes opções tomam-se acerca de qual dos dois valores se quer defender mais.

Tomando o exemplo daquilo que nós já considerámos consensual na sociedade Portuguesa hodierna. Toda a gente concorda em alguma repressão da Liberdade dos pais ao tornar o ensino obrigatório em favor da Igualdade. Isto é assim porque há um consenso que a educação universal é condição sine qua non para igualdade de oportunidades. Também toda a gente concorda em reprimir um bocadinho mais a Liberdade ao ter de se pagar impostos para que mesmo os mais pobres tenham acesso a um ensino de qualidade. Mais uma vez, em prol da Igualdade. Por último, toda a gente concorda com uma certa diminuição da Igualdade ao permitir a existência de colégios com diferentes modelos de financiamento, dado que nem todos os poderão pagar. O contrário, todavia, seria altamente lesivo da Liberdade pelo que não se poderia admitir numa Democracia.

To be continued...

domingo, 29 de maio de 2016

Educação - diferentes opções I

No meu último post escrevi sobre duas premissas que considero basicamente consensuais na sociedade Portuguesa hodierna: que a educação deva ser obrigatória até certa idade e que deva ser acessível, com qualidade, a todas as bolsas.

Neste vou continuar a escrever sobre outra ideia que a maioria das pessoas concorda: a coexistência do ensino público com o privado e o cooperativo. Assim, ao lado do ensino público deve poder estar o ensino privado ou cooperativo. Ou até outro de que se não tem falado que é o ensino internacional - gerido por entidades públicas (estrangeiras) ou privadas que seguem modelos e línguas de ensino estrangeiras.

Mesmo assim, esta ideia já não é tão consensual como as anteriores. Na base da discordância está a ideia tida por uma pequena minoria de que todos devem ter uma educação igual que não seja moldada nem pelas condições económicas dos pais nem pelas suas convicções religiosas, ideológicas ou pedagógicas. Para estas pessoas todas as crianças e jovens devem receber uma educação igual pertencendo quaisquer convicções dos pais apenas à esfera privada familiar.

No entanto, como disse em cima, a grande maioria defende a possibilidade de coexistência de vários tipos de ensino. Na minha opinião: ainda bem!

Assim, a grande maioria dos Portugueses hodiernos concordará que se eu for Católico possa pôr os meus filhos num colégio Católico. Ou se eu for Muçulmano, ponha os meus filhos naquele que julgo ser o único colégio Islâmico do país, em Palmela.* Ou ainda, se eu gostar mais do modelo de educação do Colégio Moderno (pertencente à família Soares), do Liceu Francês, da Escola Alemã de Lisboa, etc. seja aí que ponha os meus filhos a estudar.

Este é um mínimo sobre o qual a maioria dos Portugueses concordam. Os colégios privados, cooperativos ou internacionais devem ter a liberdade de existir. Ainda estamos a falar de um consenso bastante alargado, já que, mais uma vez, ainda bem, quem julgue que todos as escolas não públicas e nacionais deviam fechar é uma pequena minoria.

* Confessando a minha ignorância, desconheço a existência de escolas de outras Igrejas Cristãs (a Escola Alemã começou por ser Evangélica mas já não é), Judaicas, Hindus ou outras.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Educação - o consenso

No que toca à polémica sobre reformas educativas, pode-se dizer que ainda a procissão vai no adro. dado que é uma matéria à qual dou especial importância, proponho-me a escrever aqui alguns posts sobre o assunto. É infinitesimamente possível que tragam algum contributo novo ao debate mas é muito mais provável que sejam chover no molhado. Enfim, ossos do ofício de blogger.

Hoje escrevo sobre um aspeto que, não sendo novo, tem sido esquecido no debate. É que há na sociedade Portuguesa um amplo consenso sobre dois pontos em especial deste debate:

1. O primeiro ponto é que a educação deve ser obrigatória até certa idade. Pelo menos nunca ouvi ou li alguém defender que nós todos, como comunidade, deveríamos dar a liberdade aos pais de decidir se permitem ou não que os seus filhos acedam a uma educação formal. Acho que há um amplo consenso em Portugal (Europa, Atlântico Norte...) que até certa idade as crianças e jovens devem ser enviados à escola.

2. O segundo ponto é que me parece também consensual que, para que seja obrigatória, a educação deve ser acessível a todas as bolsas. Mais do que isso, chocaria qualquer Português (qualquer pessoa bem formada) que as crianças não pudessem frequentar escolas de qualidade só porque os seus pais não têm condições financeiras para lhes proporcionar isso.

Pode parecer que estou a dizer verdades de La Pallice. No entanto, estas duas ideias nem sempre foram consensuais. Ainda há hoje no mundo quem não concorde com elas. Quem não concorde, por exemplo, que as raparigas devam ter acesso à mesma educação que os rapazes.

Os meus próximos posts sobre a matéria serão baseados em que este consenso existe. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Corpo de Deus

Hoje fui à procissão do Corpo de Deus, provavelmente o maior evento religioso anual na cidade de Lisboa. Ao longo de todo o percurso alinhavam-se o que terá sido com certeza milhares de fieis mais uns quantos milhares de turistas espantados a olhar para este exotismo.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Let's go Dutch...

Uma das coisas que separa os diferentes povos desta União Europeia é a forma de pagamento das contas em refeições de grupos. Neste ponto, encontrei três formas que para efeitos de conveniência vou generalizar a três países: a Grega, a Portuguesa e a Holandesa.

GREGA
Chega o fim da refeição e um dos convivas agarra a conta furiosamente, declarando de forma emocional e muito sonora: "I PAY!" (Eu sei, os Gregos falam Grego, mas eu reporto-me a experiências observadas em Edimburgo, onde a malta fala em Inglês). Segue-se um coro de protestos dos demais convivas até que outro Grego lhe consegue sacar a conta da mão com um enfático "NO, I PAY!" O sacar a conta da mão não foi feito de forma amistosa mas sim como se aquela conta se tratasse de uma bola de râguebi e nós estivéssemos perante os All Blacks. Claro que nenhum dos convivas não-Gregos se oferece para pagar a conta inteira mas os Gregos degladiam-se por este "privilégio" durante alguns minutos. Passados alguns minutos de intensa algazarra (o que acontece sempre que Gregos estão presentes), os Gregos acabam por aceitar o método Holandês (ver em baixo).

PORTUGUESA
Chega ao fim da refeição e há sempre um engenheiro que pega na conta e declara quanto fica a divisão aritmética da conta. Sim, é certo que há sempre uns abusadores que pedem o que nunca pediriam se tivessem que pagar a conta sozinhos (já alguém notou o abuso do preço dos whiskies nos restaurantes?) e há aquelas meninas que comem uma saladinha de dieta e nem bebem álcool, mas algures na mentalidade Lusitana isso não parece ser injusto para ninguém.

HOLANDESA
Porque os Britânicos, ao quererem pagar, dizem "lets go Dutch!" Esta é a forma mais complicada matematicamente mas provavelmente a mais justa. Vai-se ver o que cada um comeu e cada um paga isso. Como é óbvio isso não serve para jantares de petiscos e há sempre o problema das coisas partilhadas (vinho, couvert, etc.).

Dependendo das situações, eu prefiro ou uma ou outra das três situações. Sim, já aconteceu eu fazer o papel de Grego, por muito que custe acreditar a todos aqueles que conhecem a minha natural parcimónia...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Casa nova

Mudei de casa.
Comprei um magnífico palácio com quinta e tudo o mais no centro de Lisboa. Bem, talvez esteja a exagerar.. É mais uma casa com um jardim brutal. Bem, talvez isto também seja um exagero... É assim mais um apartamento de 75m2 de área bruta mesmo em frente a um jardim que eu chamo meu mas no fundo é público. Isso até dá jeito porque não tenho que pagar a manutenção do jardim e posso usá-lo como se fosse meu. No fundo, não vejo grandes vantagens em ter um jardim só para mim, tirando ir para lá nu apanhar banhos de sol mas isso podia provocar um cancro de pele, pelo que se eu não morrer aos 40 anos com um melanoma já sei que terá sido por o meu jardim ser público.

Ressurreição?

Ele há pessoas que me pediram para voltar a blogadissimar. Que eu já não blogadissimava há muito tempo, que o blogadíssimo estava moribundo, etc. Tive que fazer um balanço dos prós e contras de ressuscitar o blogadíssimo. E depois de muito balançar e quase ficar mareado, decidi que o bicho valia um esforço. Afinal de contas, já lá vão uns 13 anos desde que fundei o blogadíssimo. Sinto-me mal de o deixar morrer.
Sendo assim, este é o post da ressurreição!