segunda-feira, 27 de junho de 2016

Brexit II

Escrevi há dois dias um email ao meu único amigo que votou a favor do Brexit. Precisava que ele me desse alguns motivos para me animar. Em vez disso, o mail dele desanimou-me ainda mais.

Diz-me ele que votou pelo Brexit para que os Britânicos aprendessem uma lição (ele é Italiano naturalizado Britânico). Ele sabe que este resultado é  pior para as Ilhas mas não se importa porque, supostamente, segundo ele, agora a UE ficará mais forte sem um país sempre com um pé dentro e outro fora. Esquece-se que a saída do RU, a 5ª economia mundial, é má para a UE. Para além disso, o eventual prejuízo para o RU também o é para a UE, dada a importância das relações económicos entre o RU e os outros Estados membros.

Como ele vive na Escócia, tem também a esperança que a desgraça dos Ingleses seja o benefício dos Escoceses porque as empresas se transferirão para a Escócia para beneficiar da pertença à UE. O que ele não mencionou é que se a Escócia se tornar independente, terá que se candidatar à UE. Nessa altura terá que adotar o €uro, o que é uma coisa que nenhum país neste momento quereria. Em qualquer dos casos, dado que a alternativa seria continuar na Libra mas não ter qualquer controlo sem a mesma, nem sei qual é a pior opção. Para além disso, mais facilmente as empresas se mudarão para a Holanda, Irlanda ou Luxemburgo, países com panoramas fiscais bem mais atrativos, do que para a Escócia.

No fundo o email dele não me animou. Continuo a sentir que os meus amigos Britânicos (quer os Ingleses quer os  Escoceses) sairão prejudicados e com eles sairá prejudicada toda a UE.  Só espero que este prejuízo seja de curto prazo (10-15 anos) e que depois, quando eu já estiver quase na idade da reforma, as coisas melhorem. Mild optimism...?

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit

Os eleitores Britânicos decidiram, está decidido! Não gosto de como eles decidiram, é certo. E se eu tivesse votado não teria votado como a maioria. E, pior ainda, o voto desta maioria dos Britânicos vai afectar a minha vida de Português...

Mas... No entanto, todavia, contudo...

Acho bem que o referendo tenha sido convocado. Há muitos anos que o RU tinha um pé dentro e outro fora da UE e há muitos anos que os Britânicos (ou, pelos vistos, os Ingleses) guardavam constantes ressentimentos face à "Europa" (como eles gostam de dizer, pondo-se a si mesmos de fora).

Sendo assim, concordei com David Cameron quando convocou o referendo. Aliás, a certa altura a pressão dentro dos Conservadores era tão grande que ela não podia não convocar o dito cujo.

Já no que toca à sua demissão, fico mais céptico. Por um lado compreendo que ele queira que seja alguém que apoia a saída a negociar a mesma. Por outro lado, tendo ele tido a coragem política de convocar o referendo, esperava que ele agora também tivesse a coragem política de negociar as suas consequências.

Quanto ao futuro... A UE não vai ser meiga com o RU e por motivos óbvios. Se o RU quiser continuar a usufruir das vantagens do mercado comum (e ambos os lados reconheceram que eram muitas) tem também de arcar com os custos. Durante meses os Brexiters insistiam que era possível ter "sol na eira e chuva no nabal": não ter custos no comércio de bens ou capitais mas poder adoptar as próprias normas sobre esses bens e capitais. A UE vai provar (espero eu) que não é.

Acima de tudo... Estou triste com este divórcio entre as duas margens da Mancha!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Please stay!

Stay with us, Brits! We need you for a more Atlantic Europe! Without you, Europe will become ever more "Uralian" - and we all now that the Atlantic is more democratic, free and economically sound than the Urals.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Marxismo e Fascismo

Interrompo aqui os meus posts sobre educação, os quais hei-de retomar em breve, para escrever uma breve nota sobre a polémica em volta do que José Rodrigues dos Santos escreveu: que o Fascismo advém do Marxismo. Prometo depois voltar à educação.

No seu artigo de hoje, o historiador António Araújo vem argumentar contra isto. Em primeiro lugar uma nota de repúdio pelo tom agressivo que Araújo usa. Infelizmente este tipo de tom já se tornou hábito na discussão política e jornalística mas eu nem gosto nem me quero habituar a isso. No que toca seus argumentos, estes passam principalmente pela prova de que historicamente Hitler não foi influenciado pelo Marxismo e que Mussolini se "converteu" de socialista revolucionário em sindicalista nacionalista.

O que me apetece perguntar a António Araújo é, em bom yankee: so what? É que visto de hoje em dia e sem grandes pruridos históricos, nota-se que as duas ideologias têm mais em comum do que de diferente. Por muito que Marxistas odiassem Fascistas e vissem o seu ódio reciprocado, "deste lado da barricada", ou seja, vistos de um ponto de vista Democrático, eles são, como diriam os nossos irmãos Brasileiros, "farinha do mesmo saco". Senão, note-se:

i) Por muito que Marxistas e Fascistas se odeiem, eles surgem mesmo é como contra-resposta ao Liberalismo Democrático;

ii) Ambos consideram que o Estado deve modelar os indivíduos para que estes passem a caber num protótipo ideal de homem bom, seja este o ariano dos Nazis ou o bom revolucionário dos marxistas;

iii) São, por isso, avessos às liberdades e direitos individuais, que incluem a auto-determinação de cada indivíduo;

iv) Concordam ainda em que apenas eles podem ter a razão neste modelamento de uma sociedade ideal que leve os indivíduos a ser estes indivíduos ideais, pelo que qualquer outra opinião deva ser calada.

Sendo assim, se o Fascismo surgiu do Marxismo ou não, é-me indiferente do ponto de vista Democrático. O que me interessa é que ambos partem dos mesmos pressupostos e mantém uma discordância de base com o modelo Democrático Liberal.