Já estou à espera desta encomenda chamada Madalena há 7 meses e ainda faltam mais 2 meses para a chegada! Isto é pior que os CTT na altura do Natal!
Imagino que as pessoas ligadas à agricultura, pessoas que estão habituadas a esperar meses para a altura certa para fazer isto ou aquilo, seja fácil esperar por um bébé, mas para um citadino como eu aespera torna-se dura. Estamos na era digital, tudo se consegue com um clique em frações de segundos. As mensagens substituiram os emails, que substituiram as cartas que nos últimos 200 anos já se tinham tornado muito mais rápidas. E com todas estas alterações na velocidade com que tudo é feito, continuamos nove meses à espera de um bébé!
Pensemos nos marinheiros portugueses dos Descobrimentos. Se deixassem a mulher grávida em Lisboa e fossem à Índia, quando regressassem já a criança andava. Hoje em dia as pessoas podem fazer distâncias bem maiores e apenas vão notar no regresso um ligeiro aumento da barriga.
Quem tem mais experiência no assunto diz-me para eu não ter pressa que quando a Madalena nascer, eu vou desejar pô-la de volta na barriga. É possível... Mas não vou saber se é mesmo assim nos próximos dois meses!
No entretanto as coisas vão-se compondo. Já marcámos a clínica para o dia ainda incerto em que ela decidir nascer, já temos a roupa, as fraldas, os produtos de higiene, o carrinho (que inclui o ovo e o assento para o carro), o kanguru... Só nos falta a cama que foi encomendada e que é feita cá no Zimbábue.
Aqui entre nós que ninguém nos lê, eu era daqueles que abria sempre os presentes de Natal mal eles apareciam na árvore... Com muito cuidado para depois fechar, claro está! Mas este é daqueles presentes que não dá para abrir e dar uma espreitadela e depois voltar a pôr lá dentro.
Quer dizer... Com aquela ecografia toda XPTO que fizemos em Lisboa deu para ver algumas coisas. Deu para ver que não tenho de ter medo de ser uma rapariga, porque estava sempre com a mão fechada, pelo que será forreta como o pai. Também me pareceu que tinha um nariz bem grande, característica também herdada deste lado.
Mas para além de ser uma nariguda forreta como o pai, mais não sei! Vai ser elétrica ou calminha? Extro ou introvertida? Intelectual? Uma braza como a mãe? Coitadinha, vai mesmo ter de ter queda para as línguas, para falar com a mãe numa língua, com o pai noutra e ir à escola ainda noutra. Mas será que vai gostar mais de ciências, como a mãe, ou de humanidades como o pai?
Tudo isto eu terei de esperar mais dois meses... E depois mais uns meses e anos... E passar o resto da minha vida a descobrir!
É mesmo pior que os CTT no Natal!