Vá-se lá saber porquê, mas nos últimos dias o tema do casamento tem surgido muito nas conversas de quem me rodeia. E é giro ver a diferença de posições entre amigos sobre o assunto. Uns acham que a comunhão de bens é muito importante, outros consideram-na acessória; uns acham que a adopção de um nome comum é mais do que um mero símbolismo da união dos dois, outros acham que é coisa do passado e que cada um deve manter o seu nome; uns acham que o casal deve ter as contas em comum, outros que cada um deve manter as suas contas.
Já a história do casamento é muito curiosa. Até meados do século XIX, o casamento era um Sacramento da Igreja, tal como a Ordem e a Comunhão, sem quaisquer efeitos civis, no entanto, nesta altura, o Estado veio considerar necessário atribuir efeitos civis ao casamento, em grande parte para proteger a posição da mulher dentro do casamento, uma vez que esta se encontrava num papel mais fraco.
Já a história do casamento é muito curiosa. Até meados do século XIX, o casamento era um Sacramento da Igreja, tal como a Ordem e a Comunhão, sem quaisquer efeitos civis, no entanto, nesta altura, o Estado veio considerar necessário atribuir efeitos civis ao casamento, em grande parte para proteger a posição da mulher dentro do casamento, uma vez que esta se encontrava num papel mais fraco.
Com o crescente intervencionismo do Estado, cresceram também as obrigações matrimoniais e, com uma maioria masculina sempre na política, em vez de proteger a mulher, o casamento acabou por a submeter ainda mais ao marido. Por outro lado, criou-se a figura do "pai desconhecido" para os filhos nascidos de Mães solteiras- se antes do casamento civil, apesar de ser mal visto pela sociedade, era comum que os Pais perfilhassem os "filhos naturais", no século XX isso passou a ser cada vez mais difícil.
Durante todo este tempo, como era de esperar, o Sacramento do casamento Católico manteve-se pouco alterado: um Sacramento celebrado pelos cônjuges (e não pelo Padre, como se julga) e indissolúvel, porque se diz na Bíblia "o Homem há-de deixar Pai e Mãe e juntar-se à sua Esposa e os dois formarão uma só carne."
Já o casamento civil tem cada vez mais forte contestação. Dos não Católicos porque se apercebem que para efeitos fiscais mais vale ficarem em união de facto e dos Católicos porque se querem o Sacramento da Igreja sem terem que se casar civilmente (mais uma vez, a carga fiscal extra é um desincentivo).
Por outro lado, vá-se lá saber porquê, os únicos que se querem casar civilmente são os homosexuais (pelos vistos não se importam de pagar mais impostos). Mas o problema é que, se o casamento civil ainda faz algum sentido existir é, precisamente porque homens e mulheres ainda têm uma posição diferente no mundo laboral, social, etc.. Porque a posição ainda é um bocadinho diferente (já não muito, mas ainda se faz sentir), ainda se justifica o Estado intervir. Ora, se o casamento faz sentido pelas diferentes posições ocupadas pelos homens e mulheres na sociedade, não faria sentido nenhum o Estado intervir para regular a relação amorosa de dois homens ou duas mulheres.
Cá por mim, acho que a situação actual devia mudar.
Das duas uma: ou o Estado, reconhecendo a importância de proteger o casamento tem uma política fiscal que incentive os casais a contrairem matrimónio ou então deixa de obrigar os Católicos a casarem-se pelo civil sempre que quiserem receber um Sacramento que apenas a si mesmos, a Deus e à Igreja diz respeito. É que ainda há uns dias me estavam a contar do caso de dois Católicos que, fazendo contas à vida, notaram que iam poupar um balúrdio por ano em impostos se se divorciassem. Balúrdio esse que muita falta lhes fazia para pagarem a educação dos filhos. Com isto, divorciaram-se, ele mudou a sua residência fiscal para a casa de férias, ela ficou com a casa onde viviam e continuam casados (pela Igreja) a viver alegremente juntos.
Se isto faz sentido para alguém, então expliquem-me, porque eu, francamente, não o entendo! Até me parece perseguição fiscal aos Católicos que, por ditames de consciência, preferem casar antes de viver juntos!
4 comentários:
Se tinham casa de férias, será que precisavam assim tanto do dinheirinhos os impostos, afinal de contas pagar impostos é chato, mas preciso em qualquer comunidade. Soa-me mais a trafulhisse e das grandes para fugirem o mais possivel ao fisco.
Em Espanha pode-se casar só pela Igreja Católica (sem obrigar ao casamento civil).
Qt ao comentário anterior, o nosso caro amigo anónimo, acha q por um casal ter uma morada de fds/férias, é pq já n sabe o q fazer ao dinheiro, muito menos deve pensar em poupar... a melhor solução é deixar de trabalhar e ir para a casa de ferias para o resto da vida. Vê-se mesmo que o nosso caro amigo anónimo nunca teve nenhuma...
Fugir aos impostos dentro da lei, não sei onde está a 'trafulhisse', mas o nosso caro amigo anónimo saber-nos-á esclarecer desse detalhe...
...e aproveite para dar a cara, q temos total liberdade de imprensa (n lhe vão cobrar mais impostos por isso, mas tb n lhe vão dar nenhuma casa de ferias...), e sempre é uma atitude ligeiramente mais nobre q o anonimato, caro amigo anónimo!!
Cara Mariana,
Felizmente que a censura deste país já acabou e que a lei permite que eu POSSA se QUISER manter o meu anonimato.
Mas, nem todas as opiniões discordantes implicam necessariamente sentimento de ressabiamento, (por acaso, e graças a Deus Nosso Senhor também tenho uma casa de férias, aliás duas, uma na praia e uma quintarola, com alguns animaizinhos de estimação), peço desculpa se o meu comentário anterior a ofendeu ou ofende alguém, não era essa a minha intenção, desde já apresento as minhas sinceras desculpas, e peço-lhe a si e aos outros leitores que não entendam este sincero pedido em tom de deboche.
Contudo a minha opinião mantém-se, eu também não gosto de pagar impostos, custa-me muito ver ao fim dos mês que cerca de 40% do meu salário é entregue (para ser mal gerido) ao estado, no entanto sei perfeitamente que os impostos (apesar de chatos) são precisos serem pagos, e apesar de estar casada e saber que pagaria muito menos se oficialmente não o estivesse, sei também que se eu (que até posso, afinal de contas tenho duas casas de férias/fim de semana) não os pagar, os outros que infelizmente não tiveram as mesmas oportunidades que eu (aqueles que nem uma casita de semana têm) terão de pagar mais; por isso a minha consciência cívica obriga-me a manter oficial o meu casamento (já que tanto para mim como para o meu marido este nunca será dissolvido, o que Deus uniu o Homem não pode separar).
Podíamos aqui discutir se os impostos são cobrados em demasia para os serviços prestados pelo estado (tem já o meu voto a favor), olhemos por exemplo para a Finlândia, o escalão mais alto chega a ser de 60%, mas os serviços sociais são para lá de bons, infelizmente não é esse o nosso pais, nem será tão cedo, devido aos CONTORNOS (entenda-se como eufemismo de trafulhice) que todos arranjam para pagarem menos.
Um abraço
A anónima de há bocado.
Ao ler os comentários e depois ao reler o meu post, percebi que não me exprimi lá muito bem...
Com o exemplo que eu dei, do casal que continua junto mas se divorcia, eu apenas queria dar o exemplo do caricato que é o casamento em Portugal.
Se o casamento existe como um contrato oficial reconhecido pelo estado, deveria ser para proteger o casal, a posição da mulher quando esta não trabalhe ou trabalhe menos, etc.
O que acontece em Portugal é que as pessoas ficam ainda mais prejudicadas com o casamento, então para que é que este vale a pena?
Quanto ao pagamento de impostos, concordo com a anónima que se deve pagar o que é devido, mas pagar mais do que se é devido é que não! Então eu vou ser prejudicado por causa do meu Estado Civil? Isso compreende-se? Eu não compreendo, pelo menos!
E quanto ao anonimato: acho que a blogosfera é uma coisa óptima precisamente porque permite a pessoa identificar-se ou não, ter um nick, ter outro nome...
E eu só tenho pena de os comentários neste blog não serem publicados instantaneamente mas é que a certa altura tive comentários tão ordinários que tive que recorrer à censura...
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