quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espírito de Natal II

Depois do último post, vós devereis ter ficado a pensar que todas as pessoas aqui em Macau não têm dó de um pobre esfaimado ser que anda por aí que nem alma penada pelas ruas da Taipa. Mas tal não é verdade! A fim de matar saudades dos bons sabores do nosso Portugal, o Zé Pinto, de vez em quando decide cozer broa e, como eu já muitas vezes me tivesse queixado das saudades de uma boa broa, na terça o Zé reservou-me uma broa.
Ela tinha este fantástico aspecto quando chegou a casa (só é pena que a fotografia não retrate o cheirinho maravilhoso, nem a consistência molhadinha nem o sabor a broa que parecia mesmo saída de qualquer forno do Vale do Mondego):


Infelizmente, não sei como ou porquê, 5 minutos depois dela chegar a casa, já tinha este aspecto:



E o mal mesmo foi que, sem me dar conta do que aconteceu, no dia seguinte era este o aspecto daquela outrora bonita árvore de Natal / broa:


O que terá acontecido?? Mistérios de Macau...
Obrigado Zé!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Espírito de Natal

Bem sei, bem sei... Não ando a ser assim muito regular, certo?
Resolução de Ano 2010: escrever pelo menos de 3 em 3 dias no blogadíssimo!
Mas escrevo este post para descrever aquilo que é o espírito de natal em Macau e que melhor se pode compreender pelo que me aconteceu um jantar de Natal que eu ajudei a organizar!
Pois alguéns (não aponto dedos acusadores a arquitectas louras) sugeriu que deviamos fazer uma troca de presentes estilo luta livre americana. Eu, ingénuo e incapaz de antever iniquidades do próximo aceitei.
Então o que fizémos foi isto: sorteámos quem seria o primeiro a ir sacar um presente do monte. Esse ia, desembrulhava o presente e mostrava a toda a gente. Óspois o 2º (pessoa à esquerda do 1º) podia escolher ir sacar um presente ou afiambrar-se ao presente do 1º. A partir daí era lua livre de malta a afiambrar-se aos presentes uns dos outros.
Então a mim calhou-me uma mega caixa de ferrero rochers e um creme de baunilha hidrante para o corpo. Eu fiquei a pensar se o creme também se comeria quando uma gaija (não há outro nome para uma rapariga que rouba chocolates a um rapaz) se afiambrou ao meu presente.
Olhando para os presentes na mesa, eu escolhi ir sacar do monte e calhou-me uma mega caixa de mini-toblerones. Já eu estava a babar a pensar nas sessões de filmes falsos de Zhuhai acompanhados de toblerones quando vem outra gaija (não há outra descrição) e se afiambra aos meus toblerones. Eu lutei, chorei, disse que não, pedi clemência... Mas ela, sem dó nem piedade do meu ar subnutrido levou-os como um abutre que leva a carne podre dos restos de uma zebra deixados pelos leões (se calhar ando a ver national geographics a mais).
Depois lá andei a espreitar pela mesa o que haveria de escolher, e afiambrei-me a uns copos de cerveja que depois de vazios, viram-se ao contrário e dizem "bottoms up"! Note-se que os copos estavam vazios, mas vá, espero enchê-los amiúde.
É este o espírito de Natal nesta terra, capital mundial do jogo... Estava aqui a babar por uns ferrero rochers ou uns toblerones nesta manhã fria e cinzenta e olha, posso encher os copos de água ou leite que não tenho mais nada em casa... Chuiff!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Engorda fazer compras com fome

Porque é que a sabedoria popular nos diz que não devemos fazer compras de barriga vazia?
Ora, porque pode acontecer chegarmos a casa com 8 pacotes de bolachas diferentes, cada umas mais calóricas que as anteriores...
Meio pacote de tim tams já marchou!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

QIs

Este malandro deste mapa foi-me enviado hoje por uma amiga e revela a média dos QIs nacionais em todos os países no mundo e, qual ão foi o meu espanto ao notar que, em média, os Portugueses são menos inteligentes que os Espanhóis!
Mais ainda, os ditos cujos Espanhóis são, juntamente com os Italianos (!!!) e outros quantos, as grande cabeçorras da Europa!
É que vá, nós sermos burros, ainda é admissível, mas só desde que os nuestros hermanos sejam mais burros que nós. Isto assim não dá!

domingo, 18 de outubro de 2009

Dia Nacional da China

Aqui há umas semanas foi o dia da República Popular da China (Rê Pê Cê, para os amigos), o que é um óptimo dia porque para celebrar a mesma coisa temos dois dias feriados mesmo antes do fim de semana.
Ora, achei eu que iam ser quatro dias sem ouvir o barulho dos maganos da escola em frente ao meu gabinete a jogar basquete e futebol. De facto não os ouvi a jogar basquete, mas estava eu embrenhado num texto francês sobre os princípios fundamentais de Direito Internacional Público (bem sei, é o que toda a gente anseia fazer num feriado) quando um som estridente que parecia que o mundo ia acabar me entra pela janela dentro e eu até dou um salto.
Era o hino da Rê Pê Cê a ser tocado na escola minha vizinha!
Então não é que os maganos, num dia feriado, vêm à escola para a cerimónia do içar da bandeira?!
Depois da minha surpresa inicial, achei muito bem! Achei que se deveria fazer o mesmo em Portugal no dia da raça, de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas (nós, os migras), o dia 10 de Junho para incutir espírito patriótico aos nossos próprios maganitos.
Aliás, aqui em Macau o 10 de Junho é feriado na Escola Portuguesa e os maganitos vão ao içar da bandeira no Consulado e à "peregrinação" desde o Consulado até à Gruta de Camões, onde dançam uns viras e tudo!
Vai daí deixei por 5 minutos a minha excitante ocupação para ir tirar fotos...

Aqui estão os maganitos a saudar a bandeira com o hino estridentemente a ecoar por toda a Ilha da Taipa.


Topem só o magano da frente à direita com a camisa de fora!

Oh puto, estás num içar da bandeira! Fraldas para dentro!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Toma, que é para te calares!

Fui jantar a Macau com dois amigos Portugueses e quando cheguei ao fim do jantar, não tinha dinheiro suficiente, faltam-me cerca de 20 patacas. O Hugo cobriu essa diferença, mas eu fiquei sem uma única pataca na carteira. Logo a seguir, a caminho do autocarro, ia a falar com a Joana e, mais uma vez (um bocadinho repetitivo, nós) a queixarmo-nos de como os Chinos são mal educados no autocarro, como se acotovelam para entrar, como quase lutam pelos lugares e não pedem desculpa pels encontrões, de como não se sentam ao pé de um estrangeiro a não ser que seja o último lugar no autocarro...
Vejo o meu autocarro a vir, beijinho à Joana, adeus e corro para o apanhar. Entro no autocarro e passo o passe na máquina e aquilo começa a apitar, acusando falta de dinheiro. Aqui em Macau, temos uns passes onde pomos dinheiro e depois esse vai sendo descontado de cada vez que passaos o passe numa maquininha. Ora, a ir para o jantar, não reparei que o crédito no cartão tinha chegado ao fim, pelo que fui tomado de surpresa já com o autocarro em andamento rumo à Taipa.
Tiro a carteira: 0 patacas! Mostro a carteira ao motorista e digo "mou chin", ou seja, "não tenho dinheiro"! Ele grunhiu alguma coisa imperceptível e logo uma senhora vem ter comigo a buscar moedas na carteira, que concluiu que não tinha. Vai daí outra senhora aproxima-se e passa o passe dela por mim quando já uma terceira vinha com umas moedas na mão!
Fiquei envergonhadíssimo de não ter dinheiro e de depender da caridade de estranhos. Mas mais envergonhado ainda fiquei porque tinha acabado de estar a queixar-me da falta de simpatia deles e eis que eles têm uma atitude que eu, se calhar, nem me tinha lembrado de ter.
Lá balbuciei uns quantos "ngoi sais" (obrigados) e pensei para mim mesmo: "toma lá que é para te calares!"

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Parabéns Tiago!


Outo de Outubro foi uma menemónica que eu arranjei para não me esquecer dos anos do Tiago. Nóve de Nóvembro foi outra, mas ainda falata um mês para me ter que lembrar dela. :-)
Cá está um amigo de quem tenho verdadeiramente saudades de estar no dia, de programas mais constantes do que apenas nas férias. Em 2004 ele foi para Londres e quando voltou para Lisboa em 2008, já eu estava em Macau. É caro que a ausência do Tiago em Londres não foi tão ausente como a minha em Macau: dias de anos, dias de eleições, dias de dias... Tudo eram desculpas para o Tiago ir passar um fim de semana a Lisboa. (Se eu vivesse a duas horas de avião, acho que faria exactamente o mesmo!)
Grande Tiago, bem vindo aos 29 e não acredites na Rita Lancastre quando ela te disser que vais apanhar com um refluxo de Saturno (que noijo!). Bem, lá que este meu ano tem andado atribulado tem, mas isso não tem nada a ver com Saturno. Fossem os meus problemas com planetas...
Abraço,
D

Exercícios Espirituais na Vida Corrente

Hoje começo a fazer exercícios espirituais na vida corrente com o Pe. Luís Sequeira, S.J.. Este Padre foi o mesmo que no Natal de 2005, quando o Bernardo e eu viémos de Shantou cá passar o Natal, nos deu guarida no colégio dos Jesuítas mesmo ao lado das Ruínas de São Paulo e que orientava um grupo de espiritualidade do qual eu fazia parte quando cheguei mas que se pulverizou.
No meio do acréscimo de aulas e do stress da tese, estou mesmo a precisar de alguma ajuda vinda "lá de cima"... :-)

Passados dois anos e tal...

Passados dois anos e tal em Macau ainda encontro lugares surpreendentes por cá. Escrevo este post do lugar onde passei a tarde a estudar: a varanda no segundo andar da Biblioteca Central de Macau, com uma vista fantástica sobre a Praça de Tap Seac e sobre o Farol da Guia, o mais antigo farol da Ásia Oriental, construído no século XVI.
Infelizmente, a Praça de Tap Seac já não é tão bonita como terá sido há uns 10 anos antes de construirem um túnel bizarro que "desagua" no meio da praça por debaixo de um edifício moderno do Instituto Cultural que está muito despropositado numa praça de casas antigas de estilo colonial.
Também o centro clínico foi construído num estilo moderno onde presumo que tenha havido um edifício antigo como aqueles que o rodeiam.
Que não se culpe os chinos de tudo, dado que algumas destas pérolas de mau gosto são legados anteriores a 1999. Aliás, para mau gosto, basta percorrer a Av. da Liberdade em Lisboa que eu presumo que há 30 anos fosse uma das mais bonitas Avs. da Europa mas que agora intercala edifícios de traça antiga com decoração "arte nova" com edifícios espelhados dos anos 90, etc..
Mas mesmo rodeado destas pérolas de mau gosto, a praça ainda é bonita e vale bem a pena vir para aqui estudar e ver a vista.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cenas da vida em Macau

Num táxi:
Eu - N'goi, Ou Mun Dai Ho (Univ de Macau, sff!)
Taxista - cara completamente em branco achando que eu devo estar a falar estrangeiro...
Eu - Ou Mun Daaaai Hou, Ó Moon Daiii Huo, Uo Mun Dááááááiiiii Huóooo...
(eu já tento tudo, em todos os tons possíveis)
Taxista - cara completamente em branco achando que eu devo ter acabado se sair do centro de saúde mental Conde São Januário, na Taipa e considerando se deve ser para aí que ele me deve levar.
Eu - tiro o meu porta-chaves da Uni e mostro-lhe...
Taxista com um sorriso de parvo na cara - Ah!!! Ou Mun Dai Ho! (que triunfante que ele está!)
Eu a espumar - Mas foi isso que eu disse em primeiro lugar, oh idiota!
Taxista sorrindo vitorioso porque percebeu o Guailo (estrangeiro estúpido) - hoa, hoa... (sim, sim)
Alguém, não digo quem mas dou a pista de que é um dos escritores deste blog, está a precisar urgentemente de voltar à Europa. Mas eu não, eu não! Que até estou no grupo iniciado pela Ana chamado "We love Macao!"

domingo, 4 de outubro de 2009

Pão na Missa

Hoje, no fim da Missa, distribuiram pão por toda a gente porque era dia de São Francisco de Assis. Não me lembro de ver tal coisa em Portugal! Será que é uma tradição só de Macau?

domingo, 27 de setembro de 2009

Esta não é a minha...

Na minha faculdade poucos são os professores Católicos e ainda menos os que vão regularmente à Missa, pelo que eu acabo um bocadinho por ser visto como o "beato da Faculdade". Ora, hoje foi celebrada Missa de um mês pela Filipa, pelo que a Igreja da Taipa, na Missa das 11 horas, que é a das crianças, estava cheia com professores da faculdade.
Ora, o Padre que aí celebra, um padre Xavier, Macaense, até que é simpático, mas eu não gosto muito daquela Missa, precisamente porque é para crianças e costuma ser um bocado aquela seca de "Jesus é nosso amigo e devemos ser bonzinhos". Na minha opinião é mais infantil do que deveria ser, dado que eu me lembro perfeitamente de muitas catequeses da Irmã Elvira quando eu andava na primária e, se me lembro delas, é porque eram ricas de conteúdo e com interpretações da Bíblia que ainda hoje me acompanham.
Mas pronto, que seja infantil, ainda se compreende, mas hoje o padre decidiu que o mais importante era contar não sei quantas estórias de como ele se insurgia contra as mulheres que vão de alças para a Missa, de como ainda ontem tinha ido ao hospital dar a unção dos doentes a uma rapariga e nem lhe tinha feito a cruz nas mãos e nos pés porque ela estava nua por baixo do lençol, de como o nosso corpo podia ser ocasião de pecado, de como tinha posto fora da Igreja uma rapariga que tinha ido a um casamento de alças, etc..
Note-se que estamos numa terra muito quente e ainda mais húmida e que uma rapariga usar alças até é uma prova de bom gosto para não se ver as manchas de humidade nos sovacos...
Com este discurso conseguiu matar dois coelhos de uma cajadada: envergonhar os Católicos praticantes como eu e deixar os não Católicos ufanos de razão de que aquilo que eles passam a vida a dizer que é a Igreja, realmente é a Igreja.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Perder a face

No meio de tantas coisas óptimas que os Chineses têm, uma que certamente está longe de ser óptima, muito longe mesmo de ser óptima, é a mania de não perder a face.
O que é isso do perder a face?
É o não admitirem que estão errados ou que não sabem alguma coisa mas que os torna extremamente tímidos e inseguros.
Mas como é que esta característica se torna tão irritante?
Dois exemplos:
- Na aula, um professor é tipo uma mistura mística entre um profeta, um vidente e um iluminado trascendental. Assim, se um aluno faz uma pergunta a que o professor Chino não sabe responder, ele preferirá inventar uma resposta. Ora este vosso iluminadíssimo, inteligentíssimo, cultíssimo, sapientíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo amigo não se porta assim (deve ser a tal da característica da humildade que estou convencido que tenho em excesso). Assim, se um aluno me faz uma pergunta que eu não sei, eu respondo "não sei, terei que lhe responder na próxima aula depois de estudar mehor o assunto." Ora, agora que eu tenho uma turma só com alunos chineses, esta resposta não foi compreendida, pelo que um aluno decidiu perguntar o mesmo de outra forma duas vezes, a ver se eu entendia a pergunta. Eu acabei por lhe dizer que entendia muito bem a pergunta, só que, como de momento não sabia a resposta, lhe dizia na próxima aula. Talvez convencidos que esta fosse a almejada resposta, muitos alunos tiraram apontamentos desta minha sábia afirmação.
- Na rua se a pessoa pergunta uma direcção a um Chino que ele não compreende ele vira a cara para o lado para não dar a entender que não percebeu. Claro que este vosso amigo não se dá por derrotado, pelo que vai para o outro lado (o lado para onde a cara agora se vira), puxa o braço, faz gestos até o filho do sol lhe dar atenção e ser obrigado, para não perder a face, a tentar compreender a pergunta. No entanto, a maioria dos ocidentais interpreta isto como uma grande antipatia dos Chinos e ficam bastante irritados com aquilo que eles consideram ser insolência mas que não é mais do que uma forma de timidez.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mãe querida, mãe querida...

Ora hoje a mãezinha faz os anos correspondentes a 20 mãos mais 3 dedos. Infelizmente entre toda a descendência da mãezinha, contam-se apenas 12 mãos, por isso nós, filhos e netos, ainda não conseguimos todos juntos fazer as contas de quantos anos tem a mãezinha.
Em termos históricos sabemos que a mãezinha já era grandota quando Goa foi invadida pela Índia. Como nós todos sabemos que Goa foi invadida quando os mamutes ainda pastavam na terra, temos a impressão que a mãe, em pequenina, ainda brincou com mamutes quando Lisboa ainda não tinha sido invadida pelo Dom Afonso Henriques.
Ora, se nasceu antes da invasão de Lisboa, daí aquele aspecto de moura encantada que todos lhe conhecemos: tez morena, olhos e cabelos castanhos a destoar numa família raça superior ariana. Enfim, mas nós desculpamos o facto da mãezinha não ser raça superior uma vez por ano, a 17 de Setembro, quando a mãezinha faz anos. No resto do ano exigimos ser tratados em público por "sir" e "mam" que é para as pessoas acharem que a mãezinha é a nossa empregada Filipina. Nesse dia até a deixamos comer uma broa de milho com queijo da Serra que, como a mãezinha tem as suas origens na Beira Ialta, fica toda contente, coitadinha.
Mas não pensem que, lá por ser moura, a mãezinha é daquelas indigentes que não faz nada. Pois que não é! Imagine-se que com um cão, um emprego a tempo inteiro, um marido e quatro filhos em casa (por ordem de importância) conseguiu a certa altura tirar um curso superior numa universidade pública, sem nunca perder um ano e ainda acabou com média de 14! É uma rapariga mesmo esforçada!
Aliás, esse perfeccionismo até se vê com os filhos. A mãezinha, ao perceber que o primeiro não tinha saído lá muito bem, fez outro. Melhorou, mas ainda não estava perfeito, pelo que teve mais uma. Como o produto ainda viesse defeituoso aventurou-se a ter mais um filho até que, finalmente, o produto saiu perfeito, sem mácula nem defeitos de origem! É obra! E tenho a certeza que se o 4º não tivesse nascido perfeitíssimo, a mãezinha tinha continuado a ter filhos atrás de fihos até que algum saísse perfeito! E isto com todo o stress inerente para alguém que, como a mãezinha, adora sapatos. Para 10 dias na Madeira, por exemplo, a mãezinha levou 16 pares de sapatos. Ora não conseguir ver os próprios pés por causa da gravidez deve ter sido um suplício!
Mãezinha: neste dia tão especial, coma lá a sua broa de milho com queijo da Serra, trate-nos a todos pelo nome e muitos parabéns!

A moura encantada com o cavaleiro celta que a resgatou do palácio do seu pai, o Sheik Al Mando.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem vem atravessa o rio...


Ah, espera, não era este rio, era o outro! Mas dentro do carro também se ouvia pronúncia do Norte.

domingo, 13 de setembro de 2009

I feel like dancing, yeah...


Já era noite quando saí da Missa, fui ao supermercado, à mercearia e quando ia a entrar em casa vejo o primeiro raio. Entro em casa, meto-me ao computador para acabar a aula de amanhã de manhã e os raios e trovões sucedem-se.
A certa altura começa a chover como se não houvesse amanhã. Lembro-me de ir fechar as janelas e enquanto andava pela casa às escuras a fechar as janelas, senti que o apaga e acende constante dos raios era igual ao de uma discoteca.
Não consegui deixar de começar a cantar como se estivesse numa disco dos eighties: "I feel like dancing, yeahhhh!.
Isto de viver numa ilha tropical também tem das suas desvantagens (terá alguma vantagem?) uma delas sendo as trovoadas estrondosas como não se vê igual em Portugal. Cada trovão dura tanto tempo como o tempo que se segue em silêncio e o volume é ensurdecedor.
Enquanto escrevia isto, os trovões amainaram. A tempestade veio de Macau e agora está-se a afastar para Coloane. I still feel like dancing...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alterações no MacAlvine Castle


Thanks Maf!

Já votei!

Ah pois é, parece que as coisas agora mudaram e os emigras agora votam por correspondência...
Ou seja, a malta já não vai ao Consulado, encontra os outros tugas, faz uma festa, inquire sobre o sentido do voto, critica ou elogia o sentido escolhido pelo seu interlocutor, acabam os dois no café tuga mais próximo a dizer mal dos políticos em geral e mais ainda das pessoas que se abstém, etc..
Agora a malta cá recebe o boletim de voto em casa, como podeis ver na imagem. Mas a votação é tão complicada que ainda não mandei o dito cujo de volta para Portugal.
É que tenho que juntar no envelope a cópia do meu cartão de eleitor (que eu não tenho) ou do comprovativo de recenseamento eleitoral (que eu também não tenho). Por isso lá terei que ir ao Consulado um dia destes pedir essas coisas. A chatice é que ainda hoje passei lá à frente e, se soubesse que era assim, tinha já pedido o cartão de eleitor. :-(
Que seca!


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Peso

Depois de sair de Portugal, estava certamente a precisar de perder peso, mas não foi com certeza na Alemanha que comecei. A cerveja Bávara é simplesmente genial e aqueles Biergarteen uma excelente invenção.
Para quem está aí pela Europa, não percam a Oktoberfest que começa já na próxima semana.

É raro chegar ao aeroporto super a horas, mas foi isto que aconteceu desta vez. Tão a horas que tive tempo de ir para o biergarten do aeroporto. Uma cerveja, meto conversa com um alemão de Frankfurt... Duas cervejas, animada conversa...
Terceira cerveja...? F...! My plane is leaving in 15 minutes! Quando cheguei lá, já andava uma hospedeira a chamar por mim e fui o último a embarcar.
"I'm so sorry! I was in the biergarten and lost track of time 'cause of the beer..."
Gargalhada da hospedeira: "that's one of the few excuses I accept!"
Os Alemães são fantásticos!



Salsichas neste pãozinho alemão, kartoffelsalat (salada de batatas) e a maravilhosa HB ao sol à beira-lago com uma paisagem magnífica...

Que melhor tem a vida para oferecer?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Surf e body board em Munique



Munique, Parque Inglês

Murnau am Staffelsee II

Estando a viajar sozinho e gostando de tirar fotografias em que se mostre mesmo que estive no lugar e que não me satisfiz com tirar as fotografias de uma qualquer sítio de viagens na internet, aqui ficam alguns exemplos do "tire-se fotos a si mesmo" à volta do lago e durante o almoço.



O almoço, claro está, um daqueles pães Bávaros de cujo nome me olvidei, salsichas e salada de batata, tudo preparado à maneira Bávara e regado também à maneira Bávara...

Murnau am Staffelsee I

E é aqui que a dúvida começa a nascer nas mentes dos meus leitores: "será que eu fui apenas espectador ou também participante nesta praia urbana?"
É com tristeza e mágoa que me cabe participar que quando visitei aquela praia improvisada não tinha o fato de banho à mão... Devo confessar que ainda me senti tentado a ir para a zona de nudistas. Afinal de contas, ninguém ali me conhecia e, se alguém me dirigisse a palavra, faria como sempre faço quando faço cenas mais edificantes no estrangeiro: finjo que sou espanhol para dar má impressão deles e não nossa. Se bem que, falhe-me um pouco a modéstia, também acho que não deixaria ficar mal o Lusitano orgulho se me apresentasse diate das Germanas sem mais que a minha pelugem natural... Bem, mas uma vez púdico, para sempre púdico e, mesmo sem ninguém que me conhecesse, não fui capaz de tal desvario!
Mas no dia seguinte desforrei-me desta secura em que me achei diante de tanta gente banhada! Fui a uma terra lindíssima chamada Murnao no Lago Staffel e não me poupei a banhos, natação e mergulhos neste lindíssimo lago. A certa altura, quando me dei conta, tinha estado a nadar uns 20 minutos sem interrupção de um lado para o outro.
Para além disso, aluguei uma bicicleta e dei uma volta completa ao lago, onde ia parando de vez em quando para dar um mergulho. Se para uma pessoa normal, duas horas a pedalar teriam chegado para dar a volta ao lago, eu devo admiti-lo que fiz esse percurso, sem contar com os intervalos, numas quatro horas, tantas foram as vezes que me perdi e me meti por becos sem saída. Ainda hoje estou com a traseira dorida!





Na praia em Munique III

"Oh Virgem tantas vezes Santa! Oh santos e fiéis defuntos! Oh anjos, arcanjos e querubins! Não era isso a que nos referíamos com coisas que não se podem fazer num parque no meio da cidade! Estavamos a pensar em surf e body board!"
Peço as mais sentidas deculpas, mas esta minha mente suja e pouco digna de perdão levou logo as coisas para o lado pior! São os vícios e corruptelas deste mundo...
Pois então pensáveis vós em surf o body board?
E pensais vós que os Alemãos, sendo suficientemente matreirospara fazer nudismo no centro da cidade, não o são para fazer surf e body board num rio? Tal como eu passo a vida a dizer ao meu amigo Bjorn: "sneaky, sneaky Germans!" Note-se como a primeira menina e o segundo menino surfam nas ondas como se estivessem em Bali e como o terceiro menino body borda como se não houvesse amanhã no meio de um rio, no meio de um parque, no meio de uma das maiores cidades da Europa!

Na praia em Munique II

"Mas oh prezadíssimo, fantastiquíssimo, aguçadíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo escritor do post acima - pensais vós, caríssimos leitores - há certas coisas que se fazem numa praia que não se podem fazer num jardim público no meio de uma cidade!"
Pois... Eu pensaria o mesmo... Mas apesar de inteligentíssimos, espertíssimos e cultíssimos, vós estás também erradíssimos! Pois que nesta praia no meio da relva os alemãos até nudismo fazem! Vós bem sabeis como sou um acérrimo defensor da moral e dos bons costumes e que até na casa de banho hesito em ficar como Deus nosso Senhor me trouxe ao mundo, mas a fotografia que se segue foi tirada quando eu estava a chegar ao jardim e antes de me aperceber que naquela zona de entrada na praia havia muita gente que se tinha esquecido do fato de banho em casa. Só passados uns passos me dei conta disso...
Para além disso, não a publicaria aqui neste Cristianíssmo, moralíssimo, conservadoríssimo mas, acima de tudo, pudiquíssimo blog, se achasse que esta poderia ofender susceptibilidades mais frágeis. Mas acontece que a distância a que a fotografia foi tirada não permite tais desvarios e leviandades, pelo que me sinto seguro que a podereis mostrar até a monjas de clausura nonagenárias.

Na praia em Munique I

Eis que a certa altura, julgando que estava a passear no Jardim Inglês em Munique, dei-me conta que, afinal de contas, estava na praia. Note-se que Munique fica a uns 600kms (calculo eu assim por alto mas nunca andei a contar) do Adriático, o mar mais próximo.
Então como me pude eu encontrar na praia, perguntais vós, atentíssimos, inteligentíssimos, vivíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitor deste blog a condizer?
É que, à falta de praia, os Alemães improvisam no jardim. Atente-se nas imagens que se seguem e calculem que aqui se faz tudo o que se faz numa praia normal.



Último fim de semana em Portugal

Decidi fazer uma surpresa aos senhores meus pais e aparecer na sexta feira em Vilar Seco, na casa dos meus tios Tuxa e Camané onde eles estavam a passar os últimos dias de férias (como se a Madeira e as termas não fossem suficiente! Há gente que descansa muito...).
Mas devo confessar que não estava preparado para o que eu fui encontrar em Vilar Seco! Vejam-se as imagens destes senhores de já respeitável idade...



domingo, 30 de agosto de 2009

Férias em Portugal

Chegaram hoje ao fim as férias em Portugal!
Foi um mês muito intenso, durante o qual procurei estar com a família e os amigos e matar saudades. Passado um mês em Portugal, não consegui, mesmo assim estar com todas as pessoas com quem gostaria de ter estado: muitos amigos, tios, primos, etc. ficaram por visitar em grande parte por causa dos desencontros propiciados pelas férias de Verão.
Com aqueles com quem efectivamente estive, parece que este mês em Portugal soube a pouco. Gostaria de ter estado mais tempo, ter tido mais ocasiões de conversa, mais tempo em comum.
Mas também me apercebi de uma coisa: as coisas como elas eram antes de eu deixar Portugal e das quais eu tantas saudades tinha, já não são como eram. Isso foi-me apontado pela minha querida amiga Inês. De facto o grande grupo de solteirões todos em constantes programas juntos está a mudar para um grupo cada vez maior de enamorados/casados que têm de balançar o tempo com os amigos com o tempo com as caras metades e aos poucos e poucos com os filhos! :-)
Por outro lado, são tantos os amigos que estão fora e tantos outros que estão para partir... (Constança: os ténis NIKE rosa-choque vão-te ficar a matar nos US; Beatriz; não fiques ofuscado pelo sol de Bruxelas; Nuno, aprende os bons hábitos Angolanos rapidamente, ou seja, anda sempre com uns dolares no bolso para as eventualidades).
Agora, mais do que chorar o passado que já lá não está, o que é bom e natural, resta olhar o futuro. É hora de me aplicar a sério na tese para a acabar rapidamente e bem. É também hora de me habituar às muitas horas a mais que previsivelmente vou fazer para substituir a Filipa... E Portugal lá estará; a família também; os amigos idem em aspas - mais casados do que antes (ainda bem)... E eu estarei em Macau pronto a receber todos no meu palácio da Taipa.

Filipa

Conheci a Filipa há dois anos quando entrei para a Faculdade. Infelizmente foram poucas as ocasiões em que estive com ela no ano que se seguiu: eu estava embrenhado na chegada a Macau e ela a combater um cancro numa idade em que tnha ainda muito para dar.
No ano passado passei a ser assistente dela nas cadeiras de Direito Internacional Público e Integração Económica (Direito Europeu) numa altura em que tudo indicava que ela tinha vencido a doença e saído triunfante. No ano que se seguiu pude sempre contar com os valisoso conselhos da Filipa e indicação de temas para os casos práticos e análise de acórdãos.
Com o ano novo o cancro voltou e com redobrada força. Se o exemplo com regente já era valioso, o exemplo como pessoa foi ainda maior: enfrentou a doença com enorme força e coragem e sempre cheia de boa disposição.
Mas neste braço de ferro, o cancro levou a melhor.
Não é fácil compreender que alguém tão novo passe por isto e chegue ao fim tão cedo. Mas é fácil compreender o exemplo destes últimos meses: o optimismo, a preocupação em não deixar transparecer o mal que estava e, acima de tudo, a enorme diferença que uma força interior de ferro pode trazer para uma situação destas.
Como eu lhe disse certa vez, não acredito que nós acabemos com a morte, por isso acredito que neste ano a Filipa ainda me vai ajudar com as aulas que tenho que dar. Claro que preferia que isso pudesse ser feito nas visitas ao gabinete ou a casa ou através do telefone como no ano passado, mas a oração também terá que funcionar. (Filipa, desculpa lá a beatice, sei que não era muito o teu género, mas acredito que agora estás aí ao lado de Deus, por isso...)
E porque a vida humana, mesmo quando longa, não é mais do que um piscar de olhos da História: até já!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Madeirando







E que saltitão que eu andei na Madeira! Saltava para aqui, saltava para ali...
Terá sido do meu chapéu de pele de canguru comprado no ano passado na Austrália?

Madeirando

Isto é que os manos têm bom gosto! A fotografarem-me a mim!




Descobrimos ser uma família de fotógrafos!
Das cinco câmaras dispararam nestes dez dias em que andámos a Madeirar umas não menos (calculo eu, e sabeis bem que a minha área não é a matemática) que três mil fotografias!

Madeirando


Freiraticamente falando...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os lentos passos de uma encomenda...

Date/Time
Status
Description
30.07.09 11:53
The shipment was processed at the outbound hub
The shipment was handed in at local post office by customer
30.07.09 18:31
Parcel centre of dispatch
Shipment to abroad was processed at the outbound hub
01.08.09 05:35
International Parcel Station
Shipment to abroad was processed at the International Parcel Station (IPS)
03.08.09 05:51
Departure from outward Office of Exchange in Country of Origin
Departure from outward Office of Exchange in Country of Origin

terça-feira, 14 de julho de 2009

Caracteres Chineses

Há dois fins de semana fui a Zhuhai comprar os DVDs e as roupas falsas do costume e vi uma tshirt muito gira com caracteres chineses. Ora, alguém que conhece bem os chineses como eu, mesmo não percebendo chinês, adivinha logo o que deverá lá estar escrito: "paz, prosperidade, abundância..."
E foi isso que eu disse à Raquel. Ora ela, de espírito mais desconfiado do que eu, disse que bem que poderia ser outra coisa mas eu, confiante no meu profundo conhecimento do espírito chinês, comprei a dita tshirt da paz e do amor.
No Domingo, como ia passar a tarde numa esplanada à beira-mar decidi ir à Missa de manhã, pelo que fui em português e decidi estrear a tshirt da prosperidade e da longa vida. Na Missa em português as pessoas poderiam mais facilmente compreender a lindíssima mensagem da tshirt, dado que a maioria são Macaenses que compreendem bem o chinês e o português.
Saído da Missa, fui almoçar e a Jennifer, uma amiga chinesa começou a rir-se da minha tshirt. Eu já tinha reparado que havia de vez em quando uns sorrisos na rua e achei que os chineses estavam a gostar que eu lhes estivesse a desejar longa vida e amizade, mas a Jennifer não sorriu para mim, riu-se de mim!
Pois, a tshirt afinal, explicou ela, não dizia bem aquilo que eu tinha a certeza que queria dizer. Na frente dizia qualquer coisa do género "porra, sou solteiro!" (it means I'm single but swearing about it) e atrás "não tenho mulher."
Não é que seja mentira...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pelo sonho é que vamos...

Hoje sonhei que estava na quinta da Olaia, a casa de uns primos em Ourém. Há dois anos que já lá não vou, mas costumava ir sempre lá depois do almoço e antes do jantar no dia de Natal só para desejar boas festas e visitar uns tios e uns primos que via uma vez por ano.
É estranho isto de ver uma parte da família apenas uma vez por ano, mas não é por isso que os sinto menos primos: quando entro lá em casa sinto-me sempre tão bem recebido que, mesmo que só lá esteja uma hora por ano, sinto-me perfeitamente em casa e sinto aqueles primos como bem próximos.
Uma vez, tinha eu recebido uma gravata no Natal, e o meu primo António, lá da Olaia, esteve-me a ensinar a fazer o nó Windsor, nó que ainda hoje faço sempre que uso gravata.
Vai daí, logo que acordei decidi escrever um mail a este primo do nó Windsor. Não acredito que os sonhos sejam prenúncios de nada mas se num sonho me lembro de alguém de quem gosto e com quem já não contacto há muito tempo, lembro-me que é hora de entrar em contacto, nem que seja só para dizer um olá...
O SONHO
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos?
Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que desconhecemos
E ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

terça-feira, 7 de julho de 2009

Já não há espaço!

Macau tem especificidades muito próprias e ou bem que uma pessoa adora, se adapta lindamente e nunca mais quer sair daqui, ou bem que não se dá bem e passa o tempo aqui a pensar em sair. Infelizmente, eu estou no segundo grupo...
Agora que a tese me corre bem, o trabalho na faculdade também, gosto de estar numa casa nova com piscina (adoro a piscina!) por vezes sinto mesmo que estou no primeiro grupo. Tudo isso a juntar ao facto de ter uns quantos bons amigos com quem posso contar, com quem me divirto e com quem tenho óptimas conversas, tudo parece ser uma altura de adaptação e de contentamento com Macau.
Claro que as saudades de casa, da família dos bons amigos que estão a casar ou a ter filhos e que eu não posso estar lá para viver com eles essas experiências estão sempre presentes, mas passado um (grande) bocado a pessoa habitua-se a viver constantemente com o tal aperto lusitano no peito a que chamamos saudade.
Mas porque é que não me habituo e adapto?
Macau é uma grande mínima cidade. É grande porque aqui vivem cerca de 600 mil pessoas, mais do que Lisboa (nao contando com arredores). Mas é mínima porque de toda esta gente, a maioria não fala bem nenhuma língua em que eu consiga conversar; é mínima porque mesmo na minoria que fala uma das línguas em que eu consigo conversar, não é fácil criar laços porque a mentalidade tende a ser tão absolutamente diferente, que as conversas são mais desbravar mato que percorrer caminhos comuns; é mínima porque na minoria dentro da minoria com quem conseguimos criar laços, muitos estão de passagem e vão-se embora deixando aquela constante saudade de casa ainda maior com saudades dos que já conheci cá.
E a certa altura parece que já não há espaço para mais. Não há espaço para acolher novas pessoas estando já tão cheio de saudades das antigas!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Acumpunctura

Pois, esta coisa da saúde é um mistério para mim...
Há cooisa de um mês acordei de um dia para o outro com três dedos dormentes, a saber, o do meio da mão esquerda e os mindinho e anelar da mão direita. Passada uma semana deste estranho sintoma, decidi ir a um médico Macaense (porque esses falam Português e são licenciados em Portugal). Ele estranhou este sintoma e mandou-me fazer uns raios X, pelos quais concluiu com espanto que eu tinha uns inícios de bicos de papagaio e que era isso que estava a interferir com os meus nervos da mão.
Receitou-me uns comprimidos e mandou-me para a acumpunctura, porque isso revitalizaria o sistema nervoso, pelo que hoje lá fui pela primeira vez à acumpunctura em Macau.
O médico, um senhor já de uma certa idade, falava mal Inglês mas conseguiu explicar a estranheza da minha coluna. "Você tem musculatura de jovem desportista e coluna de pessoa de meia idade sedentária!" Sim, os médicos chineses tendem a ser assim directos e sem rodeios...
Depois disso sentei-me num banco debruçado sobre uma cama, ele espetou-me 5 agulhas em sinal de cruz e fiquei ali parado 20 minutos com as agulhas espetadas no pescoço. Já estava meio a dormitar quando ele me veio tirar as agulhas e me mandou voltar todas as semanas.
Por isso agora, todas as semanas vou lá a Macau fingir que sou uma almofada de alfinetes.
É uma vida dura, mas alguém a tem que viver!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Bananas

Hoje, estava eu a almoçar com o Alexandre Maria, quando veio à baila os ABCs, que eu expliquei ao Aexandre que são os "American Born Chinese", ou seja, os Chineses nascidos na América.
O Alexandre surpreendeu-me com a resposta "nós chamamos-lhes bananas!"
Bananas! Banana em português é uma pessoa que não responde com a energia suficiente a situações que devia responder, e os ABCs até são pessoas conhecidas por ser bastante enérgicas, pelo que pedi explicações.
"São bananas porque são amarelos por fora e brancos por dentro!"

Junco


A estes barcos chineses chama-se juncos...

Bonitos, não são?

Net em casa

Algo mudou na minha vida! Desde que vivo sozinho que nunca tive internet em casa, mas agora, por uma série de motivos, decidi assinar a internet e neste momento escrevo este post da minha casinha.
Isso quer dizer que também passo a estar mais contactável em casa pela internet. Apesar de ainda ter os auscultadores, microfone e câmera no gabinete na Universidade, vou trazê-los para cá, por isso, quem não tiver o meu contacto no skype, adicione, sff, para nos podermos falar: dsalvim

quinta-feira, 25 de junho de 2009

MacAlvine Castle - o quarto senhorial




Finalmente o quarto do Morgado da Taipa, Lord MacAlvine, eu próprio! Como podeis observar, da janela perto da minha cama tenho vista sobre as minhas possessões, as montanhas da Taipa. Não foi inocentemente que eu guardei a minha mala mesmo à vista: combina bem com os cortinados e a colcha, não combina?

MacAlvine Castle - o escritório / quarto de visitas




Esta é a divisão da casa em que tenho passado mais tempo enquanto acordado e esta é a vista que me inspira durante o dia: criancinhas a fingir que jogam basquete, futebol, etc..
Quem me vier visitar, verá esse bonito sofá transformado numa confortável cama. Se for uma pessoa, dormirá aí que nem realeza, se for um casal, dormirei eu aí que nem realeza e o feliz casal passará aos meus aposentos.
Ah, a roupa aí é porque é no meu escritório que a criadage gosta de passar a roupa...

MacAlvine Castle - o corredor

Para se passar à área mais privada do castelo, tem de se passar pelos longos e escuros corredores com os antigos reposteiros passados de geração em geração e os tapetes do Oriente acumulados por gerações de Alvins que combateram contra os mouros na Ásia.


MacAlvine Castle - os salões

Quem entra no MacAlvine's Castle, é esta a primeira coisa que vê:

(note-se a minha roupa pendurada na janela: que delícia!)
E logo a seguir, vira-se para a esquerda e vê isto:

MacAlvine Castle - o quarto de pensamento



Se alguém for a minha casa e sentir um aperto existencial, é a esta nobre divisão que eu o vou dirigir. Mas devo dizer que não gosto de partilhar os pensamentos das outras pessoas, pelo que pedirei a quem tiver esse aperto existencial que feche a porta e abra a janela.