Ontem estive a ler uma descrição da conquista de Lisboa num livro que estou a ler sobre Portugal escrito por um Inglês (é sempre giro ver a perspectiva dos estrangeiros sobre nós).
Aparentemente, o autor apaixonou-se por Portugal e não estou só a falar daquelas que nós consideramos intrinsecamente Portuguesas como o bacalhau, o vinho, as touradas, a broa de milho e o fado, estou tabém a falar de coisas que nunca nos passariam pela cabeça referir como típicamente Portuguesas como as corporações de bombeiros voluntários!
Mas voltando ao relato da conquista de Lisboa... Este é por demais lisonjeiro para os Portugueses e nem por isso muito elogioso para os Bretões, Normandos, Alemães e Flamengos que faziam parte da expedição da 2.ª Cruzada.
A teoria dele é bastante diferente daquela que nós conhecemos. De acordo com a sua teoria, teria sido São Bernardo de Claraval (primo do nosso Dom Afonso) a organizar essa cruzada com o objectivo de estender a Cristandade na Península e não tinha sido o Bispo do Porto a exortar os cruzados a "já agora que iam a caminho da Terra Santa, darem ali uma mãozinha." A teoria, como todas as teorias históricas construídas muitos séculos depois dos acontecimentos, deixa algumas dúvidas mas é plausivel.
Ora, estes cruzados, aparentemente homens de tanta fé que se moviam apenas pela expansão da Cristandade, exigiram do nosso Dom Afonso que quando a cidade fosse tomada, lhes fosse autorizado saquear tudo o que quisessem antes da entrada dos Portugueses, caso contrário davam de frosques para a Terra Santa. Pois o nosso primeiro lá cedeu a esta exigência mas exigiu que quando entrassem na cidade não matassem ninguém, sendo-lhes apenas permitido matar quem se opusesse à ocupação e a dar os bens a cujo saque eles teriam "direito".
Durante as seis semanas que durou o cerco e a ocupação, a aversão que Dom Afonso e os seus ricos-homens sentiram pelos Cruzados foi enorme, descrevendo-os como uma horda de bárbaros sanguinários e procurando proteger os Mouros e Moçábares que lhes caíam nas mãos. Na tomada da cidade o comportamento dos meninos foi vergonhoso, matando indiscriminadamente todas as pessoas que se atravessavam no seu caminho.
Quando esta horda finalmente se foi embora, Dom Afonso permitiu aos Mouros a sua permanência na cidade e entre os seus conselheiros passou a contar com numerosos Judeus, Mouros e Moçárabes da cidade de Lisboa.
A certa altura fechei os olhos e tentei imaginar a cena. Mentalmente viajei até ao Allgarve, entrei num Pub Inglês, tirei àquela gente gorda, encarnada e tatuada as camisolas do Manchester United e vesti-os com umas armaduras medievais. Logo aí percebi o que esses nossos antepassados sentiram pelos cruzados que deram uma "mãozinha" com a conquista aqui da cidade...
Valha-nos a Santa!





