-"Está um frio de rachar! Estão 7º em Lisboa..."
Oh como isso me deixou feliz!
E a explicação para essa felicidade é muito simples: ontem, depois de um fim-de-semana muito bem passado com um belíssimo grupo de amigos em Vila Velha de Ródão** em casa do Coronel Paixão, a quem eu aqui agradeço, vinhamos um grupo de boa gente pela estrada nacional quando decidimos parar em Nisa para almoçar (às 4 da tarde!) e foi aí que eu o vi: o capote Alentejano que há muito tempo ambicionava mas que era sempre tão caro em todas as feiras onde o tinha visto, que eu acabava por desistir.
Em Nisa o capote era bem mais barato do que nos outros sítios e era lindo de morrer: verde com uma pele que eu suponho ser de lebre (desculpem a ignorância nestas matérias) e tão quentinho que uma pessoa lá dentro nem quer sair cá para fora.
Vai daí comprei-o e hoje o meu caminho Château d'Alvim - Ministério foi feito no mais cómodo dos confortos que se possa imaginar! Agora vou mesmo ter que comprar um chapéu a condizer porque, com o corpo tão quente, sinto a cabeça muito mais fria!
Há no entanto um pequeno problema... É que um capote verde deve ser usado por um proprietário Alentejano. Ora eu, de origens principalmente Beirãs com um bocadinho de Ribatejano à mistura e sem ter um sobreirozinho que seja no Alentejo, sinto-me ligeiramente descontextualizado naquele capote.
Vai daí, caros leitores Alentejanos: não tendes por aí um hectarzinho a mais que me queireis dar agora pelo Natal? Uma terrinha singela com uns 7 ou 8 sobreiros só para eu poder dizer que vou ao meu montado Alentejano com o meu capote verde? Não vos preocupais com os porcos que eu próprio compro uns 2 ou 3 barroquinhos pretos do Alentejo...
* Título corrigido de acordo com o comentário - em tempos que já lá vão, acabei o Liceu com 16 a Latim, mas o meu Cícero já há muito que ficou para trás. Apesar disso ainda me lembre de muita coisa no seu tratado sobre a Amizade, De Amicitia- não de Latim, mas do conteúdo.
** Na própria vila há muita divergência na doutrina sobre se se usa o acento no O ou não, já que os bombeiros têm o acento, a pousada não tem, etc. Mas sem dúvida que, não tendo acento, a sílaba de acentuação é a última e então lê-se rôdão...

4 comentários:
Caro Diogo, há dois erros no título latino. Assim, em vez de "vanitatem", deverá escrever "vanitatum" (genitivo do plural de "vanitas") e, no lugar de "et", pôr "est" (terceira pessoal do singular do presente do indicativo do verbo "esse").
A tradução é, como sabe, "Vaidade das vaidades tudo é vaidade". O que não me parece aplicar-se ao capote alentejano, claro...
Aquele abraço.
"Ora eu, de origens principalmente Beirãs com um bocadinho de Ribatejano"
Deve estar um pouco baralhado, pois não é bem assim...bocadinho??? Se Bocadinho é pelo menos 50%...
Quanto a Beirãs!!! É talvez 25% puro os outros 25% são diluidos... desses 25% pelo menos 15% são alfacinhas, Quanto aos outros 50% Ribatejanos...são puros... ou Vila Franca de Xira, Santarem e Ourem é na Beira Alta ou Baixa.
Ah pois é...anda distraido...deve ter sido dos ares Chineses...não faz mal, desculpa-se... até é melhor, pois o Ribatejo é mais perto do Alentejo, sempre dá para usar o tal Capote mais á vontade.
Caro "anónimo que acha que sabe mais sobre as minhas origens do que eu próprio",
1.º nasci na Figueira da Foz, em plena Beira Litoral
2.º O Senhor meu Pai nasceu em Ourém, também na Beira Litoral apesar de ser Distrito de Santarém, lá cresceu e de lá era o Senhor meu Avôzinho que, coitadinho, só viveu em Lisboa desde pequenino por ter ficado órfão muito cedo
3.º Fui baptizado e passei a maior parte das minhas férias em plena Beira Alta
4.º Os senhores meus avózinhos eram 3 da Beira e 1 do Ribatejo, sendo que um deles nasceu em Lisboa, mas isso não faz da sua família menos Beirã...
Por isso caro anónimo, mais uma vez se prova a minha necessidade de receber um hectarzinho no Alentejo para usar o capote com mais propriedade e, por último, só me resta perguntar-lhe: como é que estão a Jade, o Martim e a Constança? :-)
Continua enganado.
Ora Ourem é Ribatejo e não Beira Litoral e depois os seus Avós paternos são ambos Ribatejanos (Ourem e Vila Franca de Xira) os Maternos um Beirão e outro Lisboeta. Quanto a seu Pai- Ourem e sua Mãe Ota (Ribatejo)... mas continua a achar que é mais Beirão que Ribatejano...haja teimosia!!!! Vamos lá a fazer as contas.
1º os Avós- 1 Ribatejano + 1 Ribatejano + 1 Lisboeta + 1 Beirão = A tudo menos completamente Beirão
Uma Mãe e um Pai Ribatejano =??
E não venha com a conversa que a sua Mãe nasceu na Ota , mas não era de lá, porque ai eu digo o mesmo de si e da tal "sua" Figueira da Foz...que mais não foi que um erro de calculo do médico.
Mas pronto fique lá com um Beirão (Mto diluidozito). Mas eu cá para mim ...é mesmo muito Ribatejano!!!!
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