segunda-feira, 25 de julho de 2011

The Comedy of Errors

Este Sábado fui ver a Comédia dos Erros, de Shakespeare no Wadham College, que fica a 5 minutos do "meu" College, o New College.
A peça foi engraçadíssima, apesar de ser Inglês Shakespereano entendi tudo (ao contrário do que aconteceu há uns 4 meses quando fui ver o Hamlet a Hong Kong), o grupo de teatro era engraçadíssimo, etc. Um serão quase perfeito. Porquê quase? Ora, porque foi no jardim e quando o sol se pôs o frio tornou-se insuportável! Sim, é Verão, mas estamos em Inglaterra, certo?
A história roda à volta de uma série de erros de identidade com dois pares de gémeos idênticos e recomendo vivamente a todos que a vejam, quando quiserem um serão muito bem disposto.
Esta fotografia não é do teatro a que fui mas de outro a que não fui, no pátio da Bodleian Library, a maior biblioteca do mundo de Língua Inglesa.

domingo, 24 de julho de 2011

Vanitas vanitatum, omnia vanitas!

Estas coisinhas que eu levo calçadas chama-se Oxford Shoes e, diz-me o Tiago, são brogues, ou seja, têm aqueles picotadozinhos engraçados. Ora, estes Oxford Shoes foram comprados numa das casas mais tradicionais de Oxford, a Ducker, uns dias depois de cá chegar. E porquê, perguntais vós, é que eu fui comprar uns sapatos em Oxford?
Tudo começou em Lisboa quando ao chegar a casa dos pais do casamento da minha querida prima Filipa olhei para o bilhete de avião e vi 3.30. Vai daí, pus o despertador para as 12h porque só teria que estar no aeroporto depois das 2. Quando acordei no dia seguinte, fui fazer o check in online e o site não aceitou dizendo que eu já tinha perdido o vôo. Olhei com mais atenção para o bilhete e entendi que 3.30 era a hora de chegada a Londres, não de partida de Lisboa. Tive que marcar um novo bilhete para mais tarde que me custou a módica quantia de 250€ (fiquei verde durante 3 dias).
Ora, com este início de dia stressante, esqueci-me de juntar à bagagem uns sapatos pretos. Dado que todas as 6as feiras temos um jantar formal, ao chegar à 6a feira, lá me aventurei por Oxford para encontrar uns mocassins pretos, simples e que desse para pôr com o fato (esse, graças a Deus, não esqueci). No entanto, todavia, contudo... Quando vi estes sapatos apercebi-me que eles queriam ser meus e pronto, cometi uma pequena extravagancia e comprei-os.
E foi assim que o meu nome foi escrito num livro de cabedal com grossura suficiente para matar um lutador de sumo e eu me tornei o feliz possuidor de uns sapatos da Ducker & Son.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Só na China!

Enquanto que uma morte em Portugal me enche de tristeza, a da Maria José Nogueira Pinto, uma possível morte na China enche-me de estranheza, a de Jiang Zemin.
Maria José Nogueira Pinto foi uma política que nos últimos anos marcou a Democracia Cristã em Portugal. Foi das principais vozes contra este aborto de lei que é a lei do aborto como a temos agora, a favor da melhoria das condições de vida dos mais desfavorecidos, a favor da melhoria da cidade de Lisboa, etc.. Por tudo isto, a sua morte foi lamentada desde a direita à esquerda.
Jiang Zemin foi o político que abriu a China ao mundo depois do massacre de Tianamen e que continuou a abertura da China à economia de mercado o que teve como consequência tirar milhões de Chineses da pobreza. No entanto, foi tão bom presidente como foi mau ex-presidente. Depois de deixar o poder continuou a manobrar os cordeis da vida política, muitas vezes fazendo oposição ao seu sucessor Hu Jintao. Tinha para tal o apoio da maior parte dos mais graduados generais do exército de libertação do povo (o exército Chinês). A estranheza que a sua possível morte causa está relacionada com o facto de ainda só ser possível e com o facto da censura Chinesa, que emprega o mesmo número de pessoas da população Portuguesa (10 milhões) estar a ser tão activa na repressão dessa notícia. Por cá se diz que isso se deve ao facto de os generais estarem descontentes com a actual situação política e poderem usar a morte de Jiang Zemin como um pretexto para um golpe palaciano que derrube o actual poder. Mas se isso for feito, será feito com "luvas de veludo" e pode ser até que ninguém repare durante algum tempo. Pode ser que Hu Jintao lá continue como um fantoche até ao fim do seu mandato e depois seja substituído por alguém da confiança dos generais. Estranho, não é?

domingo, 15 de maio de 2011

Lentilhas

Hoje cozinhei lentilhas. Isto pode não parecer nada de especial, porque em casa dos meus pais eu comia lentilhas imensas vezes com chouriço e ovos escalfados. Mas a verdade é que já não comia lentilhas há muitos anos!
Há muitos meses que uma amiga do Willem (o meu companheiro de casa) saiu de Macau e deixou-nos não sei quantos sacos de lentilhas.Hoje decidi cozinhar e, voilá, decidi experimentar as ditas cujas, que parece que são das coisas mais nutritivas que há por aí (wikipedia dixit).
Uma coisa interessante: estas lentilhas são côr-de-rosa e as que se fazia em casa dos eus pais eram verdes.
Então fiz assim:
Pu-las de molho durante uma hora.
Fiz um refugado com cebola, alho francês, alho e uma lata de massa de tomate. Para temperar pus duas colheres pequenas de uma pasta de pimento picante que ali tenho - é um produto Japonês que se usar demais até deitamos fogo pela boca.
Quando estava tudo refogado juntei um bocado de água e cozi uma peça de carne de vaca que cortei aos pedaços e um chouriço às rodelas. No fim juntei mais um bocado de água e as lentilhas. Deixei cozer, juntei sal e pronto! Ficou muito bom!
O Willem e eu comemos um prato enorme cada um e ainda nos sobrou suficiente para mais umas refeições. Estou-me aqui a sentir ultra-vitaminado e cheio de ferro!
E agora perguntai-vos vós: onde é que eu vou buscar as minhas receitas? A resposta é simples. Eu cozinho poucas vezes, pelo que quando cozinho uso o que tenho em casa e pronto. Neste caso não tinha cebola pelo que fui à mercearia e decidi também comprar alho-francês.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O que o emigra vê...

Não é novidade para ninguém que lê este blog que eu já há quase 4 anos que vivo fora de Portugal, pelo que não apanhei aí nada da actual turbulência política que aí se vive. Mas a verdade é que nada me conseguia preparar para o que eu leio agora nos jornais Portugueses.
O cenário que nos é apresentado não é negro, é negro pintado de preto. Pelo cenário que a comunicação social nos faz passar, já não há empregos em Portugal e as pessoas esgravatam pelos últimos grãos de arroz antes de se decidirem a sentar no chão (porque os sofás já foram vendidos) das suas casas penhoradas a olhar as paredes (porque a TV também já teve de ir) e a esperar morrer.
Ante este cenário negro pintado de preto, seria de esperar que os Portugueses se unissem para sair da crise. Note-se como os Ingleses se tornaram unidos durante a guerra ou, mais recentemente, os Japoneses a seguir ao terramoto + tsunami + catástrofe nuclear. Parece-me que é uma coisa natural que quando os povos vêem o cenério negro pintado de preto, dão as mãos e esquecem dissensões passadas para, em conjunto fazer face às dificuldades.
Mas o que eu vejo em Portugal é o PS a culpar a oposição pela crise, a oposição a culpar o PS, o governo a querer negociar o resgate em segredo, toda a gente a criticar um antigo candidato presidencial por se candidatar às legislativas pela lista de um partido...
Por isso só consigo tirar uma de duas conclusões. Ou a comunicação social está a exagerar e reporta um cenário negro pintado de preto onde ninguém o vê, ou todo o povo Português está sob o efeito de alucinogénicos (terá sido uma vitória do BE que eu não notei?).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Uma família de pesadelo

Ontem a aula de Mandarim foi sobre família e graus de parentesco e só há uma conclusão a tirar: na China a família é um pesadelo! Veja-se bem como este pesadelo se aplica à minha família:
- eu tenho dois ge ge (irmãos mais velhos): o Tiago, que é o meu yi ge (1º irmão mais velho) e o Qin Long (aka Gonçalo), o meu er ge (2º irmão mais velho);
- també tenho uma jie jie (irmã mais velha, a Mariana);
- no entanto não tenho nenhum di di (irmão mais novo) nem nenhuma mei mei (irmã mais nova);
- tenho quatro bo fu (tios irmãos mais velhos do Pai), três shu fu (tios irmãos mais novos do Pai), três gu ma (tias irmãs mais velhas que o Pai) e duas gu gu (tias irmãs mais novas do Pai);
- também tenho um jiu fu (tio irmão mais velho da Mãe), um jiu jiu (tio irmão mais novo da Mãe) e duas yi ma (tias irmãs mais velhas da Mãe).
- os meus zu fu (avô paterno), wai zu fu (avô materno), zu mu (avó paterna) e wai zu mu (avó materna) já morreram;
- tenho uma yi sao (cunhada casada com o irmão mais veho) e uma er sao (cunhada casada com o 2º irmão);
- também tenho um zhi zi (sobrinho Martim) e uma zhi nu (sobrinha Constança);
- dado que a Mariana não é casada, eu não tenho nem um jie fu (cunhado casado com a irmã mais velha), nem wai sheng (sobrinho filho da irmã) nem wai sheng nu (sobrinha filha da irmã);
- já nem aqui vou falar de ter uma di xi (cunhada casada com o irmão mais novo) ou um mei fu (cunhado casado com uma irmã mais nova) porque, como disse em cima, não tenho nem um didi nem uma mei mei.
Mas não pensem que as complicações familiares Chinesas se ficam por aqui. Os primos mais velhos que eu pelo lado do pai e os primos mais velhos que eu pelo lado da mãe têm nomes diferentes, bem como os mais novos, as primas... Cada uma dessas categorias de primos é casado com uma categoria diferente de pessoa. Os netos são diferentes consoante sejam filhos de filhos ou de filhas...
Tudo o que é pelo lado feminino, tipo avós maternos ou netos pelas filhas são considerados wai, ou seja, de fora da família, porque dentro da família só mesmo por varonia. Os outros não são verdadeiramente família, são mais relações de parentesco fora da família.
Foi aí que eu entendi o porquê desta malta ter adoptado a política do filho único: era demasiado complicado continuar a ter famílias numerosas.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Guia em Macau

Este Sábado estava cá um amigo Austríaco em Macau. Conheci-o no ano passado enquanto viajava pelas Filipinas com a Victoria e o Christiaan e ele agora veio por poucos dias e ficou em casa da Victoria. Ela disse logo que não conhecia o suficiente de Macau para ser guia, pelo que colocou-me em frente às operações e eu devo confessar que lidei bem com a responsabilidade. Entre mostrar alguns dos sítios mais bonitos (é impossível ver tudo o que é giro em Macau em apenas 1 dia), contar as histórias dos lugares e levá-lo a comer as especialidades da cidade. Fiquei orgulhoso de mim mesmo, mas isto só significa que quem quer que me visite em Macau pode contar com um bom guia!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Consequências do São Valentim

Há já duas semanas que ando com uma irritação no pescoço que não percebo muito bem o que é. É tipo a pele seca e encarniçada numa pequena área. Tenho posto creme hidratante e tudo isso, mas nada tem resultado.
A verdade é que não se tem notado muito porque eu não tenho feito muito a barba e porque tenho andado de camisa, mas como amanhã vou para Banguecoque, hoje decidi fazer a barba e, por mero acaso, decidi usar tshirt. Isso torna a irritação bem mais visível. Sim, e fazer a barba não deve ter dado muita saúde à minha já irritada pele, certo?
Como consequência já recebi duas bocas aqui na Universidade de pessoas que com um ar cúmplice e um piscar de olhos me disseram: "o dia de São Valentim correu-te bem, hein?"

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Informação absolutamente irrelevante do dia

Tenho observado ao longo de muitas idas à casa de banho (enquanto trabalho bebo chá ou água...) que, ao chegar à casa de banho, os Chineses lavam sempre as mãos ANTES de fazer xixi. Pergunto-me se será para não sujar o instrumento...
No entanto nem sempre lavam as mãos DEPOIS de fazerem o que os levou lá. Será que os pingos, mesmo que minúsculos, que podem chegar às mãos de um homem durante a actividade urinatória não fazem tanta confusão aos filhos do Império do Meio quanto sujar o instrumento?
Fiquei a pensar se deveria também passar a lavar a mão antes da actividade, mas como está frio tento reduzir essa actividade ao mínimo indispensável.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ano Novo Chinês

Pois é, todos os anos ele regressa: o Ano Novo Chinês!
Mas este ano o ANC teve alguma coisa nova, foi a 1a vez que estive em Macau nesta altura. Em 2008 fui a Hunan, onde passei em casa do Alexandre, em 2009 fui a Bali e no ano passado estive nas Filipinas.
Este ano tinha muito trabalho, não podia viajar, pelo que fiquei por Macau. E gostei? Não, nem por isso!
Em primeiro lugar porque, como La Palice observaria, se eu fiquei em casa é porque não estava a viajar e eu gosto de viajar.
Em segundo lugar é porque, ou para espantar os maus espíritos do ano anterior ou só para dar sorte, os Chineses sentem-se obrigados a fazer um barulhão e a incomodar os vizinhos como se não houvesse amanhã na primeira semana do ano. Por esse motivo, desde lançarem fogo de artifício até às 2 da manhã até começarem a explodir panchões às 8... O lema é "azucrina o teu vizinho até ele perder o juízo devido à privação de sono."
Em terceiro lugar, dado que nos primeiros dias do ANC os funcionários públicos podem jogar nos casinos, eu fui ao Venitian (o maior resort do mundo) experimentar só para não dizer que vivia em Macau e nunca tinha jogado. Conforme o planeado, apostei 100$HK e perdi-os, mas o que me deprimiu mais do que perder cerca de 10€ de dinheiro que eu já achava que ia perder foi ver a sofreguidão daquela gente a jogar. Deprimiu-me pensar quantas famílias não ficam mais arruinadas pela forma como aquela gente joga...
Mas nem tudo é mau no ANC.
Uma das coisas boas é que as famílias se juntam para jantar. À falta de família, dado que o Gonçalo e a Rita estavam na Indonésia, eu jantei em casa da minha amiga Wendy. A comida do ANC é fantástica!
Outra coisa boa é que, também devido a uma superstição qualquer, os Chineses deitam mobília antiga fora e compram nova. Ora, eu estava a precisar de um sofá e encontrei um sofá impecável na rua, pelo que poupei um balúrdio porque estava a pensar comprar um sofá um dia.
Bem, a outra coisa boa do ANC é que é só uma vez por ano e no próximo ano, dê lá por onde der, ninguém me volta a apanhar na China durante o ANC!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Correção de Exames

Frustração do dia: gosto tanto de dar aulas quando desgosto corrigir exames! Será que há alguma Universidade sem avaliação para eu ir para lá ensinar?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

E agora fotos... I


Fim de ano: outros conferencistas e alunos a espera do fogo de artifico no 101
Fim de ano: eu com a familia Marvel

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Parque Nacional de Taroko

Neste momento devei-vos vós estar a perguntar: “oh mestre de tudo quanto é viagem pelo Oriente, mas de 0 a 100 quanto é que vale a pena visitar essa cidade de Hualien onde fazem procissões estranhas?” A minha resposta mais honesta e inflacionando o valor da cidade para não a desencorajar é uns 3 a 6. Na realidade é uma cidade feia, sem nada que se veja que preste: tem uns mercados de rua engraçados, mas mercados de rua há muitos nesta Ilha Formosa.

O motivo porque eu fui lá foi porque queria ir ao Parque de Taroko mas quando lá cheguei disseram-me que o último autocarro para Taroko já tinha partido uma meia hora antes, pelo que decidi lá ficar durante uma noite.

Ora Taroko, de 0 a 100, já leva um 95. Note-se que para quem já foi a Angkor Watt, o 100 já não é fácil de alcançar porque já está reservado a esse lugar e julgo que dificilmente poderá ser destronado. Por esse motivo um 95 quer dizer A NÃO PERDER!

Em primeiro lugar, do ponto de vista geológico a Formosa é uma ilha relativamente nova e ainda está em formação, dado que as suas montanhas crescem a um ritmo de 0,5cm ao ano. Isso leva a que as suas montanhas não tenham aquele ar macio e arredondado das nossas montanhas Europeias (claro que há muitas excepções) e sejam assim umas coisas bicudas erguidas ao céu.

Em segundo lugar nesta terra chove que Deus o dá, o que quer dizer que a vegetação é verdíssima. Aliás, estava eu a dizer a um local quão verde a vegetação era quando ele me responde “verde! Verde é na época das chuvas, agora é quase castanha!” E eu garanto que não consegui ver nenhuma mancha castanha e fiquei a imaginar como é que poderia ser ainda mais verde do que aquilo.

Por último, as florestas estão cheias de animais exóticos. Comecemos pelos nossos “primos” macacos que, apesar de esquivos demais para se deixarem fotografar, fogem de um lado para o outro a fazer macadas e fazem uns barulhos estranhíssimos (e ligeiramente assustadores). Depois há umas aves que parecem galinhas pelo tamanho e por não voarem muito alto mas têm um formato um bocado diferente. Para além disso há constantes avisos para termos cuidados com vespas, javalis (se cá estivesse o obélix…) e víboras (isso sim, é coisa que me mete medo) mas consta que todos eles agora estão a hibernar. Mas o mais impressionante são os pássaros: passarada de todos os tamanhos, feitios, cores e chilreios.

Absolutamente fantástico: recomendo vivamente e eu próprio estou altamente disposto a regressar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os 100 anos da ROC - RdC (Republic of China)

Estava eu a visitar a cidade de Hualien quando me deparo com uma coisa algo estranha: num parque da cidade estavam lá muitos carros, daqueles todos decorados tipo Carnaval de Torres Novas, mas muitos deles com imagens de Nossa Senhora, de Jesus, do Buda, de Deuses Budistas… Um desses carros até tinha a bandeira do Vaticano!

Para averiguar melhor o que aquilo seria (perguntei a umas quantas pessoas, mas ninguém falava Inglês), voltei lá à noite e, nessa altura, o barulho não podia ser mais ensurdecedor. Fogos de artifício, estalidos de ano novo (uns estalidos que eles usam quando inauguram qualquer loja e no ano novo Chino)… Um autêntico banzé!

Um homem com ar de importante (aqui, como na China, todos os homens com ar importante usam fato e, apesar de notoriamente terem mais de 50 anos, têm o cabelo mais preto do que o carvão porque todos o pintam) falava muito alto no microfone.

Ora, continuava eu sem perceber o que ali se passava mas desta vez consegui encontrar uma rapariga que falava umas palavras de Inglês. Como disse mais atrás, este ano celebram-se os 100 anos da ROC, pois era isso mesmo que se destinava toda aquela ruidosa procissão, a agradecer a Deus pelos 100 anos da república.

Claro que eu achei isso uma coisa muito estranha: agradecer a Deus pela obra da outra criatura lá de baixo! Sim, porque para mim as repúblicas, as guerras, as drogas e outras calamidades de origem humana são todas engendradas lá em baixo. J

O tal senhor com ar de importante era o presidente da câmara da de Hualin e depois dele falar todos os carros saíram para a rua. Cada carro levava a sua música tentando ser mais ruidoso que o anterior, pelo meio iam uns rapazes mascarados de tribo local, iam uns outros com uns fatos de Buda mas com uns óculos escuros gigantescos e ultra-estilizados… Um autêntico regabof!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Taiwan e China

Chegar a Taiwan vindo da China permite-nos notar naquilo que a Revolução Cultural fez pelos Chineses (acho eu que deve ser esse o motivo). Algo se passou naquele país, que as pessoas perderam os bons costumes Confucionistas bem como a ética Budista.

Para começar, em Taiwan as pessoas são muito mais amáveis e prestáveis: pergunta-se qualquer coisa na rua e, quer as pessoas saibam Inglês, quer não, desdobram-se para ajudarem. Já por duas vezes tive pessoas a virem comigo ao sítio onde eu queria ir para me indicarem o caminho. Das duas vezes notou-se claramente que estavam a fazer um desvio para virem comigo. Também nos restaurantes e lojas se nota essa amabilidade: ontem fiquei surpreendido quando, numa loja onde eu estava a querer comprar um carregador de pilhas, dado que ele só tinha uns carregadores caros, levou-me a uma outra loja onde os tinham mais baratos e, com isso, perdeu uma oportunidade de negócio de alguém que era claramente turista e que não ia lá voltar.

Também nos templos se nota uma grande diferença: estão cheios de gente a rezar e a fazer oferendas e entre a gente notam-se imensos jovens. Na China só se vêem velhos: dá ideia que as pessoas abaixo dos 50 anos já tiveram uma lavagem cerebral e só pensam em dinheiro e na carreira, vendo a religião e os bons costumes como superstições.

Não conheço muitos outros países ex-Comunistas, mas gostaria de saber se quem os visita também sente que eles perderam algo do seu espírito antigo...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Passagem de Ano no 101

Entre outras sítios onde os estudantes nos levaram, no dia 31 de Dezembro levaram-nos ao fogo de artifício do 101. O dito cujo 101 é o 2º mais alto edifício do mundo que, até há uns dois anos foi o mais alto e é o símbolo de Taipei.

No entanto, nada nos tinha preparado para aquilo: estavam lá 700 mil pessoas (mais do que a população de Macau inteira), na sua grande maior parte abaixo dos 30 anos. Agora, se uma população de 700 mil jovens brancos se juntassem para um evento daqueles, é certo e sabido que ia haver muito alcóol, muitas bebedeiras, desordens, confusões e, muito provavelmente, uns muitos a fumar substâncias pouco legais.

Mas não ali. Estavam todos muito ordeiros a beber os seus chás e as suas águas, a conversar e a jogar jogos e a assistir a um concerto. Mesmo os que tinham um aspecto mais alternativo, com os cabelos no ar e umas roupas muito alternativas, estavam lá muito calminhos e muito ordeiros com os seus chás e as suas comidas e os seus jogos.

O fogo de artifício começou à meia noite e terminou uns 10-15 minutos mais tarde tendo o 101 ficado a dizer ROC (em que o O era um coração) 100, para comemorar os 100 anos da República da China (ROC = Republic of China).

No momento em que acabou toda aquela multidão, ao mesmo tempo mas ordenadamente, começou a sair. Agora, dá para imaginar o que é uma multidão de 0,7 milhões de pessoas ordeiras a sair de um lugar, não dá? MUITO LENTO! Só para sairmos da área onde estávamos levámos 1 hora, mais uns 45 minutos depois disso a caminhar até ao hotel porque era impossível apanhar um táxi ou entrar no metro. Era impossível, mas note-se: tudo muito ordeiro, ninguém a atropelar-se, ninguém a fazer muito barulho, mas todos muito animados a conversar baixinho. Claro que os que iam à nossa volta (dos estrangeiros que falavam Inglês) iam muito calados para ouvir a nossa conversa e, julgo eu, poderem treinar o Inglês. Já agora, dado que dos 3 professores que lá estavam, os outros eram um Singapurino e um Chinês (Continental), sem dúvida que o alvo de curiosidade mais forte era eu mas, mesmo assim, ninguém se metia connosco ou sequer olhava demasiado. Nós só percebiamos que nos estavam a ouvir porque se riam quando nós dizíamos graças…

E, já agora, um óptimo ano de 2011 a todos os leitores deste quase que falecidíssimo mas a tentar ficar ressuscitadíssimo blog!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Universidade de Chousow

Pois é verdade, passei uns simpáticos dias na Ilha Formosa. O primeiro motivo pelo qual cá vim foi para uma conferência na Universidade de Chousow e não podia ter ficado mais bem impressionado. Para além de ficarmos (os conferencistas) lindamente instalados, ainda tivémos uns estudantes todo o fim de semana a mostrarem-nos Taipei, a levarem-nos a almoçar e jantar, etc.. Verdadeiramente impecáveis!

E o mais impressionante é que, mesmo quando nos deixavam tarde de noite no hotel, no dia seguinte de manhã estavam lá com o ar mais satisfeito deste mundo de manhã à nossa espera.

Dois deles, já completamente fora daquilo que a Universidade lhes pediu, ofereceram-se para no próximo fim de semana, quando eu regresso a Taipei para apanhar o avião para Macau, irem comigo a uma montanha com termas – as termas são uma coisa muito típica de Taiwan e muito imbuída na cultura deles… Não se podia esperar mais!