segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Noite de insatisfação... Ou talvez não!

A minha primeira reação aos resultados de ontem à noite é que não pode ter havido quem tenha ficado satisfeito. Escrevo, é claro, acerca dos resultados eleitorais, não do resultado do Sporting, que deixou muita gente satisfeita.

Quem, como eu, queria a continuação de uma política de austeridade, quer dizer contenção da despesa pública e boa gestão dos nossos impostos, apenas ficaria satisfeita com uma maioria absoluta do PàF. Quando, com as primeiras projeções da UCP para a RTP se viu que os 116 eram o limite máximo e improvável, eu fiquei logo pessimista.

Quem, pelo contrário, barafusta contra a austeridade e quer ou um maior endividamento das gerações futuras ou uma subida de impostos para que o estado possa voltar ao regabofe pré-2011 também não ficou satisfeito. Afinal de contas o PàF manteve a maioria, mesmo que relativa.

Poder-se-ia dizer que o crescimento do Bloco de Esquerda teria agradado, ao menos, a esses Sryzicos Portugueses. Esses podiam sonhar um governo de coligação com o PS e a maior Helenização de Portugal. No entanto, dado que PS + BE juntos não atingem uma maioria absoluta e nem mesmo eles consideram possível levar um partido Estalinista como o PCP para o governo (espero eu que eles considerem isso), esse projeto bloquista também caiu por terra.

Mas ao longo da noite dois pontos positivos me foram fazendo mais otimista.

O primeiro ponto positivo é que a abstenção desceu muito. A abstenção é, normalmente, sinal de um completo desinteresse pelo gestão do bem comum. Digo normalmente porque como já aqui disse antes, tudo no nosso sistema eleitoral dificulta as pessoas votarem. Conheço muita gente que queria votar e não pode pelas mais variadas dificuldades. Mesmo assim, apesar das dificuldades, a abstenção caiu.

O segundo ponto positivo é que o Costa I, o radical extremista que afirmou que nunca aprovaria o programa de governo ou um orçamento de estado feito pela coligação PSD/CDS-PP, morreu na noite das eleições para renascer em seu lugar o Costa II que diz que, satisfeitas quatro condições pode negociar uma viabilização do governo. Nada como uma boa derrota para tornar as pessoas mais flexíveis.

Agora esperamos as conversações dentro dos partidos para que possa haver uma solução governativa para os próximos tempos. Dificilmente para os próximos quatro anos, mas enfim...