terça-feira, 14 de julho de 2009

Caracteres Chineses

Há dois fins de semana fui a Zhuhai comprar os DVDs e as roupas falsas do costume e vi uma tshirt muito gira com caracteres chineses. Ora, alguém que conhece bem os chineses como eu, mesmo não percebendo chinês, adivinha logo o que deverá lá estar escrito: "paz, prosperidade, abundância..."
E foi isso que eu disse à Raquel. Ora ela, de espírito mais desconfiado do que eu, disse que bem que poderia ser outra coisa mas eu, confiante no meu profundo conhecimento do espírito chinês, comprei a dita tshirt da paz e do amor.
No Domingo, como ia passar a tarde numa esplanada à beira-mar decidi ir à Missa de manhã, pelo que fui em português e decidi estrear a tshirt da prosperidade e da longa vida. Na Missa em português as pessoas poderiam mais facilmente compreender a lindíssima mensagem da tshirt, dado que a maioria são Macaenses que compreendem bem o chinês e o português.
Saído da Missa, fui almoçar e a Jennifer, uma amiga chinesa começou a rir-se da minha tshirt. Eu já tinha reparado que havia de vez em quando uns sorrisos na rua e achei que os chineses estavam a gostar que eu lhes estivesse a desejar longa vida e amizade, mas a Jennifer não sorriu para mim, riu-se de mim!
Pois, a tshirt afinal, explicou ela, não dizia bem aquilo que eu tinha a certeza que queria dizer. Na frente dizia qualquer coisa do género "porra, sou solteiro!" (it means I'm single but swearing about it) e atrás "não tenho mulher."
Não é que seja mentira...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pelo sonho é que vamos...

Hoje sonhei que estava na quinta da Olaia, a casa de uns primos em Ourém. Há dois anos que já lá não vou, mas costumava ir sempre lá depois do almoço e antes do jantar no dia de Natal só para desejar boas festas e visitar uns tios e uns primos que via uma vez por ano.
É estranho isto de ver uma parte da família apenas uma vez por ano, mas não é por isso que os sinto menos primos: quando entro lá em casa sinto-me sempre tão bem recebido que, mesmo que só lá esteja uma hora por ano, sinto-me perfeitamente em casa e sinto aqueles primos como bem próximos.
Uma vez, tinha eu recebido uma gravata no Natal, e o meu primo António, lá da Olaia, esteve-me a ensinar a fazer o nó Windsor, nó que ainda hoje faço sempre que uso gravata.
Vai daí, logo que acordei decidi escrever um mail a este primo do nó Windsor. Não acredito que os sonhos sejam prenúncios de nada mas se num sonho me lembro de alguém de quem gosto e com quem já não contacto há muito tempo, lembro-me que é hora de entrar em contacto, nem que seja só para dizer um olá...
O SONHO
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos?
Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que desconhecemos
E ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

terça-feira, 7 de julho de 2009

Já não há espaço!

Macau tem especificidades muito próprias e ou bem que uma pessoa adora, se adapta lindamente e nunca mais quer sair daqui, ou bem que não se dá bem e passa o tempo aqui a pensar em sair. Infelizmente, eu estou no segundo grupo...
Agora que a tese me corre bem, o trabalho na faculdade também, gosto de estar numa casa nova com piscina (adoro a piscina!) por vezes sinto mesmo que estou no primeiro grupo. Tudo isso a juntar ao facto de ter uns quantos bons amigos com quem posso contar, com quem me divirto e com quem tenho óptimas conversas, tudo parece ser uma altura de adaptação e de contentamento com Macau.
Claro que as saudades de casa, da família dos bons amigos que estão a casar ou a ter filhos e que eu não posso estar lá para viver com eles essas experiências estão sempre presentes, mas passado um (grande) bocado a pessoa habitua-se a viver constantemente com o tal aperto lusitano no peito a que chamamos saudade.
Mas porque é que não me habituo e adapto?
Macau é uma grande mínima cidade. É grande porque aqui vivem cerca de 600 mil pessoas, mais do que Lisboa (nao contando com arredores). Mas é mínima porque de toda esta gente, a maioria não fala bem nenhuma língua em que eu consiga conversar; é mínima porque mesmo na minoria que fala uma das línguas em que eu consigo conversar, não é fácil criar laços porque a mentalidade tende a ser tão absolutamente diferente, que as conversas são mais desbravar mato que percorrer caminhos comuns; é mínima porque na minoria dentro da minoria com quem conseguimos criar laços, muitos estão de passagem e vão-se embora deixando aquela constante saudade de casa ainda maior com saudades dos que já conheci cá.
E a certa altura parece que já não há espaço para mais. Não há espaço para acolher novas pessoas estando já tão cheio de saudades das antigas!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Acumpunctura

Pois, esta coisa da saúde é um mistério para mim...
Há cooisa de um mês acordei de um dia para o outro com três dedos dormentes, a saber, o do meio da mão esquerda e os mindinho e anelar da mão direita. Passada uma semana deste estranho sintoma, decidi ir a um médico Macaense (porque esses falam Português e são licenciados em Portugal). Ele estranhou este sintoma e mandou-me fazer uns raios X, pelos quais concluiu com espanto que eu tinha uns inícios de bicos de papagaio e que era isso que estava a interferir com os meus nervos da mão.
Receitou-me uns comprimidos e mandou-me para a acumpunctura, porque isso revitalizaria o sistema nervoso, pelo que hoje lá fui pela primeira vez à acumpunctura em Macau.
O médico, um senhor já de uma certa idade, falava mal Inglês mas conseguiu explicar a estranheza da minha coluna. "Você tem musculatura de jovem desportista e coluna de pessoa de meia idade sedentária!" Sim, os médicos chineses tendem a ser assim directos e sem rodeios...
Depois disso sentei-me num banco debruçado sobre uma cama, ele espetou-me 5 agulhas em sinal de cruz e fiquei ali parado 20 minutos com as agulhas espetadas no pescoço. Já estava meio a dormitar quando ele me veio tirar as agulhas e me mandou voltar todas as semanas.
Por isso agora, todas as semanas vou lá a Macau fingir que sou uma almofada de alfinetes.
É uma vida dura, mas alguém a tem que viver!