quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sistema eleitoral

O último dos (poucos) posts deste ano vai para mais uma reflexão sobre a nossa Democracia, ou falta dela. Para além da óbvia característica da proteção dos direitos e liberdades dos cidadãos, a outra principal característica da Democracia é que os cidadãos elegem os seus representantes. Mas será que isso acontece em Portugal? Basta pensar 5 segundos para se entender que não.
Quando vamos às urnas, não votamos em pessoas, votamos numa lista fechada de pessoas sobre a qual 97% dos cidadãos não tem qualquer controlo, como muito bem explica o André Corrêa d'Almeida no seu mais recente artigo. Ora, até pode acontecer que essas pessoas tenham muito em comum, mas isso é pouco provável. As pessoas, graças a Deus, são muito variadas e podem, pelos mais variados motivos, ter ideias diferentes.
Dou um pequeno exemplo. Eu considero-me mais informado politicamente do que a média dos Portugueses (gaba-te cesto...) mas não fazia a mínima ideia quem eram os deputados que me representavam. Nas últimas eleições votei no círculo de fora da Europa e apenas sei que o cabeça da lista na qual votei é hoje Secretário de Estado das Comunidades, logo, não é deputado. (Para além do mais acho que está a fazer um péssimo trabalho, mas isso é outra conversa) Fui agora ver e os "meus" representantes no Parlamento são uns tais de Carlos Páscoa Gonçalves e de Maria João Ávila. Não faço a mais pálida ideia de quais são as convicções políticas destes dois indivíduos e mesmo assim levaram o meu voto.
E o mesmo se pode dizer dos três grupos parlamentares Democráticos. Em todos eles se misturam pessoas com quem me identifico bastante, pessoas com quem não me identifico minimamente e pessoas que desconheço por completo. Não sei se de fato há uma relação entre saber em quem votamos e o nível de desenvolvimento económico do país, como escreve o André CdA. Mas com certeza que existe essa relação entre sabermos em quem votamos e sentirmo-nos mais responsáveis pelos destinos do nosso estado. E a isso chama-se Democracia.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sozinho V Acompanhado

Prefere estar sozinho ou acompanhado?
Perante esta pergunta eu só consigo responder: depende mesmo muito do que estou a fazer. Há certas atividades em que eu prefiro estar sozinho como por exemplo, ler um livro. Isto pode acontecer em casa, num parque ou onde quer que seja, mas é melhor estar sozinho porque detesto ser interrompido enquanto leio. Aliás, para comprar livros também prefiro a solidão. E para ir ao ginásio... Não compreendo mesmo o conceito de "gym buddy" - já experimentei e não adorei.
Há outras atividades em que tenho que estar acompanhado. Já me apercebi, por exemplo, que a enorme angústia que sinto de cada vez que preciso de comprar roupa é minorada se o fizer com amigos. Ir a um cinema, a um bar ou a restaurante sozinho são atividades que eu nunca experimentei nem tenho vontade de experimentar.
Há ainda outras atividades que posso fazer sozinho ou acompanhado. Passear pelas montanhas ou praia, ir a um café, viajar de mochila às costas ou ver um filme em casa são tudo atividades em que vejo grandes vantagens quer na solidão quer na companhia.
Em tudo isto não encontro um padrão. Porque é que só consigo comprar livros sozinho e angustia-me entrar numa loja de roupa se não for acompanhado? Porque é que partilho o meu tempo de filmes mas não de leituras? Porque é que até gosto de ir a um café sozinho mas nem morto me apanham num bar ou restaurante apenas comigo mesmo? Ou porque é que vou correr com amigos mas não ao ginásio?
Estas e outras intrigantes perguntas acerca da minha pessoa poderiam ser analisadas por um psicólogo. Até talvez uma tese de doutoramento. Algum psicólogo que siga este brilhantíssimo blog e que queira escrever uma tese sobre mim?
Acho que a resposta é não... Os únicos psicólogos que eu conheço não entendem Português.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Regresso ao Zoo

Há muitos, muitos anos trabalhei durante um mês no Jardim Zoológico de Lisboa. Mais precisamente trabalhei numa esplanada a fazer pizzas, vender gelados, etc. Foi uma boa experiência de Verão para um miúdo de quase 15 anos mas acima de tudo permitiu-me conhecer o zoo de lés a lés já que o precorria às horas de almoço.
Hoje, na qualidade de tio, regressei pela primeira vez lá em quase vinte anos. E notei que pouco mudou... Note-se já aqui duas coisas más. A primeira é que só regressei ao zoo ao fim de quase vinte anos para levar os meus sobrinhos. O motivo é óbvio: os preços são incomportáveis. Aquilo que deveria ser uma atividade para qualquer Lisboeta ir pelo menos uma vez por ano (é o melhor zoo da Europa, há que aproveitar) torna-se uma excentricidade. Nem desconto de estudante dão! A segunda é que nada mudou... Poucas obras foram feitas e a decadência de certas partes é notável.
Não fosse o zoo tão caro, talvez nos últimos vinte anos eu lá tivesse ido umas cinco ou seis vezes em vez de uma. Afinal de contas, não só sou um emigra (e os emigras gostam de ver as coisas boas da sua terra). Para além disso, já mostrei Lisboa a uns quantos amigos estrangeiros  nos últimos tempos e nunca escolhi levá-los ao zoo precisamente por estes preços astronómicos.
Se me perguntarem se vale a pena pagar este dinheiro para ir a um dos melhores zoos da Europa eu responderei que sim. Mas se me perguntarem se eu estou disposto a gastar €18.50 para repetir a experiência anualmente eu já terei que responder que não.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sócrates em Évora

O Soares já lá foi, o Alegre vai lá agora... Foi simpático da PGR mandar o Sócrates para Évora. Assim os visitantes podem visitar também a Capela dos Ossos.