Quando eu vivia na China, a minha amiga Lisa costumava ir a umas massagens de cegos e dizia que eram espetaculares porque a falta que eles têem na visão compensam com o tacto.
Ora, tendo isto em mente, num dia em que o C. e eu estávamos mais cansados e precisámos de algo para dar nova vitalidade a estas velhas carcaças, mais precisamente, o dia de Natal, decidimos ir a uma massagem e fomos a uma massagem de cegos.
Ora, quando um lá foi para o seu compartimento e, para terdes uma noção do que fui a massagem, adormeci! Ou seja, foi tão fraquinha, tão fraquinha, que eu mal a senti.
Vai daí, quando saímos de lá, ao comentarmos as nossas massagens, concluímos que precisávamos de uma outra (e assim se passa um fim de tarde de Natal). Fomos procurar o segundo lugar que nos tinha sido recomendado no nosso hotel e, ao chegar lá, optámos por shiatsu, uma massagem Japonesa.
Ora, a rapariga que me caiu na rifa parecia que não gostava muito de mim, porque me enfiava os dedos entre os ossos, punha-me pedras a escaldar nas costas e fazia-me trinta por uma linha. Ante a minha cara de dôr, ela ria... RIA! Achais normal?! Vai daí, o C., do outro lado do biombo, só perguntava o que ali se estava a passar, ao que eu respondia que achava que a rapariga tinha sido contratada pelos meus opositores políticos que não querem que eu chegue a São Bento.
Ela começou a enfiar-me os joelhos e os cotovelos pelas costas adentro, dava-me palmadas nas pernas que se deviam ouvir lá fora e o diabo A4! Quanto mais dôr este vosso humilíssimo amigo mostrava, mas a piquena se ria e eu já me estava a passar com aquilo!
Com algum alívio, a certa altura ouvi o alarmezinho que indicava que a minha hora de tormento tinha chegado ao fim, mas isso não impediu a rapariga de tentar o seu último e maquiavélico truque. Sentou-me com as pernas cruzadas, sentou-se atrás de mim e sentou-se puxando-me pelos braços para eu ficar em cima dos joelhos dela. Mas, dado que as minhas costas estavam todas oleadas, eu escorreguei e caí para o lado e aí comecei eu a rir-me de exaustão e ela não parava de rir também.
Vai daí, veio a massagista do C. para o nosso lado do biombo, enquanto o C. só perguntava "but what the hell is going on there?!" e eu lá me continuava a rir.
Nesse momento, a rapariga lá me sentou outra vez (e eu, aliviado, a pensar que a coisa tinha acabado), põe-se de novo com os joelhos contra as minhas costas e enquanto a massagista do C me puxava as pernas como se não houvesse amanhã, esta lá me pôs deitado de costas nos joelhos dela e puxava-me os braços para posições que o meu corpo considerava impossíveis enquanto que eu já berrava "aiiiiiii... aiiii... Chris, save me from these maniacs!"
Quando ela deu por terminado o sofrimento que me infligiu, ria que nem uma perdida e lá se foi embora com as mãos na barriga de tanto rir. Fiquei prostrado uns 10 minutos sem me conseguir mexer enquanto que o C só dizia que eu era um sortudo porque ele mal tinha sentido a massagem... Insultei-o! E um bom Natal!