segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Diogo no campo

Nesta minha viagem que dava para escrever uma colecção ilustrada para miúdos quase tão interessante como a Anita: "Diogo de mota em Saigão", "Diogo come gafanhotos", "Diogo no campo"...
Pois é, não é que eu seja uma rapazinho do campo e que tenha crescido a meter a mão para dentro das vacas a ver se a cria está a correr bem, mas digamos que tenho alguma experiência de passar férias na quinta da famelguinha na Mesquitela. Lembro-me de ir colher figos de manhã de podar os buchos e, quando era mesmo pequeno, lembro-me de lá termos galinhas e coelhos e de ver matar um coelho. Devia ser uma criancinha muito insensível porque não fiquei por aí além traumatizado...
Pois no Cambodja também tive oportunidade para conhecer um bocadinho do campo em redor de Phnom Pen e de mostrar os meus dotes Mesquitelanos. Foi ver o Diogo a colher fruta, ver o Diogo a conduzir um carro de bois... O Diogo parecia que tinha crescido no campo no Cambodja, com aquela particularidade de ter saído mais clarinho.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Não hei de morrer estúpido


Gosto imenso da expressão "não hei de morrer estúpido" para quando uma pessoa experimenta uma coisa nova. Durante a minha viagem ao Vietnam e Cambodja estava sempre a usar essa expressão quando fazia ou provava alguma coisa estranha. O que aqui podeis observar na fotografia é uma aguardente de arroz como tantas outras, mas tem lá dentro uma cobra, como é bem fácil de reparar, dado que não é uma daquelas cobras que passam despercebidas.
Já muitas vezes bebi aguardente de arroz pura e na China também provei uma com minhocas (ou lesmas, não sei bem) lá dentro. Comparada com essa, esta de cobra é para amadores, dado que não se bebe a cobra e na outra engolia-se uma minhoca (ou a lesma ou lá o que aquilo era) em cada shot (e nessa noite bebi muitos shots).
Já outra coisa que eu também comi no meu primeiro dia em Saigão por ignorância, dado que não sabia o que estava a pedir, foi sapo.
Mas uma das coisas que eu mais queria comer no Vietnam mas só já encontrei no Cambodja era gafanhotos fritos. Aqui, podeis ver-me a comer um gafanhoto depois de ter comprado todo um pequeno saco cheio de gafanhotos e grilos. Até que gostei, mas o problema está em serem fritos: acabam por ficar um bocadinho gordurosos e indigestos. Ao fim de uns 5 gafanhotos e uns outros 5 grilos já estava um bocadinho enjoado - demasiada gordura para antes do almoço, pelo que acabei de comer tudo ao lanche.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Massagens

Quando eu vivia na China, a minha amiga Lisa costumava ir a umas massagens de cegos e dizia que eram espetaculares porque a falta que eles têem na visão compensam com o tacto.
Ora, tendo isto em mente, num dia em que o C. e eu estávamos mais cansados e precisámos de algo para dar nova vitalidade a estas velhas carcaças, mais precisamente, o dia de Natal, decidimos ir a uma massagem e fomos a uma massagem de cegos.
Ora, quando um lá foi para o seu compartimento e, para terdes uma noção do que fui a massagem, adormeci! Ou seja, foi tão fraquinha, tão fraquinha, que eu mal a senti.
Vai daí, quando saímos de lá, ao comentarmos as nossas massagens, concluímos que precisávamos de uma outra (e assim se passa um fim de tarde de Natal). Fomos procurar o segundo lugar que nos tinha sido recomendado no nosso hotel e, ao chegar lá, optámos por shiatsu, uma massagem Japonesa.
Ora, a rapariga que me caiu na rifa parecia que não gostava muito de mim, porque me enfiava os dedos entre os ossos, punha-me pedras a escaldar nas costas e fazia-me trinta por uma linha. Ante a minha cara de dôr, ela ria... RIA! Achais normal?! Vai daí, o C., do outro lado do biombo, só perguntava o que ali se estava a passar, ao que eu respondia que achava que a rapariga tinha sido contratada pelos meus opositores políticos que não querem que eu chegue a São Bento.
Ela começou a enfiar-me os joelhos e os cotovelos pelas costas adentro, dava-me palmadas nas pernas que se deviam ouvir lá fora e o diabo A4! Quanto mais dôr este vosso humilíssimo amigo mostrava, mas a piquena se ria e eu já me estava a passar com aquilo!
Com algum alívio, a certa altura ouvi o alarmezinho que indicava que a minha hora de tormento tinha chegado ao fim, mas isso não impediu a rapariga de tentar o seu último e maquiavélico truque. Sentou-me com as pernas cruzadas, sentou-se atrás de mim e sentou-se puxando-me pelos braços para eu ficar em cima dos joelhos dela. Mas, dado que as minhas costas estavam todas oleadas, eu escorreguei e caí para o lado e aí comecei eu a rir-me de exaustão e ela não parava de rir também.
Vai daí, veio a massagista do C. para o nosso lado do biombo, enquanto o C. só perguntava "but what the hell is going on there?!" e eu lá me continuava a rir.
Nesse momento, a rapariga lá me sentou outra vez (e eu, aliviado, a pensar que a coisa tinha acabado), põe-se de novo com os joelhos contra as minhas costas e enquanto a massagista do C me puxava as pernas como se não houvesse amanhã, esta lá me pôs deitado de costas nos joelhos dela e puxava-me os braços para posições que o meu corpo considerava impossíveis enquanto que eu já berrava "aiiiiiii... aiiii... Chris, save me from these maniacs!"
Quando ela deu por terminado o sofrimento que me infligiu, ria que nem uma perdida e lá se foi embora com as mãos na barriga de tanto rir. Fiquei prostrado uns 10 minutos sem me conseguir mexer enquanto que o C só dizia que eu era um sortudo porque ele mal tinha sentido a massagem... Insultei-o! E um bom Natal!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cuchi




GOOOOOOD MORNING VIETNAM!
Pois é, este é apenas mais um dos muitos filmes que toda a gente conhece sobre a guerra do Vietnam, aquela que é sem dúvida uma das mais mediáticas guerras do século passado.
No entanto, é mediática porque lá esteve em força o povo que mais filmes produz, o povo Americano, pelo que acabamos por ouvir sempre a versão Americana da guerra.
Do outro lado da guerra estavam os vietcongs. Conhecer a forma como um povo com poucos recursos se bateu e venceu a grande potência militar do mundo é muito esclarecedora.
As fotografias que aqui mostro aos ilustríssimos leitores deste humilíssimo blog localizam-se na área de Cuchi. Ao longo de toda a guerra da independência contra a França e depois de reunificação contra os EUA, os Vietcongs foram escavando uma rede de túneisque os levava desde o Cambodja até Saigão (a base dos Franceses e Americanos). Mas, para além de lhes permitirem andar de um lado para o outro sem serem detectados, os túneis serviam também de esconderijo, de morada e de tudo o mais.
Lá eles viviam anos a fim e de lá lançavam os seus ataques surpresa contra os Americanos.
As condições em que eles viviam permitem-nos concluir duas coisas:
1) eram osso duríssimo de roer para conseguirem sobreviver daquela forma;
2) eram completamente fanáticos para não cederem naquelas condições anos a fim.
A segunda fotografia, na qual se vê o macérrimo (bolas, o superlativo de magro não vem com íssimo!) autor deste blog a entrar por um buraco a dentro é isso mesmo, um buraco. Havia buracos destes, mínimos, espalhados pela selva e, sempre que um Vietcong estava a ser perseguido escondia-se lá durante horas sem fim. Vá, não é muito de admirar que eu consiga, mas devo confessar que fiquei admirado quando um outro turista Inglês também conseguiu. O rapaz devia ter quase dois metros de altura com uns ombros que também deviam medir uns dois metros. Pois que lá se estreitou feito rato e entrou! Já o meu amigo Christiaan decidiu não experimentar devido à sua... Base para copos, que é como ele chama a barriga, dado que, estando sentado lá consegue pousar um copo.
Recomendo vivamente esta visita, apesar de serem três horas dentro de um mau autocarro até se chegar lá vindo de Saigão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tráfego em Saigão


A minha primeira impressão de Saigão foi de espanto. Espanto porque nunca na minha vida tinha visto uma cidade com o trânsito tão maravilhosamente caótico como Saigão.
Vou brincar agora ao imagine-se...
- Imagine-se uma cidade com qualquer coisa como entre 5 e 6 milhões de aceleras...
- Imagine-se uma cidade onde andar em contra-mão é apenas uma das várias formas de se conduzir...
- Imagine-se uma cidade em que para qualquer manobra, seja esta ultrapassagem, seja o que for, se apita para se dar a conhecer que se está prestes a realizar uma manobra...
- Agora imagine-se tudo isto junto mas com boa disposição: se apitas, se estás em contra-mão, se acabaste de bater contra a minha acelera... Não faz mal! Neste último caso trocamos umas calmas palavras, avaliamos prejuízos e, se estes não forem de grande monta, não vale a pena perder muito tempo e lá continuamos no nosso caminho.
Ah, já agora, porque em Saigão fui mais peão do que outra coisa: imagine-se atravessar uma estrada com aceleras e carros a passarem a centimetros de nós pela frente e por trás e nunca haver azar! Eu já nem olhava! Mas dizia sempre uma oração que me parecia apropriada: "though I walk through the valley of the shadow of death, I will fear no evil!"
Isto, prezadíssimos, inteligentíssimos, fantastiquíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores deste blog, é Saigão!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uón dolá Mr.!


Quem quiser viajar pelo Sudeste Asiático pode estar certo de duas coisas:
1) Vai ver lugares e pessoas lindas;
2) Vai ter pessoas a tentar vender tudo e mais um par de botas a cada 3 minutos.
"Books, Mr.?"
"Buy bracelettes, Mr.! Just one dolá!"
E usam todas as técnicas para nos fazerem comprar:
Uma miúda de uns sete anos: "Mr.: If you don't buy, I'll cry!"
Eu: "Yeah! Cry, go ahead, cry! I looooove to see little children crying!" (a Lonneke, Holandesa, ficou chocada com esta minha resposta)
Uma mulher na rua en Nham Trang: "Mr. you have beautiful blue eyes! Buy bracelettes for your girlfriend!"
Eu: "I don't have a girlfriend!"
Ela: "That's because you don't buy them bracelettes!" (comprei-lhe três pulseiras)
Um miúdo na rua em Siem Reap (eu nunca compro coisas a miúdos porque acho que têm é que ir para a escola): "Mr.! Buy me books!" (ele é que estava a vender...)
Eu: "No, your books are all very sad, I don't like to read sad things!" (no Cambodja só vendem uns livros muito deprimentes sobre os Khmer Rouges... Para dar um exemplo, um chamava-se "First they killed my father" - de cortar os pulsos com a faca serrada do pão, no mínimo!)
Ele: "Then buy me postcards!"
Eu: "No, I have no friends, nobody likes me, to whom would I send the postcards?"
Ele: "OK, then play tic-tac-toe with me!" (jogo do galo)
Eu: "Let me guess... If I loose, I'll have to buy the postcards, right?"
Ele: "Off course!" (joguei, perdi, comprei - abri uma excepção para nunca comprar a miúdos)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quero ver os peixes a bailar...


Tem sido já um programa a não perder nas minhas viagens por estas bandas, ir mergulhar.
É todo um mundo diferente o que se vê lá em baixo! Tal como "cá em cima", também lá em baixo se vêem paisagens naturais, tão ou mais bonitas que aquelas que se vêem acima da água e se descobre a História das gentes, em navios naufragados.
É claro que o mais importante é que se vê toda uma sociedade diferente da nossa: a dos animais subaquáticos: desde lesmas cheias de cores, a peixinhos pequenos que se alimentam da limpeza que fazem aos peixes maiores, a raias, cavalos marinhos, corais...
Todo um mundo apenas acessível a quem quiser mergulhar para o ver.
Conselho gratuito: se querem mergulhar numa destas viagens, não esperem até ao último dia para o fazer, dado que não podem andar de avião 24h depois de mergulhar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Room 202

Começámos a nossa viagem por Nha Trang, uma praia uns 200kms a Norte de Saigão. Normalmente as pessoas gostam de acabar as férias com uns diazinhos de praia, mas isso é porque não são tão altruístas como eu. Eu não quero ter a família lá em casa preocupada com a minha saúde, pelo que gosto de me bronzear logo no princípio para a família ter noção de que a Ásia não me anda a fazer mal quando vê as fotografias do resto da viagem. Tudo os outros, tudo os outros...
Ora em Nha Trang ficámos num hotel com pessoal muito engraçado, um deles este rapaz que se vê na fotografia, que era o recepcionista durante o dia. Ora, depois de levarmos as coisas para o quarto, o C. e eu fomos fazer uma reserva para no dia seguinte fazermos um cruzeiro pelas ilhas. Eis que vem uma rapariga Indiana muito bem parecida pedir as chaves e quando ela se afastou eu sou capaz de, discretamente (como é meu apanágio), ter comentado com o C. sobre o aspecto saudável da rapariga.
Ora, lá acabámos de fazer a reserva e, quando já estávamos a ir embora, o rapaz diz-nos "room 202!" Eu, puro e inocente como um pequeno cordeiro, logo respondi "no, no... we're in room 702!" ao que ele respondeu "no, the girl is in room 202!" Malandragem!


Viagem pela Indochina: Christiaan

Pois que começo o ano a desejar a todos os 2 ou 3 leitores deste brilhantíssimo, viajadíssimo, fantastiquíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog um óptimo ano de 2010!
E aqui começam as descrições da minha viagem pela Indochina durante o Natal / Ano Novo, com algumas fotos para aguçar a vontade de viajar por estas bandas.
Para começar, o primeiro post é para descrever a personagem com quem viajei: o Christiaan (sim, tem dois As, não foi erro).
Pois que o rapaz é um Australiano, amigo de amigos, que eu apenas conheci para aí uns 3 meses antes de partirmos em viagem. Logo que nos conhecemos, começámos a falar sobre viajar, eu disse que ia viajar para algures durante o Natal e Ano Bom a não ser que a minha amiga Inês mudasse a data do casamento para o meio das festas (o que a essa altura já era muito pouco provável e, de facto, não aconteceu). Ele disse que também queria viajar porque estava há um ano em Macau e não tinha ido a lado nenhum.
Logo aí começamos a ponderar destinos juntamente com a Mari e a Ana, ambas estavam a considerar juntar-se mas desistiram, pelo que fomos nós os dois.
Para alguém que eu conhecia há muito pouco tempo, tive muita sorte, que ele é um pachorrento cheio de paciência. Devo confessar que é precisa alguma dose de paciência para conviver comigo duas semanas em viagem.
Para começar porque eu não adiro a estados de espírito durante as viagens. Toda a gente tem os seus estados de espírito, certo? De vez em quando felizes, outras tristes e ajuda quando o companheiro de viagem compreende e adere a esses estados de espírito. Ora eu não sou assim: enquanto estou a viajar estou sempre elétrico a querer fazer coisas e posso não ser a melhor companhia para alguém com nostalgia. Ora, o rapaz é como eu, sem grandes flutuações de espírito.
Outra coisa que não ajuda é que ele levanta-se da cama e passados 5 minutos está pronto para sair, enquanto que eu levava pelo menos 40 minutos entre estar sentadinho a "pensar na vida", tomar banho e vestir-me e ele acabava por estar todas as manhãs à minha espera, mas não se queixou nem uma vez.
E falando em vaidades: oq eu eu gosto de ser fotografado! A fazer poses de modelo (a minha amiga Raquel é igualinha a mim! viva!), a fazer estupidezes, o que quer que seja. E o pior é que gosto que os outros fazem as mesmas estupidezes e ele aderia bem (na maior parte das vezes).
Por último não é fácil encontrar alguém que esteja sempre disponível a comer comida de rua no meio da Ásia e eu é isso mesmo que gosto. O que vale é que o Christiaan aderia a tudo, por mais nojento que o lugar parecesse, por mais saltitante que a comida ainda estivesse antes de entrar para a frigideira ou por mais encardidos que estivessem os panos que limpavam as mesas e os talheres...
Do lado negativo aparece apenas que o rapaz viaja com um touro Escocês chamado Sven porque gosta de tirar fotografias como no filme da Amélie Poulain com o bicho nos lugares mais exóticos. Eu ainda sugeri que ele desse a criatura a umas crianças pobres, mas ele não se livrava do Sven (nome do bicho) nem tinha pena do meu apuradíssimo e lusitaníssimo sentido do ridículo e tirava o bicho para fora da sacola estivesse onde estivesse e com quem estivesse e sacava-lhe uma foto.
A certa altura achei que era mais fácil aturar um touro Escocês que um Português que leva 40 minutos a arranjar-se todas as manhãs e passa a vida a ter ideias para fotografias parvas e desisti de sugerir que ele desse a criatura aos miúdos pobres.


Aqui estão o Christiaan e o Sven.