segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conferências

Aqui há umas semanas o Prof. Paulo Castro, o meu orientador de mestrado sugeriu-me o desafio de participar numa conferência em Banguecoque sobre Direito Europeu. Eu fiquei super contente porque poderia escrever um artigo que seria publicado nas actas da conferência. Isto, é claro, conta como publicação internacional, o que é importante para promoções. Para além disso, seria a oportunidade de conhecer pessoas ligadas à área, etc. Grande oportunidade mesmo!
Hoje convidou-me para outra conferência sobre Direito Internacional em Taipei. Fiquei parvo! Duas conferências internacionais em tão pouco tempo! Também tenho que escrever um artigo, mas dado que este é na minha área da tese, posso estar a escrever o artigo e a desenvolver a tese ao mesmo tempo, pelo que é só vantagens.
Na semana passada acabei 5 semanas de uma cadeira que estive a dar na Universidade de São José, que é outra Universidade aqui em Macau. Neste momento estou, precisamente, a corrigir os trabalhos dos alunos, para lhes dar as notas e pronto, esse trabalho fica concluído! Assim posso dedicar mais tempo aos artigos e à tese (sem descurar as aulas na Universidade de Macau, claro está).
Estou muito mais animado com o meu trabalho! A certa altura parecia-me que a minha vida profissional estava estagnada, ao que se juntava à sentimental. Agora, pelo menos, só a vida sentimental é que está estagnada... :-) Já não é mau!
E isto segue-se a um fim-de-semana de descanso. Já há cinco semanas que eu não descansava um único dia: todos os dias vinha para o gabinete trabalhar em artigos ou nas aulas da UM ou da USJ, etc.. Soube-me mesmo bem: tive tempo para estar sozinho a passear pelas matas de Coloane; tive tempo para estar com amigos em almoços e jantares; tive tempo para conversar com Deus sobre a vida, pedir-Lhe sinais... E logo que a semana começa, recebo este sinal!...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Papa e o preservativo

A pedido da Xana (nos comentários ao post aqui em baixo), vou aqui deixar a minha humilíssima opinião acerca desta entrevista do Papa em que SS se pronuncia acerca do uso do preservativo. Há que deixar bem claro que esta opinião é de um Católico...
Julgo que em condições normais, estas declarações de SS seriam absolutamente dispensáveis. Ou seja, SS não muda uma vírgula àquilo que a Igreja anda a dizer e escrever há décadas, em encíclicas como a Humanae Vitae e noutras declarações. Mas as condições não são normais, ou seja, a imprensa tanto ataca a Igreja e faz um tão mínimo esforço para compreender o que a Igreja diz, que a Igreja tem de explicar tim-tim por tim-tim aquilo que sempre defendeu.
Para entender o que a Igreja sempre escreveu sobre o preservativo, tem que se entender umas quantas coisas antes.
A Igreja é conduzida pelos homens, dirigida pelos e para os homens mas não vem dos homens. A Igreja vem de Deus. Foi Deus que a criou através do Seu Filho ("tu és Pedro...") e é Deus que a conduz através do Espírito Santo (só é pena que nem sempre os homens entendam o que o Espírito Santo lhes diz).
Sendo de Deus, a Igreja tem a missão dedirigir os homens a Deus. A Igreja tem a missão de converter os "corações de pedra" e transformá-los em "corações de carne." E levar os homens a Deus é apontar-lhes um caminho de libertação e de amor que é muito diferente dos caminhos que nos prendem e submetem, tirando-nos a liberdade. A isto se chama o caminho de Santidade.
As propostas que a Igreja oferece de Santidade incluem vermos nos outros (no próximo) sempre um fim e nunca um meio. Implica que não devemos usar o próximo para nosso prazer. Implica também não usarmos o nosso corpo apenas para nosso prazer mas respeitá-lo como morada do Espírito Santo que é.
Assim sendo, a Igreja tem defendido que a relação sexual serve como expressão máxima de amor entre um homem e uma mulher e entrega absoluta um ao outro. Esta entrega absoluta é como a entrega absoluta ao sacerdócio. Quer isto dizer: "eu sou todo teu, o que quer dizer que não me entrego a mais niguém, para sempre." E quando é que um homem e uma mulher dizem "eu sou todo teu"? No casamento. Vai daí a Igreja tem defendido há muito tempo que a relação sexual se deve apenas dentro do matrimónio.
Ora, se toda a gente no mundo apenas tivesse relações sexuais dentro do matrimónio, as doenças sexualmente transmissíveis deixavam de se transmitir, certo? Se duas pessoas se casam virgens e não "saltam a cerca", como é que podem ter doenças sexualmente transmissíveis? A não ser, é claro, que haja outras formas de transmitir essas doenças, como é o caso da SIDA (sangue, etc.).
Logo, o que a Igreja está aqui a dizer é que se seguir o caminho que Ela propõe - relações apenas dentro do matrimónio - então o preservativo é inútil, pelo menos do ponto de vista da transmissão de doenças. O que todos os jornalistas vêm dizer é que em África não há fidelidade (até parece que na Europa há) e por isso dizer-lhes para não usarem preservativo é irresponsável. Mas o Papa sempre defendeu as relações dentro do matrimónio. Quem as tem fora (e muitos temos telhados de vidro) pois então já está fora do caminho proposto. É o que eu ando a dizer há anos: a Igreja condena quaisquer violações da vida humana, pelo que será idiota discutir se se deve matar com cadeira elétrica ou injeção. Da mesma forma, se se tem relações fora do casamento, também é idiota interrogar-se se estas devem ser com ou sem preservativo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Há tanto tempo...

Dada a minha falta de assiduidade como escritor deste blog, presumo que também já pouca gente venha aqui lê-lo. Assim como assim, já lá vai um mês desde a última vez que escrevi...
E o que é que se tem passado na minha vida? Muita coisa!
Em primeiro lugar, depois de já ter começado a escrever não sei quantos artigos jurídicos, finalmente terminei o primeiro. É sobre um arquipélago do Mar da China Oriental que está em disputa entre a China e o Japão. Aqui há uns meses não se falava de outra coisa por estas bandas por causa de um maluco de um pescador Chinês. Ele andava a pescar naquelas águas, que são patrulhadas pelo Japão, foi apanhado pela patrulha Japonesa e esta madou-o ir embora. Em vez de obedecer, ele decidiu albarroar o barco de guerra Japonês. Isto, considerou ele, era uma missão patriótica. Isso, considerámos nós, os estrangeiros que por aqui vivem, era uma piada que ainda provocou bastantes gargalhadas.
Para além deste artigo, que espero ver publicado em Portugal, já estou quase a acabar um segundo artigo para o buletim da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. Agora que lhe tomei o jeito...
Em segundo lugar durante um mês estou a dar aulas em tempo parcial noutra Universidade, a Universidade de São José. Isto tem sido um bocado duro porque não tenho tido tempo para nada: 3 horas por dia de 2a a 5a para além do trabalho na Universidade de Macau...
Em terceiro, está cá o meu irmão Gonçalo. Veio procurar emprego e, se ele encontrar, vem também a minha cunhada Rita. De um momento para o outro triplica o número de Alvins na China. :-) Estou a gostar muito de cá o ter porque não tenho assim tantas ocasiões para estar com a família e porque é bom misturar um bocadinho o mundo de Macau com o mundo de Lisboa.
Por último, em Fevereiro vou participar numa conferência sobre assuntos Europeus em Banguecoque pelo que já comecei a escrever ainda um outro artigo para essa conferência. Vai ser a primeira vez que vou participar numa conferência fora de Macau e tenho direito a viagem e estadia paga! Yeay! Tenho é que acabar este artigo que ainda mal comecei em um mês para que ele possa ser publicado no livro da conferência.