segunda-feira, 27 de maio de 2019

Noite eleitoral?

Ontem segui a noite eleitoral na TSF, uma rádio que eu considero de referência. Não podia ter ficado mais desapontado... Que pobreza de conteúdos!

Na maior parte do tempo estavam a falar dos resultados em Portugal. Vá, eu sei que é o nosso país, mas nós estamos a falar de um Parlamento com 751 lugares (705 depois do Brexit) dos quais Portugal elege apenas 21. Olhar para estes resultados apenas nacionalmente é de uma parcialidade a toda a prova. No período ainda longo em que os ouvi, nem uma vez explicaram o que eram os diferentes grupos parlamentares Europeus, como tinham sido afectados, etc. Note-se que há muito tempo que os Populares e os Sociais Democratas do Parlamento Europeu conseguiam, juntos, formar uma maioria absoluta e agora não conseguem: teria sido muito importante falar-se sobre isto e sobre as possíveis reconfigurações de voto.

Para além disso, só falavam de política interna. Durante todo o tempo estavam a interrogar-se sobre quais as consequências destes resultados nas diferentes lideranças dos partidos portugueses e nas eleições autárquicas que aí vêm já em Outubro. A mesma coisa acontecia nos raros momentos em que falavam dos resultados nos restantes países: na Grécia Tsipras demitiu-se, em França Le Pen pediu eleições legislativas antecipadas... Mas a pergunta fundamental sobre quem será o novo Presidente da Comissão ou até, mais nacionalmente, o novo Comissário Português nem uma vez se referiu nas duas horas de emissão que eu ouvi.

E depois, a todo o tempo se chorava a subida brutal da abstenção. Digo já que eu acho que a abstenção é uma tragédia da Democracia. O facto de uma grande parte, a maioria da população, nem sequer se dar ao trabalho de ir votar em branco  é, para mim, deplorável. No entanto, no meu entendimento de leigo, sobe a abstenção quando menos pessoas votam. Ora, nestas eleições para o Parlamento Europeu de 2019 votaram, de acordo com o site do MAI,  3.312.579  pessoas. Note-se que, nas mesmas eleições em 2014 tinham votado 3.282.951 pessoas. Isso quer dizer que houve mais 29.628 pessoas a votar, o que é mais do que as populações dos 12 Concelhos menos populosos de Portugal (de acordo com a wikipedia): Monforte, Castanheira de Pera, Arronches, Penedono, Alcoutim, Porto Moniz, Mourão, Alvito, Santa Cruz das Flores, Barrancos, Lajes das Flores e Corvo. Isto quer dizer que em 2019 houve mais do que a população de 12 Concelhos a estar interessada pela UE e pelos seus assuntos do que 5 anos antes... É "poucochinho" mas já é uma evolução positiva.

Não se deu a TSF (repito: para mim uma rádio de referência) ao trabalho de ver que havia mais 900 mil eleitores recenseados. Ora, isto acontece porque passou a haver recenseamento automático. Todos aqueles "Portugueses de conveniência", ou seja, estrangeiros que só mantém a nacionalidade portuguesa porque é bom ter uma nacionalidade UE, nunca se tinham recenseado porque não estavam interessados em votar. De um momento para o outro, são todos recenseados automaticamente e a taxa de abstenção torna-se a mais alta de sempre.

Nota: a TSF "leva na cabeça" neste post porque foi a emissão que eu ouvi... Estou curioso sobre se as restantes rádios e televisões fizeram melhor. Sim, claro... Aposto que foram tão más ou piores!