Depois de andar por aqui e ali, a Mariza deu um concerto no Coliseu dos Recreios que encheu até cima. E quando eu digo até cima, digo literalmente até cima, porque eu estava onde mais alto não podia estar, nas galerias, e aquilo também estava cheio.
Não desiludiu! Cantou, encantou e eu saí de lá com a sensação de que queria mais CDs dela.
Dialogou com o público contando estórias da sua história, cumprimentou os amigos que estavam na plateia, deu um autógrafo a uma miúda de oito anos que foi ter com ela com um bloquinho na mão (a sorte premeia os audazes) e mostrou-se como diva confiante.
Eu, por mim, gosto bastante do estilo diva confiante que nos faz falta em Portugal... Em tempos que já lá vão tivémos a Amália, a Simone de Oliveira, a Madalena Iglésias, hoje em dia temos a Mariza. Faz-nos falta mais.
O fado dela tem toques de samba, morna, jazz e bossa nova: é um fado do mundo, daí ser tão bem aceite fora de Portugal. Não me interpretem mal, sou fã incondicional do fado típico só com as guitarras portuguesa e clássica cantado num ambiente escuro por um(a) fadista vestido(a) de preto gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Apela ao lado fatalista e trágico que de vez em quando se revela em mim e à esperança que ainda tenho que numa manhã de nevoeiro chegue o Dom Sebastião que resgatará o país de sei lá o quê que ele precisa de ser resgatado.
Mas também gosto muito deste fado-canção mais alegre, descontraído e cosmopolita. É um óptimo fado para exportação e também para consumo interno. É um óptimo fado para cantar enquanto limpo a casa ou para ouvir enquanto recebo amigos.
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