terça-feira, 26 de setembro de 2017

Biquinha

A minha vida mudou com o surgimento da Biquinha na minha existência! 
A Biquinha é uma bicicleta elétrica que já me fez deixar de comprar o passe. Diga-se de passagem que eu valorizava muito o meu passe...
A minha ideia, ao comprar a Biquinha, era substituir definitivamente o passe pela Biquinha, mas estou com dúvidas que isso venha a acontecer definitivamente. Em primeiro lugar porque os acessos entre os três lugares para os quais eu mais me desloco durante a semana são muito maus quando feitos de bicicleta, mesmo que esta seja elétrica. Entre buracos e rachas no pavimento, tampas de esgoto mal colocadas, ondas de alcatrão à beira do passeio, trânsito, ruas com aqueles paralelipípedos em vez de alcatrão, rampas íngremes... A vida de um ciclista em Lisboa não é nada fácil!
Claro que há umas mentes não muito brilhantes que gostam de dizer que Lisboa está cheia de ciclovias. Nada mais falso! Há umas quantas ciclovias que terminam inesperadamente e que são substituídas pelo pior dos pavimentos. Dou dois exemplos. De Alcântara até ao Campo Pequeno um ciclista tem de ir sempre na berma da estrada na Av. de Ceuta que, para quem não sabe, tem uma berma de estrada miserável, cheia de tampas de esgoto e buracos. Depois começa a ter ciclovia já quase a chegar à Praça de Espanha que logo a seguir à dita praça vira para a direita, pelo que a Av. João XXI é de novo feita em alegre partilha com os carros. O segundo exemplo é ir pela beira rio e beira mar até Oeiras. Em Lisboa há uma ciclovia intermitente até à Fundação Champalimaud e depois disso o ciclista tem de ir naquelas ruas de paralelipípedos até Paço de Arcos. A partir daí, vai-se alternando entre umas ciclovias fabulosas e o passeio da marginal em calçada portuguesa... Diga-se de passagem que a minha pobre base de sustentação chegou ao fim do percurso Lisboa - Oeiras - Lisboa em muito mau estado!
Não obstante estes muitos obstáculos oferecidos pela cidade de Lisboa, ainda continuo a tentar mudar a minha vida de forma a que a Biquinha substitua definitivamente o passe. A ver vamos quando isso acontece...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Turismo e as Cidades

Tirando os breves meses em que vivi em Shantou, sempre vivi em cidades muito turísticas: Lisboa, Macau e Edimburgo. Quer dizer, sempre não... Quando cresci Lisboa não era uma cidade turística.

Ao crescer em Lisboa, era difícil encontrar uma boa esplanada, apesar de ser uma cidade com um clima fabuloso. Hoje em dia encontramos esplanadas em ruas, jardins, praças e mercados.

Ao crescer em Lisboa, havia pouca variedade de restaurantes internacionais, que permitissem aos Portugueses viajar na gastronomia mundial sem sair da cidade. Hoje há restaurantes representativos das mais diversas culturas gastronómicas e para todos os bolsos (até os de um forreta como eu).

Ao crescer em Lisboa, a Baixa metia medo de tão isolada que estava. Todas as semanas eu ia à reunião do MSV na Rua de São Julião e as ruas estavam deprimentemente vazias. Hoje encontramos restaurantes, bares e hoteis, bem como empresas, incubadoras de start ups, etc. espalhadas pela Baixa.

As boas esplanadas, a diversidade de restaurantes e a vida na Baixa são, em grande parte, causa e efeito do crescimento do turismo. Quantos mais turistas vêm, mais negócios abrem. E quantos mais negócios abrem, mais a cidade se torna atrativa para os turistas. E isso deixa-me contente... Fico verdadeiramente contente que cada vez mais pessoas vejam aquilo que eu sempre vi como Alfacinha, que esta cidade é mesmo o máximo e que tem muito para oferecer.

Em altura de debate autárquico fico triste quando todos os candidatos se queixam dos supostos malefícios do turismo e fazem promessas de medidas que o pretendem travar. Preferia que eles prometessem que iriam ajudar os Alfacinhas a receber melhor os turistas. O caos dos transportes públicos, as ruas cheias de buracos, as obras que duram muito mais tempo do que deveriam e são realizadas quando mais chateiam o dia-a-dia das pessoas, os tags e escritos nas paredes por toda a cidade... Tudo isto afeta tanto os turistas quanto os Alfacinhas.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Democracia

França é, neste momento como já há muitos anos, um tubo de ensaio sobre a Democracia. Em Democracia, a vontade da maioria prevalece, desde que não atente contra os direitos, liberdades e garantias de todos. O que acontece neste momento em França é que uma reforma do direito laboral anunciada na campanha por aquele que foi eleito Presidente com uma confortável maioria e pelo seu partido, que conseguiu uma igualmente confortável maioria na Assembleia Nacional, está a ser posta em causa por um grupo de pressão, a central sindical, que vê os seus direitos reduzidos.
Sempre vi a França como o país das greves. Nas duas vezes que optei pela Air France para ir para Hong Kong, foi apenas por sorte que consegui voar: de uma vez houve uma greve dos controladores aéreos a começar no dia a seguir ao meu vôo e outra houve uma greve do pessoal de terra mesmo no dia antes do meu vôo. Como eu reservava os vôos com meses de antecedência, não tinha forma de antecipar estas greves. Conclusão: nunca mais reservei vôos com a Air France. Não fosse o diabo tecê-las...
As greves a que asistimos neste momento e as outras muitas que ao longo dos anos nos habituamos a ver em França não apenas prejudicam o país (como o meu mínimo exemplo demonstra) como vão ao arrepio de uma reforma que fez parte do programa eleitoral do candidato Presidencial e do seu partido nas Eleições Presidenciais e Legislativas. Sim, elas são anti-Democráticas. A pergunta que se pode fazer aqui, como aquela que se fez na Alemanha ao longo dos anos 30 é: até que ponto deve a Democracia tolerar os anti-Democratas?

quinta-feira, 7 de setembro de 2017