Um blog brilhantíssimo, formidabilíssimo, magníficíssimo, inteligentíssimo, fantastiquíssimo, mas, acima de tudo, humilíssimo!
terça-feira, 27 de setembro de 2016
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Correrias
Tinha prometido que ia pondo aqui a minha evolução a caminho da meia maratona. Acontece que na semana passada estive de férias e não tive tempo para tal. Um paradoxo, não é? Não ter tempo durante as férias... Já se sabe, entre os meus muitos íssimos, eu sou paradoxaldíssimo.
Pois que não me tenho portado muito bem nos treinos. Ou seja, até que me estava a portar bem, mas depois... Vamos por pontos:
- Já por umas três vezes que fiz 10 kms a correr, o que no meu caso é fazer de casa à Fundação Champalimaud e regressar.
- Na 4a feira passada, estava eu de férias, fui a correr desde minha casa até à Praia de Carcavelos, o que são cerca de 16 kms. Houve ali uns momentos em que fui a andar porque me perdi por alturas do Jamor e depois parei para comprar uma garrafa de água, bebê-la, etc. No final fiz este percurso em 2 horas. Até que estava contente com o meu feito até o meu amigo ironman me dizer que 2 horas para 16 kms não é bom! E eu que já achava que estava igual ao Usain Bolt... Aliás, depois de uma semana de praia só me falta mesmo correr tanto quanto ele para ficarmos iguais e as pessoas nos confundirem na rua. E vá, talvez uns dois ou três centímetros de altura. Ah, e uma permanente e pintar o cabelo de preto. Mas de resto estou mesmo quase igual!
Mas desde 4a que não faço nada. Na 5a fui para Odeceixe, de onde voltei no Sábado à noite e no Domingo passei o dia num piquenique. A ver se recomeço a correr hoje... Está-me tanto a apetecer como ser esticado numa daquelas máquinas do Tribunal do santo Ofício até ficar da altura do Usain Bolt... Esta é uma vida dura mas alguém a tem de viver!
Pois que não me tenho portado muito bem nos treinos. Ou seja, até que me estava a portar bem, mas depois... Vamos por pontos:
- Já por umas três vezes que fiz 10 kms a correr, o que no meu caso é fazer de casa à Fundação Champalimaud e regressar.
- Na 4a feira passada, estava eu de férias, fui a correr desde minha casa até à Praia de Carcavelos, o que são cerca de 16 kms. Houve ali uns momentos em que fui a andar porque me perdi por alturas do Jamor e depois parei para comprar uma garrafa de água, bebê-la, etc. No final fiz este percurso em 2 horas. Até que estava contente com o meu feito até o meu amigo ironman me dizer que 2 horas para 16 kms não é bom! E eu que já achava que estava igual ao Usain Bolt... Aliás, depois de uma semana de praia só me falta mesmo correr tanto quanto ele para ficarmos iguais e as pessoas nos confundirem na rua. E vá, talvez uns dois ou três centímetros de altura. Ah, e uma permanente e pintar o cabelo de preto. Mas de resto estou mesmo quase igual!
Mas desde 4a que não faço nada. Na 5a fui para Odeceixe, de onde voltei no Sábado à noite e no Domingo passei o dia num piquenique. A ver se recomeço a correr hoje... Está-me tanto a apetecer como ser esticado numa daquelas máquinas do Tribunal do santo Ofício até ficar da altura do Usain Bolt... Esta é uma vida dura mas alguém a tem de viver!
sábado, 17 de setembro de 2016
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Vou maratonar!
Depois de chatear os amigos para irem votar em mim no site da EDP, lá ganhei o dorsal que me permite ir maratonar de graça no dia 2 de Outubro. Vá, maratonar totalmente não, só meio maratonar. Mas uma meia maratona ainda são 21,1 kms a correr! Tendes noção que cerca de 1/5 dos Portugueses reside a menos do que essa distância de Espanha?
Quanto aos preparativos... O meu caro con-cunhado Zé João conseguiu arrastar-me para o meu primeiro treino. Ao fim de 7 kms tive que andar durante uns 10 minutos mas depois lá completei mais 3 kms. Desde aí já por duas vezes corri 10 kms sem grande problema. Amanhã de manhã vou tentar os 15 kms.
Estou a gostar tanto de todo este treino quanto gostaria de ir passar uma semana a Pyongyang em companhia do Líder Supremo. No entanto, todavia, contudo o meu ironman friend* dizia-me: "cria carácter e ficas-te a conhecer melhor"!
Quanto aos meus objectivos para esta meia maratona: fazer os 21,1kms sempre a correr como se fosse o Forrest Gump. Porque... My mother always told me "life is like a half-marathon (forget about boxes with chocolates), when you complete one, you always want another twice as long".
* Sim, eu tenho um ironman friend, o Nuno. Ele já participou em várias provas de ironman, incluindo uma no Árctico. Fazer uma prova de ironman no Árctico para mim já seria como ir para a Coreia do Norte, jurar aliança ao Líder Supremo, ir ao barbeiro dele e desistir da nacionalidade Portuguesa para lá ficar para sempre.
Quanto aos preparativos... O meu caro con-cunhado Zé João conseguiu arrastar-me para o meu primeiro treino. Ao fim de 7 kms tive que andar durante uns 10 minutos mas depois lá completei mais 3 kms. Desde aí já por duas vezes corri 10 kms sem grande problema. Amanhã de manhã vou tentar os 15 kms.
Estou a gostar tanto de todo este treino quanto gostaria de ir passar uma semana a Pyongyang em companhia do Líder Supremo. No entanto, todavia, contudo o meu ironman friend* dizia-me: "cria carácter e ficas-te a conhecer melhor"!
Quanto aos meus objectivos para esta meia maratona: fazer os 21,1kms sempre a correr como se fosse o Forrest Gump. Porque... My mother always told me "life is like a half-marathon (forget about boxes with chocolates), when you complete one, you always want another twice as long".
* Sim, eu tenho um ironman friend, o Nuno. Ele já participou em várias provas de ironman, incluindo uma no Árctico. Fazer uma prova de ironman no Árctico para mim já seria como ir para a Coreia do Norte, jurar aliança ao Líder Supremo, ir ao barbeiro dele e desistir da nacionalidade Portuguesa para lá ficar para sempre.
A Democracia e as Democracias
Saiu hoje no Público uma entrevista a um Professor de Yale, Ian Shapiro. A entrevista está muito interessante porque fala sobre a internacionalização e a "exportação" da Democracia. Esta surge numa altura em que o crescimento de movimentos ou atitudes não democráticas nos bastiões da Democracia (Europa e América do Norte) nos leva a pensar se tal modelo é bom para exportação.
Podemo-nos fazer uma pergunta existencial sobre Democracia é mesmo este o melhor dos sistemas?Parece haver um tabu em certas pessoas de se perguntar isto. Há quem considere, principalmente nos países em que parte da população ainda viveu em sistemas não Democráticos (como em Portugal) que nem se deve questionar se a Democracia é a melhor alternativa política existente ou não.
Ora eu considero que esta abordagem leva ao crescimento de movimentos não democráticos. Eu não tenho dúvidas de que um sistema democrático de governo será sempre melhor do que quaisquer alternativas. Mas também considero que se não debatermos as vantagens da Democracia, vão ser debatidas as vantagens das suas alternativas. Ora eu vejo três principais vantagens na Democracia que a torna sempre superiores às alternativas:
- O sistema de controlos e balanços (o que os nossos velhos aliados chamam "checks and balances") de poderes permitem que não haja abusos do poder político para benefício de apenas uma pessoa ou um órgão. Assim, é necessário que o parlamento, governo e tribunais seja suficientemente independentes entre si para se controlarem uns aos outros. Para além disso é necessário que sejam criadas outras entidades, também suficientemente independentes, que possam investigar e certificar-se da legalidade de actuação de certos agentes da sociedade que têm uma importância especial, como sejam as forças armadas e de segurança, o sistema financeiro, os serviços de transporte ou fornecimento de bens essenciais, etc.
Com as Democracias, estes sistemas de controlos e balanços vão-se aperfeiçoando. Com os regimes não democráticos eles vão caindo nas mãos de uma elite que abusa deles para proveito próprio. Em Portugal as pessoas acham que há cada vez maior corrupção e abusos porque cada vez mais casos são descobertos. Pois eu acho que o que há é cada vez melhores controlos e é por isso que os casos surgem. E nos casos dos "descontrolos", vão sendo revelados e aperfeiçoados.
- O carácter temporário do poder político é considerado por muitos como um dos defeitos da Democracia. Dizem esses que num sistema não Democrático é mais possível planear a longo prazo. Mas eu considero-o uma vantagem. De facto há umas quantas decisões políticas que devem ser planeadas a longo prazo. Mas numa Democracia isso pode ser resolvido com métodos consensuais. No entanto, a maior parte das decisões políticas não devem ser de longo prazo, devem responder rapidamente a conjunturas que mudam. E como mudam as conjunturas, podem também mudar as vontades dos interessados.
Ora, é em Democracia que melhor funcionam mecanismos de consulta principalmente porque é em Democracia que as pessoas se sentirão mais à vontade para exprimir as suas opiniões. Vemos em Portugal o crescimento dos mecanismos de consulta: sobre obras públicas, sobre certos regimes legais e sobre decisões que afectam de forma diferenciada diferentes sectores da população, etc. Estas consultas potenciam novas soluções que permitem que beneficiem mais pessoas e prejudiquem menos.
- A terceira das três maiores vantagens que eu vejo nos sistemas Democráticos é a valorização das opiniões dos indivíduos. O mero facto de que um indivíduo possa ser ouvido e a sua opinião avaliada é em si uma vantagem, independentemente da bondade da decisão final. Quem defende os sistemas não democráticos diz que as opiniões podem ser mais eficazes e céleres quando tomadas por um restrito grupo de elite do que pelas massas. Mas há nisto logo três problemas. O primeiro é que as massas podem não compreender nem aceitar as decisões dessa elite, o que torna o resultado final, mesmo que intelectualmente melhor, menos eficiente. O segundo é que a satisfação de contribuir para o resultado final é em si mesmo uma vantagem. O terceiro é que ninguém nos pode garantir que a elite é mesmo a melhor ou que não vai piorando com os anos no poder e depois é muito fácil removê-la.
Este argumento a favor da Democracia é, porventura o mais contestado em Portugal por motivos históricos. Muitos Portugueses olham para aquela que foi a alternativa histórica (o Estado Novo) como um regime encimado por académicos impolutos e patrióticos que, trabalhando abnegadamente "a bem de A Nação", não enriqueceram em cargos de poder. Mas o problema deste regime de "académicos patrióticos" foi precisamente que das suas cátedras eles não se aperceberam de quanto o mundo mudou. Podemos ver dois exemplos que estiveram na génese da queda do regime. O primeiro foi que a economia começou a ser liberalizada em 1961 (adesão à OMC e EFTA) quando deveria ter sido logo após a IIGG. O segundo foi que as infraestruturas essenciais que permitiriam ao ultramar ganhar maior autonomia foram criadas principalmente depois do início da luta armada em três das províncias. Isto mostra que os regimes não democráticos podem fazer planos de longo prazo mas têm maior dificuldade em adaptar-se à mudança dos tempos.
Podemo-nos fazer uma pergunta existencial sobre Democracia é mesmo este o melhor dos sistemas?Parece haver um tabu em certas pessoas de se perguntar isto. Há quem considere, principalmente nos países em que parte da população ainda viveu em sistemas não Democráticos (como em Portugal) que nem se deve questionar se a Democracia é a melhor alternativa política existente ou não.
Ora eu considero que esta abordagem leva ao crescimento de movimentos não democráticos. Eu não tenho dúvidas de que um sistema democrático de governo será sempre melhor do que quaisquer alternativas. Mas também considero que se não debatermos as vantagens da Democracia, vão ser debatidas as vantagens das suas alternativas. Ora eu vejo três principais vantagens na Democracia que a torna sempre superiores às alternativas:
- O sistema de controlos e balanços (o que os nossos velhos aliados chamam "checks and balances") de poderes permitem que não haja abusos do poder político para benefício de apenas uma pessoa ou um órgão. Assim, é necessário que o parlamento, governo e tribunais seja suficientemente independentes entre si para se controlarem uns aos outros. Para além disso é necessário que sejam criadas outras entidades, também suficientemente independentes, que possam investigar e certificar-se da legalidade de actuação de certos agentes da sociedade que têm uma importância especial, como sejam as forças armadas e de segurança, o sistema financeiro, os serviços de transporte ou fornecimento de bens essenciais, etc.
Com as Democracias, estes sistemas de controlos e balanços vão-se aperfeiçoando. Com os regimes não democráticos eles vão caindo nas mãos de uma elite que abusa deles para proveito próprio. Em Portugal as pessoas acham que há cada vez maior corrupção e abusos porque cada vez mais casos são descobertos. Pois eu acho que o que há é cada vez melhores controlos e é por isso que os casos surgem. E nos casos dos "descontrolos", vão sendo revelados e aperfeiçoados.
- O carácter temporário do poder político é considerado por muitos como um dos defeitos da Democracia. Dizem esses que num sistema não Democrático é mais possível planear a longo prazo. Mas eu considero-o uma vantagem. De facto há umas quantas decisões políticas que devem ser planeadas a longo prazo. Mas numa Democracia isso pode ser resolvido com métodos consensuais. No entanto, a maior parte das decisões políticas não devem ser de longo prazo, devem responder rapidamente a conjunturas que mudam. E como mudam as conjunturas, podem também mudar as vontades dos interessados.
Ora, é em Democracia que melhor funcionam mecanismos de consulta principalmente porque é em Democracia que as pessoas se sentirão mais à vontade para exprimir as suas opiniões. Vemos em Portugal o crescimento dos mecanismos de consulta: sobre obras públicas, sobre certos regimes legais e sobre decisões que afectam de forma diferenciada diferentes sectores da população, etc. Estas consultas potenciam novas soluções que permitem que beneficiem mais pessoas e prejudiquem menos.
- A terceira das três maiores vantagens que eu vejo nos sistemas Democráticos é a valorização das opiniões dos indivíduos. O mero facto de que um indivíduo possa ser ouvido e a sua opinião avaliada é em si uma vantagem, independentemente da bondade da decisão final. Quem defende os sistemas não democráticos diz que as opiniões podem ser mais eficazes e céleres quando tomadas por um restrito grupo de elite do que pelas massas. Mas há nisto logo três problemas. O primeiro é que as massas podem não compreender nem aceitar as decisões dessa elite, o que torna o resultado final, mesmo que intelectualmente melhor, menos eficiente. O segundo é que a satisfação de contribuir para o resultado final é em si mesmo uma vantagem. O terceiro é que ninguém nos pode garantir que a elite é mesmo a melhor ou que não vai piorando com os anos no poder e depois é muito fácil removê-la.
Este argumento a favor da Democracia é, porventura o mais contestado em Portugal por motivos históricos. Muitos Portugueses olham para aquela que foi a alternativa histórica (o Estado Novo) como um regime encimado por académicos impolutos e patrióticos que, trabalhando abnegadamente "a bem de A Nação", não enriqueceram em cargos de poder. Mas o problema deste regime de "académicos patrióticos" foi precisamente que das suas cátedras eles não se aperceberam de quanto o mundo mudou. Podemos ver dois exemplos que estiveram na génese da queda do regime. O primeiro foi que a economia começou a ser liberalizada em 1961 (adesão à OMC e EFTA) quando deveria ter sido logo após a IIGG. O segundo foi que as infraestruturas essenciais que permitiriam ao ultramar ganhar maior autonomia foram criadas principalmente depois do início da luta armada em três das províncias. Isto mostra que os regimes não democráticos podem fazer planos de longo prazo mas têm maior dificuldade em adaptar-se à mudança dos tempos.
domingo, 11 de setembro de 2016
Tudo o que não se dá...
Esta história começa na Missa de hoje. Foi uma Missa particularmente inspiradora nas suas leituras. Começou com o pedido de misericórdia de Moisés a Deus, continuou com o testemunho dado a Timóteo da misericórdia que Paulo sentiu receber de Deus e acabou com chave de ouro com as parábolas da ovelha perdida, do dracma perdido e do(s) filho(s) pródigo(s). Talvez tão inspiradoras leituras tenham dado maior alento ao meu prior que, apesar de novo (julgo que mais novo que eu) tem normalmente umas homilias ligeiramente desalentadas.
Tanta inspiração levou-me a que eu saísse de lá pronto para mudar o mundo. "É desta!" No fundo o único mundo que eu tenho que mudar é o meu mundo interior, pelo que eu achei que essa tarefa estava cumprida...
Tão Cristianamente inspirado lá fui ao lidl fazer umas compras. Coisa mundana, não é no lidl que eu vou mudar o mundo, certo? À entrada estava um miúdo com os seus 15 anos bem vestido e com um caniche branco sentado num degrau. Primeiro pensamento: "um caniche branco! a sério!? um miúdo destes devia ter um pastor alemão ou outro cão de jeito para poder ir atirar uma bola para o parque". Presumi que o miúdo estava à espera dos pais porque o cão não podia entrar no supermercado e lá entro eu sem pensar mais nem no miúdo nem no caniche branco. Se ainda fosse um pastor alemão...
Quando saí, já por outra porta, estava o miúdo do caniche, já de pé nessa outra porta. "Olhe, desculpe...", chamou-me ele com um tom educado. Fiquei chocado! O miúdo do caniche não estava à espera dos pais , estava a pedir dinheiro! Quer dizer, nem tenho a certeza que fosse isso porque pura e simplesmente o ignorei. Com um sorriso e um aceno, mas ignorei e passei em frente com um saco em cada braço a caminho de casa.
E foi aí que se desabou a minha certeza de conseguir mudar o mundo. "Devia voltar para trás e perguntar ao miúdo o que ele me quer! Mas eu não dou dinheiro a ninguém porque ainda acaba em álcool ou droga..." E enquanto pensava isto continuava a andar. "Mas devia voltar para trás e perguntar se o miúdo quer almoçar" - afinal de contas tinha o almoço já preparado em casa.
"E se o miúdo me ataca e me rouba a casa? Já sei! Quando chegar a casa vejo se o G está lá e se ele estiver volto ao lidl e vou convidar o miúdo para almoçar!" E continuo a andar... Quando chego a casa o G não estava. Decidi telefonar-lhe e perguntar se ele voltava a tempo do almoço. Se ele voltasse eu ia chamar o miúdo para almoçar. Telefonei. Não, não voltava a casa a tempo de almoçar. "Então nem pensar! O miúdo ainda tem uma faca, esfaqueia-me e leva a minha aparelhagem meio avariada (o leitor de CDs não funciona). Ou o meu computador também meio avariado (a bateria também não funciona, tem de estar ligado à corrente). Ou o micro-ondas - que funciona lindamente..."
Arrumo as compras, vou servir-me e apercebi-me que me servi exatamente de metade da comida que tinha. Dava lindamente para o miúdo almoçar e sempre tinha uma refeição nutritiva e saudável... "Mas e a faca na algibeira?"
"Que se dane a faca, eu fiz tae-kwon-do!" Escondo a minha carteira numa gaveta (ainda ontem à noite levantei dinheiro e tenho lá quase uns €20) e saio de casa de volta para o lidl sem sequer aquecer no meu ótimo micro-ondas a comida que já tinha posto no prato. Chego lá e nem sinal do miúdo do caniche. Procurei nas diferentes entradas, ele tinha ido embora. Perdi uma boa ocasião de fazer uma boa ação e talvez mudar um bocadinho o mundo. Pelo menos o mundo do miúdo.
Já a voltar para casa lembrei-me de uma frase da Santa Teresa de Calcutá: "tudo o que não se dá, perde-se!" Completando essa frase: "tudo o que não se dá LOGO, perde-se!"
Tanta inspiração levou-me a que eu saísse de lá pronto para mudar o mundo. "É desta!" No fundo o único mundo que eu tenho que mudar é o meu mundo interior, pelo que eu achei que essa tarefa estava cumprida...
Tão Cristianamente inspirado lá fui ao lidl fazer umas compras. Coisa mundana, não é no lidl que eu vou mudar o mundo, certo? À entrada estava um miúdo com os seus 15 anos bem vestido e com um caniche branco sentado num degrau. Primeiro pensamento: "um caniche branco! a sério!? um miúdo destes devia ter um pastor alemão ou outro cão de jeito para poder ir atirar uma bola para o parque". Presumi que o miúdo estava à espera dos pais porque o cão não podia entrar no supermercado e lá entro eu sem pensar mais nem no miúdo nem no caniche branco. Se ainda fosse um pastor alemão...
Quando saí, já por outra porta, estava o miúdo do caniche, já de pé nessa outra porta. "Olhe, desculpe...", chamou-me ele com um tom educado. Fiquei chocado! O miúdo do caniche não estava à espera dos pais , estava a pedir dinheiro! Quer dizer, nem tenho a certeza que fosse isso porque pura e simplesmente o ignorei. Com um sorriso e um aceno, mas ignorei e passei em frente com um saco em cada braço a caminho de casa.
E foi aí que se desabou a minha certeza de conseguir mudar o mundo. "Devia voltar para trás e perguntar ao miúdo o que ele me quer! Mas eu não dou dinheiro a ninguém porque ainda acaba em álcool ou droga..." E enquanto pensava isto continuava a andar. "Mas devia voltar para trás e perguntar se o miúdo quer almoçar" - afinal de contas tinha o almoço já preparado em casa.
"E se o miúdo me ataca e me rouba a casa? Já sei! Quando chegar a casa vejo se o G está lá e se ele estiver volto ao lidl e vou convidar o miúdo para almoçar!" E continuo a andar... Quando chego a casa o G não estava. Decidi telefonar-lhe e perguntar se ele voltava a tempo do almoço. Se ele voltasse eu ia chamar o miúdo para almoçar. Telefonei. Não, não voltava a casa a tempo de almoçar. "Então nem pensar! O miúdo ainda tem uma faca, esfaqueia-me e leva a minha aparelhagem meio avariada (o leitor de CDs não funciona). Ou o meu computador também meio avariado (a bateria também não funciona, tem de estar ligado à corrente). Ou o micro-ondas - que funciona lindamente..."
Arrumo as compras, vou servir-me e apercebi-me que me servi exatamente de metade da comida que tinha. Dava lindamente para o miúdo almoçar e sempre tinha uma refeição nutritiva e saudável... "Mas e a faca na algibeira?"
"Que se dane a faca, eu fiz tae-kwon-do!" Escondo a minha carteira numa gaveta (ainda ontem à noite levantei dinheiro e tenho lá quase uns €20) e saio de casa de volta para o lidl sem sequer aquecer no meu ótimo micro-ondas a comida que já tinha posto no prato. Chego lá e nem sinal do miúdo do caniche. Procurei nas diferentes entradas, ele tinha ido embora. Perdi uma boa ocasião de fazer uma boa ação e talvez mudar um bocadinho o mundo. Pelo menos o mundo do miúdo.
Já a voltar para casa lembrei-me de uma frase da Santa Teresa de Calcutá: "tudo o que não se dá, perde-se!" Completando essa frase: "tudo o que não se dá LOGO, perde-se!"
sábado, 10 de setembro de 2016
Guterres a SGNU
Uma amiga minha colocou esta pergunta no facebook:
Expliquem-me por que é bom que o António Guterres seja o secretário-geral da ONU? (Que não seja o provincianismo de que é português.)
Ora, houve muitas respostas a falar das qualidades do candidato e do seu bom desempenho como ACNUR. Isto porque a minha amiga tem muitos amigos não provincianos. Mas como também me tem a mim, um bucólico provinciano que anseia pela reforma passada a aquecer os pés à lareira numa casinha de granito perdida no meio da Serra da Estrela (isto é o meu blog, eu minto se eu quiser), como amigo, eu decidi responder porque é que considero que o nosso Estado deve mesmo gastar o dinheiro que está a gastar com a candidatura de Guterres a SGONU. E com as candidaturas de tantos outros a outras posições dirigentes de organizações internacionais...
Para além de todas as qualidades aqui já apontadas eu vou recorrer ao provincianismo de que ele é Português (desculpa Mariana!). Mas a realidade é que acho a tua pergunta muito boa. Até podia ser formulada de forma mais reivindicativa: "porque é que o nosso Estado está a gastar dinheiro dos contribuintes numa candidatura de um Português?"
A diplomacia Portuguesa (bem como as diplomacias de todos os países do mundo) faz um enorme esforço para colocar os seus nacionais em cargos dirigentes das organizações internacionais a que pertence. Ora os motivos para isso são muitos:
- Comecemos pelo mais básico: prestígio do país. Ter um Português a fazer um bom trabalho num cargo muito visível traz prestígio para o país. Assim, ter tido o Guterres como ACNUR a fazer um trabalho excelente e a possibilidade de o ter a fazer um trabalho excelente como SGNU, traz visibilidade e prestígio a Portugal.
- Há ainda a exportação da visão Portuguesa do que deve ser o mundo. O povo Português, o governo de Portugal e a sua diplomacia têm uma mundividência que querem "exportar". Nesta inclui-se a prioridade aos direitos humanos, relações internacionais baseadas no direito (e não na força) e promoção do estado de direito.
- Por último: acesso. Termos Portugueses como dirigentes em organizações internacionais dá-nos um acesso a centros de poder que, dada a nossa dimensão dificilmente teríamos de outra forma.
Francamente acho que o investimento que tem sido feito por Portugal no último ano com esta candidatura é um ótimo investimento. Não apenas por todas as qualidades pessoais que já foram apontadas em cima ao Eng. Guterres mas principalmente por ele ser Português.
Expliquem-me por que é bom que o António Guterres seja o secretário-geral da ONU? (Que não seja o provincianismo de que é português.)
Para além de todas as qualidades aqui já apontadas eu vou recorrer ao provincianismo de que ele é Português (desculpa Mariana!). Mas a realidade é que acho a tua pergunta muito boa. Até podia ser formulada de forma mais reivindicativa: "porque é que o nosso Estado está a gastar dinheiro dos contribuintes numa candidatura de um Português?"
A diplomacia Portuguesa (bem como as diplomacias de todos os países do mundo) faz um enorme esforço para colocar os seus nacionais em cargos dirigentes das organizações internacionais a que pertence. Ora os motivos para isso são muitos:
- Comecemos pelo mais básico: prestígio do país. Ter um Português a fazer um bom trabalho num cargo muito visível traz prestígio para o país. Assim, ter tido o Guterres como ACNUR a fazer um trabalho excelente e a possibilidade de o ter a fazer um trabalho excelente como SGNU, traz visibilidade e prestígio a Portugal.
- Há ainda a exportação da visão Portuguesa do que deve ser o mundo. O povo Português, o governo de Portugal e a sua diplomacia têm uma mundividência que querem "exportar". Nesta inclui-se a prioridade aos direitos humanos, relações internacionais baseadas no direito (e não na força) e promoção do estado de direito.
- Por último: acesso. Termos Portugueses como dirigentes em organizações internacionais dá-nos um acesso a centros de poder que, dada a nossa dimensão dificilmente teríamos de outra forma.
Francamente acho que o investimento que tem sido feito por Portugal no último ano com esta candidatura é um ótimo investimento. Não apenas por todas as qualidades pessoais que já foram apontadas em cima ao Eng. Guterres mas principalmente por ele ser Português.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Google-se a União Europeia II
A propósito do meu post anterior, a minha amiga Paula mandou-me um muito bom artigo que ela escreveu com um outro exemplo de transparência, o TTIP. Nunca a negociação de uma acordo de comércio foi tão transparente. Vale a pena ler.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Google-se a União Europeia!
Faz agora 6 meses que trabalho com assuntos da União Europeia. Antes disto era um leigo nestas matérias e pouco sabia do que a UE fazia. Claro que já antes ensinava Direito da UE, mas uma coisa é o direito e outra coisa é a prática, a forma de trabalhar, os assuntos em que a UE se envolve...
Ora, como leigo nestes assuntos, uma coisa que me apercebi é que a UE, como todos os órgãos que dirigem Estados, Organizações Internacionais, etc. tem uma linguagem e um jargão muito próprios. Muitos departamentos, políticas e mecanismos que eu desconhecia, cada qual com as suas próprias siglas (que por vezes me aparecem em Português e outras em Inglês). Para além disso, as áreas de actuação da UE são imensas: desde as tradicionais económicas até às ambientais, passando pela cooperação, relações internacionais, direitos humanos... Tanta coisa!
Como é óbvio, ao princípio andava a "patinar" por estes assuntos. Mas no que toca aos assuntos Europeus, não vale a pena "patinar", basta googlar. O que um cidadão pode querer saber sobre prioridades, iniciativas, políticas, departamentos, instrumentos ou mecanismos da UE está no site da própria UE. Porque é que se decidiu fazer assim, como é que evoluiu, o que faz, quanto custa, quem é o responsável...? Tudo bem transparente!
Se surge uma pergunta é quase certo que a resposta está lá. Basta googlar! Muito me admira, por isto, que haja tanta gente a acusar a UE de não ser transparente, de estar afastada dos cidadãos Europeus, de ser dirigida por uns quantos tecnocratas tão cinzentos quanto Bruxelas que só falam uns com os outros. A UE quase que anda aos gritos sobre o que faz. O mal é que a comunicação social ignora por completo estes gritos a não ser quando têm a ver com sanções ao nosso país.
Ora, como leigo nestes assuntos, uma coisa que me apercebi é que a UE, como todos os órgãos que dirigem Estados, Organizações Internacionais, etc. tem uma linguagem e um jargão muito próprios. Muitos departamentos, políticas e mecanismos que eu desconhecia, cada qual com as suas próprias siglas (que por vezes me aparecem em Português e outras em Inglês). Para além disso, as áreas de actuação da UE são imensas: desde as tradicionais económicas até às ambientais, passando pela cooperação, relações internacionais, direitos humanos... Tanta coisa!
Como é óbvio, ao princípio andava a "patinar" por estes assuntos. Mas no que toca aos assuntos Europeus, não vale a pena "patinar", basta googlar. O que um cidadão pode querer saber sobre prioridades, iniciativas, políticas, departamentos, instrumentos ou mecanismos da UE está no site da própria UE. Porque é que se decidiu fazer assim, como é que evoluiu, o que faz, quanto custa, quem é o responsável...? Tudo bem transparente!
Se surge uma pergunta é quase certo que a resposta está lá. Basta googlar! Muito me admira, por isto, que haja tanta gente a acusar a UE de não ser transparente, de estar afastada dos cidadãos Europeus, de ser dirigida por uns quantos tecnocratas tão cinzentos quanto Bruxelas que só falam uns com os outros. A UE quase que anda aos gritos sobre o que faz. O mal é que a comunicação social ignora por completo estes gritos a não ser quando têm a ver com sanções ao nosso país.
Agora está na moda...
Um dos motivos que me levam a gostar de transportes públicos é poder ouvir a conversa dos outros. Desde interjeições engraçadas, a formas de falar a, e isto é o melhor, ouvir a opinião de pessoas que eu não conheço de lado nenhum sobre os mais variados temas.
Hoje de manhã as únicas faladoras no meu autocarro eram duas professoras dos seus 50-60 anos. Estavam a queixar-se sobre a relação entre os miúdos e os telemóveis, sobre os pais que permitem a miúdos de 14-15 anos já ter TMs, etc. A conversa até era bastante interessante mas, infelizmente, eu só consegui ouvir parte porque ia sentado duas filas atrás delas. Ao contrário de tantas outras pessoas, elas não faziam aquele esforço de falar um bocadinho mais alto para todo o autocarro ouvir as suas opiniões... Uma pena!
Mas houve uma frase que eu apanhei e que achei deliciosa: "o facebook, que é uma coisa que agora está na moda..." Tão queridas!
Hoje de manhã as únicas faladoras no meu autocarro eram duas professoras dos seus 50-60 anos. Estavam a queixar-se sobre a relação entre os miúdos e os telemóveis, sobre os pais que permitem a miúdos de 14-15 anos já ter TMs, etc. A conversa até era bastante interessante mas, infelizmente, eu só consegui ouvir parte porque ia sentado duas filas atrás delas. Ao contrário de tantas outras pessoas, elas não faziam aquele esforço de falar um bocadinho mais alto para todo o autocarro ouvir as suas opiniões... Uma pena!
Mas houve uma frase que eu apanhei e que achei deliciosa: "o facebook, que é uma coisa que agora está na moda..." Tão queridas!
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
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