terça-feira, 7 de novembro de 2017

Web Summit e 100 anos da Revolução Russa

Faz hoje 100 anos que se deu início àquele que foi não apenas o período mais negro da história dos Russos mas também a ignição para as mais variadas tragédias ao redor do mundo. Revoluções, guerras, , divisões de povos entre Estados rivais*, experiências sociais desastrosas... Tudo isso e mais tragédias foram provocadas pelos acontecimentos que tiveram lugar na Rússia há 100 anos.
Enquanto o mundo chora essa data, Lisboa, cheia de sol, acorda para o 2.º dia do Web Summit. Não vou fingir que sou um adepto das novas tecnologias e que conheço todos os últimos apps no mercado. No entanto a Web Summit é um testemunho de que as ideias que levaram à revolução de há um século estão, em grande parte, vencidas.
As falhas de informação sempre forma vistas pelos economistas como uma das principais falhas de mercado. As famílias e as empresas tomam más decisões por falta de informação. O maravilhoso novo mundo que se expõe na Web Summit é um mundo em que a informação corre mais rápido e chega cada vez a mais gente.
Para além do acesso à informação, como falha do mercado, temos também o acesso a uma vida melhor como falha social. Teoricamente, uma das grandes vantagens da economia de mercado é que possibilita a todos os que se esforçam experienciarem uma melhoria material. Não obstante, por muitas pessoas que nós conhecemos que melhoraram o seu nível de vida graças ao esforço, não podemos deixar de observar que a muitas outras não foi dada essa oportunidade por falta de financiamento para ideias que poderiam vingar. No mundo das Startups isso é muito mitigado. Começa-se um negócio com muito pouco dinheiro e ele pode começar a produzir efeitos e "dar nas vistas" logo de início. Se assim for, o acesso ao financiamento fica muito facilitado.
Assim, 100 anos depois da tragédia russa, Lisboa parece mostrar ao mundo que o Comunismo morreu. Infelizmente, a História não é linear, é cíclica. Do mesmo modo que os Nacionalismos xenófobos parecem estar a regressar ao Continente onde produziram mais danos, nunca podemos pensar que o Comunismo está vencido. Em vez disso, temos de aperfeiçoar cada vez mais a Democracia, sempre, obviamente, acompanhada da Economia de Mercado (a primeira não sobrevive sem a segunda). E eventos como a Web Summit são o instrumento ideal para isso.

*Se a Alemanha e o Vietname já se reuniram, o Comunismo ainda marca profundamente a vida dos povos Chinês e Coreano, ainda dilacerados pela divisão.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Irmã Hall

Ontem foi dia de Todos os Santos e acabou por ser também um dia para me despedir pela última vez da Irmã Hall. A Irmã Hall era uma formidável irmã do Externato do Parque, onde eu estudei durante 7 anos.
Quando era pequeno achava a Irmã Hall enorme - da última vez que a vi, dei-lhe um abraço e pareceu-me tão pequenina... Mas nunca frágil! A Irmã Hall era tudo menos frágil. Sempre muito direita, com uns saltos impossívelmente altos para quem passava o dia de pé e severa para se assegurar que nenhum dos seus meninos saía da linha - colarinhos no sítio, sapatos em ordem, bons modos à mesa, nada de correr nos corredores, linguagem correta...
Toda esta severidade com uma pitada de carinho. Era do estilo "never smile ´till Christmas" (respeitinho é bonito) mas lá para o fim do ano já nos dava grandes abraços e ajudava-nos a colher ameixas no jardim do colégio - ainda hoje lembro-me do Externato do Parque e da Irmã Hall quando como as primeiras ameixas do ano.
Irmã Hall, continue a rezar por nós como, de certeza, sempre fez.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Catalunhices II

Uma boa amiga lembrou-me que esta história da catalunha poderá bem ser (e há fortes indícios de que é mesmo), uma "Putinice". Seja verdade ou seja uma teoria da conspiração, a verdade é que os nacionalismos Europeus apenas beneficiam os inimigos da Europa, seguindo o célebre mote de Júlio César: "divide et impera".

Catalunhices

Aqui há uns 3 anos estava na Escócia quando aconteceu o referendo pela independência da Escócia. Nessa altura considerei que havia grandes vantagens para a Escócia em que o Reino se mantivesse Unido. Para além disso, havia vantagens para a Europa e o mundo que os "independentismos" não se tornassem numa moda.
Não falo apenas de um ponto de vista ideológico. Se bem que não posso negar que a ideia de uma União Europeia cada vez mais unida, desde que no respeito pela diversidade, me é simpática. Falo também de um ponto de vista pragmático. A economia Britânica (e Europeia) perdeu devido à incerteza sobre o futuro político da Escócia. Os mercados gostam de estabilidade política e de certezas e não pode haver maior incerteza do que a fragmentação de um Estado.
Questões como: "como é que os Estados sucessores repartirão a dívida?" ou "de que organizações regionais e internacionais os novos Estados farão parte?" ou ainda "que moeda adotará o novo país e que banco central a garantirá?" são questões que afetam o quotidiano das empresas, das famílias e dos seus negócios e investimentos.
O processo a que assistimos agora demonstra bem isto. Num claro caso de egoísmo xenófobo, o maior argumento Catalão para pedir maior autonomia foi sempre que cada Catalão pagava mais para o orçamento do Estado Espanhol que cada Andaluz ou cada Estremenho. Depois, a reboque desse, vêm queixas históricas motivadas por agressões mais velhas que este humilde escritor. E este humilde escritor já não vai para novo... Por último, o clássico argumento de que "nós não somos iguais aos Espanhóis". Este, obviamente, é o argumento mais irrisório. Mesmo num país tão homogéneo quanto Portugal, os tripeiros gozam com a forma supostamente afetada de falar dos alfacinhas, estes com o tom arrastado dos alentejanos que, por sua vez, torcem o nariz à imperceptibilidade dos açoreanos.*
Se pegarmos nestes argumentos Catalães, as independências alastrariam pela Europa, pela Ásia e nem falemos de África, que ficaria reduzida a microestados. O que isto afetaria a vida do comum dos cidadãos não tem nem explicação. Este mapa abaixo, que eu recebi de um saudoso amigo de Macau, apenas dá uma pequeno exemplo do que este caos seria. Claro que este mapa nem menciona que dizer refugado, cabide ou imperial em vez de estrugido, cruzeta ou fino poderia ser um argumento para os lisboetas se tornarem independentes dos nortenhos que, com a ajuda dos bárbaros Ingleses e Flamengos os subjugaram com requintes de malvadez.** Por sua vez os Alentejanos veriam na proibição dos touros de morte uma prova da subjugação cultural dos do Norte do Tejo. ETC... 


* Diz-me quem conhece melhor os Açores que eu que apenas os miquelinos são imperceptíveis.
** Como se pode ler na célebre carta "De expugnatione Lyxbonensi".

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Incêndios II

Não tinha conseguido ouvir antes o discurso do Sr. Presidente da República e só agora o fiz. Agora que o ouvi no sítio da Presidência, entendo e subscrevo todos os elogios que se levantaram dos mais diversos quadrantes ao mesmo...

Incêndios

Choveu e continuará a chover nos próximos dias. Isso dá-nos tempo para chorar tanto os mortos como os vivos que tanto perderam e, ao chorar, rezar por todos eles. 
Acabado o período de luto lancemo-nos ao trabalho com as seguintes prioridades:
1. Melhor planeamento florestal;
2. Melhor planeamento florestal;
3. Melhor planeamento florestal;
Afinal de contas, o clima já não é o que era e os anos de seca como este serão cada vez mais frequentes. Para além disso, a própria florestação pode ajudar a que estes fenómenos climáticos sejam de certa forma suavizados.
e depois d e todo este planemaneot florestal...
4. Melhorar a resposta aos incêndios, com uma equipa nacional de proteção civil experiente e capaz, com provas dadas na área.
Já agora, cumpre ser cínico nestas alturas e perguntarmo-nos quem tem mais a ganhar com os incêndios. E depois de respondida essa pergunta, mudar a atuação de forma a que essas empresas e pessoas não tenham nada a ganhar com os incêndios.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

100 anos do Milagre do Sol

Faz hoje 100 anos que a minha avó Carmo e a minha bisavó Elisa estiveram na Cova da Iria e presenciaram aquela que seria a última aparição de Nossa Senhora do Rosário aos três pastorinhos de Fátima. Foi, assim, com muito gosto que li este artigo do meu antigo Professor de História na Faculdade, o Professor Rui Ramos, e que agora o recomendo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Por uma vez...

Por uma vez leio um artigo do Rui Tavares com o qual concordo em (quase) tudo do princípio ao fim. Mais ainda, acho que está muito bem escrito e que vale bem a pena ser lido. Decidi celebrar isso, escarrapachando aqui o artigo. Há que aproveitar agora porque não deve voltar a acontecer...

A nossa península já foi sábia
10 de Outubro de 2017, PÚBLICO

Houve um tempo em que na nossa península nasceram os que podem ser considerados os três maiores sábios das três grandes religiões do livro. Dois deles em Córdova: primeiro o muçulmano Averróis, nascido em 1126, filósofo da ciência, da tolerância e da educação — incluindo a educação das mulheres —; logo depois em 1135 o judeu Maimónides, médico, filósofo e autor do livro com um dos mais belos títulos jamais imaginados, o Guia para perplexos. O terceiro nasceu nas Ilhas Baleares, talvez em 1315: era o cristão Ramon Llull, matemático, viajante, diplomata e autor de uma novela mística na sua língua materna catalã, o Llibre de meravelles (Livro de Maravilhas, em português — esta gente tinha talento para títulos).

E houve um tempo, agora mesmo, enquanto se esperava por saber se o governo da Catalunha declarava ou não a sua independência unilateral de Espanha, em que eu só pensava nesse outro tempo em que a nossa península era sábia. Sabem porquê? Porque também houve muitos outros tempos em que a nossa península não foi sábia. Tempos em que cristãos, muçulmanos e judeus se massacraram em vez de se traduzirem, lerem e conversarem como fizeram os nossos três sábios. Tempos da Inquisição. Tempos da Guerra Civil de Espanha. Por isso, enquanto esperava pela declaração (ou não) unilateral de independência, eu só pensava nos tempos em que a nossa península foi sábia, e nos tempos em que ela não soube sê-lo.

E que tem um português a ver com isto? Tudo. A península é a nossa primeira casa. Aqui onde escrevo, Lisboa, viveu feliz Cervantes e foi publicado o Quixote no mesmo ano em que saiu em Madrid (a única outra cidade a ter esse magnífico privilégio é Valência, uma cidade de língua catalã). Em Portugal amamos e admiramos os nossos irmãos, irmãs, primos e primas galegos e castelhanos, bascos e andaluzes, catalães e de toda a Espanha. Admiramos Espanha, embora dela não tenhamos querido fazer parte. Não somos parte interessada em que haja (ou não) independência da Catalunha. Mas somos parte interessada, como portugueses e europeus, em que a nossa península saiba ser sábia nestes momentos decisivos. Por isso temos de saber ser contidos, equitativos e portadores de boa vontade.

E que é ser sábio nestas circunstâncias em que há duas vontades inamovíveis e contrárias? Trata-se, é claro, de saber aproveitar todas as oportunidades para o diálogo. Mas trata-se, acima de tudo, de não aproveitar nenhuma das oportunidades que sempre se oferecem para agir de orgulho ferido. Não faltam razões legais, políticas, culturais e económicas para a inflexibilidade — de parte a parte. Não faltam nunca ocasiões para tentar humilhar o outro. É preciso recusá-las a todas.

Não é tarde para que o diálogo se faça. As saídas possíveis são muitas: um pacto para realização de um referendo legal, só na Catalunha ou em toda a Espanha; novas eleições na Catalunha ou em toda a Espanha; um roteiro para uma Espanha federal; uma república catalã consensualmente independente ou unida confederalmente a Espanha. O problema não está nas saídas, está nas entradas: quem terá a coragem de abrir a porta ao diálogo? A decisão anunciada por Puigdemont em Barcelona, — de declarar a independência mas imediatamente suspender os seus efeitos —, pode ser uma porta entreaberta. Se o governo de Rajoy, em Madrid, entender este gesto como oportunidade para abrir o resto da porta e não para a fechar com estrondo, poderemos ter aqui um início de solução.

Ouçamos o mais velho de todos os sábios peninsulares. Também nasceu em Córdova, há pouco mais de dois mil anos: Séneca. Explicou no seu A Constância da Sabedoria (bom título, bom título) que o sábio é aquele que, na verdade, só é vencido pela sua facilidade em sentir-se insultado e a sua vontade de humilhar. Ceder a essas fraquezas é a verdadeira derrota. Resistir ao orgulho, condição para a convivência, a verdadeira vitória. A última frase de Séneca, assim contextualizando o que ele entende como verdadeira vitória (sobre nós mesmos e não sobre os outros) diz assim: “não se dar por vencido é ser mais forte que o destino e, assim, fazer parte da república do género humano”. Ainda vale a pena meditar bem no que queria dizer com isto o mais velho sábio da nossa península, e agir em conformidade.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Austregila

Sim, Austregila... Um nome próprio de uma pessoa real.
Há pais mauzinhos!
E depois admiram-se que os filhos acabem comu... comu... Aquela gente vermelha que come criancinhas ao pequeno-almoço em vez de um iogurte grego com fruta como as pessoas normais.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Biquinha

A minha vida mudou com o surgimento da Biquinha na minha existência! 
A Biquinha é uma bicicleta elétrica que já me fez deixar de comprar o passe. Diga-se de passagem que eu valorizava muito o meu passe...
A minha ideia, ao comprar a Biquinha, era substituir definitivamente o passe pela Biquinha, mas estou com dúvidas que isso venha a acontecer definitivamente. Em primeiro lugar porque os acessos entre os três lugares para os quais eu mais me desloco durante a semana são muito maus quando feitos de bicicleta, mesmo que esta seja elétrica. Entre buracos e rachas no pavimento, tampas de esgoto mal colocadas, ondas de alcatrão à beira do passeio, trânsito, ruas com aqueles paralelipípedos em vez de alcatrão, rampas íngremes... A vida de um ciclista em Lisboa não é nada fácil!
Claro que há umas mentes não muito brilhantes que gostam de dizer que Lisboa está cheia de ciclovias. Nada mais falso! Há umas quantas ciclovias que terminam inesperadamente e que são substituídas pelo pior dos pavimentos. Dou dois exemplos. De Alcântara até ao Campo Pequeno um ciclista tem de ir sempre na berma da estrada na Av. de Ceuta que, para quem não sabe, tem uma berma de estrada miserável, cheia de tampas de esgoto e buracos. Depois começa a ter ciclovia já quase a chegar à Praça de Espanha que logo a seguir à dita praça vira para a direita, pelo que a Av. João XXI é de novo feita em alegre partilha com os carros. O segundo exemplo é ir pela beira rio e beira mar até Oeiras. Em Lisboa há uma ciclovia intermitente até à Fundação Champalimaud e depois disso o ciclista tem de ir naquelas ruas de paralelipípedos até Paço de Arcos. A partir daí, vai-se alternando entre umas ciclovias fabulosas e o passeio da marginal em calçada portuguesa... Diga-se de passagem que a minha pobre base de sustentação chegou ao fim do percurso Lisboa - Oeiras - Lisboa em muito mau estado!
Não obstante estes muitos obstáculos oferecidos pela cidade de Lisboa, ainda continuo a tentar mudar a minha vida de forma a que a Biquinha substitua definitivamente o passe. A ver vamos quando isso acontece...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Turismo e as Cidades

Tirando os breves meses em que vivi em Shantou, sempre vivi em cidades muito turísticas: Lisboa, Macau e Edimburgo. Quer dizer, sempre não... Quando cresci Lisboa não era uma cidade turística.

Ao crescer em Lisboa, era difícil encontrar uma boa esplanada, apesar de ser uma cidade com um clima fabuloso. Hoje em dia encontramos esplanadas em ruas, jardins, praças e mercados.

Ao crescer em Lisboa, havia pouca variedade de restaurantes internacionais, que permitissem aos Portugueses viajar na gastronomia mundial sem sair da cidade. Hoje há restaurantes representativos das mais diversas culturas gastronómicas e para todos os bolsos (até os de um forreta como eu).

Ao crescer em Lisboa, a Baixa metia medo de tão isolada que estava. Todas as semanas eu ia à reunião do MSV na Rua de São Julião e as ruas estavam deprimentemente vazias. Hoje encontramos restaurantes, bares e hoteis, bem como empresas, incubadoras de start ups, etc. espalhadas pela Baixa.

As boas esplanadas, a diversidade de restaurantes e a vida na Baixa são, em grande parte, causa e efeito do crescimento do turismo. Quantos mais turistas vêm, mais negócios abrem. E quantos mais negócios abrem, mais a cidade se torna atrativa para os turistas. E isso deixa-me contente... Fico verdadeiramente contente que cada vez mais pessoas vejam aquilo que eu sempre vi como Alfacinha, que esta cidade é mesmo o máximo e que tem muito para oferecer.

Em altura de debate autárquico fico triste quando todos os candidatos se queixam dos supostos malefícios do turismo e fazem promessas de medidas que o pretendem travar. Preferia que eles prometessem que iriam ajudar os Alfacinhas a receber melhor os turistas. O caos dos transportes públicos, as ruas cheias de buracos, as obras que duram muito mais tempo do que deveriam e são realizadas quando mais chateiam o dia-a-dia das pessoas, os tags e escritos nas paredes por toda a cidade... Tudo isto afeta tanto os turistas quanto os Alfacinhas.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Democracia

França é, neste momento como já há muitos anos, um tubo de ensaio sobre a Democracia. Em Democracia, a vontade da maioria prevalece, desde que não atente contra os direitos, liberdades e garantias de todos. O que acontece neste momento em França é que uma reforma do direito laboral anunciada na campanha por aquele que foi eleito Presidente com uma confortável maioria e pelo seu partido, que conseguiu uma igualmente confortável maioria na Assembleia Nacional, está a ser posta em causa por um grupo de pressão, a central sindical, que vê os seus direitos reduzidos.
Sempre vi a França como o país das greves. Nas duas vezes que optei pela Air France para ir para Hong Kong, foi apenas por sorte que consegui voar: de uma vez houve uma greve dos controladores aéreos a começar no dia a seguir ao meu vôo e outra houve uma greve do pessoal de terra mesmo no dia antes do meu vôo. Como eu reservava os vôos com meses de antecedência, não tinha forma de antecipar estas greves. Conclusão: nunca mais reservei vôos com a Air France. Não fosse o diabo tecê-las...
As greves a que asistimos neste momento e as outras muitas que ao longo dos anos nos habituamos a ver em França não apenas prejudicam o país (como o meu mínimo exemplo demonstra) como vão ao arrepio de uma reforma que fez parte do programa eleitoral do candidato Presidencial e do seu partido nas Eleições Presidenciais e Legislativas. Sim, elas são anti-Democráticas. A pergunta que se pode fazer aqui, como aquela que se fez na Alemanha ao longo dos anos 30 é: até que ponto deve a Democracia tolerar os anti-Democratas?

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Genteman is never racist (Or: how to leave Charlottesville?)

Sim, um gentleman nunca é racista, xenófobo ou de qualquer outra forma intolerante com pessoas que são como são porque nasceram de determinada forma ou vieram de outros lugares...
Não vou aqui filosofar sobre a origem do racismo na mentalidade humana. Nem sequer vou entrar no antigo braço de ferro Rousseau v. Hobbes sobre se o homem é naturalmente mau ou se, pegando na expressão dos nossos antepassados do Lácio, homo homini lupus. Mas mesmo sem grandes filosofias julgo ser fácil observar que os homens têm tendência a sentir-me mais confortáveis com aqueles que lhe mais são semelhantes em comportamento e origem cultural. De outro ponto de vista, podem recear o que é diferente, estranho ou fora da sua forma de agir. Quase como se isso fosse natural...
E é aí que entra a educação. Uma boa educação serve também para alterar maus comportamentos que até podem ser originários nos homens (de acordo com Hobbes) ou trazidos por erros educacionais (de acordo com Rousseau). Aprender a ouvir opiniões diferentes, a conviver com todo o tipo de pessoas, a adaptar-se a diferentes formas de viver e agir... No fundo, em bom português: "ter mundo".
Ora, um gentleman tem sempre mundo, tem sempre uma educação que acolhe bem a diversidade. Um gentleman vê a diversidade como uma oportunidade para repensar e até questionar as suas ideias que dessa questão podem ou sair cimentadas ou alteradas. Por isso, um gentleman não pode ser racista e um racista, daqueles que andam a agitar bandeiras nazis em Charlottesville, nunca é um gentleman.

Citações

Faço aqui uma citaçãozinha de algo que eu defendo desde sempre e que acabo de ver numa entrevista à nova Magnífica Reitora da Universidade católica Portuguesa, no Público de hoje. Se cito a Professora Isabel Capeloa Gil é também porque considero que a ideia aqui ficou melhor formulada do que eu o costumo fazer:
Lamento que tenhamos uma formulação do ensino secundário que obrigue o estudante a escolher no 9.º ano opções que são definidoras para a vida. Sobretudo se alguém quer optar por fazer Humanidades e chega ao 12.º e decide que quer ser médico. Tem de voltar atrás. Esse tipo de hiperespecialização com 14 ou 15 anos é destruidor, é o contrário de formar. Precisávamos de ter formação básica em Matemática, em Português, línguas estrangeiras, História e Física, um modelo de ensino secundário com grandes áreas de conhecimento transversais.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A gentleman is never late

Tenho noção de que este post é uma pregação no deserto aos peixes (sim, no deserto e aos peixes) ao ser escrito em Portugal. Os Portugueses, gentlemen ou não, têm com os relógios uma relação de amor-ódio. Amor se forem giros e lhes ficarem bem nos pulsos e ódio por não serem meros adereços de estética e lhes anunciarem que existem horas.
Mas isto quer dizer que os portugueses estão sempre atrasados? Não, claro! Para já nós fomos os primeiros Europeus a chegar praticamente ao mundo inteiro - os outros atrasaram-se uns 100 a 150 anos em média. Para além disso, os Portugueses combatem a sua tendência de chegarem atrasados com não estabelecerem horas.
O não estabelecimento de horas é, aliás, uma particularidade nacional. Para tal servirmo-nos da palavrinha mágica: "pelas". "Apareçam pelas 20h lá em casa" quer dizer: "nunca antes mas até às 21h ainda estão a tempo". Aliás, às vezes os Portugueses chegam mesmo a dizer "nunca antes". Aí é qualquer coisa do tipo: "venham lá almoçar a casa mas nunca antes das 13h porque é fim-de-semana e eu gosto de dormir". Isso quer dizer que se aparecerem para almoçar às 15.00 ainda vão totalmente a tempo.
Acontece, no entanto, aquelas vezes em que horas são mesmo estabelecidas. Isto acontece em quatro tipos de situação e exigem respostas diferentes:
1. Ambiente profissional - se tem a ver com o trabalho, um gentleman deve até fazer tudo por tudo para chegar 5 a 10 minutos ANTES. Isto tem a ver com ser direcionado à sala de reunião e para à hora certa poderem estar todos sentados à mesa.
2. Festas religiosas - vê-se logo que a Igreja é de inspiração divina porque é a única instituição em Portugal pontual. Se uma Missa começa ao meio-dia, não somos surpreendidos por ao meio-dia em ponto o celebrante entrar pela igreja fora. Um gentleman NUNCA se atrasa para uma Missa. Pelo contrário, até chega uns 5 minutos antes para estarem todos nos lugares quando o celebrante entra. Sempre fui educado em que "o Padre é o último a entrar e o primeiro a sair da Igreja." Já não é assim com casamentos os quais se sabe, de antemão, que vão começar com pelo menos meia hora de atraso. Aí admite-se que um Gentleman chegue uns 10 ou 15 minutos depois da hora que diz o convite mas não mais do que isso. Nesse caso deve ser a noiva (uma das celebrantes) a última a entrar.
3. Espetáculos: o mesmo que para as Missas: inacreditavelmente começam geralmente a horas, mesmo não sendo marcados por instituições de origem divina. Pelo menos 5 minutos antes o Gentleman deverá estar no seu lugar para não estar a passar à frente de toda a gente depois do espetáculo começar.
4. Para uma ocasião social organizada por um estrangeiro ou um estrangeirado.  Estas pessoas não dizem "pelas" nem "nunca antes", dizem "às". E aí isso quer dizer entre a hora estabelecida e 15 minutos depois. Não antes (a não ser que sejam íntimos) e depois só é aceitável antecedido de um pedido de desculpas por sms. Convenhamos que os transportes em Lisboa não ajudam à pontualidade, como eu já referi anteriormente, e para quem tem carro, o trânsito e os lugares de estacionamento tornam-se obstáculos. Claro que se deve procurar prevenir estes inconvenientes saindo com mais tempo do que o necessário, mas mesmo essas saídas antecipadas nem sempre são suficientes. Um sms resolve a situação, desde que o atraso não seja de mais de meia hora. Aí já se exige uns 3 sms com pedido de desculpa e justificação condizente.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lisboa menina e moça...

Lisboa está na moda e tornou-se um centro turístico à escala mundial. Basta andar pelo centro histórico para se notar as multidões de pessoas vestidas de forma desportiva e de máquina a tiracolo. Como qualquer moda, as suas consequências provocam críticas. E uma das maiores críticas que se faz é que os Lisboetas não conseguem viver no centro.
Mas será que isso foi mesmo provocado pelo turismo?
Durante décadas de congelamento de rendas e empobrecimento dos senhorios, a Baixa desertificou-se. Quando nos idos do início do século eu me deslocava semanalmente, nas noites de Segunda-feira, à Baixa, aquilo metia medo! Não só as ruas estavam desertas como dos prédios não vinha qualquer luz que denunciasse habitação. O ocasional velhote que ainda vivia naqueles prédios, fazia-o em condições que roçavam o terceiro-mundismo tal era a degradação. Nessa altura ninguém aí queria viver. Óbvio!
Hoje em dia estes mesmos prédios estão recuperados. Uns quantos servem de incubadoras de "start ups", outros de hostels e outros são apartamentos privados, muitos deles com alojamento local (vulgo AB&B) ou habitados por reformados estrangeiros em busca de uma cidade pacata e de impostos mais baixos. Sim, é difícil os Lisboetas poderem pagar para viver na Baixa, mas será mesmo culpa do turismo? E, já agora, será coincidência que é só agora que os Lisboetas se queixam que lá querem viver?
Se sairmos da Baixa, a situação repete-se. Nos últimos dois anos as rendas e os preços patrimoniais por todo o centro dispararam. Mas os negócios em Lisboa também dispararam: uns ligados ao turismo, outros "start ups", outros ainda serviços de baixo custo...
Paga-se mais pelas casas mas também se cria mais riqueza. Isso parece o natural do mercado, não é? É! Mas é para isso que servem as políticas públicas, para procurar internalizar os custos de uma economia a funcionar. Esta internalização deve procurar, claro está, não matar as galinhas dos ovos de ouro. Isto será assim tão impossível de fazer?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A Gentleman always opens the door for a Lady

Abre a porta, deixa passar primeiro, levanta-se quando a senhora chega, carrega-lhe os sacos, cede-lhe o lado de dentro do passeio... Bem, tanta diferenciação! Será que o Gentleman tem também de ser um misógeno machista que não acredita na igualdade entre homens e mulheres?
Bem, nesta altura há que explicar que igualdade implica alguma diferenciação. Tomemos o exemplo das Forças Armadas. As provas físicas de entrada nas FAs são diferentes para homens e mulheres precisamente porque se reconhece que para haver igualdade de oportunidades tem de haver um reconhecimento das diferenças.
E o que é que isto das FAs tem a ver com a forma como os Gentlemen tratam as Ladies? (espero que o meu amigo Jorge não leia isto para não me dar um murro pelo uso desnecessário de anglicismos)
Um Gentleman reconhece que apenas as mulheres podem engravidar, dar à luz e aleitar. Com todas as alegrias que essas atividades trazem, há que reconhecê-lo que são chatas como tudo! O peso da criança na barriga, as ocasionais varizes e pernas inchadas, as alterações de humor e de apetite, o parto (nem quero imaginar) e depois disso andar a servir de restaurante com as ocasionais mastites que isso provoca e tudo o mais.
Tudo isto é chatíssimo mas se as mulheres não o fizessem nós todos (homens e mulheres) deixávamos de existir e nós (homens) também não teríamos aqueles brinquedos giros que se chamam filhos e nos permitem ensinar a andar de bicicleta, levar ao jardim e fazer de burro com eles no lombo mesmo em salões respeitáveis. No fundo, abrir a porta e carregar um saco de vez em quando é a forma de um verdadeiro Gentleman agradecer por toda esta (grande) chatice. E fá-lo por todo o mundo masculino a todo o mundo feminino - não é necessário que a mulher em causa tenha sido ou planeie vir a ser mãe.
Mas um Gentleman também deve aprender a abrir exceções. Há mulheres que se ofendem com estas cortesias. Acham isto um machismo condescendente e não o resultado de uma esmerada educação que deixa os pais dos Gentlemen em causa orgulhosos. Pois então é deixá-las abrir as portas e fazer tudo o mais... 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Gentleman is never drunk

O motivo para esta máxima é óbvio: só a malta vulgar se embebeda. Mas será que um Gentleman nunca bebe? Sim bebe! E será que nunca passa a sua conta? Sim passa! Então como é que o dito cujo Gentleman nunca está bêbado?

Isso é o segredo de um Gentleman. É que o Gentleman, mesmo que mal consiga andar e que já nem distinga entre noite e dia (acontece), está apenas "slightly under the influence".

E como é que se distingue um Gentleman slightly under the influence e um vulgar homem bêbado? Pois é simples... Se for eu, é um Gentleman slightly under the influence. Se for outro homem qualquer é um vulgar homem bêbado.

A Gentleman, such as myself...

"A Gentleman, such as myself,..." Este início de frase já se popularizou entre os meus próximos e é vista como uma exceção à minha habitual humilíssima maneira de estar. No fundo, eu estou ali entre o maior dos Gentlemen do século XXI e o mais humilde dos monges Franciscanos do século XIV.

Mas vem este post a propósito de um pedido de multidões de leitores atentos deste blog (sim, aquele leitor que por engano aqui entrou no outro dia) para que eu exponha aqui as regras para um Gentleman do século XXI.

Serve este post para um aviso prévio sobre as regras de um Gentleman: elas são sempre absolutas. Incluem sempre um "always" ou um "never". Só depois desta absolutidade aparecem as exceções. A Gentleman always loves exceptions...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Proibição de autocarros turísticos

A Câmara Municipal de Lisboa decidiu que os autocarros turísticos deixam de poder, a partir de hoje, circular no centro histórico. Esta medida, como tantas outras que a CML tem tomado para reduzir o trânsito e o estacionamento no centro de Lisboa seria ótima SE... (aqui há um enorme SE) ...seria ótima SE os transportes públicos em Lisboa estivessem a funcionar convenientemente.
Eu, que não tenho outro meio de transporte que não sejam as minhas pernas e o passe intermodal, apercebo-me da constante degradação da qualidade dos transportes públicos nesta cidade. Ao fim-de-semana e à noite, é um pesadelo apanhar um autocarro: espera-se durante horas e quando ele vem, está cheio e com toda a gente mal disposta. Durante a semana é mesmo impossível apanhar um autocarro à hora de saída do trabalho: eles estão tão cheios que nem param. E quando param é uma suadeira lá dentro de tão cheios que vão e com o ar condicionado tantas vezes ou a não funcionar ou ligado no mínimo.
Se os autocarros estão mal, o metro está ainda pior! A frequência da passagem de metros é cada vez mais reduzida. Lembro-me que antes de sair de Portugal para Macau, em 2007, nunca esperava mais que 6/7 minutos pelo metro. Hoje em dia já cheguei a esperar 15 minutos. Ainda para mais, vá-se lá entender porquê, aos fins-de-semana, quando a cidade está a bombar de turistas, os metros estão reduzidos a três carruagens! E melhor ainda é quando o ar condicionado da estação está avariado, como acontece por vezes na estação do Saldanha, e nós estamos 15 minutos a pingar.
Com esta nova medida ficamos a saber que todos os turistas que apanhavam autocarros de grupo para o centro histórico de Lisboa, vão passar a apanhar os transportes públicos! Já não era fácil o acesso àquela zona... Claramente isto é para que nós, Lisboetas, nem tenhamos a ousadia de ir ao centro da nossa cidade.
Aos poucos Lisboa vai-se barcelonizando: o centro histórico é apenas para turistas porque os lisboetas nem lá conseguem aceder.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Menos Legislação = Melhor Legislação

A Comissão Europeia apresenta agora os resultados dos seus esforços para reduzir legislação. No fundo demonstra que últimos anos fez um esforço para apresentar menos medidas legislativas, retirar processos legislativos em curso e revogar legislação já aprovada. O grande objetivo destas iniciativas é o de legislar melhor, partindo do princípio que legislar menos e apenas em áreas nas quais a União traga um valor acrescentado à legislação dos Estados, equivale a uma melhoria. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Mulheres na Liderança / Homens no Lar

Há duas semanas tive o prazer de ser apresentador (o termo oficial é mais pomposo: mestre de cerimónias) de uma conferência organizada pela Associação das Embaixadoras em Portugal e patrocinada pela Presidência da República sobre "Mulheres na Liderança". Para além de ter contado com paineis de luxo e de ter sido muito interessante, a conferência deixou-me ainda mais alerta para injustiças do dia-a-dia que até podem podem parecer pequenas mas que se vão acumulando e levam a resultados verdadeiramente assustadores.
Desde essa altura, estando eu mais alerta para este assunto, tenho-me deparado que esta faca do preconceito é de dois gumes. Se é difícil às mulheres obterem os mesmos benefícios que os homens em setores onde estes tradicionalmente dominam, também não é mais fácil para os homens entrar em "mundos" que a sociedade foi atribuindo às mulheres.
Dou-me conta disto quando falo das tarefas domésticas. De cada vez que digo que faço máquinas e estendo a roupa, vou ao supermercado, cozinho, etc., vejo-me confrontado com olhares que variam do gozo à surpresa. Pois eu faço tudo isso e mais sem que sinta que a minha masculinidade saia afetada. Não vou mentir ao ponto de dizer que o faço com muito gosto. Mas posso dizer que o faço com a resignação de quem entende que quem suja, deve tratar da limpeza, independentemente do sexo.
E aqui aponto um dedo acusador às mulheres. É raro sentir que os olhares de gozo ou surpresa venham de homens. Pelo menos não de homens da minha idade... O mais comum é que venham do sexo oposto. Será que as senhoras têm medo que nós sejamos tão eficientes quanto elas nos afazeres domésticos?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Bailado

Na semana passada, graças a uma confusão com o meu homónimo que eu nem conheço, foram-me oferecidos dois bilhetes para ir assistir a um bailado (quatro em um, para ser preciso) no Teatro Camões. Fui com a minha irmã, que é homónima da irmã do meu homónimo. E que conveniente coincidência que me levou a tão bom conjunto de bailados por quatro coreografos tão diferentes!
A primeira peça, de Olga Roriz, chama-se "13 gestos de um corpo" e cativa o espetador pela sua intensidade. A segunda peça, do também PortuguêsVasco Wellenkamp, chama-se "será que é uma estrela?" e exprime uma grande emotividade.
A noite continuou cantada ao vivo com bossa nova pela Maria João numa sucessão de três pas de deux pelo Americano William Forsythe. Muito romântico e bonito! Para remediar a lágrima no canto do olho deixada por Forsythe, o bailado do coreografo Israelita Ohad Naharin trouxe uma boa disposição contagiante. O público foi, inclusivamente, levado para o palco para dançar com os bailarinos. Um final com chave de ouro!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Eurovisão Porto 2018


Uma imagem vale por 1000 palavras...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

С Днем Рождения, папа!

Não sei de onde vem chamar ao meu pai "o Russo", mas é uma coisa que sempre ouvi lá em casa. Sempre uma designação ligada ao pagamento de qualquer coisa: "o Russo paga!" Não que o nosso Russo tenha semblante ou ascendência Eslavos. Nem mesmo os hábitos de gastar dinheiro são iguais aos reconhecidos protótipos dos magnatas de Sampetersburgo e Moscovo - graças a Deus nunca lhe vi um rolex de ouro a reluzir no pulso nem o vi enfarpelado num casaco de peles de um qualquer animal em extinção.
Ora o nosso Russo faz anos hoje. Uns anos feitos numa altura bem mais pacífica do que quando nasceu, época em que os Alemães faziam das suas tropelias na Europa e os Japoneses na Ásia. Já lá vão uns quantos anos e o Russo já não se lembra disso. A desculpa para tal é que nessa altura estaria mais preocupado com assuntos mais magnos como aprender a andar.
Nós, não Russos, a 4 de Maio celebramos o dia do nosso Russo. É caso mesmo para dizer:
С Днем Рождения, папа!

Filho e Neto com o Russo

Zurique - o trauma da bica!

Há um ponto negativo em Zurique. Um ponto quase traumático... Um ponto que me fará pensar duas vezes antes de voltar a visitar a Suíça... Os preços!
Esta chávena vazia foi o meu testemunho disso. Entrei num café absolutamente normal e pedi uma bica. Sim, aqueles poucos centilitros de uma bebida que é feita com umas gramas de café e água da torneira, sai de uma máquina de onde podem sair uns milhares de outras iguais por dia... Aquela coisa que no Porto se chama cimbalino, pelo resto do país se chama café e no estrangeiro, aquele sítio genérico que designa tudo o que não é o nosso cantinho, se chama expresso. Uma bica é uma coisa tão pequena que até podia ser levado connosco na bagagem de mão do aeroporto!
Pois depois de a pedir, bebi-a e, pouco depois, pedi a conta. Disseram-me €5 (FCh 5) por estes poucos centilitros de quase nada! Eu esclareci que só tinha pedido uma bica e que nem tinha tocado nos croissants que estavam embrulhados em celofane em cima da mesa (hábito pouco ecológico dos Suíços). A senhora, com um sorriso, explicou que aqueles três golos de café custavam precisamente €5!
O trauma! O horror! Considerei fugir mas, resignadamente, paguei. Não sem antes me revelar chocado, traumatizado e outras coisas terminadas em ado...

Zurique - 22 de Abril





A minha viagem começou por Zurique, o centro da finança na Suíça. É uma cidade lindíssima e que vale muito a pena visitar. O centro está todo ao redor de um rio e do Lago Zurique, o que lhe dá um charme ainda mais especial. Como cereja no topo do bolo, um fabuloso dia frio de sol: há melhores condições para visitar uma cidade?

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Piores transportes, melhor cidadania!

Hoje de manhã, na paragem de autocarro, começou a já habitual conversa do "isto está cada vez pior", desabafo de todos aqueles que, como eu, usam os transportes públicos no dia-a-dia. Cada vez se espera mais pelo autocarro e, como consequência, este vem mais cheio.
A certa altura, no meio da conversa, uma mãe com um miúdo de uns 6 anos, diz "ao menos o passe para os miúdos agora é grátis". Ao que, involuntariamente, me sai um "grátis não, porque não há almoços grátis, mas sim, foi uma boa iniciativa". A senhora olha para mim sem entender e responde que é grátis porque não tem de pagar. Eu lá lhe expliquei que se os miúdos não tinham que pagar mas mesmo assim usavam o serviço, o seu uso teria de sair das contas da carris ou da câmara municipal e assim ser pago pelos impostos de todos os munícipes. Salientei, mais uma vez, que era a favor da iniciativa (não fosse a senhora achar que eu estava contra contribuir para o passe do filho) mas que de algum sítio o dinheiro para pagar o serviço teria de vir.
Ela mostrou-se muito surpreendida, nunca tinha pensado no assunto. E eu fiquei muito surpreendido que alguém nunca tivesse pensado no assunto (mas não o demonstrei por cortesia).
E nessa altura, finalmente, veio o autocarro cujo notável atraso tinha gerado a troca de impreesões em primeiro lugar. Uma coisa se tem de dizer: a pioria do serviço dos transportes públicos fomenta a troca de ideias entre os munícipes... Quase que dá um slogan: "piores transportes, melhor cidadania!"

segunda-feira, 6 de março de 2017

O vício de se mostrar presente

Nesta 6a tive o prazer de ir ver o concerto "Zambujo canta Chico" no Grande auditório da Gulbenkian (é sempre um prazer assistir a um concerto do Zambujo). Logo no início do concerto houve um pedido para não se tirar fotografias, filmar ou gravar o espetáculo. Pois nem 5 minutos se tinham passado do início do concerto que logo começaram umas quantas pessoas a sacar dos seus telemóveis, ferindo com isso os olhos que já se tinham habituado ao escuro com aquela irritante luz do visor. Em contravenção ao que tinha acabado de ser pedido, começam a sacar fotografias e, acto contínuo, a postá-las no facebook.
Isto vem de um novo vício social que é o vício de se mostrar presente nos eventos. Já não basta ir a um concerto do Zambujo: tem também que se mostrar a todos os contatos do facebook que se foi ao concerto do Zambujo. Nem basta jantar-se com uns amigos, tem que se mostrar que se jantou com os amigos. Nem basta sequer dar-se um passeio solitário pela natureza para se recarregar as energias: até para aí segue o telemóvel e até, para os mais viciados, o selfie-stick para se ter a certeza que toda a gente sabe que se está a fazer qualquer coisa.
O objetivo de todas este mostrar-se presente não é beneficiar-se os amigos com informação relevante. É apenas mostrar-se que se é ativo, cheio de amigos e programas. No fundo, uma bazófia! E eu nem sou contra bazófias. Um bocadinho de bazófia só nos faz bem ao ego. Mas já sou contra a bazófia quando esta é feita em contravenção das regras estabelecidas (neste caso pela Gulbenkian) e com o o desconforto das pessoas presentes (a luz do visor no escuro da sala).
Por isso, caros bazófios: bazofiem-se mas com limites, sff!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Exercícios Espirituais

Os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola foram escritos há quase 500 anos mas continuam tão atuais como sempre. Foram pensados pelo fundador da Companhia de Jesus para retiros de um mês em que um grupo de pessoas, orientadas por um Jesuíta, fazia uma experiência de encontro com Deus. Mas não era suposto que esta experiência se ficasse por aí. O objetivo é que as pessoas ao regressarem ao seu quotidiano o fizessem de uma forma especial.
Imagino que há 500 anos fosse mais fácil tirar um mês seguido de férias do que hoje, o que levou os Jesuítas a fazerem uns compactos desta versão inicial que podem ser de um ano com reuniões quinzenais, de sete dias ou de quatro dias. Eu já experimentei todas estas versões hodiernas e acabei agora de regressar de 4 dias em Palmela, o mesmo lugar onde há muitos anos fiz os meus primeiros exercícios. Fui, na altura, convidado por uma amiga, a Margarida. Foi aí que ouvi pela primeira vez falar do MSV, movimento do qual fiz parte durante sete anos e que tanto influenciou a minha vida.
Cada uma destas experiências de exercícios espirituais mudou a minha forma de estar com Deus e com os outros. Quer dizer, em cada uma Deus convidou-me a mudar e só posso agradecer Ele ser tão compassivo e aceitar a minha mudança tão lenta.
É muito bom fazer os exercícios quando se tem grandes decisões para tomar ou quando a vida está num turbilhão e precisa de ser organizada. Eu fui para estes exercícios convencido de que estava tudo sob controlo na minha vida e que ia só para um check up geral. Deus trocou-me as voltas... Afinal de contas Ele tinha muito para me dizer e muitas propostas a fazer-me. Eu é que, no turbilhão do dia-a-dia não O ouvia.
Agradeço às Irmãs Escravas estes fabulosos toques de Deus! Agradeço o acolhimento que sempre nos dispensam nesta casa fabulosa. E, já que falo em casa das Escravas, agradeço que não me processem por eu me ter locupletado a partir do seu site com a fotografia que ilustra este post.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Férias em Sabah III

Depois de pouco tempo em Kota Kinabalu, onde eu sabia que havia de regressar, apanhei um voo para Tawau para daí ir para Semporna, no Sul de Sabah. O meu objetivo era claro: fazer mergulho. Semporna tem alguns dos melhores locais do Bornéu. Ao chegar a Semporna comparei os centros de mergulho e acabei por escolher o Scuba Junkie, que recomendaria vivamente a quem estiver a pensar fazer mergulho em Semporna. É um centro com boas condições de segurança, com preocupação pela preservação ambiental e consciência social. Uma das coisas que os mestres de mergulho fazem, por exemplo, é ações de sensibilização ambiental com os "ciganos do mar" (sobre os quais escreverei noutro post).
Fiquei no hostel do centro de mergulho em Semporna porque ficar na ilha de Mabul (Pulau Mabul) era muito mais caro. Foi uma decisão sensata dado que conheci alguns mergulhadores que lá ficaram e disseram que o dormitório era mal ventilado e muito quente. Claro que em termos de diversão, lá é que era divertido: uma data de mergulhadores numa ilha
Na primeira manhã de mergulho, fiz um curso para me lembrar das regras de mergulho, já que não mergulhava há cerca de cinco anos. Era suposto ter sido todo o dia, mas a minha mestre concluiu que eu me lembrava de quase tudo, por isso à tarde já nos juntámos os dois a um grupo maior. Os três dias que passei a fazer mergulho foram ótimos! Vi recifes lindíssimos, uma grande variedade de peixes, tartarugas e outra fauna do mar, bem como paisagens submarinas lindíssimas. Recomendo vivamente!
Mas isso não quer dizer que não haja o problema da poluição. Por todo o Bornéu o mar está cheio de lixo... Mesmo assim nos sítios de mergulho para onde fui mais longe da costa não se via quase nada disso. Aqueles mais perto do Bornéu é que tinham uns sapatos no meio das algas, uns sapatos no meio dos corais, uns sacos na areia. Uma pena!
Semporna em si mesma é uma cidade feia mas tem alguns sítios agradáveis. Havia um hotel no porto com um restaurante na cobertura com ótima vista sobre o mar e as ilhas onde fui jantar duas vezes: mal cheguei fui para lá com um livro e passados dois dias com um grupo que tinha estado a mergulhar comigo. O mercado de peixe, na zona do porto, e o mercado das frutas, vegetais e roupa, perto da mesquita também eram giros. Gostei de ver produtos exóticos, dos cheiros das especiarias, chá e café. Nem todos os cheiros eram muito agradáveis, como por exemplo uma coisa que parecia tofu mas tinha um cheiro mais intenso, mas isso faz parte do exotismo.
Em conclusão: quem gostar de mergulho não perca Semporna. Quem não gostar: não vale muito a pena ir lá.


sábado, 7 de janeiro de 2017

Férias em Sabah II

Em primeiro lugar devo dizer que não planeei nada para esta viagem, tirando que entre 18 e 26 de dezembro estaria com o resto da família numa praia a norte de Kota Kinabalu (KK), capital de Sabah. Fiz mal! Muito ficou por ver, o que poderia ter sido resolvido com alguma pesquisa prévia. Sugiro, assim, que quem vá viajar para o Bornéu, planeie com alguma antecedência.
No dia 8 de dezembro começaram as minhas férias com o voo para KK, parando antes em Istambul e em Kuala Lumpur. É uma viagem longa e cansativa porque se tem de fazer duas escalas. Cheguei a KK à meia noite e ao hostel que tinha reservado à uma da manhã. No dia seguinte muni-me de um mapa da cidade e fui ao Turismo de Sabah, situado num dos poucos edifícios anteriores à II Grande Guerra na cidade onde recebi algumas sugestões. Depois de umas quantas marcações fui ao ferry apanhar um barco para Pulau Manukan - pulau é ilha, pelo que estou a falar da Ilha Manukan.
Ao chegar, a praia onde o ferry parava estava tipo Caparica num fim de semana de sol em Junho. Mas não era bem como a Caparica, era uma versão Asiática da Caparica porque logo atrás da praia estavam imensas mesas cheias de pessoas a comer e nas sombras estavam as mulheres muçulmanas, todas tapadas e de véu. Algumas até se aventuravam, com esta pouco prática indumentária, a ir nadar.
Por muito interessante que este cenário fosse, eu fui ver se encontrava uma praia mais vazia.
Lá segui um caminho que me levava ao Ocidente de Manukan e aí, ao descer umas rochas, avistei uma praia deserta. Avistei-a do outro lado de rochas e o caminho tinha que ser feito dentro do mar. Com uma mochila às costas e sem sapatos de borracha para andar em cima de rochas e pedras, o percurso até lá não foi fácil. Lá chegado, compensou: tive uma mini-praia tropical toda para mim! Lá fiquei umas duas horas a relaxar, nadar e ler. Depois disso passei pela mesma aventura para regressar à praia principal e apanhar o barco de regresso a Kota Kinabalu.
Foi no barco que conheci um casal simpatiquíssimo de namorados: a Ilana (Novaiorquina) e o Jori (de Gronningen). O Jori ficou muito surpreendido e bem impressionado por eu já ter estado em Gronningen, mas não tanto quanto a Ilana ficou por eu não conhecer Nova Iorque. Eu abstive-me de comentar sarcasticamente que, de facto, me parecia incrível eu não conhecer a terra desse grande homem que é o presidente eleito dos EUA. Acabámos a jantar juntos e a beber vinho branco de má qualidade (mesmo assim, bem mais por garrafa do que um bom vinho em Portugal) até às tantas. Uma ótima forma de terminar o meu primeiro dia de viagem pelo Sabah...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Férias em Sabah I

Voltei ontem de passar três semanas em Sabah. Já sei que aquele leitor que ocasionalmente vem aqui poder-se-á interrogar: mas o que é isso de Sabah?
Ora, este mapa explica... Sabah é uma pequena parte da grande ilha do Bornéu. Tem mais ou menos o tamanho da República Checa e fica no extremo Nordeste dessa que é a terceira maior ilha do mundo. É um dos estados federados da Malásia.
Para além do Sabah, existe outro estado federado Malaio na ilha, Sarawak.  Existe também uma grande província da Indonésia chamada Kalimantan e um pequeno Sultanato independente, o Brunei.  
E o que é que me passou pela cabeça para ir para tal sítio passar o Natal? Ora, eu tenho um irmão, uma cunhada e três sobrinhos a viver em Macau. Vai daí, juntamente com pais e irmã, decidi ir passar o Natal à Ásia dado que eles não podiam vir de tão longe só por uma semana. Depois de debatermos alguns sítios que nunca nenhum de nós tivesse visitado e que tivesse voos diretos de Macau ou Hong Kong, acabamos por escolher voar para Kotta Kinabalu, capital do Sabah. Daí a decisão de Sabahtizarmos o nosso Natal.