segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conferências

Aqui há umas semanas o Prof. Paulo Castro, o meu orientador de mestrado sugeriu-me o desafio de participar numa conferência em Banguecoque sobre Direito Europeu. Eu fiquei super contente porque poderia escrever um artigo que seria publicado nas actas da conferência. Isto, é claro, conta como publicação internacional, o que é importante para promoções. Para além disso, seria a oportunidade de conhecer pessoas ligadas à área, etc. Grande oportunidade mesmo!
Hoje convidou-me para outra conferência sobre Direito Internacional em Taipei. Fiquei parvo! Duas conferências internacionais em tão pouco tempo! Também tenho que escrever um artigo, mas dado que este é na minha área da tese, posso estar a escrever o artigo e a desenvolver a tese ao mesmo tempo, pelo que é só vantagens.
Na semana passada acabei 5 semanas de uma cadeira que estive a dar na Universidade de São José, que é outra Universidade aqui em Macau. Neste momento estou, precisamente, a corrigir os trabalhos dos alunos, para lhes dar as notas e pronto, esse trabalho fica concluído! Assim posso dedicar mais tempo aos artigos e à tese (sem descurar as aulas na Universidade de Macau, claro está).
Estou muito mais animado com o meu trabalho! A certa altura parecia-me que a minha vida profissional estava estagnada, ao que se juntava à sentimental. Agora, pelo menos, só a vida sentimental é que está estagnada... :-) Já não é mau!
E isto segue-se a um fim-de-semana de descanso. Já há cinco semanas que eu não descansava um único dia: todos os dias vinha para o gabinete trabalhar em artigos ou nas aulas da UM ou da USJ, etc.. Soube-me mesmo bem: tive tempo para estar sozinho a passear pelas matas de Coloane; tive tempo para estar com amigos em almoços e jantares; tive tempo para conversar com Deus sobre a vida, pedir-Lhe sinais... E logo que a semana começa, recebo este sinal!...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Papa e o preservativo

A pedido da Xana (nos comentários ao post aqui em baixo), vou aqui deixar a minha humilíssima opinião acerca desta entrevista do Papa em que SS se pronuncia acerca do uso do preservativo. Há que deixar bem claro que esta opinião é de um Católico...
Julgo que em condições normais, estas declarações de SS seriam absolutamente dispensáveis. Ou seja, SS não muda uma vírgula àquilo que a Igreja anda a dizer e escrever há décadas, em encíclicas como a Humanae Vitae e noutras declarações. Mas as condições não são normais, ou seja, a imprensa tanto ataca a Igreja e faz um tão mínimo esforço para compreender o que a Igreja diz, que a Igreja tem de explicar tim-tim por tim-tim aquilo que sempre defendeu.
Para entender o que a Igreja sempre escreveu sobre o preservativo, tem que se entender umas quantas coisas antes.
A Igreja é conduzida pelos homens, dirigida pelos e para os homens mas não vem dos homens. A Igreja vem de Deus. Foi Deus que a criou através do Seu Filho ("tu és Pedro...") e é Deus que a conduz através do Espírito Santo (só é pena que nem sempre os homens entendam o que o Espírito Santo lhes diz).
Sendo de Deus, a Igreja tem a missão dedirigir os homens a Deus. A Igreja tem a missão de converter os "corações de pedra" e transformá-los em "corações de carne." E levar os homens a Deus é apontar-lhes um caminho de libertação e de amor que é muito diferente dos caminhos que nos prendem e submetem, tirando-nos a liberdade. A isto se chama o caminho de Santidade.
As propostas que a Igreja oferece de Santidade incluem vermos nos outros (no próximo) sempre um fim e nunca um meio. Implica que não devemos usar o próximo para nosso prazer. Implica também não usarmos o nosso corpo apenas para nosso prazer mas respeitá-lo como morada do Espírito Santo que é.
Assim sendo, a Igreja tem defendido que a relação sexual serve como expressão máxima de amor entre um homem e uma mulher e entrega absoluta um ao outro. Esta entrega absoluta é como a entrega absoluta ao sacerdócio. Quer isto dizer: "eu sou todo teu, o que quer dizer que não me entrego a mais niguém, para sempre." E quando é que um homem e uma mulher dizem "eu sou todo teu"? No casamento. Vai daí a Igreja tem defendido há muito tempo que a relação sexual se deve apenas dentro do matrimónio.
Ora, se toda a gente no mundo apenas tivesse relações sexuais dentro do matrimónio, as doenças sexualmente transmissíveis deixavam de se transmitir, certo? Se duas pessoas se casam virgens e não "saltam a cerca", como é que podem ter doenças sexualmente transmissíveis? A não ser, é claro, que haja outras formas de transmitir essas doenças, como é o caso da SIDA (sangue, etc.).
Logo, o que a Igreja está aqui a dizer é que se seguir o caminho que Ela propõe - relações apenas dentro do matrimónio - então o preservativo é inútil, pelo menos do ponto de vista da transmissão de doenças. O que todos os jornalistas vêm dizer é que em África não há fidelidade (até parece que na Europa há) e por isso dizer-lhes para não usarem preservativo é irresponsável. Mas o Papa sempre defendeu as relações dentro do matrimónio. Quem as tem fora (e muitos temos telhados de vidro) pois então já está fora do caminho proposto. É o que eu ando a dizer há anos: a Igreja condena quaisquer violações da vida humana, pelo que será idiota discutir se se deve matar com cadeira elétrica ou injeção. Da mesma forma, se se tem relações fora do casamento, também é idiota interrogar-se se estas devem ser com ou sem preservativo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Há tanto tempo...

Dada a minha falta de assiduidade como escritor deste blog, presumo que também já pouca gente venha aqui lê-lo. Assim como assim, já lá vai um mês desde a última vez que escrevi...
E o que é que se tem passado na minha vida? Muita coisa!
Em primeiro lugar, depois de já ter começado a escrever não sei quantos artigos jurídicos, finalmente terminei o primeiro. É sobre um arquipélago do Mar da China Oriental que está em disputa entre a China e o Japão. Aqui há uns meses não se falava de outra coisa por estas bandas por causa de um maluco de um pescador Chinês. Ele andava a pescar naquelas águas, que são patrulhadas pelo Japão, foi apanhado pela patrulha Japonesa e esta madou-o ir embora. Em vez de obedecer, ele decidiu albarroar o barco de guerra Japonês. Isto, considerou ele, era uma missão patriótica. Isso, considerámos nós, os estrangeiros que por aqui vivem, era uma piada que ainda provocou bastantes gargalhadas.
Para além deste artigo, que espero ver publicado em Portugal, já estou quase a acabar um segundo artigo para o buletim da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. Agora que lhe tomei o jeito...
Em segundo lugar durante um mês estou a dar aulas em tempo parcial noutra Universidade, a Universidade de São José. Isto tem sido um bocado duro porque não tenho tido tempo para nada: 3 horas por dia de 2a a 5a para além do trabalho na Universidade de Macau...
Em terceiro, está cá o meu irmão Gonçalo. Veio procurar emprego e, se ele encontrar, vem também a minha cunhada Rita. De um momento para o outro triplica o número de Alvins na China. :-) Estou a gostar muito de cá o ter porque não tenho assim tantas ocasiões para estar com a família e porque é bom misturar um bocadinho o mundo de Macau com o mundo de Lisboa.
Por último, em Fevereiro vou participar numa conferência sobre assuntos Europeus em Banguecoque pelo que já comecei a escrever ainda um outro artigo para essa conferência. Vai ser a primeira vez que vou participar numa conferência fora de Macau e tenho direito a viagem e estadia paga! Yeay! Tenho é que acabar este artigo que ainda mal comecei em um mês para que ele possa ser publicado no livro da conferência.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meanwhile, in Mexico...

Estava eu a viver na minha casa na Lapa quando decidi aderir ao couchsurfing, que é um site na internet de troca de sofás para dormir. Basicamente, alguém está a viajar, precisa de dormir numa cidade qualquer, faz um pedido a quem está inscrito no site e viva nessa cidade e fica lá a dormir em casa.
Um dos primeiros couchsurfers que eu tive foi o Isaac, um Mexicano que estava a fazer um mestrado em Paris. Como ele ia na altura do Natal, passou o Natal de 2006 com a minha família, depois foi viajar por Portugal e voltou a Lisboa a tempo de passar o Ano Novo em casa dos meus amigos Mariana e Tiago que lá fizeram uma festa.
Desde disso fui "falando" com ele no msn, trocando mails, comentando facebook... Uma amizade à distância, mas uma amizade.
No fim de Junho mandou-me um mail a pedir-me opinião. Estava a dar aulas numa Universidade no México mas estava cheio de planos: tinha uma boa oferta de trabalho em Paris, queria fazer o doutoramento, etc. Eu respondi com uma longa opinião (quem me conhece...), debatemos as alternativas no msn e ele estava todo animado com a ida para Paris.
Desde aí que não o encontrava no msn mas não estranhei, porque por vezes só encontro amigos no msn de meses a meses.
Ontem o facebook disse-me que ele fazia anos. Deixei-lhe uma mensagem de parabéns na wall a perguntar o que era feito. Passadas umas horas recebi uma mensagem de uma ex-aluna a dizer-me que ele tinha morrido mas não dizia mais nada. Fui ver a wall dele, mandei umas mensagens a uns amigos dele e foi aí que fiquei a saber toda a estória. Ele estava a viver em Monterrey onde partilhava casa com uns amigos. A 6 de Julho eles foram sair à noite. Ele não quis ir e nunca mais foi visto. Não se sabe se decidiu ir dar uma volta à noite ou se acordou mais cedo que os amigos e saiu de casa de manhã... Só se sabe que desapareceu.
Passados quase dois meses foi encontrado o corpo dele numa vala. Fez-me impressão porque ele era novo, era um amigo, tinha sonhos e ia fazer um doutoramento na área do comércio justo e protecção do ambiente... Faz-me impressão porque de tudo o que consegui saber, isto já é normal no México: as pessoas desaparecem e são encontradas em valas comuns ou nunca encontradas.
E este tipo de coisas acontecem com Mexicanos, com turistas, com "gringos" Americanos em negócios, etc.. Acontecem em todas as cidades Mexicanas, acontecem na Riviera Maia, Cancum, etc.. E quando acontecem, podem dilacerar a vida de uma família e de um grupo de amigos, mas já nem aparecem nas notícias porque já são banais.
Não sei se é de eu estar a viver na Ásia onde estas coisas se acontecem, é só nas Filipinas e não em tão grande quantidade, mas isto para mim não é normal. Não é mesmo!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Afinal de contas...

Afinal de contas não sou o único a achar piada à situação do Passos e do Sócrates:
http://www.youtube.com/watch?v=BvFz1QWhLok

Uma manhã em Macau

Hoje o meu dia começou de forma engraçada.
Estava eu a tomar o pequeno almoço na varanda quando chega uma carro para estacionar a um lugar enorme do outro lado da rua. Tenta uma vez, manobra de um lado para o outro, não consegue, tira o carro, volta a tentar, quase atropela duas Filipinas que tinham deixado as crianças na escola ali ao lado, elas fogem com medo (talvez tenham tido medo que fosse alguém a querer vingar-se dos Filipinos por aquele assalto ao autocarro aqui há um mês), ela volta a tirar o carro... Da cozinha corro para o quarto para apanhar a máquina de filmar, enquanto procuro a máquina ele tenta uma terceira vez (atenção, o lugar era enorme) e quando chego à janela, já com a máquina em punho já ele voltou a tirar o carro e está à espera, acaba por desistir e vai-se embora. Nessa altura chega outro carro, do mesmo tamanho, que estaciona em 10 segundos.
E foi assim que o meu dia começou!

sábado, 25 de setembro de 2010

Esta é a resposta às minhas dúvidas, inquietações e incertezas musicais vinda directamente do Marcos, cantor de ópera e professor de música:

Não fiques triste nem angustiado que a tua pessoa afinal, até é humana e reconhece os seus erros...ahahahah
Então é assim, infelizmente a maioria das pessoas ( pensa q a musica clássica ) é uns plim plins pá aqui e outros trim trim para lá...e não é nada mesmo, É UM MUNDO ENORME!!!! Tem imensas coisas para saber e imensas categorias para dominar! Mas isto não se faz assim de um dia para o outro...á q estudar e perceber a diferença entre um Largo e um Larghetto ( se bem q existe uma medida q se chama o metrónomo que categoriza estas diferenças) mas no tempo de Mozart os Largos eram de uma medida e por exemplo em Schubert o mesmo nome largo não tem o mesmo andamento...enfim uma complicação!!!
Mas aqui vai uma pequena ajuda, os largos, allegros, allegrettos, moderatos assai, etc são os andamentos q os compositores propõem para se tocar as suas musicas e que corresponde á medida q está no metrónomo!
Agora outra coisa é qdo vês tipo Allegro em Bminor op.21 ( este opus e o numero foi a medida usada na altura para se categorizar nas bibliotecas as partituras, pois muitasd delas, ou seja grande maioria não tem nome e assim ao longo dos tempo ficou esta maneira de categorizar em especial os compositores do periodo classico Mozart, Haydn e depois mais tarde schubert )
Em relação ao B minor, se calhar não sabes mas os ingleses e alemães e americanos com a mania das diferenças em vez de chamarem as notas de musica por Dó ré mi, chamaram nas por letras..conceito este completamente errado e q hj em dia nos EUA se quer mudar... ou seja a o Lá q é a nota universal de afinação de todos os intrumentos corresponde a letra A e depois o Si ao B e dpois o Dó ao C e e por aí adiante. Então outra coisa as musicas têm uma tonalidade ou seja tu ouves uma musica e há uma tonalidade q encaixa nessa musica como se fosse a casa mãe.. só te posso ajudar se tiver ctgo a ouvir uma musica ao piano para perceberes!
Concluindo qdo vés uma coisa q diz Largo assai opus 21 em Bmajor - Largo é o nome do andamento da musica, o opus21 é a nivel bibliotecario q o categorizaram dessa maneira e por isso passou se a utilizar esse opus para a designação das musicas e o B é a tonalidade qé em Si e o major quer dizer Si Maior!!!
Não te recomendo nenhum site, pois não conheço nenhum de jeito para este tipo de coisas!

E a Constança, noiva do Marcos e melómana amadora, acrescentou uma explicação que também ajudou porque eu não estava bem a perceber o que era um andamento:

So um apontamento - Mano: o andamento eh a velocidade com que se toca a musica. por explo os allegros sao no geral mais rapidos e os largos mais lentos.

Ao que eu concluí em resposta aos dois:

ah, as coisas começam a fazer luz na minha cabecinha... mas, pelos vistos a complicação está na categorização. porque é que hoje em dia não se cria um padrão universal de andamento e se categorizam as músicas dessa forma: todas com uma certa velocidade, sejam de mozart ou de haydn, do séc. XVII ou do séc. XX, seriam chamadas allegro, etc.
cá para mim não se faz isso pelo mesmo motivo pelo qual não se fazem as leis fáceis de entender. se o direito fosse fácil de entender, os juristas ficavam no desemprego e se a música também fosse fácil de entender, eram os músicos que faziam fila para o rendimento social de inserção.
com tanto curso disto e daquilo que a casa de Portugal em Macau faz, eu vou sugerir que façam um curso de música: não para aprender a tocar mas para aprender a ouvir. porque quando a malta percebe melhor da coisa, também passa a gostar mais.

Portugal: um bom exercício abdominal

Estava aqui a ler as notícias Portuguesas e concluí que fazê-lo é melhor do que fazer abdominais, dado que se trabalha a mesma área com gargalhadas.
Que toda a gente sabe que Sócrates é mentiroso, toda a gente sabe, mas até agora ninguém o tinha dito assim claramente na comunicação social. Ora o que se passou, passo a passo, é hilariante:
-Passos Coelho foi negociar o orçamento com Sócrates dizendo de antemão que negociava tudo menos o aumento de impostos.
- Sócrates deve ter achado que lhe dava a volta, não conseguiu e depois acusou Passos Coelho de se cortar às negociações.
- Passos Coelho respondeu que só tinha negociado porque tinha deixado bem claro que a base para a negociaçõe era o não aumento de impostos.
- Sócrates veio desmenti-lo.
- Quem não se sente não é filho de boa gente e Passos Coelho, que estava a ser chamado de mentiroso, respondeu que, assim sendo, não volta a ter reuniões a sós com Sócrates para poder ter testemunhas de que não estava a mentir.
É só a mim que isto parece ser uma coisa saída de uma sitcom britânica?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ignorante e forrado do mesmo

Segue-se o mail que escrevi ao meu amigo Marcos, tenor e pessoa da música, mail esse que reflecte o meu estado de espírito de momento (sim, mas o meu espírito é volúvel).
Marcolino, ando triste, angustiado, perturbado, deprimido... Já o sono não me vem como dantes, já os meus dias passam uns pelos outros, longos e sofridos sem me proporcionar a alegria que dantes me proporcionavam.
E tudo isto é culpa da música clássica.
Na semana passada fui a Zhuhai e, para além da massagem do costume seguida de pédicure, da lauta refeição e da compra de coisas que nunca antes me tinha passado pela cabeça comprar, como uns patins em linha, comprei também imensos CDs de música clássica daqueles da Deutsche Grammophon. É que eu gosto de ouvir música clássica enquanto trabalho, enquanto leio, enquanto estão lá uns amigos em casa a partilhar uns vinhos e uns queijos... Estás a ver a cena, certo?
Mas isto, em vez de me trazer alegria trouxe-me uma angústia. É que eu tenho-me na conta de uma pessoa culta, evoluída e sofisticada. De uma pessoa que domina os clássicos como Aristóteles, Platão, Sócrates, São Tomás, Kant, etc. mas também os modernos como Heyek, Durkins, Dippel... Vá, uma pessoa que sabe a sua história, que conhece as dinastias chinesas, está à vontade em relacionar as dinastias europeias...
Ora, a música clássica veio fazer com que esta enorme estima que eu tenho por mim mesmo como uma pessoa culta caísse vertiginosamente.
Mas o que raio vêm a ser estas coisas do demo do Allegro, Larghetto, Alegretto, Andante, Allegro Assai, Rondeau...? Porque é que as músicas não têm nomes e alguém escolheu chamá-las nomes do matrafona como "No. 21 B-dur: Cantabile (in B flat major)"!!!
Mas porque é elas não são chamadas: brincadeiras dos coelhos na relva, ondas na praia do paraíso ou bater de asas dos querubins?!
Estas interrogações e a realização de que não percebo uma pataca furada de música clássica e que, por esse motivo, não me posso voltar a ter na boa conta de pessoa culta, de pessoa que, vá, é uma pessoa do mundo, da sociedade, têm-me deixado deprimido.
Pensei recorrer a um psicólogo, mas achei que ele não poderia resolver o meu problema (até porque ele teria que começar por outros problemas mentais que eu não quero ver resolvidos). Vai daí, recorro a ti. Que sites ler? Que livros consultar? Como é que eu posso perceber a diferença entre um Allegro e um Alegretto para, imagina tu, estando eu em casa de uma pessoa de respeito poder dizer: "ah, gosto imenso desta composição em Dó bemol Allegretto ma non troppo! aliás, bem sei que isto é de Mozart mas quase me faz lembrar a fase inicial de Schubert em que ele compunha muitos Alegrettos em dó bemol." Se eu pudesse dizer uma coisa deste género sem soar a perfeito disparate, seria uma pessoa, vá, mais feliz. Ou pelo menos, mais contentinho com a vida.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dois já lá vão...

Este ano, durante o Verão, estive três semanas em Haia a fazer um curso de Verão e três semanas em Portugal a descansar. Ao fim destas seis semanas, estava eu a fazer a mala para voltar para Macau quando me decidi pesar. Esta decisão nasceu simplesmente do facto de eu precisar de pesar a mala e querer testar se a balança em casa dos paisinhos estava boa. A primeira conclusão é que estava avariada, mas, graças a Deus, os paisinhos tinham outra balança. Infelizmente também estava avariada. É que as duas davam-me 76kgs, o que quereria dizer que eu em seis semanas teria engordado seis kgs. Impossível!
Queixei-me à Mãezinha que me assegurou que as balanças estavam boas e para o demonstrar pesou-se e disse "este é o meu peso certo!" Voltei a pesar-me: podia ser que a balança estivesse antes numa posição estranha... Ante o meu espanto (e também o da Mãezinha) confirmou-se: eu tinha engordado seis kgs nas férias!
No dia a seguir a chegar a Macau, ou seja, ainda nem há duas semanas, comecei a fazer dieta. Ando-me a cortar a almoçaradas e jantaradas de buffet, a sobremesas e a escolher, em geral, coisas mais leves. Também queria ter feito mais exercício mas ficar doente não ajudou e tive que me abster disso. Por último o próprio clima de Macau tem-se mostrado propício: estou sempre a suar!
Pesei-me agora, a medo, na balança que tenho de devolver à Isabel. Em menos de duas semanas dois kgs já se foram. É aproveitar agora e perder já tanto peso quanto possível, antes que chegue o tempo ameno de Outubro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Perdi o piu

Se há coisa que me deixa fulo é perder o piu. Infelizmente isso acontece mais vezes do que ao comum das pessoas: talvez porque, por hábito, piu mais do que o resto das pessoas...
A verdade é ter que me reabituar a Macau, com sítios com ar condicionado frios e secos e sítios exteriores quentes e húmidos, juntando a dar aulas e estar a falar não sei quantas horas seguidas, sair daí e ir para um bar falar alto, inalar fumo (sim, Macau ainda não proíbe fumo nos bares, para grande raiva minha) e beber cerveja gelada... Tudo junto deu cabo da minha normalmente tão maravilhosa voz.
Agora, graças a Deus, já estou melhor, mas tive que usar o microfone para dar aulas e fui bebendo água a cada 5 minutos. Mas ainda não estou preparado para dar um concerto de fado; os meus muitos fãs vão ter que esperar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Flatmate Willem

Depois de receber umas quantas reclamações durante o verão sobre o facto de não escrever no blog, vinha para Macau apostado em escrever mais, mas, helace (!), este é o meu 1º post deste ano lectivo. Esta é uma vida dura...
E este 1º post é para dizer que já não vivo sozinho, neste momento partilho casa com o meu amigo Willem - na fotografia aparece na minha festa de abertura de casa (de polo azul) com o Bjorn (de polo preta) e a Yuyu.
Eu não estava a pensar partilhar casa, dado que já estava muito maniento com os meus hábitos e não me apetecia mudá-los. Eu já tinha adquirido toda uma rotina matinal que espantaria até um chefe de cerimónias Japonês.
No entanto, todavia, contudo... Três razões levaram-me a mudar de ideias.
A 1ª é que o Willem é um grande amigo, divertido, respeitador e altamente de confiança. Achei que ele não me iria chatear muito. A 2ª é que ele acabou o curso (já durava há uns bons 8 anos), começou um mestrado e estava um bocado a contar os tostões. Ora, dado que o preço das rendas em Macau aumentou bastante no último ano e que ele, se arrendasse uma casa nova teria que pagar logo 4 rendas de adiantamento (pois! 4!), a coisa ia ser bastante difícil. A 3ª razão foi, porecisamente não me querer render ao facto de me tornar maniento.
Ele já cá está hámais de uma semana e, de facto, tem sido facílimo habituar-me. Um exemplo: como ele sabe que eu sou anti-tabágico primário, nem nunca me perguntou se podia fumar em casa, sempre foi fumar lá para fora. Outro exemplo: o modem da internet está instalado no quarto dele, o meu antigo gabinete, pelo que antes mesmo de eu chegar a Macau ele comprou e instalou um wireless. Ah, e esse tipo de coisas é uma outra grande vantagem: ele não é um atrasado mental das novas tecnologias como eu: instalou-me o office no novo portátil, faz-me downloads de imensas coisas úteis, etc.. Começo a ver como o mundo das tecnologias, afinal de contas tem muitas vantagens.
Desvantagem: neste momento não posso receber convidados, a não ser que não se importem de ficar num sofá desconfortável na sala, E mesmo assim, como é óbvio, antes tenho que perguntar ao meu flatmate se ele não se importa. :-)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Miúda inteligente

Este fim de semana fui da Haia ao Luxemburgo visitar os meus amigos Alexandra e Vitor que estavam à espera do primeiro dos seus cinco filhos. Bem, esta primeira frase foi inexacta dado que o primeiro era uma primeira, a Catarina. Ora, já de dentro da barriga da mãe a Catarina deu provas de ser uma criança inteligente e com refinado gosto auditivo.
Tal como São João Baptista que do ventre de Santa Isabel rejubilou com a saudação de Nossa Senhora, a Catarina também rejubilou ao ouvir-me a conversar com os pais durante o jantar na Sexta-feira. De dentro da barriga da Alexandra, a Catarina ouvia encantada aquela voz que tinha vindo do Oriente (isto é misturar a estória de Nossa Senhora com a dos Reis Magos). Mas ouvir a voz não lhe bastou, ela queria ver com aqueles pequeninos olhinhos a origem de tão maravilhosa voz. Vai daí, ao acordar no Sábado e ao sair do quarto, a Alexandra saudou-me com a notícia: rebentaram as águas, tenho que ir para o hospital. Eu entrei em frenesim: "não te preocupes, eu nem tomo banho, vou-me vestir e estou pronto em 40 segundos".
Mas não eram esses os planos da Alexandra e do Vitor que estavam serenos como se nada se estivesse a passar. Tive tempo para tomar banho, vestir-me a rigor para receber a Catarina neste mundo, estivémos os três a tomar o pequeno almoço porque a Alexandra depois de entrar na secção de partos já não podia comer e mulher prevenida vale por duas.
Fomos para o hospital onde nasceram todos os membros da família Grã-Ducal (pormenor de que muito gostei), eles entraram para o bloco, eu fui passear pelo Luxemburgo (e que bonita cidade que é!) e ao fim da tarde regressei para visitar as duas meninas. Tanto a Alexandra como a Catarina estavam óptimas, com um aspecto super saudável e contente.
A Catarina, continuando a dar provas da sua prematua inteligência, esteve um bom quarto de hora a dormir consoladamente nos meus braços enquanto eu falava com os pais embalada pelo som desta voz que já foi comparada à de Pavarotti, à de Plácido Domingos, etc..
Que miúda tão inteligente! Fossem todos os adultos assim tão inteligentes e musicalmente sensíveis e a esta hora, em vez de eu estar a acordar em Haia, estava a acordar em Milão depois da minha última actuação no Scala.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dia das derrotas da barriga

Ontem foi o dia das derrotas!
Comecei o dia a ser duramente derrotado em três jogos de squash seguidos contra o Pedro, um noivo que durante a sua lua de mel fez uma pausa da sua noiva para me humilhar no squash enquanto a Diana, a própria da noiva, se lesionava numa porta amaldiçoada.
Terminei o dia a tentar vencer a Alexandra que insistia que a sua Catarina era maior que a minha barriga. Depois de um grande esforço de observação, depois de estudar cada ângulo da barriga da Alexandra e da minha barriga, concluí que provavelmente ela tem razão: julgo que a Catarina é um ou dois cms maior que a minha barriga.
Ou seja, uma barriga grande de mais para me permitir ganhar no squash e pequena de mais para me permitir ganhar na comparação com a Alexandra.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A ver se ganho o concurso


Estava-me a queixar à Xana que estou com uma grande barriga. Ela desafiou-me a pôr uma fotografia aqui no blog para que ela pudesse comparar com ela. Deve achar que só porque desde há uns sete meses e meio para cá tem visto a barriga a crescer muito, isso pode bater o facto de eu já ter a barriga a crescer há 29 anos. Vamulávêri!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Caiu-me nos braços

Hoje, ao sair do Consulado da China em Macau, chovia a potes. Mal abro o chapéu de chuva, uma senhora que estava a contemplar a chuva vem a correr para mim e abraçou-me a rir-se muito. Lá lhe dei a "boleia" que ela queria até à paragem de autocarro mas fiquei muito surpreendido de me cair assim uma chinesa nos braços: elas são sempre tão púdicas ao toque, principalmente com guailos (estrangeiros)! Já percebi o segredo: a ver se da próxima vez escolho abrir o chapéu junto de uma mais nova...

terça-feira, 22 de junho de 2010

7 - 0

Ontem, assim do nada, organizou-se um grupinho para ver a bola. Sopinha de legumes, linguiça, queijo, salada russa, cerveja chinesa e vinho português: tudo preparado para ser deglutido no intervalo. Durante esse intervalo disse-se mal do Cristiano Ronaldo e como ele não fazia nada pela selecção, ponderámos quanto ficaria o final do jogo, pensámos como seria o Portugal - Brasil...
Bem alimentadinhos, na segunda parte gastámos as energias a berrar. Berrámos como se não houvesse amanhã com cada golo; berrámos com os sorrisinhos irritantes do Cristiano Ronaldo que lá saiu da sua sombra para marcar um golo (tivémos que admitir que foi bonito) mas para lá voltou logo de seguida.
No fim, jogámos à Sueca enquanto a Suiça de frontava o Chile. O grupo já não estava unido a torcer pela mesma selecção e a dizer mal do mesmo jogador: dois pelo Chile, dois pela Suiça (eu incluído) e uma armada em Suiça, ou seja, neutral.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ah, já percebi!

Por vezes acontece estar muito tempo a pensar numa questão e só a entender quando alguém a explica por A+B... Isso foi o que aconteceu há uns dias enquanto conversava com uma amiga Macaense (leia-se Luso-Chinesa de Macau).
Sempre estranhei como é que os Chinos podem ser ao mesmo tempo tão fantásticos quando são nossos amigos e tão indiferentes quando não nos conhecem. Pelos meus padrões, uma pessoa que não presta atenção aos outros é, no mínimo, antipática, mas reparo que os Chinos só prestam atenção aos outros quando já têm com eles uma relação.
Ora, essa minha amiga observou que a sociedade, conforme os Chinos a concebem, é formada pela família e os amigos, enquanto que a sociedade conforme os Europeus a concebem é formada por todos aqueles que partilham um determinado espaço, seja este uma cidade, uma aldeia ou um país. Assim, por um lado, os Chinos valorizam a família e os amigos imensamente, pelo que serão amáveis, atenciosos, etc. com a sua família e amigos. Por outro lado consideram que os desconhecidos não fazem parte do seu grupo de gente, pelo que ignorarão quem não fizer parte deste grupo: seja o vizinho e podem fazer todo o barulho que quiserem nas suas casas e obras todos os anos; seja nas pessoas que estão no mesmo espetáculo, e podem atender o telefone e falar uns com os outros; seja no trânsito e não respeitam regras nenhumas...
Bem, agora dou a impressão que eles são todos umas bestas completamente alheios aos que não conhecem e também não é assim, ou seja, há muitos que são atenciosos com os desconhecidos, dão o lugar no autocarro aos mais velhos, tentam ajudar quem deles precise na rua, seguram a porta quando nós vamos passar ou agradecem quando nós o fazemos... Mas esses parece-me que são uma minoria.
Mas surge-me agora uma dúvida: será que na Europa ainda são uma maioria?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cinema Japonês

Pois que cheguei aos 29 anos, quase, quase 30, sem alguma vez ter visto um filme Japonês! Vá, bem sei que não são daqueles filmes que andam por aí aos pontapés, mas em quase 30 anos nunca ter visto nem um é demais!
Vai daí, tenho aproveitado o ciclo de cinema sobre a "Idade de Ouro do Cinema Japonês" organizado pela Casa de Portugal em Macau para tirar a barriga destes 30 anos de miséria.
O primeiro que vi chamava-se Flores do Equinócio, de Yasujiro Ozu, e era uma estória passada nos anos 50 de um senhor que defende que os jovens devem ter liberdade para casar com quem entenderem em vez de terem o casamento arranjado, como ele teve. No entanto, quando a própria filha se quer casar com um colega de trabalho, de famílias menos ilustres, ele não aceita o casamento. É o que se chama: "em casa de ferreiro, espeto de pau"!
O segundo filme que eu fui ver chama-se "Os sete Samurais", realizado por aquele que é considerado o maior realizador da história do cinema Japonês, Akira Kurosawa. A versão original, que foi a que vi, é longa como tudo, dura mais de três horas. Parece que há uma versão encurtada. O filme é muito giro, mas ao fim de três horas, já não há posição possível! É a estória de uma aldeia de camponeses que contrata sete samurais para a defenderem dos ataques dos bandidos. Vale muito a pena não só pela estória, mas também pelas reflexões que vão sendo feitas e que revelam muito do espírito Japonês.
O último que vi (até agora) foi Rashomon, do mesmo Kurosawa. Trata-se de um diálogo sobre opções morais e a confiança na espécie humana de ser boa para o próximo. O filme começa com um diálogo entre um monge e dois homens humildes sobre um julgamento a que o monge e um dos outros homens assistiu. Um samurai foi morto e as diversas versões da estória não condizem: cada personagem contando uma versão que a deixa mais favorecida, quer porque a ilibam, quer porque lhe concedem um papel mais honroso.
Os três filmes têm em comum o facto de conterem reflexões sobre moral e costumes numa altura em que o Japão, derrotado pela guerra, se confronta com as humilhantes imposições Americanas e abertura ao Ocidente e aos seus costumes e moral tao diferentes dos Japoneses.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cozinhas do mundo

Que este mundo se está a tornar cada vez mais pequeno, nota-se principalmente na comida. Nós, Portugueses, estamos provavelmente entre os campeões da internacionalização da nossa comida: a nossa típica broa é feita com milho que foi introduzido no reino no século XVI, os nossos muitos pratos de arroz são feitos com esse cereal introduzido no século XVII, tudo o que é especiarias vieram da Ásia nos séculos XVI e seguintes (e o que seria da nossa doçaria sem a canela?). Mas se isto já é de esperar dos Portugueses, mais estranho é o mesmo acontecer com os Chineses: a quantidade de lojas de bolos que se encontram em Macau e até na China Continental é impressionante: bolos, essa coisa que os Chineses nunca tiveram no seu menú. Para além disso, produzem boa cerveja (tsing tao), péssimo vinho (great wall - mas importam mais do que produzem) e aos poucos também os hábitos alimentares deste povo outrora tão hermético se mudam consideravelmente.
Por isso agora, de cada vez que viajo compro algum ingrediente típico do país: trouxe côco ralado das Filipinas, Caril Amarelo da Tailândia, Verde do Cambodja e Encarnado do Vietnam, ervas da Provença de Paris, etc.. Há quem lhe chame cozinha fusion, o que parece chiquíssimo, mas na realidade não sei cozinhar suficientemente bem nenhuma cozinha tradicional, pelo que misturo todas as que sei mais ou menos.
Outro sinal de que os nossos estômagos andam mais internacionais do que os nossos passaportes é a marcação de um jantar:
- Vamos jantar? Tens alguma ideia de restaurante?
- Hummm... Preferes Chinês, Português, Vietnamita, Japonês, Tailandês, Italiano...?
Claro que já há mesmo restaurantes fusion: Macaense, quer dizer que são os pratos que as mulheres Chinas cozinham para os maridos Tugas a tentar imitar comida Tuga mas com técnicas Chinas ou mesmo os "fusion" Franco-Japonêses, Sino-Italianos, etc..
Este mundo está cada vez mais do tamanho de um estômago.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ele há coisas boas...

Ele há coisas boas aqui no fim do mundo, uma delas é as coisas de graça que a malta arranja. Já se sabe que de graça até choques eléctricos, certo? Ora aqui em Macau há muitas provas de vinhos portugueses principalmente de produtores que acham que Macau é o mercado perfeito para expansão na Ásia.
Hoje lá fui a uma dessas provas: bom vinho, óptimos aperitos que deram para ficar jantado, etc. Gosto disto!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Louquíssimo

(mail escrito à minha amiga noiva Mary C a relatar uma estória da vida real)
Ando a caminhar para a loucura...
Tu bem sabes que eu nunca fui 100% são, não sabes? Já me conheces há uns aninhos e isto para ti não é surpresa, mas agora estou a pirular de vez!
Também sabes que eu sou forreta, não sabes?
Pois agora conto-te esta estória da vida real que se passou comigo.
Não estando disposto a permitir que o sol de Macau danificasse as minhas azuis retinas, comprei uns óculos Ray Ban super estilosos e muuuito caros: cerca de 160€! Estás a ver que isto custou ao Diogo, forreta como é, não estás?
Há coisa de duas semanas, dois meses depois desta tremenda decisão, perdi os óculos. A última vez que os tinha visto tinha sido no meu gabinete, tinha a certeza que os tinha posto na mala do computador, fui ao bar da faculdade tomar um sumo de cenoura e dar 2 dedos de conversa com quem encontrasse, estive no bla bla bla e fui para casa já de noite (não ponho óculos). No dia seguinte não encontro os óculos na mala do computador nem em casa, vou ao gabinete na Uni: não estão lá - reviro papeis, olho em todo o lado. Vou ao bar: ninguém viu os óculos! Malandros dos alunos que encontraram uns óculos Ray Ban no bar da Uni e os palmaram! Malandros dos Chinos! E passam a vida a dizer que são honestos! Voltei a procurar em casa, estive 3 dias de mau humor e 2 semanas a queixar-me do dinheiro deitado à rua. Todos os dias, não fosse o diabo tecê-las, procurava um pouco mais em casa e no gabinete. Nadica de nada!
Domingo estava a almoçar no mesmo restaurante onde há dois meses almocei antes de comprar os óculos com os mesmos dois amigos com quem há dois meses almocei e a ter dificuldade em olhar o mesmo mar que me reflectia a luz do sol que há dois meses me convenceu a fazer aquela loucura de comprar uns Ray Bans. "Não sejas forreta" - diz-me um deles - "vamos mas é lá abaixo comprar-te uns óculos novos!" Os dois a zurzirem-me a cabeça... Cedo! Vou lá abaixo, o homem mostra uma sincera comiseração pela minha tirste situação, que sim, que se lembrava muito bem de nós, mas... Desconto? Nem pensar! Lá gasta o Diogo mais 160€ nuns óculos novos. Debate: compro iguais ou diferentes? Compro diferentes porque olha, já agora não repito muito.
Segunda uso os óculos, quando saio do gabinete ponho os óculos na pasta do computador dado que era noite e vou para casa. 3ª choveu, 4a choveu ainda mais, mas hoje fazia sol. Onde estão os óculos? Procuro os óculos em casa: "ah, cá está a caixa dos óculos dentro da mala do computador!" Vou a sair de casa, abro a caixa dos óculos, tiro os óculos e fico a olhar para eles: são os antigos!
MAS COMO É QUE É POSSÍVEL?!?!?!
Reviro a casa inteira, dou berros comigo mesmo, sai palavrão que ferve (em Inglês e Cantonês, que eu em Português tenho um bloqueio mental contra palavrões) juro que estou a ficar louco ou que alguém me está a pregar uma partida. Volto para o gabinete: a caixa com os óculos novos está em cima da secretária!
Pelos vistos, Segunda feira pus a caixa dos antigos na mala depois de eles terem passado 2 semanas em cima da minha secretária!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eneagrama

Muito simplisticamente falando, o eneagrama é um teste de personalidade que divide os muitos tipos de personalidade em nove tipos base. Cada pessoa com um desses tipos base de personalidade pode ter uma influência mais forte de outro tipo base e pode integrar-se ou desintegrar-se (ou seja, melhorar ou pior a sua reação consigo mesma) em ainda outros tipos diferentes de personalidade.
Eu fiz este teste há cerca de quatro anos integrado num curso de um fim de semana de eneagrama com o CUPAV, o centro universitário dos Jesuítas em Lisboa. Ontem ao jantar a conversa girou muito à volta do eneagrama - as diferentes personalidades, as diferentes reacções que cada pessoa tem às diversas situações, etc..
Gostei muito de fazer este teste porque me permitiu não só conhecer-me a mim mesmo mas também conhecer os outros. Mas um problema que sinto é que, uma vez conhecendo os nove tipos base de personalidade ganhamos maus hábitos tais como:
- presumir que as pessoas que conhecemos são um ou outro tipo base;
- quando sabemos que as pessoas são de um determinado tipo base, tendemos a esperar que elas correspondam sempre a esse tipo base ou à sua asa.
Por outro lado, também ganhamos alguns bons hábitos como:
- entender que reacções semelhantes nem sempre têm a mesma causa;
- procurar combater aqueles que são os nossos defeitos naturais, não os desculpando com um "eu sou mesmo assim."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Óculos

Estou mesmo chateado com a minha própria estupidez! Comprei há dois meses uns óculos caríssimos (mesmo, não estou a brincar como quando digo que uma massagem por 40 RMBs é caríssima) e agora perdi-os! A última vez que os vi foi no café da biblioteca na Segunda. Ontem procurei-os em casa, não encontrei, achei que tinham ficado no gabinete. No gabinete vi que não estavam, achei que não tinha procurado bem em casa. Hoje conclui que não estavam nem num sítio nem noutro, fui ao café da biblioteca e ninguém encontrou nada... Óbvio! Uns Ray Bans verdadeiros... Se fossem óculos da candonga de Zhuhai de certeza que ainda os tinha! Estou fulo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estadia

Durante três semanas no verão vou estar neste bonito sítio a fazer isto.
Ora, eles lá não têm alojamento, mas encontram casas de famílias locais para ficarmos.
Problemas com essas casas:
1. São 20€ por dia mesmo nos dias em que não dormimos lá, tipo se formos passar fins de semana fora, etc.;
2....
Ia arranjar mais problemas, mas pronto, o preço é mesmo O problema.
Vai daí decidi averiguar quem no couchsurfing tinha um quarto a mais que me pudesse arrendar durante os dias em que eu lá ficar nessas três semanas e mandei uns quantos mails. Problema 1: a maior parte deles leva o conceito de couchsurfing à letra e oferece um sofá na sala. Problema 2: a maior parte das pessoas mais novas em Haia, pelos vistos vive num género de repúblicas e o sofá ou colchão que oferecem é no próprio quarto. Problema 3: aqueles que, de facto, têm um quarto a mais vão estar de férias nessa altura!
A coisa não está fácil, mas algo me diz que vou ter que ficar no quarto arranjado pela academia numa família exploradora da quase capital Holandesa. Eles que não pensem que lhes levo pastelinhos de Belém!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

In vino...

Lembro-me lindamente da minha primeira bebedeira e quando eu hoje olho para trás, não percebo como é que ela pode acontecer! Fui com o meu primo André e um amigo meu, o António Talhé, a uma festa monárquica numa adega já não sei de quem algures nos arredores campestres de Lisboa (é assim que os monárquicos são recrutados). O vinho era à discrição e os três não nos fizémos rogados e saímos de lá quase nos braços da irmã mais velha do António que nos levou a casa.
Não me choca ter apanhado a primeira piela aos 15 anos. Não me choca ter bebido quantidades industriais capazes de assustarem qualquer fígado por mais laborador que este seja. O que me choca é que o vinho não era bom e, mesmo assim, eu bebi-o sem hesitações.
A minha relação com o vinho mudou profundamente no verão de 1996. Nesse verão eu passei cinco semanas em Paris em casa dos meus tios Jesus e Claude. Ora o tio Claude é um verdadeiro apreciador de vinho, mas só de bons (muito bons) vinhos. Durante cinco semanas ao almoço e ao jantar provei uma série de vinhos, nenhum deles menos que muito bons. O tio Claude, que é um contador de estórias nato, ensinava-nos (a mim e à Mariana) sempre alguma coisa sobre o vinho que estavamos a beber.
Foi remédio santo! Nunca mais consegui beber mau vinho! Não é que seja um conoisseur que consegue distinguir vinhos de diferentes castas ou regiões, mas topo um vinho mau à légua e não consigo mesmo bebê-lo.
Quando agora, passados quase 13 anos da minha última ida a Paris, parei numa escala em Paris e fui jantar a casa dos meus tios não pude deixar de me lembrar de como lá estar 5 semanas influenciou tanto o meu gosto no que toca aos vinhos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sou o Rui Rosário!

Ele há cada um, que eu até fico a pensar se serei eu que serei demasiado desconfiado...
No verão vou fazer um curso em Haia, na Holanda. Ora, a meio desse curso tenho que ir um fds a Portugal aos casamentos da Maria e do Tiago (no Sábado) e da Alexandra e do Rui (no Domingo), pelo que tive que comprar um bilhete de ida e volta entre Amesterdão e Lisboa. Ora, dado que o meu lugar de destino era Amesterdão, eles recusaram o meu cartão de crédito de Macau (já começo a ficar habituado), pelo que a reserva ficou feita mas eu tive que telefonar para a TAP (e para o skype não vai nada, nada, nada... TUDO!). Depois de esperar muito tempo e de gastar 8 HK$ a ouvir má música (podiam pôr fado, como a PT), lá me apareceu um rapaz com um tom de poucos amigos que, depois de ouvir o meu problema, me disse para lhe dar os dados do meu cartão de crédito.
Ante o meu espanto: "os dados do meu cartão! depois o senhor pode comprar um ferrari online com ele!!!" ele vira-se e diz com a voz mais natural do mundo: "sou o Rui Rosário, da TAP!"
E se o Sr. Rui Rosário passar os meus dados à Sra. Runa Rosária? Ou à Sra. Maria Breviário? Ou ao Sr. João Livro-das-Horas? E porque é que eu hei-de confiar que a TAP apenas contrata funcionários da mais alta idoneidade moral? Se eu fosse os administradores da TAP contratava os funcionários mais baratos: afinal de contas atender telefonemas e pôr uns dados no computador pode ser feito por qualquer um... Funcionários baratos têm amigos na droga e outros com dívidas, por isso como é que eu sei que o Sr. Rui do Rosário, que até se pode chamar José Naftalina ou até pode ser uma Maria Quiosque com uma voz bem abagaçada, não vai a correr dar os meus dados aos seus amigos toxicodependentes ou afundados em dívidas?
Ante todas estas dúvidas, pesei na balança os prós e os contras e achei que faltar aos casamentos da Maria, do Tiago, da Alexandra e do Rui era um trauma maior do que algum toxicodependente encomendar pó de talco da Colômbia com o meu cartão de crédito, pelo que lá lhe dei os dados.
Agora, meus queridos Maria, Tiago, Alexandra e Rui... AI DE VOCÊS... AI DE VOCÊS QUE:
1) decidam adiar os casamentos;
2) se divorciem
3) ão tenham, pelo menos, 5 piquenos nos 13 anos que se seguem a este feliz evento que é a vossa boda;
4) não bebam uma flute de champagne inteira quando vierem saudar a minha mesa.
Pagam-me a maldita viagem e todo o pó de talco que tenha sido encomendado da Colômbia com o meu cartão de crédito!!! E ainda vão andar à procura do Sr. Rui Rosário para eu ajustar umas continhas com ele!

Filipinas

A pedido de muitas famílias... Pronto, vá, a pedido de uma família, mas uma família internacional, aqui deixo um bocadinho do que foram as minhas férias nas Filipinas.
Comecei por visitar Manila, que é uma cidade muito gira porque mistura a parte colonial espanhola, a parte mais moderna de centro de negócios e a parte mais caótica típica de qualquer cidade Asiática. Desde logo pude verificar aquilo que já desconfiava: os Filipinos são super simpáticos e acolhedores mas, infelizmente, tão pobres quanto simpáticos. São um bocadinho os Brasileiros da Ásia, no fundo.
Para além da cidade, visitei o vulcão Taal, perto da cidade, que é um assombro de giro: uma ilha no meio de um lago com um vulcão que tem na sua cratera um outro lago com um poderoso cheiro a enxofre.
Depois de Manila, fui para a ilha de Bohol onde fiz praia e mergulho.
As Filipinas são um país cheio de encantos que eu recomendo mesmo para quem quer fazer umas férias mais prolongadas ou lua-de-mel.




Eleições antecipadas

"Meanwhile, amid concerns that contagion from Greece may spread to other countries, Portuguese bond yields climbed yesterday." In: Times online
É dura a lógica do mercado, mas uma coisa é certa: é que é bem lógica! Quando um país, uma empresa, etc. está por baixo, alguém se vai querer aproveitar disso. Pode parecer errado, mas não é, é muito lógico: se o meu dinheiro tem um maior risco de não ser pago, eu quero vantagens adicionais para o emprestar, ou seja, juros mais elevados. Por outro lado, se um investimento produz mais resultados, mesmo que seja menos seguro, torna-se mais atractivo para expeculadores.
Ora, quem quer expeculação assusta-se com uma atitude: a de seriedade e contenção. Na altura em que os investidores pensarem que o governo Português está a tomar decisões sérias e contidas, deixam de "rodear a presa" e vão cantar para outra freguesia. Se Portugal continua a aparecer como comparação à Grécia em todos os jornais internacionais, é porque o governo Português, nem com o PEC consegue tornar-se credível.
Parece que está na hora de termos eleições antecipadas...

Pater familiae


Quando, faz hoje 69 anos, o meu bonus pater familiae nasceu, foi destinado pela irmã mais velha ao sacerdócio. Quem sabe se, tendo seguido essa via, hoje em dia não seria já Cardeal Patriarca de Lisboa ou mesmo, porque não, Papa? No entanto, o mundo respira de alívio por isso não ter acontecido - não tanto porque o meu bonus pater não tivesse dado um óptimo Papa, mas mais porque se isso tivesse acontecido o mundo nunca teria visto a minha distintíssima, belíssima, extraordinaríssima mas, acima de tudo, humilíssima pessoa.
Para além disso, o mundo também não teria visto aquelas duas igualmente distintíssimas pessoas que podemos ver na foto, bem como outro distintíssimo que não se encontra na fotografia.
Mas por muito distinto que aqui se encontre, não foi assim, de fraque e bem cheiroso, que o bonus pater começou a sua vida. Ah pois é, começou a vida como um menino do campo que andava a preparar armadilhas para os pardais e que quase se afogou numa levada de água... Isto parece mesmo uma coisa do "intigamente": afogar-se numa levada de água! Ainda existirão levadas? Será que aquela coisa no Jardim Gulbenkian é uma levada?
Menino e moço deixou os verdejantes campos de Ourém, entalados entre a Serra d'Aire, e foi na movimentada Lisboa que conheceu a cosmopolita menina que enGraçou a sua vida. Sim, sim, a menina de vestido côr-de-rosa... 40 anos e 4 filhos depois desse conhecimento, o Pater é o que se vê: um distinto senhor que, não sendo cobrador de dívidas difíceis, ainda assim fica muito bem e distinto de fraque.
Paizão: muitos parabéns!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Gregos e outros

Quando abro os jornais cheios de notícias da Grécia, fico com a impressão que aquele é um país de loucos.
Uma coisa que eu expliquei aos meus alunos de ciência política no primeiro semestre foi que em cada opção política que um governo faz, este terá que escolher entre providenciar mais e, logo, gastar mais, ou providenciar menos e desta forma poupar. Parece óbvio, não é? Mas nem sempre é assim...
Em primeiro lugar, pode acontecer que o "balde esteja roto", ou seja, que haja muitas coisas em que o erário público está a perder dinheiro estupidamente. Más administrações, compadrios, corrupções, más decisões... De tudo isto a Grécia e Portugal estão cheios. Pois então, culpe-se os políticos? Numa Democracia, os políticos são aquelas pessoas que se dedicaram à política e conseguiram apoio popular para chegar ao seu cargo. Os outros que nunca se dedicaram à política e se limitaram a votar (ou nem isso) sem conhecer o que dizia o programa eleitoral do partido em que votam ou as qualidades pessoais, profissionais, morais ou académicas das pessoas em quem votam são, muito simplesmente, os palermas. Então, quando milhares de pessoas saem à rua para culpar os políticos, deviam começar a fazê-lo para culpar os palermas, que foi quem elegeu os políticos corruptos.
Para além disso pode acontecer que se esteja a pagar juros de dívidas passadas. Os jovens Gregos queixam-se que é tudo culpa da geração dos pais, mas não terão eles beneficiado pessoalmente de educação pública e do facto de os pais terem dinheiro para, por exemplo, lhes porem queijo feta na salada? A mim não me passa pela cabeça culpar os meus pais pela dívida portuguesa quando, entre Marquesa de Alorna, Filipa de Lancastre e Universidade Nova, eu quase sempre usei a educação pública e quando me vesti, calcei e comi o que os meus pais compravam com os seus ordenados!
Quanto aos sacrifícios "impostos" pela Alemanha e FMI em troca de um avultadíssimo empréstimo... Para quê tanta zanga e tantos insutos aos Alemães? Os Gregos podem sempre recusar e tentar resolver os problemas sozinhos. Do meu ponto de vista, eles só têm a ganhar com a ajuda: a curto prazo permite resolver parte da dívida pública a juros ruinosos para que esta geração não tenha que estar a pagar só juros. Quanto às medidas de contenção, têm que as tomar quer aceitem quer não aceitem o empréstimo.
Por último, quanto aos Alemães: se os Gregos os odeiam assim tanto, deveriam escolher passar férias em Portugal. Deutschern: wie lieben sie!

domingo, 2 de maio de 2010

Up in the air

Em Portugal, comprar um DVD é uma coisa reflectida, pensada... Afinal de contas ainda são, quê, uns 12€? Em Zhuhai comprar um DVD é uma coisa ocasional: por 8 RMBs (estão cada vez mais caros) a pessoa compra e depois pensa se tem pachorra para ver ou não.
Foi assim que comprei o DVD do "up in the air": estava a comprar uma data de DVDs, comecei a falar com um senhor Chinês que, surpreendemente falava lindamente Inglês, eu recomendei-lhe uns dois filmes, ele recomendou este. Isto já foi há umas semanas e só hoje vi o filme...
Atingiu-me como um trovão.
É a estória de um homem que tem um emprego que não tem discrição do mau que é: despedir pessoas. Trabalha para uma empresa de out sourcing cujo serviço prestado é o despedimento de pessoas! Surpreendemente, ele adora o emprego dele. Ficamos a pensar: "há pessoas para tudo", certo? Mas o mais surpreendente é que ele adora esse emprego porque passa a vida a viajar de avião de um lado para o outro e não leva nada nem ninguém na bagagem. Quando eu digo não leva ninguém, é que ele evita envolver-se com quem quer que seja e assim, em termos de emoção, é mais fácil não ter uma casa, dormir sempre em hoteis e, grande objectivo (alcançado) da vida dele, atingir 10 milhões de milhas no cartão de milhas. Sem família ou amigos, isso torna-se fácil.
Pode parecer um daqueles filmes lamechas mas não é, não acaba bem. O que eu gosto de um filme que não acaba bem!
Claro que este filme retrata o extremo, o quase inexistente. Alguém sem amigos, com duas irmãs que não vê há anos, logo, sem família também e, apesar de tudo isto ou, aliás, precisamente por causa de tudo isto, que se sente feliz.
Então o que é existente?
Existente é viver longe da família e dos maiores amigos, estar com eles duas vezes por ano... Vá, não estou numa de auto-comiseração, mas fez-me pensar... Nos últimos quase três anos em Macau fiz bons amigos (mesmo) e quando se vive longe da família os amigos passam a ser muito mais importantes ainda porque são a nossa família. Dois desses amigos, a Priel e o Bjorn, têm as chaves de minha casa, se alguma vez me esquecer de levar as minhas chaves ou precisar de alguma coisa, eles podem entrar em minha casa. Quando no ano passado fui passar o verão a Portugal, lembrei-me em HK que me tinha esquecido de pôr o lixo na rua: 1 mês de lixo a apodrecer em qualquer sítio do mundo, mais ainda com este calor e esta humidade, significa explosão de baratas, pelo que lá vieram eles a minha casa pelos piores motivos.
Agora eles estão de partida para a Alemanha. De vez.
E isto fez-me pensar... Eu também estou um bocadinho up in the air. Vá, um bocadinho, sem exageros... Afinal de contas tenho bons amigos quer aqui quer em Portugal mas e a família? Os meus pais não se chamam Bjorn ou Priel nem os meus irmãos Isabel, Christiaan ou Raquel mas quando eu preciso de alguma coisa é a estes que eu ligo. A minha casa está muito gira (na minha opinião, pelo menos): tenho mobília chinesa a imitar antiga, fotografias de amigos e família, quadros e estatuetas de toda a Ásia: mas os meus pais ou irmãos nem nunca cá vieram (pronto, a Mãe, a Mariana e o Gonçalo foram à antiga que era horrível) porque isto fica, literalmente, para lá de Bagdad. Vou fazendo experiências culinárias sempre que alguém cá vem almoçar ou jantar, umas mais bem sucedidas que outras, e nem nunca cozinhei para os meus sobrinhos.
E já nem falo de ter quase 30 e não ter encontrado uma rapariga de quem possa dizer "esta é para sempre"...
Vá, está bem, estou a ser um bocadinho dramático: bom ordenado, bons amigos, bons programas, uma vida gira... Um certo novo-riquismo de que gosto tanto. Mas, mesmo assim, um bocadinho "up in the air". Neste momento queria mesmo ter menos milhas e mais tempo com "os meus"!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Humilitas Sinensis

Há coisas que eu não entendo bem nos Chinos e não é por eles falarem Chino ou por serem "impenetráveis" como já ouvi dizer em Portugal, é mesmo porque, por vezes, eles são de extremos. Uma das coisas que eu não entendo nos Chinos é a sua soberba para com os empregados.
Hoje, na mercearia, andava uma senhora China com a empregada Filipina atrás. A senhora apontava para as coisas e dizia umas coisas ríspidas meio em Cantonês meio em Inglês e a empregada ia logo a correr escolher as frutas ou os legumes que a patroa dizia mas tudo isto com uma sobranceria tão grande da patroa que eu fiquei incomodado.
Logo a seguir, a caminho de casa, parei no banco e, mais uma vez, entra uma outra patroa China com a sua empregada Filipina (ou Indonésia) atrás. Note-se, os patrões Chinos nunca andam lado a lado, andam sempre à frente e os empregados seguem subservientemente atrás. Eu já estava na secretária de atendimento à espera da menina que me tinha ido buscar umas informações, pelo que notei que a patroa se sentou, a empregada, mesmo com um sofá vazio ao lado, ficou de pé e não houve a mínima atenção da patroa ou um gesto para que a empregada se sentasse.
Agora, quem não conheça os Chinos vai ficar com a impressão que eles são sempre sobranceiros, mas nada está mais longe da verdade. Em muito que ao longo dos últimos três anos tenho conhecido deles, eles comportam-se sempre com enorme humildade. Os alunos Chinos, então, tratam os professores como se fossem semi-Deuses. Às vezes até chateia de tão humildes que são e até me apetece dizer que não sou um semi-Deus, mas os meus paisinhos, coitadinhos, ensinaram-me a não mentir, pelo que me calo.
Como é que a mesma pessoa pode ser de tamanhos extremos: sobranceira e humilde ao máximo? Já antes falei disto com uns amigos Chinos mas eles negaram categoricamente que os patrões fossem sobranceiros com os empregados, pelo que eu não quis estar a insistir para não ofender. Mas a dúvida cá permanece...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Levanta-te e anda!

Ainda em período Pascal e em momentos de ressurreição, depois de na boda do mano Gonçalo ter levado nas orelhas por ter deixado morrer o blogadíssimo, decidi ressuscitá-lo.
Assim: "Blogadíssimo: levanta-te e anda!"
Poderia agora armar-me em Antero de Quental e escrever sobre as causas da decadência de um blog mas estas são demasiado deprimentes para serem escritas. Como todos os leitores deste outrora fantastiquíssimo, fabulosíssimo, inteligentíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog (hoje paupérrimo e desertérrimo), fui obrigado nos passados meses a levar a cabo uma série de viagens. Sempre fui contristadíssimo, que eu não gosto nada de viajar e gosto mesmo é de estar fechadinho no meu canto sem que ninguém me mace, mas sacrifico-me a bem da humanidade. Afinal de contas, já não basta estes países do Sudeste Asiático serem pobrezinhos, coitadinhos, mas ainda nunca terem tido uma visita minha já era sina demasiado amarga de carregar.
Assim, como aqui foi documentado, pelo Natal estive no Vietname, pelo Ano Novo (Ocidental) no Cambodja, pelo Ano Novo Chino nas Filipinas, pela Páscoa na Tailândia e agora, mais recentemente, pelo casamento do meu irmão Gonçalo, uns breves mas emocionantes dias em Portugal.
Mas agora chega! Fico-me por aqui! Sim, aqui, na Ilha da Taipa da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Espero, mas com uma esperança não muito grande, que isso possa significar um renascimento do blogadíssimo. Mas, perguntais vós, ilustríssimos e escalrecidíssimos leitores: porque é que a esperança não é grande? A verdade é que passou a novidade! Macau já não é novidade, já é a minha casa e dar aulas também não traz grandes coisas novas, pelo que as coisas que eu antes reparava como exóticas e engraçadas, hoje em dia já são banais.
Tenho que voltar a olhar Macau com os olhos da novidade...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Orgulho de ser Português

Ontem, finalmente, Portugal apareceu em todos os noticiários de HK! Coisa nunca vista! Toda a gente fala da desvalorização do rating do Estado Português de AA para AA-.
Numa apresentação na pearl (canal de HK), dizia-se que Portugal só podia esperar que a Merkel tomasse com Portugal a mesma iniciativa que com a Grécia, motivo pelo qual os governos Português, Espanhol e Italiano são os primeiros a defender um empréstimo à Grécia. Uma economista da UHK (bem gira até) concluiu a sua apresentação do problema com um "Portuguese, like Greeks, now expect that Germans foot the bill for their financial melting".
Fiquei tão orgulhoso! Nunca falam de nós nas notícias da China e agora até chamam uma economista gira da UHK para falar sobre nós! Pronto, já somos importantes! Aliás, falou-se mais no noticiário da Pearl de Portugal do que dos EUA! Eu quase sufoquei de orgulho!
Aliás, isto de nós esperarmos que os outros paguem as nossas contas é uma das nossas mais arraigadas e bonitas tradições (mais até que o fado ou as touradas): Dom Duarte e Dom Afonso V conseguiram trazer dinheiro de África (Mina e Arguim), Dom Manuel I da Índia, Dom João V do Brasil... O nosso mal foi termos tido este interregno entre a independência do Brasil e a entrada na CEE!
Em vez de ter voltado para Portugal, Dom João VI devia ter dado o rectângulo peninsular à Grã-Bretanha para nós sacarmos todo o dinheiro que podiamos. Isso sim, tinha sido sacar dinheiro aos bifes num fartar vilanagem! Quando eles dessem conta estavam pobres e vendiam-nos aos Franceses e tudo recomeçava.
Mas agora na Alemanha é que está o nosso futuro...
Viva a nossa madrinha Merkel! VIVA!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Complicações comunistas

Quanto mais conheço os procedimentos comunistas, mais me dá vontade de bater nos tugas idiotas que votam no BE ou na CDU. Mas bater à séria, de os deixar todos negros mesmo, que é para ver se ganham juízo e se deixam de querer isso para o meu Portugalinho, coitadinho, que já anda tão mal e ainda ter que ser governado por essa cambada...
Pois então a minha estória é que acordei feliz e contente, falei com a minha famelguinha no skype durante 40 minutos e, bem disposto e cheio de vontade de poupar dinheiro saí de casa e fui ao banco para abrir uma conta poupança.
Fui lá, bom dia para aqui, bom dia para ali, a como está o euro? A como está o US$? A como está o HK$? A como está a libra? A como está o RMB?
Escrevi tudo isto cuidadosamente num papel...
E quanto é o juro da pataca, do euro, do dolar, do HK, da libra, do RMB...?
Anotei tudo cuidadosamente...
Feitas as minhas continhas, vi que o melhor era abrir a minha conta poupança em RMBs.
"Muito bem, menina, quero abrir uma conta em RMBs e transferir para lá xxx patacas."
A menina começou a teclar furiosamente no computador... ERRO!
Teclava mais um bocadinho... ERRO!
E depois mais um bocadinho... ERRO!
"Não percebo!" Diz-me ela.
Telefona ao patrão... blablabla em Cantonês... mais blablabla... mais blabla... aha, aha, aha... (aha de compreensão, entenda-se)
Pelo menos, pensei eu, agora está a perceber o problema.
Desliga: "peço desculpa, não pode transferir xxx só pode transferir x por dia!"
Diogo, inteligentemente, faz as contas de cabeça: "mas isso ia levar-me 15 dias! Porque é que não posso transferir tudo hoje se é o meu dinheiro e é a minha conta?"
Resposta lacónica: "não são regras do banco! são regras do governo central (leia-se Pequim)... eles lá são comunistas, não sabe?"
Resultado: passei uma hora no banco e agora, ao longo dos próximos 15 dias, vou transferir a mesma quantia de Patacas para RMBs apenas para quando quiser levantar o dinheiro ter que fazer o mesmo de RMBs para Patacas. Haja paciência para aturar comunistas! Só mesmo à chapada!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Diogo no campo

Nesta minha viagem que dava para escrever uma colecção ilustrada para miúdos quase tão interessante como a Anita: "Diogo de mota em Saigão", "Diogo come gafanhotos", "Diogo no campo"...
Pois é, não é que eu seja uma rapazinho do campo e que tenha crescido a meter a mão para dentro das vacas a ver se a cria está a correr bem, mas digamos que tenho alguma experiência de passar férias na quinta da famelguinha na Mesquitela. Lembro-me de ir colher figos de manhã de podar os buchos e, quando era mesmo pequeno, lembro-me de lá termos galinhas e coelhos e de ver matar um coelho. Devia ser uma criancinha muito insensível porque não fiquei por aí além traumatizado...
Pois no Cambodja também tive oportunidade para conhecer um bocadinho do campo em redor de Phnom Pen e de mostrar os meus dotes Mesquitelanos. Foi ver o Diogo a colher fruta, ver o Diogo a conduzir um carro de bois... O Diogo parecia que tinha crescido no campo no Cambodja, com aquela particularidade de ter saído mais clarinho.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Não hei de morrer estúpido


Gosto imenso da expressão "não hei de morrer estúpido" para quando uma pessoa experimenta uma coisa nova. Durante a minha viagem ao Vietnam e Cambodja estava sempre a usar essa expressão quando fazia ou provava alguma coisa estranha. O que aqui podeis observar na fotografia é uma aguardente de arroz como tantas outras, mas tem lá dentro uma cobra, como é bem fácil de reparar, dado que não é uma daquelas cobras que passam despercebidas.
Já muitas vezes bebi aguardente de arroz pura e na China também provei uma com minhocas (ou lesmas, não sei bem) lá dentro. Comparada com essa, esta de cobra é para amadores, dado que não se bebe a cobra e na outra engolia-se uma minhoca (ou a lesma ou lá o que aquilo era) em cada shot (e nessa noite bebi muitos shots).
Já outra coisa que eu também comi no meu primeiro dia em Saigão por ignorância, dado que não sabia o que estava a pedir, foi sapo.
Mas uma das coisas que eu mais queria comer no Vietnam mas só já encontrei no Cambodja era gafanhotos fritos. Aqui, podeis ver-me a comer um gafanhoto depois de ter comprado todo um pequeno saco cheio de gafanhotos e grilos. Até que gostei, mas o problema está em serem fritos: acabam por ficar um bocadinho gordurosos e indigestos. Ao fim de uns 5 gafanhotos e uns outros 5 grilos já estava um bocadinho enjoado - demasiada gordura para antes do almoço, pelo que acabei de comer tudo ao lanche.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Massagens

Quando eu vivia na China, a minha amiga Lisa costumava ir a umas massagens de cegos e dizia que eram espetaculares porque a falta que eles têem na visão compensam com o tacto.
Ora, tendo isto em mente, num dia em que o C. e eu estávamos mais cansados e precisámos de algo para dar nova vitalidade a estas velhas carcaças, mais precisamente, o dia de Natal, decidimos ir a uma massagem e fomos a uma massagem de cegos.
Ora, quando um lá foi para o seu compartimento e, para terdes uma noção do que fui a massagem, adormeci! Ou seja, foi tão fraquinha, tão fraquinha, que eu mal a senti.
Vai daí, quando saímos de lá, ao comentarmos as nossas massagens, concluímos que precisávamos de uma outra (e assim se passa um fim de tarde de Natal). Fomos procurar o segundo lugar que nos tinha sido recomendado no nosso hotel e, ao chegar lá, optámos por shiatsu, uma massagem Japonesa.
Ora, a rapariga que me caiu na rifa parecia que não gostava muito de mim, porque me enfiava os dedos entre os ossos, punha-me pedras a escaldar nas costas e fazia-me trinta por uma linha. Ante a minha cara de dôr, ela ria... RIA! Achais normal?! Vai daí, o C., do outro lado do biombo, só perguntava o que ali se estava a passar, ao que eu respondia que achava que a rapariga tinha sido contratada pelos meus opositores políticos que não querem que eu chegue a São Bento.
Ela começou a enfiar-me os joelhos e os cotovelos pelas costas adentro, dava-me palmadas nas pernas que se deviam ouvir lá fora e o diabo A4! Quanto mais dôr este vosso humilíssimo amigo mostrava, mas a piquena se ria e eu já me estava a passar com aquilo!
Com algum alívio, a certa altura ouvi o alarmezinho que indicava que a minha hora de tormento tinha chegado ao fim, mas isso não impediu a rapariga de tentar o seu último e maquiavélico truque. Sentou-me com as pernas cruzadas, sentou-se atrás de mim e sentou-se puxando-me pelos braços para eu ficar em cima dos joelhos dela. Mas, dado que as minhas costas estavam todas oleadas, eu escorreguei e caí para o lado e aí comecei eu a rir-me de exaustão e ela não parava de rir também.
Vai daí, veio a massagista do C. para o nosso lado do biombo, enquanto o C. só perguntava "but what the hell is going on there?!" e eu lá me continuava a rir.
Nesse momento, a rapariga lá me sentou outra vez (e eu, aliviado, a pensar que a coisa tinha acabado), põe-se de novo com os joelhos contra as minhas costas e enquanto a massagista do C me puxava as pernas como se não houvesse amanhã, esta lá me pôs deitado de costas nos joelhos dela e puxava-me os braços para posições que o meu corpo considerava impossíveis enquanto que eu já berrava "aiiiiiii... aiiii... Chris, save me from these maniacs!"
Quando ela deu por terminado o sofrimento que me infligiu, ria que nem uma perdida e lá se foi embora com as mãos na barriga de tanto rir. Fiquei prostrado uns 10 minutos sem me conseguir mexer enquanto que o C só dizia que eu era um sortudo porque ele mal tinha sentido a massagem... Insultei-o! E um bom Natal!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cuchi




GOOOOOOD MORNING VIETNAM!
Pois é, este é apenas mais um dos muitos filmes que toda a gente conhece sobre a guerra do Vietnam, aquela que é sem dúvida uma das mais mediáticas guerras do século passado.
No entanto, é mediática porque lá esteve em força o povo que mais filmes produz, o povo Americano, pelo que acabamos por ouvir sempre a versão Americana da guerra.
Do outro lado da guerra estavam os vietcongs. Conhecer a forma como um povo com poucos recursos se bateu e venceu a grande potência militar do mundo é muito esclarecedora.
As fotografias que aqui mostro aos ilustríssimos leitores deste humilíssimo blog localizam-se na área de Cuchi. Ao longo de toda a guerra da independência contra a França e depois de reunificação contra os EUA, os Vietcongs foram escavando uma rede de túneisque os levava desde o Cambodja até Saigão (a base dos Franceses e Americanos). Mas, para além de lhes permitirem andar de um lado para o outro sem serem detectados, os túneis serviam também de esconderijo, de morada e de tudo o mais.
Lá eles viviam anos a fim e de lá lançavam os seus ataques surpresa contra os Americanos.
As condições em que eles viviam permitem-nos concluir duas coisas:
1) eram osso duríssimo de roer para conseguirem sobreviver daquela forma;
2) eram completamente fanáticos para não cederem naquelas condições anos a fim.
A segunda fotografia, na qual se vê o macérrimo (bolas, o superlativo de magro não vem com íssimo!) autor deste blog a entrar por um buraco a dentro é isso mesmo, um buraco. Havia buracos destes, mínimos, espalhados pela selva e, sempre que um Vietcong estava a ser perseguido escondia-se lá durante horas sem fim. Vá, não é muito de admirar que eu consiga, mas devo confessar que fiquei admirado quando um outro turista Inglês também conseguiu. O rapaz devia ter quase dois metros de altura com uns ombros que também deviam medir uns dois metros. Pois que lá se estreitou feito rato e entrou! Já o meu amigo Christiaan decidiu não experimentar devido à sua... Base para copos, que é como ele chama a barriga, dado que, estando sentado lá consegue pousar um copo.
Recomendo vivamente esta visita, apesar de serem três horas dentro de um mau autocarro até se chegar lá vindo de Saigão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tráfego em Saigão


A minha primeira impressão de Saigão foi de espanto. Espanto porque nunca na minha vida tinha visto uma cidade com o trânsito tão maravilhosamente caótico como Saigão.
Vou brincar agora ao imagine-se...
- Imagine-se uma cidade com qualquer coisa como entre 5 e 6 milhões de aceleras...
- Imagine-se uma cidade onde andar em contra-mão é apenas uma das várias formas de se conduzir...
- Imagine-se uma cidade em que para qualquer manobra, seja esta ultrapassagem, seja o que for, se apita para se dar a conhecer que se está prestes a realizar uma manobra...
- Agora imagine-se tudo isto junto mas com boa disposição: se apitas, se estás em contra-mão, se acabaste de bater contra a minha acelera... Não faz mal! Neste último caso trocamos umas calmas palavras, avaliamos prejuízos e, se estes não forem de grande monta, não vale a pena perder muito tempo e lá continuamos no nosso caminho.
Ah, já agora, porque em Saigão fui mais peão do que outra coisa: imagine-se atravessar uma estrada com aceleras e carros a passarem a centimetros de nós pela frente e por trás e nunca haver azar! Eu já nem olhava! Mas dizia sempre uma oração que me parecia apropriada: "though I walk through the valley of the shadow of death, I will fear no evil!"
Isto, prezadíssimos, inteligentíssimos, fantastiquíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores deste blog, é Saigão!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uón dolá Mr.!


Quem quiser viajar pelo Sudeste Asiático pode estar certo de duas coisas:
1) Vai ver lugares e pessoas lindas;
2) Vai ter pessoas a tentar vender tudo e mais um par de botas a cada 3 minutos.
"Books, Mr.?"
"Buy bracelettes, Mr.! Just one dolá!"
E usam todas as técnicas para nos fazerem comprar:
Uma miúda de uns sete anos: "Mr.: If you don't buy, I'll cry!"
Eu: "Yeah! Cry, go ahead, cry! I looooove to see little children crying!" (a Lonneke, Holandesa, ficou chocada com esta minha resposta)
Uma mulher na rua en Nham Trang: "Mr. you have beautiful blue eyes! Buy bracelettes for your girlfriend!"
Eu: "I don't have a girlfriend!"
Ela: "That's because you don't buy them bracelettes!" (comprei-lhe três pulseiras)
Um miúdo na rua em Siem Reap (eu nunca compro coisas a miúdos porque acho que têm é que ir para a escola): "Mr.! Buy me books!" (ele é que estava a vender...)
Eu: "No, your books are all very sad, I don't like to read sad things!" (no Cambodja só vendem uns livros muito deprimentes sobre os Khmer Rouges... Para dar um exemplo, um chamava-se "First they killed my father" - de cortar os pulsos com a faca serrada do pão, no mínimo!)
Ele: "Then buy me postcards!"
Eu: "No, I have no friends, nobody likes me, to whom would I send the postcards?"
Ele: "OK, then play tic-tac-toe with me!" (jogo do galo)
Eu: "Let me guess... If I loose, I'll have to buy the postcards, right?"
Ele: "Off course!" (joguei, perdi, comprei - abri uma excepção para nunca comprar a miúdos)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quero ver os peixes a bailar...


Tem sido já um programa a não perder nas minhas viagens por estas bandas, ir mergulhar.
É todo um mundo diferente o que se vê lá em baixo! Tal como "cá em cima", também lá em baixo se vêem paisagens naturais, tão ou mais bonitas que aquelas que se vêem acima da água e se descobre a História das gentes, em navios naufragados.
É claro que o mais importante é que se vê toda uma sociedade diferente da nossa: a dos animais subaquáticos: desde lesmas cheias de cores, a peixinhos pequenos que se alimentam da limpeza que fazem aos peixes maiores, a raias, cavalos marinhos, corais...
Todo um mundo apenas acessível a quem quiser mergulhar para o ver.
Conselho gratuito: se querem mergulhar numa destas viagens, não esperem até ao último dia para o fazer, dado que não podem andar de avião 24h depois de mergulhar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Room 202

Começámos a nossa viagem por Nha Trang, uma praia uns 200kms a Norte de Saigão. Normalmente as pessoas gostam de acabar as férias com uns diazinhos de praia, mas isso é porque não são tão altruístas como eu. Eu não quero ter a família lá em casa preocupada com a minha saúde, pelo que gosto de me bronzear logo no princípio para a família ter noção de que a Ásia não me anda a fazer mal quando vê as fotografias do resto da viagem. Tudo os outros, tudo os outros...
Ora em Nha Trang ficámos num hotel com pessoal muito engraçado, um deles este rapaz que se vê na fotografia, que era o recepcionista durante o dia. Ora, depois de levarmos as coisas para o quarto, o C. e eu fomos fazer uma reserva para no dia seguinte fazermos um cruzeiro pelas ilhas. Eis que vem uma rapariga Indiana muito bem parecida pedir as chaves e quando ela se afastou eu sou capaz de, discretamente (como é meu apanágio), ter comentado com o C. sobre o aspecto saudável da rapariga.
Ora, lá acabámos de fazer a reserva e, quando já estávamos a ir embora, o rapaz diz-nos "room 202!" Eu, puro e inocente como um pequeno cordeiro, logo respondi "no, no... we're in room 702!" ao que ele respondeu "no, the girl is in room 202!" Malandragem!


Viagem pela Indochina: Christiaan

Pois que começo o ano a desejar a todos os 2 ou 3 leitores deste brilhantíssimo, viajadíssimo, fantastiquíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog um óptimo ano de 2010!
E aqui começam as descrições da minha viagem pela Indochina durante o Natal / Ano Novo, com algumas fotos para aguçar a vontade de viajar por estas bandas.
Para começar, o primeiro post é para descrever a personagem com quem viajei: o Christiaan (sim, tem dois As, não foi erro).
Pois que o rapaz é um Australiano, amigo de amigos, que eu apenas conheci para aí uns 3 meses antes de partirmos em viagem. Logo que nos conhecemos, começámos a falar sobre viajar, eu disse que ia viajar para algures durante o Natal e Ano Bom a não ser que a minha amiga Inês mudasse a data do casamento para o meio das festas (o que a essa altura já era muito pouco provável e, de facto, não aconteceu). Ele disse que também queria viajar porque estava há um ano em Macau e não tinha ido a lado nenhum.
Logo aí começamos a ponderar destinos juntamente com a Mari e a Ana, ambas estavam a considerar juntar-se mas desistiram, pelo que fomos nós os dois.
Para alguém que eu conhecia há muito pouco tempo, tive muita sorte, que ele é um pachorrento cheio de paciência. Devo confessar que é precisa alguma dose de paciência para conviver comigo duas semanas em viagem.
Para começar porque eu não adiro a estados de espírito durante as viagens. Toda a gente tem os seus estados de espírito, certo? De vez em quando felizes, outras tristes e ajuda quando o companheiro de viagem compreende e adere a esses estados de espírito. Ora eu não sou assim: enquanto estou a viajar estou sempre elétrico a querer fazer coisas e posso não ser a melhor companhia para alguém com nostalgia. Ora, o rapaz é como eu, sem grandes flutuações de espírito.
Outra coisa que não ajuda é que ele levanta-se da cama e passados 5 minutos está pronto para sair, enquanto que eu levava pelo menos 40 minutos entre estar sentadinho a "pensar na vida", tomar banho e vestir-me e ele acabava por estar todas as manhãs à minha espera, mas não se queixou nem uma vez.
E falando em vaidades: oq eu eu gosto de ser fotografado! A fazer poses de modelo (a minha amiga Raquel é igualinha a mim! viva!), a fazer estupidezes, o que quer que seja. E o pior é que gosto que os outros fazem as mesmas estupidezes e ele aderia bem (na maior parte das vezes).
Por último não é fácil encontrar alguém que esteja sempre disponível a comer comida de rua no meio da Ásia e eu é isso mesmo que gosto. O que vale é que o Christiaan aderia a tudo, por mais nojento que o lugar parecesse, por mais saltitante que a comida ainda estivesse antes de entrar para a frigideira ou por mais encardidos que estivessem os panos que limpavam as mesas e os talheres...
Do lado negativo aparece apenas que o rapaz viaja com um touro Escocês chamado Sven porque gosta de tirar fotografias como no filme da Amélie Poulain com o bicho nos lugares mais exóticos. Eu ainda sugeri que ele desse a criatura a umas crianças pobres, mas ele não se livrava do Sven (nome do bicho) nem tinha pena do meu apuradíssimo e lusitaníssimo sentido do ridículo e tirava o bicho para fora da sacola estivesse onde estivesse e com quem estivesse e sacava-lhe uma foto.
A certa altura achei que era mais fácil aturar um touro Escocês que um Português que leva 40 minutos a arranjar-se todas as manhãs e passa a vida a ter ideias para fotografias parvas e desisti de sugerir que ele desse a criatura aos miúdos pobres.


Aqui estão o Christiaan e o Sven.