Toda a gente já se apercebeu que este mundo virtual sabe mais das nossas vidas do que nós sabemos que ele sabe. Quantas vezes nos damos conta que, no seguimento de uma conversa, as aplicações de redes sociais no nosso telemóvel, que estava bem arrumadinho no nosso bolso durante a conversa, nos anunciam alguma coisa relacionada com essa conversa?
Ora, assim sendo, não é de espantar que o mundo virtual já esteja a par desta coisa de eu ser um pai à espera. Isto quer dizer que nos últimos tempos as minhas redes sociais têm sugerido tudo o que tem a ver com bébés. Começou com vídeos engraçados de bébés. Depois passou a publicidade de toda a enorme pararfenália de coisas que eu nunca precisei mas que o mundo virtual sabe que eu agora vou precisar. Agora vai nos vídeos com conselhos, desde mães a pediatras, toda a gente me quer aconselhar sobre como ser pai.
Isto não é necessariamente mau. Aliás, quem é o nosso conselheiro de maior confiança para tudo o que possamos precisar na vida, que não o google? Chega mesmo ao exagero de que eu, casado com uma médica, quando sinto algum desconforto que não é resolvido pelo tratamento milagroso que eu sigo há décadas para qualquer maleita (2 copos de água), vou antes ao google ver o que ele me sugere e só depois falo com a médica cá de casa!
Assim, dou por mim a "seguir" pessoas nas redes sociais que me querem dar conselhos de paternidade. São os tais "influencers" que também existem para o mundo dos bébés.
O engraçado disto é a absoluta despersonalização da confiança. Antes davam-nos conselhos pessoas que nós conhecíamos e em quem confiávamos. E, por isso, aceitávamos os conselhos delas. Hoje dão-nos conselhos pessoas com quem nunca nos cruzámos. Como um homem que eu acredito ser pediatra (nunca vi o diploma nem ninguém mo recomendou mas confiei que ele era o que dizia ser), bem falante, com pronúncia do Porto, que eu ainda nem sei o nome mas que já sigo no instagram e de quando em vez lá me aparece a dar um conselho.
Não estou aqui a dizer que chegámos ao fim da tradição do conselho personalizado da família e amigos. Esse também o há... Estou a lembrar-me quando, há uns meses, nós estavamos preocupados com o tipo de carrinho (e anexos) a comprar e uma amiga do outro lado do mundo nos mandou todas as dicas que precisámos para tomar a decisão. Mas se a tradição desse conselho não chegou ao fim, pelo menos diversificou-se.
E não há que chorar por isso... Aproveitemos! Eu sempre gostei de ouvir opiniões e receber conselhos e agora tenho todo um mundo digital ansioso por mandar bitaites sobre a minha vida e as minhas decisões. Não irei desperdiçar esta oportunidade! Obrigado mundo digital!