quarta-feira, 28 de abril de 2010

Humilitas Sinensis

Há coisas que eu não entendo bem nos Chinos e não é por eles falarem Chino ou por serem "impenetráveis" como já ouvi dizer em Portugal, é mesmo porque, por vezes, eles são de extremos. Uma das coisas que eu não entendo nos Chinos é a sua soberba para com os empregados.
Hoje, na mercearia, andava uma senhora China com a empregada Filipina atrás. A senhora apontava para as coisas e dizia umas coisas ríspidas meio em Cantonês meio em Inglês e a empregada ia logo a correr escolher as frutas ou os legumes que a patroa dizia mas tudo isto com uma sobranceria tão grande da patroa que eu fiquei incomodado.
Logo a seguir, a caminho de casa, parei no banco e, mais uma vez, entra uma outra patroa China com a sua empregada Filipina (ou Indonésia) atrás. Note-se, os patrões Chinos nunca andam lado a lado, andam sempre à frente e os empregados seguem subservientemente atrás. Eu já estava na secretária de atendimento à espera da menina que me tinha ido buscar umas informações, pelo que notei que a patroa se sentou, a empregada, mesmo com um sofá vazio ao lado, ficou de pé e não houve a mínima atenção da patroa ou um gesto para que a empregada se sentasse.
Agora, quem não conheça os Chinos vai ficar com a impressão que eles são sempre sobranceiros, mas nada está mais longe da verdade. Em muito que ao longo dos últimos três anos tenho conhecido deles, eles comportam-se sempre com enorme humildade. Os alunos Chinos, então, tratam os professores como se fossem semi-Deuses. Às vezes até chateia de tão humildes que são e até me apetece dizer que não sou um semi-Deus, mas os meus paisinhos, coitadinhos, ensinaram-me a não mentir, pelo que me calo.
Como é que a mesma pessoa pode ser de tamanhos extremos: sobranceira e humilde ao máximo? Já antes falei disto com uns amigos Chinos mas eles negaram categoricamente que os patrões fossem sobranceiros com os empregados, pelo que eu não quis estar a insistir para não ofender. Mas a dúvida cá permanece...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Levanta-te e anda!

Ainda em período Pascal e em momentos de ressurreição, depois de na boda do mano Gonçalo ter levado nas orelhas por ter deixado morrer o blogadíssimo, decidi ressuscitá-lo.
Assim: "Blogadíssimo: levanta-te e anda!"
Poderia agora armar-me em Antero de Quental e escrever sobre as causas da decadência de um blog mas estas são demasiado deprimentes para serem escritas. Como todos os leitores deste outrora fantastiquíssimo, fabulosíssimo, inteligentíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog (hoje paupérrimo e desertérrimo), fui obrigado nos passados meses a levar a cabo uma série de viagens. Sempre fui contristadíssimo, que eu não gosto nada de viajar e gosto mesmo é de estar fechadinho no meu canto sem que ninguém me mace, mas sacrifico-me a bem da humanidade. Afinal de contas, já não basta estes países do Sudeste Asiático serem pobrezinhos, coitadinhos, mas ainda nunca terem tido uma visita minha já era sina demasiado amarga de carregar.
Assim, como aqui foi documentado, pelo Natal estive no Vietname, pelo Ano Novo (Ocidental) no Cambodja, pelo Ano Novo Chino nas Filipinas, pela Páscoa na Tailândia e agora, mais recentemente, pelo casamento do meu irmão Gonçalo, uns breves mas emocionantes dias em Portugal.
Mas agora chega! Fico-me por aqui! Sim, aqui, na Ilha da Taipa da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Espero, mas com uma esperança não muito grande, que isso possa significar um renascimento do blogadíssimo. Mas, perguntais vós, ilustríssimos e escalrecidíssimos leitores: porque é que a esperança não é grande? A verdade é que passou a novidade! Macau já não é novidade, já é a minha casa e dar aulas também não traz grandes coisas novas, pelo que as coisas que eu antes reparava como exóticas e engraçadas, hoje em dia já são banais.
Tenho que voltar a olhar Macau com os olhos da novidade...