sábado, 28 de março de 2020

Sous l'oeil de l'ange

Comecei a prestar atenção à letra de uma música de um CD que a Jana tinha no carro. Não a tinha entendido bem ao princípio porque é cantada muito rápido mas fui percebendo cada vez melhor e a letra parecia-me linda! Hoje cheguei a casa e fui googlar a música para a entender melhor. Não podia fazer mais sentido nestes dias de medo e de isolamento!
Traduzi-a em baixo na esperança que faça sentido a mais gente. E que fiquem sob o olhar de um anjo...





Ele disse-me um dia, escuta, pequeno
Vai depressa, aproveita a tua sorte
Vive o teu sonho, a vida sorri-te
Em um segundo, um sim, um não

Passas ao lado
Não penses no vento da coragem
Vai em frente
Serás recebido por aqueles que te amam

Aqueles que no fundo de um olhar
Em silêncio te entendem
E eles compartilharão as mesmas tristezas, as tuas
Essas centenas da raiva, quando falas demais

As vezes que nada dizes, nada fazes
Quando sentes que vives
Sempre o mesmo quotidiano
Não baixes os braços, não desistas

Aproveita o tempo para te dizer
Que existe um anjo atrás de ti
Levanta-te e encontra o mais forte de ti no fundo de ti
A felicidade está ao alcance dos dedos, não a esqueças

Sob o olhar do anjo
Vim para te dizer que soube permanecer forte
Sob o olhar do anjo
Vim para te dizer que eles ainda não nada viram 

Sob o olhar do anjo
Vim para te dizer que encontrei a paz
Sob o olhar do anjo
Soube perdoar e soube cantar

Terás de saber
O que se esconde numa derrota e
Encontra a porta no escuro que daí brotar
E recomeçar a sonhar

É nos sonhos que se esconde
A porta para o eterno conto de fadas
Moldarás a tua vida com tuas mãos
O suor na tua testa

Será o pão para o teu amanhã
Vai e sê o melhor no que fizeres
Não desistas e Deus te guardará
Ele vai falar contigo sobre tudo e nada

Ele tem as melodias, as chaves do mal e do bem
Ele fará a tua história, Ele escreverá o amanhã
Ele terá as tuas memórias na palma da Sua mão
Vai e sabe que tens tudo o que é necessário
E bem mais do que é necessário
Mas dá-te a ti mesmo o tempo necessário, olha para cima

Sob o olhar do anjo
Vim para te dizer que soube permanecer forte
Sob o olhar do anjo
Vim para te dizer que eles ainda não nada viram 

Sob o olhar do anjo
Vim para te dizer que encontrei a paz
Sob o olhar do anjo
Soube perdoar e soube cantar




sábado, 14 de março de 2020

O que estaria disposto a fazer para proteger uma minoria?

A pergunta do título é muito simples: o que é que o leitor deste blog estaria disposto a fazer, com sacrifício do seu dia-a-dia, para proteger a integridade física e até a vida de uma minoria da população?
Há tempos em que a uma minoria é pedido que proteja a maioria. É o caso das guerras, em que os militares são chamados a proteger um povo. Ou dos incêndios, em que os bombeiros se põem ao serviço de toda a população de uma determinada zona.
Mas, será bom de observar, estas pessoas optaram por este estilo de vida. Eles optaram por fazer estes sacrifícios por todos os outros quando a ocasião chegasse.
A pergunta agora é diferente. É uma questão de teoria política, que testa a capacidade de um Povo de viver em Democracia. Tal como uma corrente, um Povo é tão forte quanto o seu elo mais fraco. E este elo mais fraco varia de acordo com as circunstâncias.
No presente momento, em que a vida pública é dominada pelo COVID-19, o elo mais fraco são as pessoas mais idosas, as pessoas com saúde frágil e, potencialmente, as grávidas. Enquanto que no resto da população, com umas semanas em casa a coisa deverá estar resolvida, as pessoas que fazem parte deste elo mais fraco deverão precisar de assistência médica para sobreviver.
O problema da assistência médica, neste momento, é a sua escassez. Não é novidade para ninguém que os corredores de muitos hospitais portugueses estão, numa situação normal, cheios de macas com doentes que não conseguem ter cama. Isto acontece porque Portugal é o país da UE com menos camas de internamento por mil habitantes. Também não é novidade para ninguém que há no país uma enorme escassez de médicos e enfermeiros dado que estes são aliciados para ir trabalhar para outros países da UE que reconhecem a sua excelência e lhes proporcionam melhores condições de vida e trabalho.
Estes problemas, que são os do dia-a-dia dos Portugueses agudizam-se numa altura como a presente. Se muita gente for contagiada, aquela minoria de risco será em maior número. Para além do mais, mesmo com todos os cuidados, os médicos e enfermeiros estão na linha da frente, pelo que a probabilidade de ficarem fora de serviço é alta, tornando a habitual escassez ainda mais séria. E não nos esqueçamos que médicos e enfermeiros também têm famílias: pais idosos, filhos sem escola, etc.
Neste cenário, regresso à pergunta inicial. Por muito que o leitor seja totalmente saudável, parte da maioria que, de acordo com a estatística, não deverá sofrer muito com a doença, o que é que está disposto a fazer para não ser infectado e não se tornar, assim, mais areia na engrenagem?