quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Estou sempre certo nas minhas opiniões

Devo começar por dizer que eu considero que estou sempre certo nas minhas opiniões. Mais ainda, considero irracional não se estar sempre certo nas suas opiniões. Considero, então, que uma pessoa racional tem sempre opiniões certas.
Explico isto porque sinto que hoje em dia há um certo preconceito contra estar-se certo. Aliás, para se ser políticamente correcto, a pessoa deve começar a expressar as suas opiniões por "eu até posso estar errado, mas acho que..." E eu acho isso absolutamente errado!
Passo a explicar. A primeira coisa tem que se entender é que uma coisa são factos, outra são opiniões. Ontem notei que o meu Sporting está em 9º lugar no campeonato nacional. Isto é um (triste) facto. Se eu disser que o Sporting está em 10º ou em 8º lugar, estou errado: é um facto falso. Sobre factos a pessoa pode estar errada. Mas se eu disser que o Estádio de Alvalade é o mais bonito de Portugal só posso estar certo, porque isto não é um facto, é uma opinião. Se eu não mentir, a revelação dos meus gostos ou preferências está sempre certa.
Imagine-se que eu acordo amanhã, vejo uma fotografia do Estádio do Dragão e concluo que este é mais bonito que o Estádio de Alvalade e, logo, o mais bonito Estádio de Portugal. Se eu aí revelar a minha preferência pelo Dragão estarei certo mais uma vez.
Note-se que eu nem sequer usei qualquer coisa como "o meu estádio preferido é...". Em vez disso usei "o estádio mais bonito de Portugal é...", o que faz parecer que é um facto. Mas como a beleza é uma coisa intrinsecamente subjectiva, é óbvio que isto não é um facto mas uma opinião.
Uma pessoa intelectualmente honesta é perfeitamente livre para mudar de opinião, mesmo que radicalmente. Já não é livre para alterar os factos porque sobre estes pode estar errada. Sobre as opiniões é que nunca estará errada.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Jobs for the boys II

Nem acredito que já escrevi o post anterior há quase duas semanas e acabei por nunca o completar! Mas aqui vão aquelas que eu considero ser as principais vantagens de ter assessores jurídicos, económicos, de imprensa, etc. de carreira no governo.
CONTINUIDADE
É óbvio para qualquer pessoa que cada governo terá políticas diferentes, caso contrário não valeria a pena mudar de governo. No entanto a maior parte das políticas têm necessariamente que ter continuidade e muitas das decisões políticas são de mera administração. Tomemos o exemplo de um assessor jurídico. Este tem um trabalho bastante técnico: explicar qual a lei aplicável, fazer estudos que podem ser comparativos com legislações estrangeiras e outros para encontrar possíveis soluções para problemas nacionais, etc. No que toca a reformas legislativas, cabe ao político dar directivas políticas, de acordo com o programa de governo e com o negociado em conselho de ministros tendo em conta os estudos preparados. Se sai um assessor a meio de um estudo porque muda o governo, todo o seu trabalho é desperdiçado, Um desperdício de tempo e dinheiro!
EFICIÊNCIA
Ao chegar ao governo, cada ministro e cada secretário de estado tem que nomear todo o pessoal. Isto pode levar uns meses. Depois disso, tem que pôr a máquina a funcionar: mais uns meses... Isto quer dizer que, na melhor das hipóteses, com cada eleições perdem-se 6 meses até a "máquina" estar perfeitamente oleada e a funcionar a todo o vapor. Dado que temos eleições pelo menos de quatro em quatro anos, pode-se bem imaginar a falta de eficiência que isto gera.
QUALIDADE
Não tenho dúvida que em cada eleição os políticos procurarm encontrar as melhores pessoas para os seus gabinetes. Mas o que acontece muitas vezes é que as melhores pessoas podem não estar disponíveis. Ser assessor hoje em dia é um trabalho bastante bem remunerado mas quantas pessoas se consegue encontrar que estejam disponíveis a despedir-se de trabalhos que podem ser também bem remunerados para ir trabalhar com um político que lá está a termo? Ainda para mais, para quem não tem ambições políticas, é um trabalho sem perspectiva de evolução. Está-se lá uns anos, sempre no mesmo posto e sempre com o mesmo ordenado e depois tem que se voltar a encontrar um emprego... A não ser que se tenha sido requisitado a um serviço da função pública, serviço esse que tem que prescindir uns anos de um técnico qualificado sem poder substitui-lo. Com um serviço de carreira, cada assessor vai ganhando experiência, pode investir na sua carreira através de cursos especializados na área em que trabalha, etc. Se nao for um sistema de promoção automática, tem todos os incentivos para ser bom e vai ganhando mais experiência e os "truques do negócio" ao longo da carreira.
CUSTO
Como já disse antes, ser assessor é um trabalho bastante bem remunerado. E, nos termos do actual sistema, tem mesmo de o ser, porque tem de se compensar a instabilidade da posição para ser um trabalho que gente de qualidade considere atractivo. No entanto, se fosse um trabalho mais estável, muita gente de qualidade poderia considerar essa carreira, mesmo que os ordenados iniciais não fossem tão bons como são agora.
MUITAS OUTRAS QUALIDADES poderiam ser encontrados num sistema de assessoria de carreira. Claro que também há defeitos, como uma certa tendencia para o imobilismo da administração. Mas no fim, acho que o sistema Britânico, Holandês, etc. de assessoria de carreira serve muito melhor o interesse público que o sistema Português de absoluto rotativismo. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Jobs for the boys I

Aqui há uns anos, no período de transição dos governos Cavaco para os governos Guterres, falou-se muito dos "jobs for the boys", os cargos políticos no governo de Portugal reservados a pessoas dos partidos. Dizer que esses cargos estão reservados a pessoas dos partidos tem o seu quê de injusto mas o que merece ser reflectido é se devem ser considerados cargos políticos.
Porquê o seu quê de injusto? Porque o que de facto acontece nos sucessivos governos é que há muitos adjuntos e assessores que são independentes. São convidados para o governo com base nos seus méritos. Claro que também há muitos que são os tais "boys" e "girls" dos partidos, mas isso é uma decorrência natural de se considerar aqueles cargos políticos: se são políticos, devem ser dadas a pessoas de confiança política.
Vem este post a propósito de uma conversa que eu tive ontem com um deputado regional, um deputado do Parlamento da Escócia, Holyrood. Ele explicou-me melhor aquilo que eu já intuia graças à série do yes minister. Aqui no Reino Unido, os parlamentos e os governos (o central e os regionais da Escócia, Irlanda do Norte e Gales) são servidos por pessoal de carreira. Isto quer dizer que cada ministério e cada parlamento tem os seus assessores políticos, económicos, sociais e de imprensa que são funcionários públicos de carreira. Como qualquer funcionário público, estes ingressam por concurso público e vão sendo promovidos ao longo da carreira. Bem, promovidos por mérito, não por antiguidade, mas isso já é outro assunto...
Para além destes, explicou o deputado, cada executivo ou grupo parlamentar tem uns assessores políticos contratados políticamente. Isto quer dizer que são pessoas da confiança política de quem os contrata. Quando eu disse que em Portugal todos eram assim, ele disse que em Holyrood, o parlamento regional, havia cerca de dez assesores destes.
Em Portugal cada novo executivo contrata de novo todos os assessores, adjuntos e, pasme-se, secretariado e até motoristas! Isso não quer dizer que até não possam contratar alguns que já vinham dos governos anteriores. Quando eu fui assessor, por exemplo, a Chefe de Gabinete do "meu" Secretário de Estado já tinha estado em governos anteriores, tal como a Chefe de Gabinete do Ministro. Mas isto não quer dizer que não tivessem sido contratadas de novo: uma vez que a nomeação é pessoal, com a cessação de funções de um governo todas as nomeações desse governo caducam.
Bem, já começa a ficar tarde e tenho que sair, mas amanhã continuarei com aquelas que me parecem ser as desvantagens do sistema Português.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Porquê este vídeo?


Vi agora o vídeo de que tanto se falava "idealizado pelo Marcelo Rebelo de Sousa e realizado pelo Rodrigo Moita de Deus." No fim do vídeo fiquei a pensar: afinal de contas, o que é que se queria provar? Que somos uma cambada de burros?

Começa-se logo por dizer que depois de uma longa ditadura é que nos alfabetizámos. Bastou googlar um bocadinho para confirmar aquilo que eu já sabia, é que o grande "salto" da alfabetização foi feito precisamente na tal "ditadura". Dá ideia que precisamos de uma nova "ditadura" para aprendermos a lidar com os números.
Depois desta infeliz abertura inicial o vídeo desfia um rosário de factos de que nos deveríamos envergonhar: que instalamos redes de abastecimento de carros eléctricos sem ter os respectivos carros eléctricos, que gastamos um balúrdo em estádios, etc. E tudo graças ao trabalho e empenho dos Alemães. Se não fossem os Alemães a construir os postos de abastecimento eléctricos, os carros elécttricos e os submarinos, nós ficávamos como Junot, a ver navios...
Afinal de contas, para além de envergonhar os Portugueses e enaltecer o trabalho, qual é o outro objectivo deste vídeo? 
Eu cá sempre admirei os Alemães pelo seu espírito de inovação, honestidade e trabalho. Mas também sempre admirei os Portugueses por muitas outras coisas: a sua simpatia, o seu sentido de união com a família e amigos, a sua creatividade, etc. Nada disso transparece no vídeo. O que transparece é que depois de uma longa "ditadura" que terá sido péssima mas a que todos nos submetemos até ao dia em que criancinhas começaram a espetar cravos nas espingardas dos soldados, nós começámos a viver à custa da tecnologia Alemã mas com muito pior qualidade de vida: menos feriados, menos ordenados, etc. De tal forma a vida em Portugal é má que 150 mil Portugueses preferem viver na Alemanha!
Professor Marcelo, Realizador Moita: da próxima vez que quiserem envergonhar Portugal junto dos Alemães, por favor vão à Oktoberfest e bebam até fazerem figuras tristes. Será uma vergonha mas só para os senhores. E uma vergonha de que todos nos poderemos rir...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Minchi

Se ele há coisa típica de Macau...
Bem, acho que comecei mal este post. As pessoas lá em casa vão pensar que eu vou falar sobre casinos ou sobre aquela profissão que dizem que é a mais antiga do mundo...
Se ele há coisa típica da cozinha Macaense (isto assim induz a pessoas a pensamentos mais alinhados com aquilo de que eu quero falar), essa coisa é o minchi. O minchi é um prato maravilhoso pelo que não pode haver pessoa que tenha vivido em Macau que não tenha saudades de um bom minchi.
Hoje estava a caminho de casa na minha fiel e bonita bicicleta e senti saudades de Macau. Sentir saudades é uma obrigação de qualquer Português e como eu estive em Portugal há apenas duas semanas, ainda não podia cumprir com o meu dever nacional de sentir saudades de Portugal. Sendo assim, senti saudades de Portugal.
O problema de sentir saudades é que a pessoa tem de fazer qualquer coisa para matá-las. É um sentimento que todos os Tugas querem ter mas nenhum quer manter. Vai daí o que é que eu pensei? Quando chegar a casa vou fazer minchi, o mais tradicional dos pratos Macaenses. Procurei a receita e fui encontrá-la na internet. Vai daí cozinhei-o e... Não era bem igual ao minchi que se come em Macau até porque eu não tinha todos os ingredientes. Mas a coisa vai lá com alguns detalhes do género de pôr um ovo estrelado por cima (que a receita encontrada não referia) e temperar com um bocadinho de malagueta (outra falta na receita).
Mas, mesmo não sendo exactamente igual, já deu para matar saudades. Lá está, quem não tem cão...

Turista em Edimburgo

Nos últimos fins-de-semana tenho sido um verdadeiro turista na cidade em que vivo.
No fim-de-semana de 6 e 7 visitei, entre outras coisas, uma exposição sobre Catarina a Grande da Rússia. Consegui perceber mais sobre a vida desta princesa Alemã que se tornou uma das mais marcantes figuras da história da Rússia. Para além disso, visitei a Rosslyn Chapel que ficou célebre por ser o lugar do desfecho do Código de Da Vinci. Por causa disso, aliás, já lá tiveram muitas pessoas estranhas com objectivos ainda mais estranhos... Mas, de facto, a capela é um lindíssimo exemplo do Gótico tardio com muitos arranjos posteriores, nomeadamente Victorianos.
No fim-de-semana seguinte estive em Portugal mas no passado voltei às minhas actividades turísticas, desta vez mais desportivas. No Sábado, durante um passeio de bicicleta encontrei um canal muito sossegado chamado o Union Canal. Fui seguindo o canal e vendo a cidade velha a acabar, a nova a começar, parques e a actividade das pessoas à volta do canal. No Domingo fui com a minha flatmate Margot a Blackford Hill num passeio cheio de sol e muito bonito.
Este fim-de-semana já sei que mais passeios se seguem dado que tenho boas visitas de Londres que querem ver a capital dos Escoceses. E fico feliz que assim seja: Edimburgo é uma cidade muito bonita, com uma vida animada e gente simpatiquíssima. Vale mesmo a pena visitar!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Onde fica a Escócia?

Dirijo-me hoje ao Banco Espírito Santo para mudar a minha morada de Macau para Edimburgo. Como comprovativo da minha morada levo uma carta do Banco da Escócia. O homem lá escreve no computador mas a certa altura pára, hesita... E acaba por perguntar: "portanto, vive na Escócia, é isso?" Perante a minha resposta afirmativa ele continua parado a olhar para o ecrã com o rato de cima para baixo. Hesita, quase pergunta alguma coisa mas pára, hesita mais um bocado... E lá pergunta: "e pode-se considerar que a Escócia tem o mesmo código do Reino Unido?" Lá está um homem que tinha vergonha de perguntar se a Escócia fazia parte do RU...
Saio do BES e dirijo-me aos serviços do cartão do cidadão para também mudar a morada. Atende-me uma senhora que também a certa altura fica hesitante. "Então, está a viver na Escócia...?" Ante o meu aceno de cabeça ela voltar a estudar as opções apresentadas no ecrã volta à carga "portanto, vive na ESCÓCIA, é isso?" Ela salienta bem a palavra Escócia para ver se eu tinha entendido bem. Eu, já cheio de vontade de rir ao ver outra pessoa que não sabia onde era a Escócia apenas faço um sorriso e respondo um singelo "sim". O que vale é que uma colega mais culta grita de duas secretárias ao lado: "a Escócia é no Reino Unido!" Ainda bem que ainda temos colegas cultas em Portugal porque eu não me descoseria até ela descobrir por si mesma que a Escócia (ainda) não é independente...

domingo, 14 de outubro de 2012

Às vezes...


Às vezes, quando sinto saudades de Macau, daquelas que apertam o coração...
Vejo este vídeo e as saudades passam!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Cerco a São Bento

Deveria estar a estudar... E tenho estudado... Um bocadinho! Mas tenho estado mais entretido com trocas de opinião na página facebook de uma manifestação que planeia cercar o Parlamento na Segunda-feira.
Continuo a tentar entender porque é que que eles querem cercar S. Bento mas as respostas sucedem-se algo destruturadas.
- Porque aqueles malandros nos roubam a Democracia! Mas nós elegêmo-los há um ano. Escolhemos aqueles mesmos que lá estão, todos os 230 que lá estão! Podiamos ter formado outros partidos antes das eleições, podiamos ter escolhido outros, podiamos ter sido mais a votar (40% absteve-se - devia ser um bom dia de praia)... Aquelas 230 pessoas com as suas diferentes opiniões que reflectem as diferentes opiniões na nossa sociedade são o epicentro da nossa Democracia!
- Para demonstrar a nossa indignação? Mas indignação com o quê? Com os cortes na despesa: mas temos alternativa? Com a queda da economia: mas isso é culpa do governo ou do parlamento? Porque o estado devia investir mais na economia (esta é a melhor). Mas oh minha gente, com que dinheiro??? Com mais empréstimos com juros exorbitantes? Ah, podiamos negociar melhor... Até podiamos passar o resto da vida a negociar, neste momento não há confiança no nosso estado, não há nada a fazer.
- Porque os desempregados, etc. são vítimas deste governo! Wake up and smell the coffee! We had it coming! Com uma economia assente na construção civil que por sua vez era assente em empréstimos contraídos sem poupanças prévias junto dos nossos bancos que depois se endividavam junto dos bancos estrangeiros...
- Mas é tudo culpa dos políticos, esses safados, que lixaram o país com dívidas! (Esta também é muito boa!) Se eles endividaram o Estado até ao tutano foi porque perceberam que criando empregos públicos, fazendo obras faraónicas e prestando todos os serviços com todas as regalias e tudo sem grandes aumentos de impostos ganhavam os votos das pessoas que agora se manifestam! Se eles tivessem prometido um crescimento económico baseado no trabalho e no esforço individual teriam sido eleitos?
- Porque se devem adoptar outras politicas que levem ao crescimento económico! Por amor de Deus, neste momento alguém me diga que políticas são essas? Fabricar reservas de petróleo no Alentejo? Vender os Açores aos EUA e a Madeira a Marrocos para investir na economia do Continente? Mas eu achava que a malta de lá também era Portuguesa! São assim escurinhos, falam Português e queixam-se muito... Sim, são Portugueses!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nada como ter uma óptima visita em Edimburgo para andar a visitar esta cidade! Para mais detalhes sobre as visitas, ver o meu alter ego. Mas todas as rosas têm os seus espinhos. A minha máquina entrou em coma. Ligo-a, ela fica ligada uns 5 segundos com uma imagem um bocado desfocada, e depois diz que o zoom não funciona! Bu hao! Vou levá-la à canon a ver quanto custa arranjar mas já estou a ver que os arranjos devem ser um balúrdio... Logo agora que sou um pobre estudante!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Passar a ferro

Isto de se viver num país que não tem empregadas Filipinas a preços comportáveis tem os seus efeitos mais imediatos na roupa.
Primeiro uma pessoa apercebe-se que as tshirts não precisam de ser passadas. Depois nota que as calças, depois de uma hora a serem usadas, estão iguais ao que estariam sem ser passadas. Depois disso chega a fase das camisas: pois se estou com a camisola por cima, quem é que vai notar?
Com tudo isto poupa-se na electricidade para o ferro! Ganha o planeta e o espelho não anuncia grandes perdas para a imagem.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Rice cakes

Encontrei a comida perfeita para ter no gabinete enquanto trabalho. Chamam-se rice cakes mas não teem nada a ver com os nossos bolos de arroz. São a coisa mais sem graça que se possa imaginar. Dá-me a mesma alegria comer isto que me daria comer uma caixa de cartão. Então, porque são assim tao bons?
São óptimos por vários motivos:
1.            São uma coisa pouco calórica que e’ para ver se eu começo a perder o peso ganho em Portugal.
2.            Ate que enchem, o que e’ bom para quando a pessoa esta’ a trabalhar com larica.
3.            São tao sem graça que nunca me apetece comer mais do que um, pelo que mato a fome com pouco.
4.            Last but not least, são baratos o que para um estudante sem outros rendimentos que não as suas poupanças amealhadas na China parece perfeito!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O raça dos Tugas!

Há uns dias fui fazer umas comprinhas ao supermercado e aparquei a minha bicla num gradeamento. Está mal! É que mesmo em frente ao supermerado havia um parquito para biclas...
No supermercado encontrei uma amiga Portuguesa de longa data que, a bem da sua reputação e estado de anonimidade apenas chamarei aqui de MF (aposto que assim ninguém adivinha quem era) e andámos de prateleria em prateleira a fazer compras juntos e a falar desanimadamente sobre os preços nesta bonita mas muito cara terra.
Quando saímos, dirigimo-nos às nossas biclas e onde estava a bicla da MF? Mesmo ao lado da minha: as duas únicas biclas no gradeamento! Sim, tuga que é tuga pode aparcar bem a bicla mas escolhe fazê-lo mal!
O raça dos tugas sempre a contornar as regras!

Ele havia pessoas que não tinham entendido bem como é que a prevaricação tinha ocorrido, pelo que eu decidi mostrar a triste imagem do resultado da prevaricação. Mantendo por completo a anonimidade da MF graças a um ardiloso encobrir de cara, eu consigo mostrar a cena. Note-se como são as únicas bicicletas no local. E note-se também como a prevaricadora MF se está a esconder com medo que venha a polícia...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Policiadíssimo (ou blogador quase falido ou atrás das grades)

Acabei de ter um encontro de 3º grau com a polícia... 
Vinha eu de um simpático jantar no meu ferrari (leia-se a minha bicicleta) e já estava a pedalar há uma meia hora porque andava perdido quando um carro apita atrás de mim. Não parecia uma sirene porque só ligou e voltou a desligar. Eu ia encostado à esquerda pelo que não entendi qual o problema mas encostei-me ainda mais. 
Voltou a apitar: eu olhei para trás e vi que era a polícia e pensei logo que me tinha enganado no lado da rua mas lá vi um carro a passar na direccção contrária do outro lado, pelo que concluí que estava bem. Olhei de novo, eles continuavam atrás de mim, pelo que eu parei e apontei para mim com ar inquisitivo: "é para mim?" Eles fizeram sinal que sim pelo que eu lá me apeei da bicicleta. 
Quando o polícia saiu do carro eu disparei logo na defensiva: "oh Sr. Guarda, tenho a certeza que estou no lado certo da estrada! Isto pode ser ao contrário do resto da Europa mas eu já tive uma semana para me habituar!" Ao que ele respondeu que eu não tinha luzes. (Estava no meio da cidade toda iluminada) 
Lá me disse para entrar no carro. Eu ainda hesitei porque não queria que algum larápio me fanasse a minha bicla nova enquanto ele me levava para a esquadra mas ele disse que não íamos sair dali (acho que se fosse Russo tinha fugido a pensar que me iam raptar, mas a ideia na altura não me ocorreu). 
Lá me explicou com ar de poucos amigos e uma pronúncia Escocesa cerrada que a multa eram 60L! Eu até me engasguei e só me saiu "isso é mais que a bicicleta!" o que não é exactamente verdade porque a bicla custou 75 mas se eu a vendesse de novo na loja onde a comprei de certeza que me davam menos: eles têm que fazer dinheiro, certo? No fim foi amigo e lá me deixou ir sem pagar multa porque eu fiz o meu mais angélico ar de anjíssimo e ainda lhe fiz umas perguntas sobre o código da estrada. Mas avisou que eu tinha que levar a bicicleta na mão. Entre a chuva e o frio lá cheguei a casa molhado que nem um pinto e azul que nem um estrunfe (hoje smurf) mas aliviado de não ter pago 60L!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Minhas senhoras e meus senhores...

Meninos e meninas...
DSA tem a honra de apresentar em exclusivo para o Blogadíssimo...
A Escola de Direito!

School of Law
Old College
University of Edinburgh

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Agora sim...

Sou oficialmente aluno da Universidade de Edimburgo...
Mãezinha do meu coração: peço desculpa por não aparecer o nome materno, mas aquela gente nem me tinha feito o cartão porque diziam que o meu nome era grande demais para lá aparecer! Seis pequenos nomes!!! Tive que escolher entre o nome materno e o cartão... Por incrível que pareça, o nome Sacadura Cabral não me permite entrar nas bibliotecas da Uni, ter acesso ao gabinete dos doutorandos ou ter desconto numa série de lojas! Especialmente por causa deste último acabei por escolher o cartão.

Que friozinho tão bom!

Para o comum do Português a seguinte equação é de adoptar:
- calor = felicidade
- frio = infelicidade
Nesta particular equação, eu estou em desacordo com o meu povo.
Não que cá em Edimburgo já esteja frio mas, pronto, já está fresquinho. No início de Setembro eu estou de camisola e meias, saio à rua com casaco... Dá para ter uma ideia: não é a Sibéria mas é Portugal em Dezembro.
Ora eu já me apercebi que graças a este fresquinho eu consigo:
- dormir mais e melhor: por esta altura em Macau atingir 5 horas de sono era uma vitória e ainda acordava mole; aqui durmo sempre no mínimo sete horas e acordo cheio de energia;
- correr mais: tenho um parque brutal pertíssimo de minha casa (the meadows) onde tenho corrido de manhã. Consigo correr meia hora a 40 minutos sem ficar verdadeiramente cansado. Se até agora não corri mais é porque começo a pensar que tenho outras coisas para fazer;
- usar a bicicleta como meio de transporte sem chegar aos sítios alagado e a cheirar mal.
Será que Deus Nosso Senhor me pregou uma partida genética ao fazer-me nascer num país quente? Será que foi a cegonha que se enganou no percurso? Estas e outras perguntas têm-me inquietado ultimamente. Mas não me têm tirado o sono.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Portugal e os ricos

Seja na China ou na Escócia, vou seguindo as notícias do meu país. Desta vez, houve uma notícia do Público que me chamou a atenção. Mas não pelas melhores razões...
Vem o Professor Freitas do Amaral, mestre que gostei muito de ter e que continuo a admirar muito, com um inflamado discurso contra os privilegiados. Passa a explicar que priveligiados são todos os que auferem mais de €10.000,00 por mês. 
Este discurso Robin Hood, já não muito original nos dias que correm (Obama, Hollande...), apela à ideia Marxista da justiça na igualdade. Julgo que temos que nos perguntar duas coisas: a primeira é se os ricos são privilegiados nos dias que correm e a segunda é se isso traz alguma vantagem.
Um privilegiado é aquele que obedece a uma lei privada, exclusiva dos seus pares, lei essa que é, de certa forma, mais vantajosa. Ora, basta fazer uma busca no site das Finanças para concluir que os escalões mais altos do IRS já são altamente taxados. Não entendo em que medida é que isso constitui um benefício!
Passamos agora à segunda pergunta. Isso traria alguma vantagem?
Tomemos o exemplo da Liga Portuguesa de Futebol. Um bom jogador quase de certeza aufere mais do que €10.000,00 por mês. A Liga Portuguesa, com toda a franqueza, já não é das mais populares no mundo: a maior parte das nossas grandes estrelas estão no estrangeiro e os estrangeiros que contratamos, se muito bons, ainda estão no início ou já no fim da carreira. Se no início aabam por sair passado pouco tempo. Imagine-se agora ainda mais impostos sobre os ordenados destas estrelas. A consequência óbvia é que decidam deixar ainda mais cedo ou entrar ainda mais tarde na Liga Portuguesa.
Este exemplo dos futebolistas pode ser adoptado não só para qualquer desportista profissional, mas também para muitas outras pessoas. Por exemplo para os gestores de topo. A sua saída do país traz consequências ainda mais gravosas: as empresas não quererão ter os seus centros de decisão em Portugal porque os seus gestores não quererão cá pagar impostos. Também podemos pensar nisso para os grandes académicos e investigadores, para os melhores médicos, arquitectos e artistas... Sim, a Mariza bem pode começar a pensar instalar-se no Luxemburgo antes que a gente da sua terra lhe ofereça ainda mais tristeza.
O Professor FdA continua depois a exemplificar que tipos de impostos devem ser aumentados: património, produtos de luxo, transacções financeiras, etc. Até podiamos pensar que todos esses impostos já não existem. A dura realidade é que existem e têm efeitos bem perniciosos sobre a economia.
O Estado está falido, é certo. A única forma de ultrapassar essa situação é ter uma economia em crescimento que possa gerar mais receitas fiscais. Quantos mais impostos se inventarem, mais estrangulada estará a economia e menos receitas fiscais se gerarão. Será que alguém consegue convencer os nossos bem intencionados políticos dessa realidade?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Um Escocês em Hong Kong

As voltinhas que tenho dado por Edimburgo, para comprar coisas urgentes, para ir à Universidade, etc. e o contacto que tenho tido com os Escoceses fizeram-me lembrar uma estória que se passou aqui há uns anos.
Foi num fim-de-semana como tantos outros passado em Hong Kong em que conheci um turista Escocês no meu hostal. Nessa noite eu ia sair com a minha amiga Giulia, Italiana, e ele acabou por também vir. Jantámos, fomos beber um copo e passear por Lang Kuai Fong... Conversámos muito, estava um óptimo ambiente.
Eis que ele a certa altura se despede para ir para o hostal e nos diz que tinha gostado de conhecer dois Europeus porque nunca tinha conhecido Europeus antes. Claro que a Giulia e eu ficámos confusos com esta declaração e perguntámos se ele na Escócia só se dava com Africanos, Asiáticos e Americanos. Ele respondeu que só tinha amigos Escoceses. Nós lembrámos que a Escócia ficava no velho continente. Ele foi muito relutante em concordar com isso.
O meu objectivo agora é perceber se as pessoas destas ilhas são Europeias ou são alguma coisa de diferente. Um género não continentalizado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E é assim que vou para a Uni...

Hoje arranjei o meu meio de locomoção para os próximos três anos em Edimburgo (espero eu!). Menos do que um ferrari e mais do que tinha até agora...

Concorrência

O blogadíssimo tem, a partir de hoje, concorrência. Trata-se do Luso-Scott.
O Luso-Scott é um blog acerca de Edimburgo e das minhas viagens enquanto cá estou; o blogadíssimo é acerca da minha vida. O Luso-Scott exprime-se na língua de Shakespeare; o blogadíssimo na de Camões. O Luso-Scott é para o mundo; o blogadíssimo para os amigos. O Luso-Scott é meu sob pseudónimo; o blogadíssimo é meu e pronto.
Let the competition begin!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O blogadíssimo emigrou

Saí de Macau há apenas 3 dias mas já tenho saudades!
Tenho saudades da minha família mariana em Macau (Maria, Maria Rita e Gonçalo Maria). Tenho saudades dos excelentes amigos que lá fiz ou cuja relação lá desenvolvi. Tenho saudades da fantástica comida da RAEM a preços tão convidativos... Tenho também saudades das pessoas e coisas de Portugal das quais já tinha saudades em Macau.
Mas a vida não pára e eu também não posso parar.
Vim para Edimburgo fazer o doutoramento; novas possibilidades se abrem...
Comigo vem o blogadíssimo que esteve mais ausente em Macau.
Viva a vida nova!

domingo, 26 de agosto de 2012

The return and now open!

Nem posso acreditar que o último post foi há mais de um ano. É oficial, nunca tinha passado tanto tempo sem escrever no blogadíssimo!
A verdade é que ser restrito me tirou a vontade de lá escrever por isso agora voltei a abri-lo ao público. Haja imaginação para aqui voltar a escrever... Bem, acho que me vou sentir inspirado uma vez que chegue à Escócia. Por agora: bem vindo oh quase de cujus blog!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

The Comedy of Errors

Este Sábado fui ver a Comédia dos Erros, de Shakespeare no Wadham College, que fica a 5 minutos do "meu" College, o New College.
A peça foi engraçadíssima, apesar de ser Inglês Shakespereano entendi tudo (ao contrário do que aconteceu há uns 4 meses quando fui ver o Hamlet a Hong Kong), o grupo de teatro era engraçadíssimo, etc. Um serão quase perfeito. Porquê quase? Ora, porque foi no jardim e quando o sol se pôs o frio tornou-se insuportável! Sim, é Verão, mas estamos em Inglaterra, certo?
A história roda à volta de uma série de erros de identidade com dois pares de gémeos idênticos e recomendo vivamente a todos que a vejam, quando quiserem um serão muito bem disposto.
Esta fotografia não é do teatro a que fui mas de outro a que não fui, no pátio da Bodleian Library, a maior biblioteca do mundo de Língua Inglesa.

domingo, 24 de julho de 2011

Vanitas vanitatum, omnia vanitas!

Estas coisinhas que eu levo calçadas chama-se Oxford Shoes e, diz-me o Tiago, são brogues, ou seja, têm aqueles picotadozinhos engraçados. Ora, estes Oxford Shoes foram comprados numa das casas mais tradicionais de Oxford, a Ducker, uns dias depois de cá chegar. E porquê, perguntais vós, é que eu fui comprar uns sapatos em Oxford?
Tudo começou em Lisboa quando ao chegar a casa dos pais do casamento da minha querida prima Filipa olhei para o bilhete de avião e vi 3.30. Vai daí, pus o despertador para as 12h porque só teria que estar no aeroporto depois das 2. Quando acordei no dia seguinte, fui fazer o check in online e o site não aceitou dizendo que eu já tinha perdido o vôo. Olhei com mais atenção para o bilhete e entendi que 3.30 era a hora de chegada a Londres, não de partida de Lisboa. Tive que marcar um novo bilhete para mais tarde que me custou a módica quantia de 250€ (fiquei verde durante 3 dias).
Ora, com este início de dia stressante, esqueci-me de juntar à bagagem uns sapatos pretos. Dado que todas as 6as feiras temos um jantar formal, ao chegar à 6a feira, lá me aventurei por Oxford para encontrar uns mocassins pretos, simples e que desse para pôr com o fato (esse, graças a Deus, não esqueci). No entanto, todavia, contudo... Quando vi estes sapatos apercebi-me que eles queriam ser meus e pronto, cometi uma pequena extravagancia e comprei-os.
E foi assim que o meu nome foi escrito num livro de cabedal com grossura suficiente para matar um lutador de sumo e eu me tornei o feliz possuidor de uns sapatos da Ducker & Son.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Só na China!

Enquanto que uma morte em Portugal me enche de tristeza, a da Maria José Nogueira Pinto, uma possível morte na China enche-me de estranheza, a de Jiang Zemin.
Maria José Nogueira Pinto foi uma política que nos últimos anos marcou a Democracia Cristã em Portugal. Foi das principais vozes contra este aborto de lei que é a lei do aborto como a temos agora, a favor da melhoria das condições de vida dos mais desfavorecidos, a favor da melhoria da cidade de Lisboa, etc.. Por tudo isto, a sua morte foi lamentada desde a direita à esquerda.
Jiang Zemin foi o político que abriu a China ao mundo depois do massacre de Tianamen e que continuou a abertura da China à economia de mercado o que teve como consequência tirar milhões de Chineses da pobreza. No entanto, foi tão bom presidente como foi mau ex-presidente. Depois de deixar o poder continuou a manobrar os cordeis da vida política, muitas vezes fazendo oposição ao seu sucessor Hu Jintao. Tinha para tal o apoio da maior parte dos mais graduados generais do exército de libertação do povo (o exército Chinês). A estranheza que a sua possível morte causa está relacionada com o facto de ainda só ser possível e com o facto da censura Chinesa, que emprega o mesmo número de pessoas da população Portuguesa (10 milhões) estar a ser tão activa na repressão dessa notícia. Por cá se diz que isso se deve ao facto de os generais estarem descontentes com a actual situação política e poderem usar a morte de Jiang Zemin como um pretexto para um golpe palaciano que derrube o actual poder. Mas se isso for feito, será feito com "luvas de veludo" e pode ser até que ninguém repare durante algum tempo. Pode ser que Hu Jintao lá continue como um fantoche até ao fim do seu mandato e depois seja substituído por alguém da confiança dos generais. Estranho, não é?

domingo, 15 de maio de 2011

Lentilhas

Hoje cozinhei lentilhas. Isto pode não parecer nada de especial, porque em casa dos meus pais eu comia lentilhas imensas vezes com chouriço e ovos escalfados. Mas a verdade é que já não comia lentilhas há muitos anos!
Há muitos meses que uma amiga do Willem (o meu companheiro de casa) saiu de Macau e deixou-nos não sei quantos sacos de lentilhas.Hoje decidi cozinhar e, voilá, decidi experimentar as ditas cujas, que parece que são das coisas mais nutritivas que há por aí (wikipedia dixit).
Uma coisa interessante: estas lentilhas são côr-de-rosa e as que se fazia em casa dos eus pais eram verdes.
Então fiz assim:
Pu-las de molho durante uma hora.
Fiz um refugado com cebola, alho francês, alho e uma lata de massa de tomate. Para temperar pus duas colheres pequenas de uma pasta de pimento picante que ali tenho - é um produto Japonês que se usar demais até deitamos fogo pela boca.
Quando estava tudo refogado juntei um bocado de água e cozi uma peça de carne de vaca que cortei aos pedaços e um chouriço às rodelas. No fim juntei mais um bocado de água e as lentilhas. Deixei cozer, juntei sal e pronto! Ficou muito bom!
O Willem e eu comemos um prato enorme cada um e ainda nos sobrou suficiente para mais umas refeições. Estou-me aqui a sentir ultra-vitaminado e cheio de ferro!
E agora perguntai-vos vós: onde é que eu vou buscar as minhas receitas? A resposta é simples. Eu cozinho poucas vezes, pelo que quando cozinho uso o que tenho em casa e pronto. Neste caso não tinha cebola pelo que fui à mercearia e decidi também comprar alho-francês.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O que o emigra vê...

Não é novidade para ninguém que lê este blog que eu já há quase 4 anos que vivo fora de Portugal, pelo que não apanhei aí nada da actual turbulência política que aí se vive. Mas a verdade é que nada me conseguia preparar para o que eu leio agora nos jornais Portugueses.
O cenário que nos é apresentado não é negro, é negro pintado de preto. Pelo cenário que a comunicação social nos faz passar, já não há empregos em Portugal e as pessoas esgravatam pelos últimos grãos de arroz antes de se decidirem a sentar no chão (porque os sofás já foram vendidos) das suas casas penhoradas a olhar as paredes (porque a TV também já teve de ir) e a esperar morrer.
Ante este cenário negro pintado de preto, seria de esperar que os Portugueses se unissem para sair da crise. Note-se como os Ingleses se tornaram unidos durante a guerra ou, mais recentemente, os Japoneses a seguir ao terramoto + tsunami + catástrofe nuclear. Parece-me que é uma coisa natural que quando os povos vêem o cenério negro pintado de preto, dão as mãos e esquecem dissensões passadas para, em conjunto fazer face às dificuldades.
Mas o que eu vejo em Portugal é o PS a culpar a oposição pela crise, a oposição a culpar o PS, o governo a querer negociar o resgate em segredo, toda a gente a criticar um antigo candidato presidencial por se candidatar às legislativas pela lista de um partido...
Por isso só consigo tirar uma de duas conclusões. Ou a comunicação social está a exagerar e reporta um cenário negro pintado de preto onde ninguém o vê, ou todo o povo Português está sob o efeito de alucinogénicos (terá sido uma vitória do BE que eu não notei?).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Uma família de pesadelo

Ontem a aula de Mandarim foi sobre família e graus de parentesco e só há uma conclusão a tirar: na China a família é um pesadelo! Veja-se bem como este pesadelo se aplica à minha família:
- eu tenho dois ge ge (irmãos mais velhos): o Tiago, que é o meu yi ge (1º irmão mais velho) e o Qin Long (aka Gonçalo), o meu er ge (2º irmão mais velho);
- també tenho uma jie jie (irmã mais velha, a Mariana);
- no entanto não tenho nenhum di di (irmão mais novo) nem nenhuma mei mei (irmã mais nova);
- tenho quatro bo fu (tios irmãos mais velhos do Pai), três shu fu (tios irmãos mais novos do Pai), três gu ma (tias irmãs mais velhas que o Pai) e duas gu gu (tias irmãs mais novas do Pai);
- também tenho um jiu fu (tio irmão mais velho da Mãe), um jiu jiu (tio irmão mais novo da Mãe) e duas yi ma (tias irmãs mais velhas da Mãe).
- os meus zu fu (avô paterno), wai zu fu (avô materno), zu mu (avó paterna) e wai zu mu (avó materna) já morreram;
- tenho uma yi sao (cunhada casada com o irmão mais veho) e uma er sao (cunhada casada com o 2º irmão);
- também tenho um zhi zi (sobrinho Martim) e uma zhi nu (sobrinha Constança);
- dado que a Mariana não é casada, eu não tenho nem um jie fu (cunhado casado com a irmã mais velha), nem wai sheng (sobrinho filho da irmã) nem wai sheng nu (sobrinha filha da irmã);
- já nem aqui vou falar de ter uma di xi (cunhada casada com o irmão mais novo) ou um mei fu (cunhado casado com uma irmã mais nova) porque, como disse em cima, não tenho nem um didi nem uma mei mei.
Mas não pensem que as complicações familiares Chinesas se ficam por aqui. Os primos mais velhos que eu pelo lado do pai e os primos mais velhos que eu pelo lado da mãe têm nomes diferentes, bem como os mais novos, as primas... Cada uma dessas categorias de primos é casado com uma categoria diferente de pessoa. Os netos são diferentes consoante sejam filhos de filhos ou de filhas...
Tudo o que é pelo lado feminino, tipo avós maternos ou netos pelas filhas são considerados wai, ou seja, de fora da família, porque dentro da família só mesmo por varonia. Os outros não são verdadeiramente família, são mais relações de parentesco fora da família.
Foi aí que eu entendi o porquê desta malta ter adoptado a política do filho único: era demasiado complicado continuar a ter famílias numerosas.