Nem acredito que já escrevi o post anterior há quase duas semanas e acabei por nunca o completar! Mas aqui vão aquelas que eu considero ser as principais vantagens de ter assessores jurídicos, económicos, de imprensa, etc. de carreira no governo.
CONTINUIDADE
É óbvio para qualquer pessoa que cada governo terá políticas diferentes, caso contrário não valeria a pena mudar de governo. No entanto a maior parte das políticas têm necessariamente que ter continuidade e muitas das decisões políticas são de mera administração. Tomemos o exemplo de um assessor jurídico. Este tem um trabalho bastante técnico: explicar qual a lei aplicável, fazer estudos que podem ser comparativos com legislações estrangeiras e outros para encontrar possíveis soluções para problemas nacionais, etc. No que toca a reformas legislativas, cabe ao político dar directivas políticas, de acordo com o programa de governo e com o negociado em conselho de ministros tendo em conta os estudos preparados. Se sai um assessor a meio de um estudo porque muda o governo, todo o seu trabalho é desperdiçado, Um desperdício de tempo e dinheiro!
EFICIÊNCIA
Ao chegar ao governo, cada ministro e cada secretário de estado tem que nomear todo o pessoal. Isto pode levar uns meses. Depois disso, tem que pôr a máquina a funcionar: mais uns meses... Isto quer dizer que, na melhor das hipóteses, com cada eleições perdem-se 6 meses até a "máquina" estar perfeitamente oleada e a funcionar a todo o vapor. Dado que temos eleições pelo menos de quatro em quatro anos, pode-se bem imaginar a falta de eficiência que isto gera.
QUALIDADE
Não tenho dúvida que em cada eleição os políticos procurarm encontrar as melhores pessoas para os seus gabinetes. Mas o que acontece muitas vezes é que as melhores pessoas podem não estar disponíveis. Ser assessor hoje em dia é um trabalho bastante bem remunerado mas quantas pessoas se consegue encontrar que estejam disponíveis a despedir-se de trabalhos que podem ser também bem remunerados para ir trabalhar com um político que lá está a termo? Ainda para mais, para quem não tem ambições políticas, é um trabalho sem perspectiva de evolução. Está-se lá uns anos, sempre no mesmo posto e sempre com o mesmo ordenado e depois tem que se voltar a encontrar um emprego... A não ser que se tenha sido requisitado a um serviço da função pública, serviço esse que tem que prescindir uns anos de um técnico qualificado sem poder substitui-lo. Com um serviço de carreira, cada assessor vai ganhando experiência, pode investir na sua carreira através de cursos especializados na área em que trabalha, etc. Se nao for um sistema de promoção automática, tem todos os incentivos para ser bom e vai ganhando mais experiência e os "truques do negócio" ao longo da carreira.
CUSTO
Como já disse antes, ser assessor é um trabalho bastante bem remunerado. E, nos termos do actual sistema, tem mesmo de o ser, porque tem de se compensar a instabilidade da posição para ser um trabalho que gente de qualidade considere atractivo. No entanto, se fosse um trabalho mais estável, muita gente de qualidade poderia considerar essa carreira, mesmo que os ordenados iniciais não fossem tão bons como são agora.
MUITAS OUTRAS QUALIDADES poderiam ser encontrados num sistema de assessoria de carreira. Claro que também há defeitos, como uma certa tendencia para o imobilismo da administração. Mas no fim, acho que o sistema Britânico, Holandês, etc. de assessoria de carreira serve muito melhor o interesse público que o sistema Português de absoluto rotativismo.

