Ja ha um ano que de vez em quando comparo as temperaturas de Lisboa com as de Edimburgo e tenho notado uma coisa engracada. Acontece muitas vezes as minimas de Lisboa serem iguais as maximas de Edimburgo. Esta semana, por exemplo, minima em Lisboa de 19c e maxima em Edimburgo de 19c.
Um blog brilhantíssimo, formidabilíssimo, magníficíssimo, inteligentíssimo, fantastiquíssimo, mas, acima de tudo, humilíssimo!
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Presidente da República
É ao ver as atitudes deste presidente...
Como vi as atitudes do presidente passado...
E é ao ver as atitudes que agora tomam os ex-presidentes que deviam assumir uma digna atitude de não intervenção...
Que eu me lembro porque é que sou Monárquico! Viva o Rei!
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República das bananas
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Inaptocracia
Recebi hoje um email com uma nova palavra, inaptocracia.
Inaptocracia
Sistema de
governo em que os menos capazes de governar são eleitos pelos menos capazes de
produzir e no qual os menos aptos de se auto-sustentarem ou de vingarem são recompensados
por bens e serviços que são pagos pela confiscação da riqueza e do trabalho de
uns quantos produtores cujo numero continuamente diminui.
Isto foi
traduzido do original em Francês, que junto:
L'Inaptocracie
Un système de gouvernement où les moins capables de
gouverner sont élus par les moins capables de produire et où les moins aptes à
subvenir à eux-mêmes ou à réussir, sont récompensés par des biens et des
services qui ont été payés par la confiscation de la richesse et du travail
d'un nombre de producteurs en diminution continuelle.
Jean d'Ormesson
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Crise política em Portugal
Primeiro veio a crise económica. Portugal passou toda uma década com uma economia anímica a viver a ressaca do excesso de construção de estradas, casas, pontes e estádios. Nada mais se tinha feito que construir e tudo a fiado. Com dinheiro alheio. Os juros estavam bons (e até foram bonificados a certa altura à custa do contribuinte). Então, porque não?
Depois veio a crise moral. Toda a gente acha perfeitamente natural que se matem sem quaisquer limites legais as mais indefesas criaturas humanas, os fetos. E que se faça isso com o dinheiro do contribuinte. As vezes que se quiser, claro está. Tanto que uma boa parte das mulheres que abortam agora já o fizeram antes. Para quê pagar pelos preservativos, se os abortos são à custa do contribuinte?
Depois foi a crise financeira que se abateu sobre Portugal. As agências de avaliação financeira (rating) serviram de abutres. Note-se que os abutres são sempre os primeiros a encontrar os animais moribundos e foi isso que estas fizeram. Viram um estado em debilidade crónica, atacaram e depois disso todos os predadores financeiros se lançaram sobre a República Portuguesa como se não houvesse amanhã.
Agora é a crise política. O MNE zangou-se, bateu com a porta. A porta voltou a abrir-se. Afinal bateu-se mas não se trancou. Altera-se a coligação mas ainda ninguém sabe em que termos. Desta vez os abutres vêm da esquerda e só sabem gritar "eleições, eleições, eleições"! Note-se que não o fazem por patriotismo, convencidos que farão melhor para ajudar o país a sair da crise. Eles bem sabem que isso não é possível. Apenas querem refastelar-se com o resto da carcaça que quase mais não é agora que ossos.
Eu gostava de um dia voltar a Portugal. Mas será que Portugal ainda vai existir? Ou será que ainda existe? Se calhar é como no conto de Natal de Dickens. O espírito de Portugal passado.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Desistir do blogadíssimo...?
É patente para aquele leitor que aqui me visita a cada três semanas que eu não sou o blogger mais empenhado do mundo. Esqueço-me que tenho um blog (aliás, dois, mas com o outro eu não sou mais assíduo), nunca cá escrevo e assim não consigo 'fidelizar a clientela'. Vai daí já me foi sugerido (por mim mesmo) que já que acabei com o facebook, faça o mesmo com os blogs.
Ora, a ideia é tentadora para o outro blog, mas não para este. Este já está comigo há muitos anos. Pelo menos desde 2004. Note-se que quando eu fui para a China, no início de Setembro de 2005, apaguei o blog porque estava tudo em Chinês e claramente seleccionei o botão errado. Foi o vizinho do blog do lado que o ressuscitou...
Vai daí, não vou matar o blogadíssimo. Vou mas é fazer um esforço para aqui escrever mais vezes.
Façam figas!
quinta-feira, 28 de março de 2013
Norte V Sul
Eu Lisboeta me confesso! No entanto não posso negar que, no que toca às diferenças entre o que é geralmente a personalidade das pessoas do Norte e aquela que é a das pessoas do Sul (Lisboa, incluída), eu sou muito mais fã dos Nortenhos. É claro que aos olhos dos estrangeiros somos um povo muito homogéneo. Mas nós, cá dentro, notamos umas diferençazinhas... Vou dar um singelo exemplo que mais não é do que isso, um exemplo.
Ontem, ao descer até ao Chiado sou confrontado com uma manifestação a gritar coisas como "governo abaixo" e outras que tais. Não entendo porque é que eles querem derrubar um governo que tem a legitimidade democrática no parlamento por um mandato de quatro anos e que está a fazer exatamente aquilo com que se comprometeu num acordo celebrado entre o anterior governo, a então oposição democrática (hoje governo) e os nossos credores internacionais! Será que acham mesmo que outro governo faria diferente e melhor? Dê lá por onde der, cortaram-se ruas, fez-se barulho e com isso incomodou-se as pessoas que queriam trabalhar ou que estavam em turismo ou lazer. Eu próprio que, em vez de ficar a beber um café na Brasileira e a ver a cidade saí de lá o mais rapidamente possível (nota à gerência da Brasileira: terão que esperar pelo meu eurito quando não tiverem manifs à porta).
Já em casa vejo as notícias e noto que em Braga o pessoal organizou uma mega procissão da burrinha com centenas de figurantes do Antigo e Novo Testamento. Havia lá coros de crianças, bandas, a própria da burra que leva Nossa Senhora para o Egipto, etc.. No fundo as pessoas fizeram o mesmo em crise que sempre fizeram. Dão testemunho da sua fé e, ao mesmo tempo, da sua alegria de viver e da sua confiança em si mesmos. Com isto atraem também dezenas de milhares de turistas: Portugueses, Espanhóis e outros. Estes vêm para assistir a esta alegria e confiança. Claro que esses turistas enchem os hotéis, comem nos restaurantes e voltam para casa com boa impressão da cidade e de Portugal.
No fundo, enquanto os Lisboetas se queixam do governo porque acham que é este que tem que lhes resolver os problemas, os Bracarenses prosseguem a sua vida com a alegria e a força que os caracteriza. Já estou a adivinhar qual vai ser a parte do país a recuperar mais rapidamente da crise...
quinta-feira, 21 de março de 2013
Petição "Sócrates fora da RTP"
Já recebi apenas hoje três mails de pessoas diferentes para ir assinar uma petição pública contra a contratação do ex-PM Sócrates como comentador da RTP. Devo dizer que esta petição não me agradou nada por vários motivos.
Para começar, longe de mim considerar que ele foi bom PM! No entanto eu teria que ser muito fundamentalista para considerar que ele foi O CULPADO pela triste situação do país. O aumento do despesismo público era uma situação que já se vinha acumulando desde o 25 de Abril e o primeiro governo Sócrates até fez algumas tentativas para inverter essa tendência. Houve pelo menos dois programas que tentaram corrigir essa situação: a criação dos "disponíveis" para reduzir o número dos funcionários públicos e o programa simplex para reduzir a burocracia na administração.
Estas tentativas foram fébeis e com poucos resultados, é certo. Para além disso, os contratos celebrados pelo governo no tempo em que Socrates foi PM (não apenas as PPPs mas tamém) foram de tal forma ruinosos que os magros benefícios de redução do funcionalismo público e de desburocratização não foram compensados pelos seus prejuízos.
Acima de tudo, ele não fez as reformas que o Estado precisava numa altura em que toda a gente já tinha percebido que o Estado precisava delas. Mas o mesmo pode ser dito de Santana e Durão antes dele. Se ele podia ter mudado o curso dos acontecimentos: parece-me que sim, podia. Mas é ele o único culpado? Não, é apenas o último culpado...
Mas nem é por estes motivos que eu sou contra a petição. Considero que estas coisas devem ser deixadas ao mercado e não à censura Se a maioria dos telespectadores da RTP não gostar de Sócrates, muda de canal durante o comentário dele e a RTP acaba por o mandar embora. No entanto, se a maioria dos telespectadores gostar dele, a RTP consegue vender mais publicidade e isso é um benefício para a televisão pública (que, em qualquer dos casos, dado que funciona de acordo com as regras do mercado nunca deveria receber dinheiros públicos).
Já um ex-PM de um país que o elegeu duas vezes ser censurado à partida parece-me pouco condizente com a democracia. Vá, isso no Irão ou em Cuba era mais compreensível...
quinta-feira, 14 de março de 2013
Apoucadices
No outro dia tinha uma coisinha no facebook a dizer "X poked you"!
"Poked me?!", pensei eu! Note-se que to poke é tocar alguém com um dedo mas normalmente até é um ato meio intimidatório.
Não me pareceu um acto socialmente correcto isso de tocar assim alguém com um dedo virtual.
Mas depois comecei a pensar nas imensas possibilidades para a vida real do poke. Confesso que não teria ficado desagradado caso fosse uma rapariga bem parecida a "pokeadora"! Vai daí comecei a pensar na possibilidade de começar a chegar-me a raparigas bem parecidas na rua e tocar-lhes com um dedo. Vá, no braço, nada de indecente... Só tocar e ficar a olhar impassível à espera de reacção.
Vou só comprar um daqueles barretes de lã que cobrem as bochechas... Porque está frio em Edimburgo, claro está!
Francisco I, SJ
Soube do fumo branco enquanto começava a jantar. E isto num daqueles jantares em que não é suposto sacar-se do telemóvel para se ver mensagens, com pessoas que tinha acabado de conhecer e por motivos profissionais. Mas não havia volta a dar-lhe: o telemóvel vibrou três vezes: três mensagens a dizer "fumo branco" ou "habemus Papam" chegaram quase ao mesmo tempo vindas de Londres (prima Mariana) e Edimburgo (Francisca e Grant). Quando um Católico recebe três mensagens seguidas durante um conclave à hora em que uma eleição deve ser anunciada, isso só pode querer dizer uma coisa...
Tive que pedir desculpa: "I'm sorry, but I just received three messages at the same time... This must mean we have white smoke in Rome".
Lá se foi por água abaixo a regra de que entre desconhecidos e em ambiente profissional não se fala de religião! Mas àquela mesa falou-se de religião e ouvi uma história que me emocionou.
Uma senhora Dinamarquesa, que se disse não religiosa, contou a história do filho de uns amigos que a impressionava. Estes amigos são ferverosos Comunistas e nunca tencionaram proporcionar ao filho um pingo de religião (superstição / ópio do povo). No entanto, com seis anos, o miúdo disse-lhes que queria ir à Igreja. Eles lá o levaram, provavelmente com a esperança de que o miúdo nunca havia de querer voltar a pôr os pés numa Igreja. E levaram-no, como é óbvio nesta terra, a uma igreja da Igreja Nacional Dinamarquesa, que é uma Igreja de Estado e Luterana.
O miúdo lá foi à celebração Luterana mas quando saiu disse que queria passar a ir à Igreja do outro lado da rua, que era uma Igreja Católica. Os pais devem ter pensado que ele não tinha gostado da primeira experiência e ia experimentar uma nova e depois fartar-se... Mas não, o miúdo de seis anos passou a "arrastar" os pais para a Missa todas as semanas.
Hoje, com vinte e um anos, o jã-não-tão-miúdo continua a ser um devoto Católico.
E esta foi a estória que eu ouvi na noite em que o Papa Francisco I foi eleito. E tudo porque o telemóvel vibrou três vezes e eu não consegui conter a curiosidade. E ainda há quem diga que Deus não envia mensagens...
Benvindo Papa Francisco!
segunda-feira, 11 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Os jornalistas-escorpiões
É já com algum medo que entro na comunicação social Portuguesa. Os jornalistas Portugueses olham para a realidade com os mais negros dos óculos e fazem passar essa negra realidade para toda a gente. No fundo, parece que está na sua natureza ser péssimista e só procurar os escândalos.
Esta atitude da comunicação social leva a uma ainda maior paralisia nos investimentos no país. Entre esses investimentos, como está bem de entender, incluem-se os investimentos na publicidade. Ora, as empresas, considerando que o país está em tão catastrófico estado, decidem poupar o dinheiro que ainda têem em vez de o investir em publicitar bens e serviços que elas se convencem de antemão que não irão ser procurados.
Isto, por sua vez, leva a que os diversos órgãos de comunicação social tenham cada vez menos receitas e comecem a despedir cada vez mais jornalistas. Os tais que só conseguem procurar os escândalos e dar más notícias.
Isto faz-me lembrar a estória do escorpião e da rã. O escorpião pede à rã para o levar a atravessar um rio mas a meio decide matar a rã. Porquê? Porque está na sua natureza matar, mesmo que isso provoque o seu afogamento. Claro que nesta estória apenas o escorpião e a rã morrem, enquanto que com a estória dos jornalistas-escorpiões todos à sua volta sofrem... Mas dá bem para ver a comparação, não dá?
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
O enterro de Pedro Apóstolo
Ontem estava ‘a procura de um documento em
que estava a trabalhar em Macau na memória externa que trouxe de la’. Eis que
se não quando encontrei um outro documento que já tinha dado como perdido…
Passo a explicar: eu sai’ de Macau um
bocado de um dia para o outro e não tive tempo de organizar nada. Vai dai’ há muitos
documentos que estavam no computador da Universidade e que la ficaram. Ou seja,
que para la se perderam…
Um deles era um livro que eu escrevi
quando devia estar a escrever a tese de mestrado. E’ que a certa altura eu já me
apetecia tanto dedicar-me ‘a minha tese de mestrado como ‘a fantástica actividade
de apanhar choques eléctricos. Vai dai’ dava-me a inspiração para escrever
coisas dispersas, coisas que eu guardava numa pasta de “pessoais” que eu me
esqueci de copiar para a memoria externa quando deixei terras do Oriente para me Escocizar.
Ao contrário dos outros livros, textos e
poemas que escrevi e guardei na dita pasta dos pessoais, este, por algum motivo
que se me não ocorre recordar, guardei na pasta das lições de Direito
Europeu. Assim, entre documentos com os inocentes nomes de “cp privatizações”
(em que cp se refere a caso pratico), “lição subsidiariedade”, “lição concorrência”,
etc., aparece o bombástico titulo “enterro de Pedro Apóstolo”.
Disse eu de mim para mim mesmo meio
espantado: “não e’ possível! Tu queres la ver…” E sim, abri e estava la um dos
livros que escrevi enquanto fazia o mestrado: o único dos sobreviventes da
minha partida precipitada de Macau. Ele não esta terminado porque a certa
altura me cansei dele e deixei de lhe achar piada mas ontem ao lê-lo, voltei a
rir-me com os disparates que la escrevi. Não que ele esteja engraçado, eu e' que
acho imensa piada as minhas próprias gracinhas…
Fiquei com ganas de o acabar um dia destes…
Mas de momento ainda acho mais piada ao meu doutoramento do que na altura
estava a achar ao meu mestrado. Mas o Pedro Apóstolo que tenha fé, que um dia
ainda o hei-de enterrar!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
sábado, 19 de janeiro de 2013
Edimburgo hoje
Os quintais que vejo da minha janela do quarto
Os vizinhos que me acordaram com brincadeiras e gargalhadas. Vá, desta vez estão perdoados...
Ontem Edimburgo estava assim
A neve amontoada nos jardins da cidade.
Um homem a fazer malabarismos com o fogo às 2 da manhã no Parque dos Meadows.
Este é o Old College, onde está a Faculdade de Direito.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Bate leve, levemente...
Bate leve,
levemente, como quem chama por mim…
Hoje, quando eu
sai’ de casa, estava a nevar! Pronto, não era assim muita neve, era daquele
tipo de neve que mal cai no chão já derreteu. Mas pronto, isso já e’ um início. Um início de
civilização… Hoje sinto-me civilizadíssimo!
Sempre considerei
que viver num sítio com neve era uma coisa de gente muito civilizada. Nem
sempre foi assim. Não foi assim na altura das grandes civilizações do Médio
Oriente, da Antiguidade Clássica ou ate no Renascimento. Mas já e’ assim há uns
bons dois seculos e eu nasci há menos de dois seculos (se bem que há pessoas
que duvidam disso). Diz que agora isso
esta a mudar porque não neva nos BRICS, mas quando mudar eu mudo-me para
Ipanema.
Agora fico ‘a
espera de neve a serio, do género que forma um manto branco nas ruas e nos
enche o barrete de flocos (tudo coisas que eu, que nunca vivi num sitio com
neve, imagino).
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: actividade
Então o ano de 2012 inciou-se num palácio de uma família Raj (tipo Ducal) no Rajastão ao som de música de Bollywood. Isto pode parecer a mentirinha do 1º de Abril, mas há que notar que não estamos em Abril e que este blog é honestíssimo, verdadeiríssimo e transparentíssimo. De facto o ano encontrou-me com a minha amiga Isabel numa festa privada de uma família Raj: só nós e a família...
Já o ano novo Chinês começou por entre cafés cheios de estilo, cachoeiras, elefantes, jogos de bowling e mergulhos no rio na muito pacífica cidade de Luang Prabang, no Laos. Nos dias que lá passei até yoga fiz, note-se bem o nível de relaxamento! Paradoxalmente, foi neste relaxamento todo que revi toda a minha tese de mestrado, que estava uma confusão. Depois disso, em Macau, apenas acrescentei umas coisitas e refiz as referências e pronto, entreguei a tese! Que bem me faz ao trabalho, estar num ambiente paradisíaco! Para acabar a tese de Doutoramento vou para Cabo Verde!
O meu último passeio na Ásia foi para o casamento do Bjorn e da Priel na ilha de Ko Samui. Já por diversas vezes tinha visitado a Tailândia e Ko Samui não é assim tão diferente de tantas outras estâncias balneares do país. Mas estar lá com pessoas tão óptimas num momento tão feliz foi especial.sábado, 12 de janeiro de 2013
Sangue Asiático
Já há uns dois anos que eu não dava sangue e como "dar sangue é ser humano" ontem decidi ir ao Instituto do Sangue, mesmo aqui ao pé de casa. No entanto chumbei redondamente naquele questionário que o médico faz antes. Não, não me andei a drogar nem a ter "relações perigosas". O meu problema foi ainda ter a Ásia no meu sangue.
Passo a explicar... Aparentemente o Cambodja, Laos, Vietname, Tailândia, etc. e, muito especialmente, a Índia, são países onde a malária e o paludismo ainda fazem das suas. Aparentemente os micróbiozinhos destas doenças alojam-se no nosso sangue e podem até nem se revelar mas depois podem ser transmitidos pela transfusão a alguém em quem se vão revelar e provocar a doença.
O médico ficou muito impressionado que eu tenha visitado tantos países sem nunca ter tomado anti-maláricos e anti-palúdicos. Não sei se "impressionado" é a palavra certa, ele ficou chocado e mencionou qualquer coisa sobre viajar de forma responsável. Tenho até a impressão que ele estremeceu quando eu disse que tinha bebido água na torneira na Índia mas é capaz de ter sido uma corrente de ar. A verdade é que eu acho todos estes medos patetas e acho que os Europeus gostam de se colocar numa redoma e isso leva a que fiquem uns frageizinhos sem quaisquer resistências. Mas pronto, também não quero transmitir doenças a essas petúnias.
Vai daí, o procedimento é o seguinte: alguém visita um desses países, deixa passar quatro meses, faz um exame a ver se tem os bichinhos lá no sangue e depois de se ter a certeza que o sangue não tem essas influências tropicais, a pessoa já pode dar sangue de novo. Eu lá fiz o teste e fico a saber o resultado dentro de duas semanas. Por este motivo nas próximas duas semanas vou ficar sem saber se tenho bichinhos tropicais dentro de mim ou não. O meu sangue Asiático...
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: decisões
O staff deste blog tomou no ano passado uma decisão muito importante: trocar Macau por Edimburgo. E por estes lados ninguém se arrepende mas... Ficam as saudades!
Esta é a sina dos Portugueses: até podem tomar uma boa decisão, até podem estar contentes e até orgulhosos com esta, mas ficam sempre com saudades do que o que fica para trás. E para trás ficou uma sobrinha bébé top model e seus fantásticos pais, muitos bons amigos, a melhor comida que se possa imaginar e as piscinas do venitian, onde todos os escritores deste blogo gostavam de ir para trabalhar ou descansar. Sim, porque basta levar um portátil e um livro para as piscinas se transformarem num maravilhoso escritório!
Mas não pensem que eu gostaria de ter estas piscinas em Edimburgo! Não sei esquiar no gelo lá muito bem e ainda partia um braço...
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: pessoa
Se há coisa que uma lista de escolhas para um ano não pode deixar de ter é uma personalidade. Neste blog estávamos um bocado indecisos mas depois de toda uma noite de debate entre o pessoal assalariado e voluntário que aqui escreve, acabámos por votar unanimente no Presidente Xi Jinping (assim ele já pode dizer que alguém votou nele para alguma coisa).
Estando os EUA com uma economia anémica, a Europa ainda pior e o Brasil e a Índia a tentarem ter importância internacional, é a China que parece ter todas as cartas para jogar o Baccarat para 2013. E agora este mega-país tem um nome que em Chinês soa a louco (vá, ninguém deste blog é muito bom para tons, mas Xi Jinping era o que costumávamos chamar às pessoas que lidavam connosco de forma enviezada enquanto espetávamos um dedo na testa com ar reprovador).
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: vício
A população em geral reconhece que o staff deste blog não é muito dado a vícios. Alcóol, tabaco, chocolate ou drogas não são coisas que tentem por aí além esta maravilhosíssima gente que aqui escreve. Mas ele há coisas que de vez em quando prendem esta maltinha: o vício deste ano foi o Downton Abbey. Claro que esta gente não podia ser mais humilde e terra-a-terra, mas sentem todos como se o destino lhes tivesse pregado uma partida porque aquela casa e aquele ambiente é que lhes parecem ser adequados às suas personalidades.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: país
Para país do ano em 2012 este inspiradíssimo, viajadíssimo, brilhantíssimo e arejadíssimo blog escolhe, surpreendemente, a Escócia. Este mais nortenho país do Reino Unido tem monumentos giros, paisagens lindas, o melhor whisky, gente simpática mas, acima de tudo, um doutorando que vale a pena visitar no ano que agora começa.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: dia
O comum cidadão poderia pensar que este blog nunca elegeria o 1º de Maio como o dia do ano. De facto, não é uma coisa muito típica deste blog enaltecer-se dias que, vá, convenhamos, são assim um bocado escarlates.
Mas este ano a Jerónimo Martins trouxe bom gosto e glamour àquele que, caso contrário, seria mais um dia de sindicalismos. Um grande bem haja ao Soares dos Santos pela melhor iniciativa alguma vez tomada no 1º de Maio!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Escolhas 2012: música
A minha escolha de melhor música de 2012 vai para Gangnam Style. E é lá necessário a pessoa explicar porquê! Basta ouvir-se que apetece dançar e quando se vê o vídeo, é um êxtase.
Parabéns PSY, ser escolhido pelo blogadíssimo é coisa fantastiquíssima, uniquíssima e magnificíssima!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Bom ano!
A equipa editorial deste blog deseja a todos os seus leitores (ou pelo menos a si mesma, se mais ninguém o ler) um óptimo ano de 2013!
Toda a equipa tomou unanimemente as seguintes resoluções:
- perder uns quilos porque esta equipa está muito pesada... o director executivo / plenipotenciário considerou despedir alguns membros da equipa para que esta perdesse peso, mas como a equipa é apenas constituída pelo dito cujo director executivo / plenipotenciário e este não estava disposto a perder o tacho, a decisão foi comer menos e fazer mais exercício;
- escrever mais posts em 2013 do que em 2012... o plenipotenciário vai ter de encarregar alguém na equipa de contar quantos posts foram escritos no ano que agora finda que é para saber quantos deverão escrever no ano que amanhã começa;
- não fumar porque provoca cancro, mau cheiro e outras doenças pouco agradáveis, é uma decisão que todos os anos cerca de 90% dos que fumam tomam, incomoda as outras pessoas e, porque assim como assim, ninguém desta extensíssima equipa alguma vez fumou;
- restaurar a Monarquia em Portugal, o que é um propósito que todos os membros deste blog tomam todos os anos desde que o blog foi fundado e até antes disso... dado que ainda conseguiram tal proeza até agora, as hipóteses vão aumentando;
- voltar a viver em Portugal ou talvez não... mas pelo menos aprender a cantar o fado para poderem transmitir a saudade que levam nas almas de viverem entre aqueles a quem chamam de conterrâneos e que gostam de falar alto ao TM quando estão no metro;
- escrever a Sua Santidade, o Papa a propor a beatificação em vida do director executivo / plenipotenciário deste humilíssimo blog. se isto não resultar, poderão considerar escrever aos Patriarcas do Egipto, da Rússia, da Bulgária ou da Grécia ou até mesmo ao Dalai Lama ou ao governo da República Popular da China;
- fazer outras coisas tão úteis ao bem estar do blog quanto as anteriormente mencionadas.
Para além de desejar um óptimo 2013, a equipa deste blog gostaria de agradecer ao seu leitor de 2012. Aquele leitor que entrou duas vezes no blog (mas logo saiu quando percebeu que estava enganado) e que, desta forma, fez sentir à equipa que vale a pena continuar esta laboriosa tarefa de manter um blog.
Um grande bem-haja a todos!
domingo, 9 de dezembro de 2012
O Tom Hanks Português
Sexta feira, bem cedo de manhã cheguei ao aeroporto de Edimburgo para embarcar para Portugal. Tinha reservado um voo com a BA através de Londres para gastar as últimas milhas ganhas entre Hong Kong e Lisboa.
O voo estava atrasado e eu comecei a ver uma grande azafama de técnicos em volta da hélice. No fim, havia uma avaria e o voo foi cancelado. Por sorte tinha encontrado lá um casal amigo Anglo-Americano pelo que passámos umas duas horas em amena cavaqueira à espera numa fila que parecia interminável para que nos dessem novos bilhetes. Pela uma da tarde lá chegámos ao fim da vida, lá nos trocaram o voo e fomos almoçar com os cupões que a BA nos deu.
Eles foram embora logo a seguir ao almoço mas o meu voo era só às 8 da noite. Ainda considerei voltar ao centro mas como estava com as duas malas e não havia onde as deixar, não me apeteceu andar a arrastar as malas de um lado para o outro, pelo que fiquei no aeroporto a ler.
Quando embarquei à noite, depois de todo um dia no aeroporto, já me sentia como o Tom Hanks no Terminal. Já conhecia todas as lojas, as casas de banho, os atalhos. Neste momento o aeroporto de Edimburgo não tem segredos para mim!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Ódio facebook
Quem me conhece minimamente percebe bem que eu
sou um fã do facebook. Gosto de ter lá os contactos; gosto que quando vou a
algum sítio, antes vou ver quem da lista de amigos está lá a viver para
combinar um copo e gosto muito que façam isso comigo; gosto da futilidade de
saber quem namora com quem, quem casou, quem nasceu, quem completou estudos,
quem foi viajar e gostou imenso ou não gostou nada… No fundo sou um bocado
porteira, tenho que confessar!
Mas ele há vezes que o facebook me enerva. Ou
nem é mesmo o facebook, são os facebookianos. É que a pessoa abre a página em
busca de cusquices e só se vê o ódio facebook.
O ódio facebook é um fenómeno pouco simpático
que nasce de uma ideia cada vez mais generalizada e infantilizante que devemos
exprimir os nossos piores sentimentos num forum internético para toda a gente
saber. E se eles não são mesmo os piores, então nós fazemo-los piores.
Tomemos dois exemplos.
1) Fulano é do Sporting mas está descontente
com o treinador. Um adulto emocionalmente integrado diria “estou descontente
com o Vercauterem por esta e aquela razão.” Um facebookiano infantil e
emocionalmente desintegrado escreve “ODEIO oVercauterem, o gajo devia morrer a
cuspir sangue pelo nariz”. Note-se que geralmente estas pessoas nunca
conheceram o dito, que nunca foram torturadas, violentadas ou humilhadas por
ele e que se algum dia o conhecessem não o matariam nem lhe fariam qualquer mal
e até lhe pediriam um autógrafo. Note-se ainda que só se cospe pela boca…
2) Sicrano é de um dos PIIGS e discorda das
posições tomadas pelo Ministro Schaube. Em vez de escrever maduramente “considero
que Shaube esta errado por esta e aquela razão”, escreve “eu se pudesse, dava
cabo desse filho de uma profissional liberal da indústria do prazer sexual”
(este é um blog tão politicamente correcto e polido quanto o seu humilde
autor). Ainda para mais isto é covardice, porque o pobre do senhor é desvalido
dos membros inferiores (este blog continua políticamente correcto).
Ora, isto são pessoas que gostam de exprimir
mais ódio do que aquele que verdadeiramente sentem por causa de uma percepção
infantil e socialmente desadaptada de que exprimir ódio não só é aceitável mas
é também socialmente atractivo.
Eu devo dizer que não acho isto nada
socialmente atractivo e considero que torna o facebook desagradável. A pessoa
acorda de manhã, está a mentalizar-se que vai ter que sair ainda de noite para
temperaturas negativas (mas não suficientemente negativas para um simpático
nevão) montada numa bicicleta sem sistema de aquecimento central (de certeza
que as há no Japão), procura algum conforto emocional no maior depósito mundial
de cusquices e zumba! Lê duas ou três tiradas odientas que o deixam ainda mais
frio por dentro que por fora.
ODEIO ESTES CRETINOS MAL NASCIDOS! DEVIAM SER
TODOS ARRASTADOS POR CAVALOS BRAVOS NUMA RUA DE EDIMBURGO (note-se que depois
de 3 meses a andar de bicicleta por estas bandas já tenho calos lá atrás) E
DEPOIS MORTOS À PEDRADA EM TEERÃO POR UM BANDO DE ÁRABES TÃO ODIENTOS QUANTO
ELES! (sim, sim, isto ainda é um blog políticamente correcto, mas estes gajos
tiram-me do sério)
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Estou sempre certo nas minhas opiniões
Devo começar por dizer que eu considero que estou sempre certo nas minhas opiniões. Mais ainda, considero irracional não se estar sempre certo nas suas opiniões. Considero, então, que uma pessoa racional tem sempre opiniões certas.
Explico isto porque sinto que hoje em dia há um certo preconceito contra estar-se certo. Aliás, para se ser políticamente correcto, a pessoa deve começar a expressar as suas opiniões por "eu até posso estar errado, mas acho que..." E eu acho isso absolutamente errado!
Passo a explicar. A primeira coisa tem que se entender é que uma coisa são factos, outra são opiniões. Ontem notei que o meu Sporting está em 9º lugar no campeonato nacional. Isto é um (triste) facto. Se eu disser que o Sporting está em 10º ou em 8º lugar, estou errado: é um facto falso. Sobre factos a pessoa pode estar errada. Mas se eu disser que o Estádio de Alvalade é o mais bonito de Portugal só posso estar certo, porque isto não é um facto, é uma opinião. Se eu não mentir, a revelação dos meus gostos ou preferências está sempre certa.
Imagine-se que eu acordo amanhã, vejo uma fotografia do Estádio do Dragão e concluo que este é mais bonito que o Estádio de Alvalade e, logo, o mais bonito Estádio de Portugal. Se eu aí revelar a minha preferência pelo Dragão estarei certo mais uma vez.
Note-se que eu nem sequer usei qualquer coisa como "o meu estádio preferido é...". Em vez disso usei "o estádio mais bonito de Portugal é...", o que faz parecer que é um facto. Mas como a beleza é uma coisa intrinsecamente subjectiva, é óbvio que isto não é um facto mas uma opinião.
Uma pessoa intelectualmente honesta é perfeitamente livre para mudar de opinião, mesmo que radicalmente. Já não é livre para alterar os factos porque sobre estes pode estar errada. Sobre as opiniões é que nunca estará errada.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Jobs for the boys II
Nem acredito que já escrevi o post anterior há quase duas semanas e acabei por nunca o completar! Mas aqui vão aquelas que eu considero ser as principais vantagens de ter assessores jurídicos, económicos, de imprensa, etc. de carreira no governo.
CONTINUIDADE
É óbvio para qualquer pessoa que cada governo terá políticas diferentes, caso contrário não valeria a pena mudar de governo. No entanto a maior parte das políticas têm necessariamente que ter continuidade e muitas das decisões políticas são de mera administração. Tomemos o exemplo de um assessor jurídico. Este tem um trabalho bastante técnico: explicar qual a lei aplicável, fazer estudos que podem ser comparativos com legislações estrangeiras e outros para encontrar possíveis soluções para problemas nacionais, etc. No que toca a reformas legislativas, cabe ao político dar directivas políticas, de acordo com o programa de governo e com o negociado em conselho de ministros tendo em conta os estudos preparados. Se sai um assessor a meio de um estudo porque muda o governo, todo o seu trabalho é desperdiçado, Um desperdício de tempo e dinheiro!
EFICIÊNCIA
Ao chegar ao governo, cada ministro e cada secretário de estado tem que nomear todo o pessoal. Isto pode levar uns meses. Depois disso, tem que pôr a máquina a funcionar: mais uns meses... Isto quer dizer que, na melhor das hipóteses, com cada eleições perdem-se 6 meses até a "máquina" estar perfeitamente oleada e a funcionar a todo o vapor. Dado que temos eleições pelo menos de quatro em quatro anos, pode-se bem imaginar a falta de eficiência que isto gera.
QUALIDADE
Não tenho dúvida que em cada eleição os políticos procurarm encontrar as melhores pessoas para os seus gabinetes. Mas o que acontece muitas vezes é que as melhores pessoas podem não estar disponíveis. Ser assessor hoje em dia é um trabalho bastante bem remunerado mas quantas pessoas se consegue encontrar que estejam disponíveis a despedir-se de trabalhos que podem ser também bem remunerados para ir trabalhar com um político que lá está a termo? Ainda para mais, para quem não tem ambições políticas, é um trabalho sem perspectiva de evolução. Está-se lá uns anos, sempre no mesmo posto e sempre com o mesmo ordenado e depois tem que se voltar a encontrar um emprego... A não ser que se tenha sido requisitado a um serviço da função pública, serviço esse que tem que prescindir uns anos de um técnico qualificado sem poder substitui-lo. Com um serviço de carreira, cada assessor vai ganhando experiência, pode investir na sua carreira através de cursos especializados na área em que trabalha, etc. Se nao for um sistema de promoção automática, tem todos os incentivos para ser bom e vai ganhando mais experiência e os "truques do negócio" ao longo da carreira.
CUSTO
Como já disse antes, ser assessor é um trabalho bastante bem remunerado. E, nos termos do actual sistema, tem mesmo de o ser, porque tem de se compensar a instabilidade da posição para ser um trabalho que gente de qualidade considere atractivo. No entanto, se fosse um trabalho mais estável, muita gente de qualidade poderia considerar essa carreira, mesmo que os ordenados iniciais não fossem tão bons como são agora.
MUITAS OUTRAS QUALIDADES poderiam ser encontrados num sistema de assessoria de carreira. Claro que também há defeitos, como uma certa tendencia para o imobilismo da administração. Mas no fim, acho que o sistema Britânico, Holandês, etc. de assessoria de carreira serve muito melhor o interesse público que o sistema Português de absoluto rotativismo.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Jobs for the boys I
Aqui há uns anos, no período de transição dos governos Cavaco para os governos Guterres, falou-se muito dos "jobs for the boys", os cargos políticos no governo de Portugal reservados a pessoas dos partidos. Dizer que esses cargos estão reservados a pessoas dos partidos tem o seu quê de injusto mas o que merece ser reflectido é se devem ser considerados cargos políticos.
Porquê o seu quê de injusto? Porque o que de facto acontece nos sucessivos governos é que há muitos adjuntos e assessores que são independentes. São convidados para o governo com base nos seus méritos. Claro que também há muitos que são os tais "boys" e "girls" dos partidos, mas isso é uma decorrência natural de se considerar aqueles cargos políticos: se são políticos, devem ser dadas a pessoas de confiança política.
Vem este post a propósito de uma conversa que eu tive ontem com um deputado regional, um deputado do Parlamento da Escócia, Holyrood. Ele explicou-me melhor aquilo que eu já intuia graças à série do yes minister. Aqui no Reino Unido, os parlamentos e os governos (o central e os regionais da Escócia, Irlanda do Norte e Gales) são servidos por pessoal de carreira. Isto quer dizer que cada ministério e cada parlamento tem os seus assessores políticos, económicos, sociais e de imprensa que são funcionários públicos de carreira. Como qualquer funcionário público, estes ingressam por concurso público e vão sendo promovidos ao longo da carreira. Bem, promovidos por mérito, não por antiguidade, mas isso já é outro assunto...
Para além destes, explicou o deputado, cada executivo ou grupo parlamentar tem uns assessores políticos contratados políticamente. Isto quer dizer que são pessoas da confiança política de quem os contrata. Quando eu disse que em Portugal todos eram assim, ele disse que em Holyrood, o parlamento regional, havia cerca de dez assesores destes.
Em Portugal cada novo executivo contrata de novo todos os assessores, adjuntos e, pasme-se, secretariado e até motoristas! Isso não quer dizer que até não possam contratar alguns que já vinham dos governos anteriores. Quando eu fui assessor, por exemplo, a Chefe de Gabinete do "meu" Secretário de Estado já tinha estado em governos anteriores, tal como a Chefe de Gabinete do Ministro. Mas isto não quer dizer que não tivessem sido contratadas de novo: uma vez que a nomeação é pessoal, com a cessação de funções de um governo todas as nomeações desse governo caducam.
Bem, já começa a ficar tarde e tenho que sair, mas amanhã continuarei com aquelas que me parecem ser as desvantagens do sistema Português.
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Porquê este vídeo?
Vi agora o vídeo de que tanto se falava "idealizado pelo Marcelo Rebelo de Sousa e realizado pelo Rodrigo Moita de Deus." No fim do vídeo fiquei a pensar: afinal de contas, o que é que se queria provar? Que somos uma cambada de burros?
Começa-se logo por dizer que depois de uma longa ditadura é que nos alfabetizámos. Bastou googlar um bocadinho para confirmar aquilo que eu já sabia, é que o grande "salto" da alfabetização foi feito precisamente na tal "ditadura". Dá ideia que precisamos de uma nova "ditadura" para aprendermos a lidar com os números.
Depois desta infeliz abertura inicial o vídeo desfia um rosário de factos de que nos deveríamos envergonhar: que instalamos redes de abastecimento de carros eléctricos sem ter os respectivos carros eléctricos, que gastamos um balúrdo em estádios, etc. E tudo graças ao trabalho e empenho dos Alemães. Se não fossem os Alemães a construir os postos de abastecimento eléctricos, os carros elécttricos e os submarinos, nós ficávamos como Junot, a ver navios...
Afinal de contas, para além de envergonhar os Portugueses e enaltecer o trabalho, qual é o outro objectivo deste vídeo?
Eu cá sempre admirei os Alemães pelo seu espírito de inovação, honestidade e trabalho. Mas também sempre admirei os Portugueses por muitas outras coisas: a sua simpatia, o seu sentido de união com a família e amigos, a sua creatividade, etc. Nada disso transparece no vídeo. O que transparece é que depois de uma longa "ditadura" que terá sido péssima mas a que todos nos submetemos até ao dia em que criancinhas começaram a espetar cravos nas espingardas dos soldados, nós começámos a viver à custa da tecnologia Alemã mas com muito pior qualidade de vida: menos feriados, menos ordenados, etc. De tal forma a vida em Portugal é má que 150 mil Portugueses preferem viver na Alemanha!
Professor Marcelo, Realizador Moita: da próxima vez que quiserem envergonhar Portugal junto dos Alemães, por favor vão à Oktoberfest e bebam até fazerem figuras tristes. Será uma vergonha mas só para os senhores. E uma vergonha de que todos nos poderemos rir...
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