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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A Formosa e a União Nacional

A questão da união nacional da China é uma questão muitíssimo sensível por estes lados.
Ontem, no XVII congresso do PCC foi muito aplaudido o discurso de que a Formosa continua a fazer parte da China e de as Nações Unidas não podem aceitar a ilha rebelde como independente. No entanto esta questão "continua a fazer parte da China" é muito controversa porque a Formosa já não faz parte da China há muito tempo. A Ilha tinha um governo próprio até ser invadida pelos Holandeses durante o século XVII. Em 1662 um general Chinês, leal à recentemente derrubada e extinta dinastia Ming invadiu a ilha e expulsou os Holandeses apenas para ser ele próprio derrotado pelos invasores da nova dinastia Manchu que dois séculos depois, em 1895, cedeu a ilha a título perpétuo ao Japão como parte do acordo que pôs termo à primeira guerra Sino-Japonesa. Esses dois séculos foram o único período de domínio da China sobre a Formosa e já passaram há mais de um século.
Durante os 50 anos de domínio Japonês que se seguiram a Formosa sofreu um desenvolvimento enorme que em nada tinha a ver com o atraso em que a China se encontrava mergulhada na sequência da decadência da Dinastia Manchu no século XIX e da turbulenta República Chinesa na primeira metade do século XX. Quando em 1945, após a derrota do Japão, a Formosa passou para o domínio da República da China, este país mergulhou na guerra civil que opôs o Kuomitang aos Comunistas de Mao. Em 1949 o governo da República da China estabeleceu-se na ilha equanto que no continente ao formava a República Popular da China e até 1971 as Nações Unidas reconheciam este governo como o legítimo da China.
Desde essa altura que Taipei não aceita a legitimidade de Pequim nem Pequim a de Taipei. Recentemente Taipei mudou de discurso e em vez de querer ser reconhecido como o governo legítimo da China, apenas quer ver reconhecida a independência da Formosa mas isto, em vez de agradar ao governo de Pequim, enfureceu-o ainda mais porque não admite tocar-se na sacro-santa unidade nacional.
A fórmula "um país dois sistemas" foi criada para Hong Kong e Macau mas precisamente a pensar em atrair a dissidente Formosa, mas o peixe não mordeu este isco nem parece que vá querer morder até porque apenas aparentemente este sistema está a funcionar tão bem quanto se esperava. Hong Kong quer a Democracia plena no território até 2012 e as manifestações de milhares de pessoas na rua sucedem-se enquanto que Macau, embriagado com a explosão de casinos e hoteis não está nem aí para a Democracia enquanto as patacas se multiplicarem nas salas de jogo.
Parece que a Formosa vai continuar a ser uma pedra no sapato de Pequim, mas também me parece que deste braço de ferro a China sairá vitoriosa. Duas das maiores virtudes dos Chineses são a paciência e a persistência e nem que leve um século de ameaças e "fúrias", a China terá a Formosa.