Tanto que se fala de serem necessários mais sonhos, mais sonhadores e mais utopias... Para quê?
Sebastião da Gama dizia que "pelo sonho é que vamos" enquanto que António Gedeão que "o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança."
Uma coisa é certa, os poetas gostam de sonhos. Eu acho que é porque eles próprios são sonhadores.
Eu também gosto de sonhos! E gosto dos sonhos como Sebastião da Gama e António Gedeão, não para me alienarem da minha vida, não para me impedirem de sofrer, não para serem uma espécie de droga que me fazem abstrair da realidade... A minha vida só por mim pode ser vivida, o sofrimento faz parte dela e leva-me a valorizar os bons momentos e estar na realidade é aproveitar o tanto que me está reservado, por isso, para que é que eu haveria de querer fugir dela?
Ora o sonho serve mesmo é para viver melhor esta vida que eu tenho. Serve para me fazer acreditar que ela pode ser melhor e constituir um padrão para a minha actuação. Serve também para me fazer acreditar que todo e qualquer dos tantos outros que me rodeiam neste mundo pequenino podem viver melhor e que eu posso fazer qualquer coisa por isso.
E o sonho, às vezes, não serve para nada e não é por isso que deixa de ser bom. É como aquele momento em que estamos com quem nós gostamos e em que nada dizemos, nada fazemos, só estamos... Não serve para nada, mas serve para tanto!
Para isso, como continuava Sebastião da Gama, temos que acreditar nos sonhos porque...
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma dêmos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Bons sonhos! Mesmo durante o dia...
2 comentários:
ah diogo! gostei tanto deste post!!
eu sonho!
eu sonho!
oh, como sonho!
e encaixo-me nesa categoria q tu definiste: "para me impedirem de sofrer"!
ou melhor, sonho para chegar a um mundo onde n sofro!
La vida es sueño
Pedro Calderón de la Barca
Sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso, que recibe
prestado, en el viento escribe,
y en cenizas le convierte
la muerte, ¡desdicha fuerte!
¿Que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte?
Sueña el rico en su riqueza,
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende,
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende.
Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.
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