sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Querida Minnie...

Querida Minnie (em resposta ao comentário em Crime de Aborto III),
Compreendo perfeitamente os teus argumentos, mas não me deixaram convencido (como já deves ter percebido, tenho origens Beirãs, o que justifica plenamente a minha teimosia - eheheh).
Ao criminalizar uma acção o que se quer precisamente é que as pessoas deixem de actuar dessa forma! Tu começas logo a dizer "uma mulher que queira abortar" mas o que eu quero com a minha defesa do Não é precisamente que as mulheres deixem de abortar e se apercebam da gravidade desse acto.
Também dizes que ninguém pode ajudar uma mulher que queira abortar, mas eu convido-te a vires comigo visitar algumas das muitas instituições que os movimentos pela vida criados aquando do último referendo criaram para ajudarem as mulheres em dificuldades: o Ponto de Apoio à Vida, a Ajuda de Berço, a Ajuda de Mãe, o SOS Grávida, entre outros.
Por outro lado dizes que nos estabelecimentos de saúde legalmente autorizados alguém encaminhará a mulher para quem a possa ajudar, mas isso é partir do princípio de que esses estabelecimentos serão hospitais públicos. No entanto, conhecendo a realidade dos hospitais públicos Portugueses não é difícil concluir que vão proliferar as clínicas privadas do ramo como as tais clínicas de Espanha de que falas. Achas mesmo que nessas clínicas se vão privar do lucro de mais um abortozinho em defesa da vida, tentando convencer a mulher a não abortar?
E agora não me leves a mal que deixe uma provocação, mas o que é que os movimentos pelo Sim criados em 1998 fizeram nestes últimos 9 anos?

8 comentários:

Anónimo disse...

Caro Diogo,

DO início:
- as mulheres deixarão de abortar se lhes mostrarem alternativas para isso. o que eu te quis dizer é que, sendo crime, nenhuma mulher pode chegar a um hospital ou a um centro de saúde ou seja lá onde for a dizer que está a pensar em abortar.
- eu sei que há instituições que apoiam mulheres grávidas em situação de risco. mas quantas miúdas de 15 ou 16 anos é que sabem disso? eu, que já tenho 27 aninhos, sei-me mexer e ir à procura. será que essas miúdas sabem?
- em espanha, onde eu abortei (sim, já fiz um aborto, por razões que não vêm ao caso), perguntaram-me 5 ou 6 vezes se eu tinha a certeza do que ia fazer. disseram-me que não precisava de abortar se não quisesse (acho que pensaram que fosse pressão do pai). só quando eu disse que sim é que avançaram. ou seja, tiveram mais respeito por mim do que pelo dinheiro que lhes paguei no final. portanto sim, em espanha tenta-se que as mulheres não abortem.
- nos últimos 9 anos, 3 foram de governo PSD (apoiante do não). os restantes foram de governos PS sendo o aborto considerado crime... dava para fazer mais do que foi feito?

DM em Caracas disse...

Querida Minnie,
- É precisamente isso que eu defendo, a apresentação de alternativas. Quer dizer, mais do que isso, o que eu pretendo é que o aborto nem seja mesmo considerado como uma alternativa.
- É aí que entra a importância da informação, para que as miúdas de 15/16 e as graúdas também saibam o que fazer.
- E tu, que abortaste, recomendarias a uma amiga ou a uma irmã mais nova que o fizesse? Ou, pelo contrário tentavas dissuadi-la e mostrar-lhe outras opções?
- Muito mais poderia e deveria ter sido feito... Muito mais mesmo! O que os grupos de cidadãos fizeram com exemplar coragem, deveriam as entidades públicas ter feito a triplicar... E, já agora, o PSD não está pelo Não, não se pronuncia.

Anónimo disse...

Eu sou voluntária numa instituição que acolhe mães adolescentes e os seus respectivos filhos, mães que foram rejeitadas pelos pais e resto da familia e também pelo namorado, têm todo o apoio, vejo que são felizes e não tenho duvidas que grande parte da sua felicidade é por terem o seu bebé ao lado, ali elas para além de aprenderem a cuidar do bebé, são preparadas para a vida, facilitam-lhes o estudo dão-lhes responsabilidades!
Há alternativas ao aborto, mas parece que não querem ver!
M

Anónimo disse...

Diogo,

Lógico que não aconselho o aborto a ninguém, porque acho que o aborto é a última alternativa possível. E também acho que o peso que uma mãe que aborta carrega consigo para o resto da vida é pena suficiente para o "crime" que praticou.
Mas parece-me (e eu não sou de Direito) que o que se pergunta neste referendo se prende tão somente com a descriminalização do aborto. Não é perguntado se achamos que se deve abortar. É-nos perguntado se concordamos com a despenalização do aborto. Isto, para mim, são coisas diferentes. Se a pergunta fosse qualquer coisa como "Concorda com o aborto como método contraceptivo em toda e qualquer circunstância?", a minha resposta seria, obviamente, NÃO.
Mantendo-se a lei actual o que vai acontecer é que o "mercado paralelo" se vai manter tal como está: péssimas condições de saúde e higiene, clínicas de qualidade duvidosa, curiosas a fazer abortos sabe-se lá onde... e a A6 para espanha à mesma distância a que está hoje...

Anónimo disse...

Cara Minnie...
Não querendo ofender ninguém! E tendo em consideração que disseste considerar que c 10 semanas existe vida! Não querendo chocar c ng!
A minha questão aqui põe-se na razão pq fizeste o aborto, s não foi nenhuma das disponíveis na lei, então o mais provavel é teres utilizado como um contraceptivo!
A razão q m vais dar é não teres as condições necessárias para dar à criança aquilo q consideras ser uma vida digna... Será q não estás a exagerar naquilo q é uma vida digna? Tu até sabes q existem creches financiadas, e q existem apoios do estado para os remédios, e até sabes q existem instituições que dão apoio a Mães gravidas e abandonadas por todos... e até concordas que havia uma vida dentro de ti! Então pq o fizeste?
Pq não dava jeito nem a ti nem ao teu namorado ter q interromper ou adiar os estudos?
Pq não dava jeito ter q tornar publico q ias ter uma criança?
Pq não lh ias poder dar todas as condições económicas, a playstation, o telemovel?
Pq ias ter q começar a trabalhar e não dava jeito nenhum?
Deu-m jeito divertir-m c o meu namorado durante aquela noite, foi fantastico...nós até tivemos cuidado, usamos o preservativo, ou eu até tomava a pilula... apenas pensamos no prazer q isso nos dava não na responsabilidade que a isso estava associado... o umbiguismo de que falavam tb s reflecte nisto!
Para mim estas são questões semelhantes às estrias das outras Mães... Mas a tua estética é virada para a sociedade! Ficavas mal vista s tivesses esse filho!

Eu Luto por uma sociedade onde as pessoas sejam mais responsáveis pelos seus actos e onde tenham mais liberdade por existir menos uma pressão que a sociedade lhes impõe, pela Liberdade eu digo NÃO!

Maria Ana SG

Anónimo disse...

O "sim" quer acabar com o aborto clandestino em Portugal... mas com esta pergunta no referendo... não percebo como é que resolvem o problema do aborto clandestino a partir das 10 semanas e 1 dia de gestação....!

não percebo como é que um bebé de 10 semanas só tem direito a viver se a mãe quiser e um bebé de 10 semanas já tem direito a viver´!

não percebo também porque é que o pai das crianças não têm direito a palavra neste assunto...(só as mulheres é que contribuiram para o aparecimento do bebé?).
Quando um casal se separa e têm filhos o pai é obrigado por lei a dar uma pensão de alimentos para os filhos... mas quando o bebé ainda está na barriga da mãe não o pai não tem qualquer direito de se pronunciar?

nem toda a gente concorda com a penalização da mulher quando pratica o aborto...o importante é as mães desesperadas (que pensem fazer um aborto) têm ajudas... e se todos nos concentrarmos em ajudá-las e apoiá-las ninguém precisa de fazer abortos!!

canalizemos os nossos impostos para melhorar a vida!!!!

beijinhos a todos
M

Anónimo disse...

Maria Ana,

Tenho 27-quase-28 anos. Não se coloca, portanto, a questão de deixar de estudar para ter um filho. Trabalho há 6 anos. Tenho casa própria. As minhas razões não têm nada a ver nem com o que a sociedade pensaria sobre eu ter um filho não estando casada, nem sobre o facto de não lhe poder dar playstations nem telemóveis. Engravidei numa altura em que estava quase no final de um contrato de trabalho. Não sabia, portanto, se ia continuar a ter trabalho ou não. Imagina que era despedida. Como é que eu criava o meu filho? Não sei até que ponto encontraria outro emprego estando grávida. Se não encontrasse, teria que ficar em casa com ele, pelo menos nos primeiros tempos. Não trabalhando, onde é que eu ia buscar dinheiro para pagar a casa onde seria suposto vivermos os dois?
Isto é tudo muito bonito, há apoios, pois há. Mas não os suficientes. Eu não tenho pais ricos, pelo que não poderia contar com o apoio deles. O meu namorado estava numa situação parecida com a minha. Estávamos juntos há pouquíssimo tempo quando aconteceu eu engravidar. Imagina que, por alguma razão, ele resolvia que não queria estar comigo e que não queria saber do filho. Como é que eu, sozinha, sem emprego, conseguia sustentar-me a mim e ao meu filho?

Relativamente ao comentário seguinte, os pais já têm muito a dizer sobre o assunto... na maioria dos casos, os abortos acontecem por pressão paterna e não por vontade da mulher. Numa altura de turbilhão emocional, é muito fácil uma mulher ser levada a fazer alguma coisa que na verdade não quer. O medo de ficar sozinha com um filho nos braços leva a que as mulheres prefiram abortar. Não sei se isto é legítimo ou não. Mas sei que cada um sabe de si e que todos, independentemente das classes sociais a que pertencemos, devíamos ter direito a escolher o que queremos.

Não se engravida só por irresponsabilidade. Não há nenhum método contraceptivo que seja 100% eficaz e, mesmo com todas as precauções, a gravidez pode acontecer. Chamem-lhe o que quiserem: azar, precalço, sabedoria dívina. O que é facto é que uma mulher que tome todas as precauções e mais alguma pode, mesmo assim, engravidar. E deve, quanto a mim, decidir se quer continuar grávida ou não.

Anónimo disse...

Há muitos casos que os pais pressionam para abortarem, mas tembém há muitos casos que que as mulheres em desespero (penso eu) não deixam os pais ter palavra!

São as mulheres que estão desesperadas e que pensam no aborto como uma primeira opção (e pensam que é única) que queremos acolher e apoiar...! não há tão poucas inst como isso...e ainda pode haver mais!

Não se engravida só por irresponsabilidade...eu sei... mas amaior parte das vezes é por irresponsabilidade... e acho que não se resolve o assunto com o aborto...!