quinta-feira, 26 de abril de 2007

É a cultura, estúpido!

33 anos depois do golpe militar do 25 de Abril ter derrubado o regime do Estado Novo, o Professor António Barreto foi falar ao ciclo de conferências "é a cultura, estúpido!"* sobre o que mudou em Portugal nos últimos 33 anos.
Ora, há muitos o Professor António Barreto deu aulas aos meus amigos Ana Sofia e Tiago, que quase se propuseram a fundar o Clube de fãs do AB mais ou menos na mesma altura em que a Teresa e eu quase nos propusémos a fundar o clube de fãs do Professor Rui Ramos. Ora, graças a este entusiasmo deles, quando eu ontem ouvi na rádio que ele ia falar ao São Luís, logo me propus a ir e fui em muito boa companhia. Pois achei que o homem merecia mesmo o tal clube de fãs, mas como eu na altura acabei por não fundar um para o RR, também não vou agora fundar um para o AB...
Logo para começar, a pergunta que lhe foi feita de chofre foi: qual a maior derrota destes 33 anos. Ele, sem hesitações, elegeu a Justiça. De facto, quem como eu já andou pela Advocacia, sabe bem o que é esta derrota da Justiça: são empresas que vão à falência porque não conseguem fazer investimentos devido aos atrasos nos pagamentos, que são enormes, e às acções para serem ressarcidas pelos prejuízos, que são lentíssimas; são os conflitos com a Administração que duram anos e arrastam os particulares para colapsos nervosos e financeiros; são as burlas que só são punidas quando os burlados já estão falidos e os burlões com megas casas de férias, etc..
E o colapso da Justiça é tanto maior quanto não há, nem é possível haver, alternativas no priado, pelo que o Estado tem mesmo que apostar num melhor serviço. AB não mencionou a existência de julgados de Paz e outros sistemas semi-privados de resolução de conflitos mas, de facto, estes sistemas só são aplicáveis quando os particulares nisso acordem e muitas das vezes são alternativas muito caras.
Quanto à Educação, Saúde e Segurança Social, AB salientou o papel acelarador que a Democracia teve nos processos de reforma que já se vinham fazendo desde o período Marcelista. Salientou também que todos estes sistemas apresentam alternativas privadas de qualidade.
Aquele que eu tirei como sendo a maior conquista destes 33 anos foi a intervenção Autárquica nos sistemas de saneamento, nas vias de comunicação e em outros equipamentos sociais. De facto, a água canalizada e o saneamento quase que duplicou em termos de abrangência territorial nos últimos 33 anos!
Muitas outras coisas tirei de interessante desta conferência, mas tenho medo que os meus interessadíssimos, inteligentíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores adormeçam com a descrição. Em qualquer dos casos, aqui deixo os parabéns ao AB (quase tão bom como o RR eheheh) e aos organizadores do "é a cultura, estúpido!".
*Adoro o nome! :-)

2 comentários:

Tiago Tavares disse...

Viva o AB e viva o nosso País! É certo que ainda tem muito a melhorar, para não falar dos "avanços" que para nós são retrocessos, mas a verdade é que o progresso foi enorme nas áreas que referiste. Tenho saudades das aulas dele...
Para quem não tem visto na tv, recomendo os vídeos da série que ele fez para RTP:
http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/portugal_retrato/index.shtm

João Melo Alvim disse...

Mas é possível conceber um Estado de Direito sem uma Justiça que funcione. Nunca pensei que me arrependeria tanto de escolher esta vida profissional...