quinta-feira, 16 de abril de 2015

Miró: obras públicas ou privadas?

Debate-se agora se as 85 obras de Miró que iam ser leiloadas em Londres eram públicas ou privadas. Pode-se ler sobre este debate aqui e aqui. Depois de neste fim de semana passado em Barcelona ter tido a oportunidade de visitar o Museu Miró de lá, eu prefiro debater sobre se elas deviam ser públicas ou não. Devo já dizer que considero que sim.
Em primeiro lugar há a questão política. Ainda hoje me custa entender que o BPN tenha sido nacionalizado da forma que foi. Ora, já que os contribuintes foram penalizados com o péssimo procedimento, ao menos que agora usufruam de alguns benefícios deste.
Em segundo lugar, parece-me óbvio que manter a coleção em Portugal traria muitos benefícios para o país. 85 obras de um dos maiores artistas contemporâneos, mesmo que sejam de qualidades variáveis, constituiriam um bom espólio. Um Museu Miró numa cidade com potencial turístico ainda em desenvolvimento (por exemplo Santarém, Viseu ou Braga) poderia servir de chamariz turístico. Em alternativa podia-se espalhar as obras por diferentes museus de arte contemporânea.
Em terceiro lugar Portugal está já há uns anos a afirmar-se como um destino com mais do que sol e mar. Isto passa pela imagem de um país cosmopolita nas artes mas para isso há que investir. Dado que temos pouca capacidade para o mecenato em Portugal isso tem de ser feito, como já tem sido feito desde os Descobrimentos, pelo Estado.
Por último, o benefício da venda das obras agora duraria o tempo de um orçamento de estado. O benefício da sua manutenção em Portugal estender-se-ia às gerações futuras. Dado que, assim como assim, as gerações futuras já estarão economicamente encalacradas graças à presente e anteriores gerações, ao menos que tenham alguns benefícios culturais.
Por tudo isto apelo ao governo que em vez de insistir naquilo que foi obviamente um erro, vender este espólio, corrija este erro com uma boa decisão: tratar da sua exposição ao público. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A Origem do Conto do Vigário

Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário.
Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.» «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.» O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma.
Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos negociantes de gado como ele a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis. No primeiro dia da feira, em a qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se, se importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem. Houve então a troca de outro olhar.
O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O vigário continuou a conversa, e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho. Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as coisas todas certas. E ditou o recibo – um recibo de bêbedo, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbedo...), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora.
Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por escarradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira... E os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar. Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres, que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido. Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha, e apresentou, assinado pelos dois irmãos, e que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário «nem eu estava tão bêbedo que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça foi mandado em paz.
O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem. Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar. Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade – nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Savile, Marquês de Halifax.
Contado por Fernando Pessoa.
(publicado pela primeira vez no diário Sol, Lisboa, ano I, nº 1, de 30/10/1926, com o título de «Um Grande Português». Foi publicado depois no Notícias Ilustrado, 2ª série, Lisboa, 18/08/1929, com o título de «A Origem do Conto do Vigário».)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Prece - Amália Rodrigues

Não conhecia este fado da Amália. Foi-me agora referido por um ex-aluno (hoje amigo) de Macau. A letra é tao bonita! Como é que eu não conhecia isto?



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sistema eleitoral

O último dos (poucos) posts deste ano vai para mais uma reflexão sobre a nossa Democracia, ou falta dela. Para além da óbvia característica da proteção dos direitos e liberdades dos cidadãos, a outra principal característica da Democracia é que os cidadãos elegem os seus representantes. Mas será que isso acontece em Portugal? Basta pensar 5 segundos para se entender que não.
Quando vamos às urnas, não votamos em pessoas, votamos numa lista fechada de pessoas sobre a qual 97% dos cidadãos não tem qualquer controlo, como muito bem explica o André Corrêa d'Almeida no seu mais recente artigo. Ora, até pode acontecer que essas pessoas tenham muito em comum, mas isso é pouco provável. As pessoas, graças a Deus, são muito variadas e podem, pelos mais variados motivos, ter ideias diferentes.
Dou um pequeno exemplo. Eu considero-me mais informado politicamente do que a média dos Portugueses (gaba-te cesto...) mas não fazia a mínima ideia quem eram os deputados que me representavam. Nas últimas eleições votei no círculo de fora da Europa e apenas sei que o cabeça da lista na qual votei é hoje Secretário de Estado das Comunidades, logo, não é deputado. (Para além do mais acho que está a fazer um péssimo trabalho, mas isso é outra conversa) Fui agora ver e os "meus" representantes no Parlamento são uns tais de Carlos Páscoa Gonçalves e de Maria João Ávila. Não faço a mais pálida ideia de quais são as convicções políticas destes dois indivíduos e mesmo assim levaram o meu voto.
E o mesmo se pode dizer dos três grupos parlamentares Democráticos. Em todos eles se misturam pessoas com quem me identifico bastante, pessoas com quem não me identifico minimamente e pessoas que desconheço por completo. Não sei se de fato há uma relação entre saber em quem votamos e o nível de desenvolvimento económico do país, como escreve o André CdA. Mas com certeza que existe essa relação entre sabermos em quem votamos e sentirmo-nos mais responsáveis pelos destinos do nosso estado. E a isso chama-se Democracia.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sozinho V Acompanhado

Prefere estar sozinho ou acompanhado?
Perante esta pergunta eu só consigo responder: depende mesmo muito do que estou a fazer. Há certas atividades em que eu prefiro estar sozinho como por exemplo, ler um livro. Isto pode acontecer em casa, num parque ou onde quer que seja, mas é melhor estar sozinho porque detesto ser interrompido enquanto leio. Aliás, para comprar livros também prefiro a solidão. E para ir ao ginásio... Não compreendo mesmo o conceito de "gym buddy" - já experimentei e não adorei.
Há outras atividades em que tenho que estar acompanhado. Já me apercebi, por exemplo, que a enorme angústia que sinto de cada vez que preciso de comprar roupa é minorada se o fizer com amigos. Ir a um cinema, a um bar ou a restaurante sozinho são atividades que eu nunca experimentei nem tenho vontade de experimentar.
Há ainda outras atividades que posso fazer sozinho ou acompanhado. Passear pelas montanhas ou praia, ir a um café, viajar de mochila às costas ou ver um filme em casa são tudo atividades em que vejo grandes vantagens quer na solidão quer na companhia.
Em tudo isto não encontro um padrão. Porque é que só consigo comprar livros sozinho e angustia-me entrar numa loja de roupa se não for acompanhado? Porque é que partilho o meu tempo de filmes mas não de leituras? Porque é que até gosto de ir a um café sozinho mas nem morto me apanham num bar ou restaurante apenas comigo mesmo? Ou porque é que vou correr com amigos mas não ao ginásio?
Estas e outras intrigantes perguntas acerca da minha pessoa poderiam ser analisadas por um psicólogo. Até talvez uma tese de doutoramento. Algum psicólogo que siga este brilhantíssimo blog e que queira escrever uma tese sobre mim?
Acho que a resposta é não... Os únicos psicólogos que eu conheço não entendem Português.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Regresso ao Zoo

Há muitos, muitos anos trabalhei durante um mês no Jardim Zoológico de Lisboa. Mais precisamente trabalhei numa esplanada a fazer pizzas, vender gelados, etc. Foi uma boa experiência de Verão para um miúdo de quase 15 anos mas acima de tudo permitiu-me conhecer o zoo de lés a lés já que o precorria às horas de almoço.
Hoje, na qualidade de tio, regressei pela primeira vez lá em quase vinte anos. E notei que pouco mudou... Note-se já aqui duas coisas más. A primeira é que só regressei ao zoo ao fim de quase vinte anos para levar os meus sobrinhos. O motivo é óbvio: os preços são incomportáveis. Aquilo que deveria ser uma atividade para qualquer Lisboeta ir pelo menos uma vez por ano (é o melhor zoo da Europa, há que aproveitar) torna-se uma excentricidade. Nem desconto de estudante dão! A segunda é que nada mudou... Poucas obras foram feitas e a decadência de certas partes é notável.
Não fosse o zoo tão caro, talvez nos últimos vinte anos eu lá tivesse ido umas cinco ou seis vezes em vez de uma. Afinal de contas, não só sou um emigra (e os emigras gostam de ver as coisas boas da sua terra). Para além disso, já mostrei Lisboa a uns quantos amigos estrangeiros  nos últimos tempos e nunca escolhi levá-los ao zoo precisamente por estes preços astronómicos.
Se me perguntarem se vale a pena pagar este dinheiro para ir a um dos melhores zoos da Europa eu responderei que sim. Mas se me perguntarem se eu estou disposto a gastar €18.50 para repetir a experiência anualmente eu já terei que responder que não.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sócrates em Évora

O Soares já lá foi, o Alegre vai lá agora... Foi simpático da PGR mandar o Sócrates para Évora. Assim os visitantes podem visitar também a Capela dos Ossos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Direita em Portugal

Gostaria de abrir este post com uma novidade: desde 2011 que o Estado Português é governado por dois partidos que se dizem de direita. Eu sei, isto parece uma novidade para muitos. É que este governo tem parecido tudo menos de direita.
Uma das caraterísticas da direita é apostar na “desestatização”. Mas este palavrão importado dos nossos irmãos Brasileiros não deve querer dizer apenas privatizar empresas (já aqui defendi que nem todas as empresas que foram privatizadas o deveriam ter sido). Em Portugal seria acima de tudo importante descentralizar e desburocratizar muitos dos procedimentos. Uma desestatização óbvia passaria em Portugal pela municipalização. Parece-me inacreditável que os municípios não tenham muito mais competências, por exemplo, na contratação de professores. Porque é que em todos os Setembros temos que assistir aquele triste espetáculo de professores a passarem do Minho para o Alentejo, do Algarve para Trás-os-Montes, etc.? Mesmo se o sistema informático funcionasse bem, não seria muito melhor fazer isto a nível local por concurso público? Ou então porque é os impostos municipais são recolhidos pelo estado e depois distribuídos pelos municípios e não são logo recolhidos pelos próprios municípios?
Para além disso, a direita quer-se conservadora. Há quem gosta de esquecer isto, particularmente uma nova direita em Portugal muito ao estilo “escola de Chicago” que tem muito pouco a ver com a nossa direita nativa. Não vou repetir o que já disse sobre orecenseamento nos Consulados. Mas gostaria de notar que é qualquer cidadão se pode divorciar online daforma mais fácil possível. Para além disso, mesmo aqueles muitos que consideram o aborto um ato hediondo têm que pagar com os seus impostos esse ato. Isto vai muito para la da descriminalização que foi referendada… Ou seja é mais fácil divorciar-se e mais barato fazer um aborto do que recensear-se num consulado Português!

Quando novas eleições se aproximam, eu pergunto-me porque é que as pessoas que são da verdadeira direita não tem um partido no qual votar em Portugal? 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tutuizações abusivas

Vamos lá ver uma coisa… Os senhores que gerem newsletters e serviços online aos clientes devem entender uma coisa: nós, clientes não somos vossos amigos! Nem sequer vos conhecemos de lado nenhum. Nós somos apenas uma coisa: vossos clientes! 
Ora, os clientes não são tratados por tu, são tratados por você, o senhor ou, se preferirem, V. Exa. (não me importo). E isto é assim porque senão não faz qualquer sentido a distinção entre tu e você. Tu é para os amigos, para pessoas que conhecemos através dos amigos em ocasiões sociais ou, em geral, para pessoas próximas das nossas idades. O você é para pessoas mais velhas ou quem apenas temos uma relação profissional, de negócios… Uma relação como a que os clientes têm com os vendedores.
Entenderam? Senhores da easyjet, este post é dedicado a V. Exas. Parem de me tratar por tu de cada vez que me enviam um email! Eu nem sequer vos conheço! 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Privatização da TAP

Por princípio sou favorável ao controlo por privados dos sectores nos quais a concorrência técnica é possível. Por concorrência técnica eu refiro-me a que eu, consumidor, posso escolher contratar com quem quer que seja. Isto exclui empresas de fornecimento de água, gás e eletricidade, por exemplo. A não ser que algum engenheiro me venha explicar como é que eu posso dizer a uma empresa de água que a partir de um dado momento não lhe compro o serviço porque a água da outra é de melhor qualidade ou mais barata. Ou eletricidade... Ou gás... Mas esses setores já foram privatizados! (mal, a meu ver)
Claro que abro exceções a esta regra. Há alguns sectores concorrenciais em que considero haver uma vantagem na manutenção de um ator nas mãos do estado, por exemplo na televisão. Neste Reino (ainda) Unido noto o serviço público que a BBC presta, organizando eventos culturais, mantendo programação educativa, etc.
No que à aviação diz respeito, tenho lido alguns argumentos a favor da manutenção de uma empresa de bandeira como a TAP. Alguns são bem convincentes, como manter ligações a países com os quais Portugal aposta nas relações bilaterais mas essas ligações não são lucrativas. Não entendo então porque é que não há voos regulares da TAP para Macau, por exemplo. Um território com grande importância histórica, cultural e estratégica para o país. Ou para qualquer outra cidade na China, um país que é a prioridade de todo o mundo. Ou porque é que os voos para as capitais dos PALOPs são tão caros.
A realidade que eu observo é que os voos da TAP são, em geral, pouco competitivos. Mesmo dentro de Portugal, por exemplo para as ilhas, onde seria de esperar que a TAP prestasse um serviço público mantendo preços baixos, isso não acontece. Francamente ao contratar com a TAP não sinto que seja tratado como patrão. Bem, eu não sou muito contribuinte, mas os contribuintes são patrões das empresas públicas.
Concluindo: há motivos para manter uma companhia de bandeira? Sim, há! A TAP comporta-se como uma empresa de bandeira? Não me parece... Então para quê mante-la como empresa pública? Devido a uma esperança, um anseio ou uma fezada que um dia a TAP será uma empresa de bandeira convincente que preste um verdadeiro serviço público?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Descubra as diferenças

Dizem os jornais que o chefe de governo da Escócia, Alex Salmond, pressionou a diretora da Universidade de St. Andrews para alterar o que antes tinha dito sobre os perigos para a investigação académica na Escócia escondidos por detrás da independência.
Não sei porquê, mas esta notícia fez-me lembrar o Alberto João Jardim… Será que Jardim e Salmond são amigos? Eles até são um bocadinho parecidos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Voto ou whisky?

Não há volta a dar, a abstenção é mesmo o cancro da Democracia. São as pessoas com ideais contrários ao “status quo” (anti-Democracia, anti-Europa, etc.) aquelas que nunca faltam às eleições. Quem não está contente com os políticos no mínimo vota em branco. Em Portugal, muito se tem indagado sobre os motivos para tamanha abstenção em tantas eleições. Eu gostaria de avançar aqui um dos muitos motivos que podem ser apontados: a enorme dificuldade em votar. E isto não é escrito com ironia. Apercebi-me da enorme dificuldade do Português votar quando nas eleições Europeias fui eleitor no Reino Unido.

Como cidadão da UE, posso votar pelo Reino Unido, onde vivo. E aqui é tão fácil votar! Para começar registei-me online, recebi uma carta em casa que assinei e devolvi ao remetente e pronto, estava registado. Umas semanas antes das eleições recebi em casa um cartão com as regras para ir votar. Se não estivesse em Edimburgo, podia votar por carta. Se nesse dia estivesse doente, podia votar por procuração bastando apresentar um atestado. As urnas estavam abertas das sete da manhã às dez da noite num dia de semana. Tudo convidava a ir votar: e eu fui!

Se, pelo contrário, tivesse optado por votar por Portugal teria que me ter deslocado ao consulado de Portugal para me ir registar. Como não há consulado em Edimburgo eu teria que ir a Manchester. Antes teria marcado uma hora no consulado com uns meses de antecedencia. Isto pensando que eu conseguia a proeza que é ser atendido no telefone ou ter um email respondido. No dia marcado teria que levar não sei quantos documentos, apanhar um comboio que me custaria cerca de €80 e perder todo um dia de trabalho. Tudo isto porque o registo presencial é obrigatório! Resultado: não me registei. Note-se, isto não e um problema de fecharem consulados. É um problema de tornarem os consulados tão necessários através de procedimentos burocráticos Kafkianos. Mas o que é que o nosso Portugal tem contra a internet?!

É certo que não me abstive nestas eleições porque votei pelo Reino Unido e não podia ter votado pelos dois países. Mas também é certo que não me parece que vá querer prescindir de um dia de trabalho e umas duas garrafas de bom whisky single malt (mesmo preço do bilhete de comboio para Manchester) para me registar antes das legislativas de 2015. Ou me permitem o registo na internet ou eu continuo como um abstencionista registado em Macau, onde já não vivo há dois anos. Peço já desculpa por este acto pouco patriótico mas julgo que os entendidos em whisky Escocês compreenderão este meu pecado ao estilo Miguel de Vasconcelos.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Bristol

No fim-de-semana passado estive a passear em Bristol, aproveitando ter tido uma conferência lá na 5ª e na 6ª. Não vou descrever aqui o que já descrevi noutro lugar… Ai descrevi Bristol como a cidade do Bansky e de muitos outros graffiti, mostrei o que lá se faz num dia de sol e por fim mais umas fotografias da cidade.

Ide lá dar uma espreitadela!  

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um jantar em Edimburgo

O R e a R são amigos da M que, por sua vez, é prima da I que é minha amiga de Macau. Isto parece a descrição do linkedin, certo? Pois foi assim que começou um jantar bem divertido...
Ora a I tinha contado à prima que tinha um amigo em Edimburgo. Quando os RRs anunciaram que vinham para cá,  onde não conheciam ninguém, ela lembrou-se de nos pôr em contacto. E nós combinámos jantar ontem no standing order.
O G é um amigo do J e da M, meus amigos de Lisboa. que já cá vive há uns anos mas eu ainda não conhecia. Já tínhamos trocado umas mensagens mas nunca nos tínhamos conhecido porque ou ele não podia ou não podia eu. Ora ele ontem mandou-me uma mensagem e eu convidei-o a juntar-se a nós. Ele também veio...
A Z é uma Macaense, amiga do D, um outro amigo de Macau. Ele já me tinha dito que ela vinha para cá e ela ontem mandou-me um email. Também a inclui no programa...
Como ia jantar com quatro desconhecidos, decidi convidar dois amigos Brasileiros: o F e o D. Eles deviam proteger-me caso algum (ou todos) dos meus convivas fosse um assassino em massa. Eles também vieram...
Vai daí jantei com 3 Portugueses desconhecidos, 1 Macaense desconhecida e 2 amigos Brasileiros. E foi um jantar bem divertido e todo em Português! Edimburgo é assim mesmo!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Lisboa - Edimburgo

Ja ha um ano que de vez em quando comparo as temperaturas de Lisboa com as de Edimburgo e tenho notado uma coisa engracada. Acontece muitas vezes as minimas de Lisboa serem iguais as maximas de Edimburgo. Esta semana, por exemplo, minima em Lisboa de 19c e maxima em Edimburgo de 19c. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Presidente da República

É ao ver as atitudes deste presidente...
Como vi as atitudes do presidente passado...
E é ao ver as atitudes que agora tomam os ex-presidentes que deviam assumir uma digna atitude de não intervenção...
Que eu me lembro porque é que sou Monárquico! Viva o Rei!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Inaptocracia

Recebi hoje um email com uma nova palavra, inaptocracia. 
Inaptocracia
Sistema de governo em que os menos capazes de governar são eleitos pelos menos capazes de produzir e no qual os menos aptos de se auto-sustentarem ou de vingarem são recompensados por bens e serviços que são pagos pela confiscação da riqueza e do trabalho de uns quantos produtores cujo numero continuamente diminui.
Isto foi traduzido do original em Francês, que junto: 
L'Inaptocracie
Un système de gouvernement où les moins capables de gouverner sont élus par les moins capables de produire et où les moins aptes à subvenir à eux-mêmes ou à réussir, sont récompensés par des biens et des services qui ont été payés par la confiscation de la richesse et du travail d'un nombre de producteurs en diminution continuelle.
Jean d'Ormesson

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Crise política em Portugal

Primeiro veio a crise económica. Portugal passou toda uma década com uma economia anímica a viver a ressaca do excesso de construção de estradas, casas, pontes e estádios. Nada mais se tinha feito que construir e tudo a fiado. Com dinheiro alheio. Os juros estavam bons (e até foram bonificados a certa altura à custa do contribuinte). Então, porque não?
Depois veio a crise moral. Toda a gente acha perfeitamente natural que se matem sem quaisquer limites legais as mais indefesas criaturas humanas, os fetos. E que se faça isso com o dinheiro do contribuinte. As vezes que se quiser, claro está. Tanto que uma boa parte das mulheres que abortam agora já o fizeram antes. Para quê pagar pelos preservativos, se os abortos são à custa do contribuinte?
Depois foi a crise financeira que se abateu sobre Portugal. As agências de avaliação financeira (rating) serviram de abutres. Note-se que os abutres são sempre os primeiros a encontrar os animais moribundos e foi isso que estas fizeram. Viram um estado em debilidade crónica, atacaram e depois disso todos os predadores financeiros se lançaram sobre a República Portuguesa como se não houvesse amanhã.
Agora é a crise política. O MNE zangou-se, bateu com a porta. A porta voltou a abrir-se. Afinal bateu-se mas não se trancou. Altera-se a coligação mas ainda ninguém sabe em que termos. Desta vez os abutres vêm da esquerda e só sabem gritar "eleições, eleições, eleições"! Note-se que não o fazem por patriotismo, convencidos que farão melhor para ajudar o país a sair da crise. Eles bem sabem que isso não é possível. Apenas querem refastelar-se com o resto da carcaça que quase mais não é agora que ossos.
Eu gostava de um dia voltar a Portugal. Mas será que Portugal ainda vai existir? Ou será que ainda existe? Se calhar é como no conto de Natal de Dickens. O espírito de Portugal passado.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Desistir do blogadíssimo...?

É patente para aquele leitor que aqui me visita a cada três semanas que eu não sou o blogger mais empenhado do mundo. Esqueço-me que tenho um blog (aliás, dois, mas com o outro eu não sou mais assíduo), nunca cá escrevo e assim não consigo 'fidelizar a clientela'. Vai daí já me foi sugerido (por mim mesmo) que já que acabei com o facebook, faça o mesmo com os blogs.
Ora, a ideia é tentadora para o outro blog, mas não para este. Este já está comigo há muitos anos. Pelo menos desde 2004. Note-se que quando eu fui para a China, no início de Setembro de 2005, apaguei o blog porque estava tudo em Chinês e claramente seleccionei o botão errado. Foi o vizinho do blog do lado que o ressuscitou...
Vai daí, não vou matar o blogadíssimo. Vou mas é fazer um esforço para aqui escrever mais vezes.
Façam figas!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Orgulho de juventude


Diz muito das minhas prioridades que ter este cartão na carteira (e mostrá-lo sempre que podia) enchia-me de orgulho durante os meus tempos de liceu. E até início da Universidade... Vanitas, vanitarum...

Norte V Sul

Eu Lisboeta me confesso! No entanto não posso negar que, no que toca às diferenças entre o que é geralmente a personalidade das pessoas do Norte e aquela que é a das pessoas do Sul (Lisboa, incluída), eu sou muito mais fã dos Nortenhos. É claro que aos olhos dos estrangeiros somos um povo muito homogéneo. Mas nós, cá dentro, notamos umas diferençazinhas... Vou dar um singelo exemplo que mais não é do que isso, um exemplo.
Ontem, ao descer até ao Chiado sou confrontado com uma manifestação a gritar coisas como "governo abaixo" e outras que tais. Não entendo porque é que eles querem derrubar um governo que tem a legitimidade democrática no parlamento por um mandato de quatro anos e que está a fazer exatamente aquilo com que se comprometeu num acordo celebrado entre o anterior governo, a então oposição democrática (hoje governo) e os nossos credores internacionais! Será que acham mesmo que outro governo faria diferente e melhor? Dê lá por onde der, cortaram-se ruas,  fez-se barulho e com isso incomodou-se as pessoas que queriam trabalhar ou que estavam em turismo ou lazer. Eu próprio que, em vez de ficar a beber um café na Brasileira e a ver a cidade saí de lá o mais rapidamente possível (nota à gerência da Brasileira: terão que esperar pelo meu eurito quando não tiverem manifs à porta).
Já em casa vejo as notícias e noto que em Braga o pessoal organizou uma mega procissão da burrinha com centenas de figurantes do Antigo e Novo Testamento. Havia lá coros de crianças, bandas, a própria da burra que leva Nossa Senhora para o Egipto, etc.. No fundo as pessoas fizeram o mesmo em crise que sempre fizeram. Dão testemunho da sua fé e, ao mesmo tempo, da sua alegria de viver e da sua confiança em si mesmos. Com isto atraem também dezenas de milhares de turistas: Portugueses, Espanhóis e outros. Estes vêm para assistir a esta alegria e confiança. Claro que esses turistas enchem os hotéis, comem nos restaurantes e voltam para casa com boa impressão da cidade e de Portugal.
No fundo, enquanto os Lisboetas se queixam do governo porque acham que é este que tem que lhes resolver os problemas, os Bracarenses prosseguem a sua vida com a alegria e a força que os caracteriza. Já estou a adivinhar qual vai ser a parte do país a recuperar mais rapidamente da crise...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Petição "Sócrates fora da RTP"

Já recebi apenas hoje três mails de pessoas diferentes para ir assinar uma petição pública contra a contratação do ex-PM Sócrates como comentador da RTP. Devo dizer que esta petição não me agradou nada por vários motivos.
Para começar, longe de mim considerar que ele foi bom PM! No entanto eu teria que ser muito fundamentalista para considerar que ele foi O CULPADO pela triste situação do país. O aumento do despesismo público era uma situação que já se vinha acumulando desde o 25 de Abril e o primeiro governo Sócrates até fez algumas tentativas para inverter essa tendência. Houve pelo menos dois programas que tentaram corrigir essa situação: a criação dos "disponíveis" para reduzir o número dos funcionários públicos e o programa simplex para reduzir a burocracia na administração.
Estas tentativas foram fébeis e com poucos resultados, é certo. Para além disso, os contratos celebrados pelo governo no tempo em que Socrates foi PM (não apenas as PPPs mas tamém) foram de tal forma ruinosos que os magros benefícios de redução do funcionalismo público e de desburocratização não foram compensados pelos seus prejuízos.
Acima de tudo, ele não fez as reformas que o Estado precisava numa altura em que toda a gente já tinha percebido que o Estado precisava delas. Mas o mesmo pode ser dito de Santana e Durão antes dele. Se ele podia ter mudado o curso dos acontecimentos: parece-me que sim, podia. Mas é ele o único culpado? Não, é apenas o último culpado...
Mas nem é por estes motivos que eu sou contra a petição. Considero que estas coisas devem ser deixadas ao mercado e não à censura Se a maioria dos telespectadores da RTP não gostar de Sócrates, muda de canal durante o comentário dele e a RTP acaba por o mandar embora. No entanto, se a maioria dos telespectadores gostar dele, a RTP consegue vender mais publicidade e isso é um benefício para a televisão pública (que, em qualquer dos casos, dado que funciona de acordo com as regras do mercado nunca deveria receber dinheiros públicos). 
Já um ex-PM de um país que o elegeu duas vezes ser censurado à partida parece-me pouco condizente com a democracia. Vá, isso no Irão ou em Cuba era mais compreensível... 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Apoucadices


No outro dia tinha uma coisinha no facebook a dizer "X poked you"!
"Poked me?!", pensei eu! Note-se que to poke é tocar alguém com um dedo mas normalmente até é um ato meio intimidatório.
Não me pareceu um acto socialmente correcto isso de tocar assim alguém com um dedo virtual. 
Mas depois comecei a pensar nas imensas possibilidades para a vida real do poke. Confesso que não teria ficado desagradado caso fosse uma rapariga bem parecida a "pokeadora"! Vai daí comecei a pensar na possibilidade de começar a chegar-me a raparigas bem parecidas na rua e tocar-lhes com um dedo. Vá, no braço, nada de indecente... Só tocar e ficar a olhar impassível à espera de reacção.
Vou só comprar um daqueles barretes de lã que cobrem as bochechas... Porque está frio em Edimburgo, claro está!

Francisco I, SJ

Soube do fumo branco enquanto começava a jantar. E isto num daqueles jantares em que não é suposto sacar-se do telemóvel para se ver mensagens, com pessoas que tinha acabado de conhecer e por motivos profissionais. Mas não havia volta a dar-lhe: o telemóvel vibrou três vezes: três mensagens a dizer "fumo branco" ou "habemus Papam" chegaram quase ao mesmo tempo vindas de Londres (prima Mariana) e Edimburgo (Francisca e Grant). Quando um Católico recebe três mensagens seguidas durante um conclave à hora em que uma eleição deve ser anunciada, isso só pode querer dizer uma coisa...
Tive que pedir desculpa: "I'm sorry, but I just received three messages at the same time... This must mean we have white smoke in Rome".
Lá se foi por água abaixo a regra de que entre desconhecidos e em ambiente profissional não se fala de religião! Mas àquela mesa falou-se de religião e ouvi uma história que me emocionou.
Uma senhora Dinamarquesa, que se disse não religiosa, contou a história do filho de uns amigos que a impressionava. Estes amigos são ferverosos Comunistas e nunca tencionaram proporcionar ao filho um pingo de religião (superstição / ópio do povo). No entanto, com seis anos, o miúdo disse-lhes que queria ir à Igreja. Eles lá o levaram, provavelmente com a esperança de que o miúdo nunca havia de querer voltar a pôr os pés numa Igreja. E levaram-no, como é óbvio nesta terra, a uma igreja  da Igreja Nacional Dinamarquesa, que é uma Igreja de Estado e Luterana.
O miúdo lá foi à celebração Luterana mas quando saiu disse que queria passar a ir à Igreja do outro lado da rua, que era uma Igreja Católica. Os pais devem ter pensado que ele não tinha gostado da primeira experiência e ia experimentar uma nova e depois fartar-se... Mas não, o miúdo de seis anos passou a "arrastar" os pais para a Missa todas as semanas.
Hoje, com vinte e um anos, o jã-não-tão-miúdo continua a ser um devoto Católico.
E esta foi a estória que eu ouvi na noite em que o Papa Francisco I foi eleito. E tudo porque o telemóvel vibrou três vezes e eu não consegui conter a curiosidade. E ainda há quem diga que Deus não envia mensagens...
Benvindo Papa Francisco!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Março, mês da Primavera

Isto é a vista da minha janela hoje. No mês em que começa a Primavera...

domingo, 10 de março de 2013

Os jornalistas-escorpiões

É já com algum medo que entro na comunicação social Portuguesa. Os jornalistas Portugueses olham para a realidade com os mais negros dos óculos e fazem passar essa negra realidade para toda a gente. No fundo, parece que está na sua natureza ser péssimista e só procurar os escândalos.
Esta atitude da comunicação social leva a uma ainda maior paralisia nos investimentos no país. Entre esses investimentos, como está bem de entender, incluem-se os investimentos na publicidade. Ora, as empresas, considerando que o país está em tão catastrófico estado, decidem poupar o dinheiro que ainda têem em vez de o investir em publicitar bens e serviços que elas se convencem de antemão que não irão ser procurados.
Isto, por sua vez, leva a que os diversos órgãos de comunicação social tenham cada vez menos receitas e comecem a despedir cada vez mais jornalistas. Os tais que só conseguem procurar os escândalos e dar más notícias.
Isto faz-me lembrar a estória do escorpião e da rã. O escorpião pede à rã para o levar a atravessar um rio mas a meio decide matar a rã. Porquê? Porque está na sua natureza matar, mesmo que isso provoque o seu afogamento. Claro que nesta estória apenas o escorpião e a rã morrem, enquanto que com a estória dos jornalistas-escorpiões todos à sua volta sofrem... Mas dá bem para ver a comparação, não dá?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O enterro de Pedro Apóstolo

Ontem estava ‘a procura de um documento em que estava a trabalhar em Macau na memória externa que trouxe de la’. Eis que se não quando encontrei um outro documento que já tinha dado como perdido…
Passo a explicar: eu sai’ de Macau um bocado de um dia para o outro e não tive tempo de organizar nada. Vai dai’ há muitos documentos que estavam no computador da Universidade e que la ficaram. Ou seja, que para la se perderam…
Um deles era um livro que eu escrevi quando devia estar a escrever a tese de mestrado. E’ que a certa altura eu já me apetecia tanto dedicar-me ‘a minha tese de mestrado como ‘a fantástica actividade de apanhar choques eléctricos. Vai dai’ dava-me a inspiração para escrever coisas dispersas, coisas que eu guardava numa pasta de “pessoais” que eu me esqueci de copiar para a memoria externa quando deixei terras do Oriente para me Escocizar.
Ao contrário dos outros livros, textos e poemas que escrevi e guardei na dita pasta dos pessoais, este, por algum motivo que se me não ocorre recordar, guardei na pasta das lições de Direito Europeu. Assim, entre documentos com os inocentes nomes de “cp privatizações” (em que cp se refere a caso pratico), “lição subsidiariedade”, “lição concorrência”, etc., aparece o bombástico titulo “enterro de Pedro Apóstolo”.
Disse eu de mim para mim mesmo meio espantado: “não e’ possível! Tu queres la ver…” E sim, abri e estava la um dos livros que escrevi enquanto fazia o mestrado: o único dos sobreviventes da minha partida precipitada de Macau. Ele não esta terminado porque a certa altura me cansei dele e deixei de lhe achar piada mas ontem ao lê-lo, voltei a rir-me com os disparates que la escrevi. Não que ele esteja engraçado, eu e' que acho imensa piada as minhas próprias gracinhas…
Fiquei com ganas de o acabar um dia destes… Mas de momento ainda acho mais piada ao meu doutoramento do que na altura estava a achar ao meu mestrado. Mas o Pedro Apóstolo que tenha fé, que um dia ainda o hei-de enterrar!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

Edimburgo hoje

 Os quintais que vejo da minha janela do quarto
Os vizinhos que me acordaram com brincadeiras e gargalhadas. Vá, desta vez estão perdoados...