Não há volta a dar, a abstenção é mesmo o cancro da Democracia. São as pessoas com ideais contrários ao “status quo” (anti-Democracia, anti-Europa, etc.) aquelas que nunca faltam às eleições. Quem não está contente com os políticos no mínimo vota em branco. Em Portugal, muito se tem indagado sobre os motivos para tamanha abstenção em tantas eleições. Eu gostaria de avançar aqui um dos muitos motivos que podem ser apontados: a enorme dificuldade em votar. E isto não é escrito com ironia. Apercebi-me da enorme dificuldade do Português votar quando nas eleições Europeias fui eleitor no Reino Unido.
Como cidadão da UE, posso votar pelo Reino Unido, onde vivo. E aqui é tão fácil votar! Para começar registei-me online, recebi uma carta em casa que assinei e devolvi ao remetente e pronto, estava registado. Umas semanas antes das eleições recebi em casa um cartão com as regras para ir votar. Se não estivesse em Edimburgo, podia votar por carta. Se nesse dia estivesse doente, podia votar por procuração bastando apresentar um atestado. As urnas estavam abertas das sete da manhã às dez da noite num dia de semana. Tudo convidava a ir votar: e eu fui!
Se, pelo contrário, tivesse optado por votar por Portugal teria que me ter deslocado ao consulado de Portugal para me ir registar. Como não há consulado em Edimburgo eu teria que ir a Manchester. Antes teria marcado uma hora no consulado com uns meses de antecedencia. Isto pensando que eu conseguia a proeza que é ser atendido no telefone ou ter um email respondido. No dia marcado teria que levar não sei quantos documentos, apanhar um comboio que me custaria cerca de €80 e perder todo um dia de trabalho. Tudo isto porque o registo presencial é obrigatório! Resultado: não me registei. Note-se, isto não e um problema de fecharem consulados. É um problema de tornarem os consulados tão necessários através de procedimentos burocráticos Kafkianos. Mas o que é que o nosso Portugal tem contra a internet?!
É certo que não me abstive nestas eleições porque votei pelo Reino Unido e não podia ter votado pelos dois países. Mas também é certo que não me parece que vá querer prescindir de um dia de trabalho e umas duas garrafas de bom whisky single malt (mesmo preço do bilhete de comboio para Manchester) para me registar antes das legislativas de 2015. Ou me permitem o registo na internet ou eu continuo como um abstencionista registado em Macau, onde já não vivo há dois anos. Peço já desculpa por este acto pouco patriótico mas julgo que os entendidos em whisky Escocês compreenderão este meu pecado ao estilo Miguel de Vasconcelos.
Como cidadão da UE, posso votar pelo Reino Unido, onde vivo. E aqui é tão fácil votar! Para começar registei-me online, recebi uma carta em casa que assinei e devolvi ao remetente e pronto, estava registado. Umas semanas antes das eleições recebi em casa um cartão com as regras para ir votar. Se não estivesse em Edimburgo, podia votar por carta. Se nesse dia estivesse doente, podia votar por procuração bastando apresentar um atestado. As urnas estavam abertas das sete da manhã às dez da noite num dia de semana. Tudo convidava a ir votar: e eu fui!
Se, pelo contrário, tivesse optado por votar por Portugal teria que me ter deslocado ao consulado de Portugal para me ir registar. Como não há consulado em Edimburgo eu teria que ir a Manchester. Antes teria marcado uma hora no consulado com uns meses de antecedencia. Isto pensando que eu conseguia a proeza que é ser atendido no telefone ou ter um email respondido. No dia marcado teria que levar não sei quantos documentos, apanhar um comboio que me custaria cerca de €80 e perder todo um dia de trabalho. Tudo isto porque o registo presencial é obrigatório! Resultado: não me registei. Note-se, isto não e um problema de fecharem consulados. É um problema de tornarem os consulados tão necessários através de procedimentos burocráticos Kafkianos. Mas o que é que o nosso Portugal tem contra a internet?!
É certo que não me abstive nestas eleições porque votei pelo Reino Unido e não podia ter votado pelos dois países. Mas também é certo que não me parece que vá querer prescindir de um dia de trabalho e umas duas garrafas de bom whisky single malt (mesmo preço do bilhete de comboio para Manchester) para me registar antes das legislativas de 2015. Ou me permitem o registo na internet ou eu continuo como um abstencionista registado em Macau, onde já não vivo há dois anos. Peço já desculpa por este acto pouco patriótico mas julgo que os entendidos em whisky Escocês compreenderão este meu pecado ao estilo Miguel de Vasconcelos.
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