sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Perder a face

No meio de tantas coisas óptimas que os Chineses têm, uma que certamente está longe de ser óptima, muito longe mesmo de ser óptima, é a mania de não perder a face.
O que é isso do perder a face?
É o não admitirem que estão errados ou que não sabem alguma coisa mas que os torna extremamente tímidos e inseguros.
Mas como é que esta característica se torna tão irritante?
Dois exemplos:
- Na aula, um professor é tipo uma mistura mística entre um profeta, um vidente e um iluminado trascendental. Assim, se um aluno faz uma pergunta a que o professor Chino não sabe responder, ele preferirá inventar uma resposta. Ora este vosso iluminadíssimo, inteligentíssimo, cultíssimo, sapientíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo amigo não se porta assim (deve ser a tal da característica da humildade que estou convencido que tenho em excesso). Assim, se um aluno me faz uma pergunta que eu não sei, eu respondo "não sei, terei que lhe responder na próxima aula depois de estudar mehor o assunto." Ora, agora que eu tenho uma turma só com alunos chineses, esta resposta não foi compreendida, pelo que um aluno decidiu perguntar o mesmo de outra forma duas vezes, a ver se eu entendia a pergunta. Eu acabei por lhe dizer que entendia muito bem a pergunta, só que, como de momento não sabia a resposta, lhe dizia na próxima aula. Talvez convencidos que esta fosse a almejada resposta, muitos alunos tiraram apontamentos desta minha sábia afirmação.
- Na rua se a pessoa pergunta uma direcção a um Chino que ele não compreende ele vira a cara para o lado para não dar a entender que não percebeu. Claro que este vosso amigo não se dá por derrotado, pelo que vai para o outro lado (o lado para onde a cara agora se vira), puxa o braço, faz gestos até o filho do sol lhe dar atenção e ser obrigado, para não perder a face, a tentar compreender a pergunta. No entanto, a maioria dos ocidentais interpreta isto como uma grande antipatia dos Chinos e ficam bastante irritados com aquilo que eles consideram ser insolência mas que não é mais do que uma forma de timidez.

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