quarta-feira, 11 de julho de 2007

Diplomacia Económica

Voltou-se hoje a falar de Diplomacia Económica e da sua importância que eu considero, diga-se desde já, indesmentível. No entanto, nem só de Economia vive o país e nem só de Diplomacia Económica vive a Economia.
Se até há cerca de uma década atrás a Economia Portuguesa estava em grande crescimento e todos os especialistas económicos vaticinavam um glorioso futuro para Portugal, o que é que mudou entretanto? Porque é que a Espanha, aqui ao lado e com tantas realidades semelhantes, conseguiu acelerar o seu crescimento e nós estagnámos?
Já desde a década de 80 que a Espanha meteu na cabeça que poderia ser uma potência europeia e que isso não passava apenas pela Economia, passava também pela cultura, por exemplo. Investiu fortemente nas instituições culturais fora de Espanha como os Colégios Espanhóis e os Institutos Cervantes, fortaleceu a sua oferta cultural em Espanha com novos ou melhorados museus e salas de espectáculo e apostou nos seus cantores, actores, pintores, arquitectos, realizadores, etc..
Hoje em dia, por toda o mundo mais e mais gente aprende o Castelhano, Espanha tornou-se um dos mais procurados destinos turísticos do mundo, o cinema Espanhol vende-se e ganha prémios de respeito e a marca “Espanha” tornou-se facilmente vendável. Vai ao ponto de os Espanhóis serem considerados um povo moderno e cosmopolita, apesar da maior parte deles serem muitíssimo bairristas, se perderem em rivalidades regionais e não darem uma para a caixa de línguas estrangeiras! Quanto a nós… Os que nos conhecem acham que somos os “vizinhos dos Espanhóis”!
E, já agora, também seria bom que o Estado perdesse os seus tiques republicanos e laicisistas. Os “nuestros hermanos” fartam-se de publicitar os caminhos de peregrinos de Santiago e até o próprio Santo. Para quando uma atitude semelhante relativamente a Fátima? Sempre que lá vou a pé cruzo-me com muitos peregrinos no caminho e são todos Portugueses…
Será também altura de investir a sério nas Escolas Portuguesas e nos Institutos Camões e de dará conhecer ao mundo a nossa cultura, que não é só futebol e a nossa história* que é tão rica. Assim, a tradicional Diplomacia Cultural não é um entrave à Diplomacia Económica, é sim, a sua maior amiga.
* Parece-me incrível que tenha sido uma historiadora Americana de estudos orientais que tenha defendido recentemente uma tese na qual prova que Fernão Mendes Pinto, ainda conhecido em Portugal como “Fernão, mentes? Minto!”, afinal terá que ter vivido mesmo as aventuras que conta na “Peregrinação”. Para quando uma maior publicitação internacional desta obra e a adaptação ao cinema da mesma por realizadores Portugueses de jeito (daqueles que não fazem filmes todos negros ou que não nos adormecem com as suas chachadas)?

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