Em vez de parecer um país, de vez em quando Angola parece uma criança mimada... Quer dizer, seria inusto estar a descrever um país como uma criança mimada, mas já não será assim tão injusto estar a descrever deste modo o seu governo.
Aqui há uns meses um jogador da bola Angolano foi preso por conduzir sem carta válida em Lisboa; no dia seguinte não sei quantos Portugueses residentes em Angola foram presos pelos mesmos factos como retaliação. Nessa altura um Angolano comentou comigo que a situação era ridícula porque enquanto que em Portugal era muito difícil tirar a carta, em Angola bastava passar umas Cuanzas por baixo da mesa ao examinador e estava a carta tirada.
Neste momento Angola, zangada com a decisão da União Europeia de não deixar entrar no espaço aéreo comunitário os aviões da TAAG, retalia proibindo a entrada das companhias aéreas europeias em Angola. Se já é no mínimo ridículo que o governo de um país se ofenda com as decisões relativas às companhias comerciais desse país, então comparar as normas de segurança e os aviões de duas das melhores companhias aéreas do mundo como sejam a TAP e a British Airways com os aparelhos da TAAG, então aí a situação passa de ridícula a uma paródia.
Se não estamos todos no chão a rebolar a rir é apenas porque esta decisão afecta não só os empresários e outros europeus que nos últimos investiram em Angola ou para lá se decidiram mudar, como também os muitos Angolanos que residem na Europa.
Apetece abrir um bocadinho os olhos ao governo de Angola para que veja que o seu país é um dos países com mais ricos recursos do mundo é também um dos países com maior miséria humana e mais problemas sociais. Para ver que os empresários europeus que vivem em Angola estão a ajudar a desenvolver o país mesmo tendo em conta as enormes dificuldades que se devem à corrupção das suas autoridades. E para ver que Angola não é insubstutuivel nos investimentos externos dos Europeus: se o governo dificultar muito a vida dos empresários, eles podem sempre encontrar outros mercados Africanos muito mais pacificados e estáveis como Moçambique, por exemplo.
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