Aqui há muitos anos estudei em Português um conto que poderia ser da Sophia de Mello Breynner (ou não!) de que gostei muito na altura, mas do qual hoje em dia só me lembro daquele que era capaz de ser o título (ou não, mais uma vez!) que era "Ruy e Rostabal" e de um bocadinho da estória.
Ora, a estória passava-se na Idade Média e era sobre dois irmãos, precisamente o Ruy e o Rostabal, que encontravam um tesouro* e que depois começavam à luta por causa dele e já nem me lembro se não acabavam por morrer os dois.
Vem isto a propósito de uma cena que eu vi hoje. Vinha eu ali pela Rua da Escola Politécnica acima quando me dei conta que uma senhora já de idade, do outro lado da rua, ia a remexer na carteira e deixa cair um papel. Eu não me apercebi muito bem que tipo de papel era até que passa um matulão, que ia a andar em sentido contrário ao da senhora, que apanha o papel, que eu aí percebi que era uma nota, e se põe a correr pela rua fora.
Eu não sei qual o valor da nota e a senhora nem se apercebeu, mas quanto é que é preciso para comprometer os princípios de uma pessoa? Lembrei-me do Ruy que mata o Rostabal (ou vice-versa), o próprio irmão, por um tesouro que até era capaz de nem existir!
O matulão nem tinha aspecto de ladrão nem nada: podia ter assim um ar dread, com camisa de basket, o boné do avesso, uns mega ténis e uns calções compridos e descaídos a mostrar a cueca, mas não tinha ar de ladrão!
E fazer isto a uma velhinha que até tinha um ar humilde e que dava a impressão que devia estar a ir para a Missa ali em São Mamede!
Eu ainda dei um grito, mas nem a senhora se tinha apercebido do que se tinha passado, nem ele se deixou intimidar por um engravatado com metade do tamanho dele que estava do outro lado da rua com um ar ameaçador.
A senhora lá seguiu pacificamente o seu caminho, ele lá correu alegremente com a nota na mão e eu lá fiquei a pensar em como é fácil vender os princípios...
*Agora que falo disto, acho que o título poderia ser "O Tesouro".
2 comentários:
Francamente, Diogo! O conto chama-se O Tesouro, é do Eça de Queiroz e são 3 irmãos. Estudámos isso juntos!
Beijinhos, Xana
DIOGO ALVIM...
Imperdoável, Di!!! Esse conto que de que falas é do nosso queridissimo Eça de Queiros e é uma das muitas histórias que compõem o titulo "Contos".
Além de que são três irmãos e sim, morrem os três devido à sua ganancia.
Beijinhos Filipa
Espero que os exames tenham corrido bem e que ja estejas de volta ao trabalho para irmos almoçar!!
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