terça-feira, 22 de junho de 2010

7 - 0

Ontem, assim do nada, organizou-se um grupinho para ver a bola. Sopinha de legumes, linguiça, queijo, salada russa, cerveja chinesa e vinho português: tudo preparado para ser deglutido no intervalo. Durante esse intervalo disse-se mal do Cristiano Ronaldo e como ele não fazia nada pela selecção, ponderámos quanto ficaria o final do jogo, pensámos como seria o Portugal - Brasil...
Bem alimentadinhos, na segunda parte gastámos as energias a berrar. Berrámos como se não houvesse amanhã com cada golo; berrámos com os sorrisinhos irritantes do Cristiano Ronaldo que lá saiu da sua sombra para marcar um golo (tivémos que admitir que foi bonito) mas para lá voltou logo de seguida.
No fim, jogámos à Sueca enquanto a Suiça de frontava o Chile. O grupo já não estava unido a torcer pela mesma selecção e a dizer mal do mesmo jogador: dois pelo Chile, dois pela Suiça (eu incluído) e uma armada em Suiça, ou seja, neutral.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ah, já percebi!

Por vezes acontece estar muito tempo a pensar numa questão e só a entender quando alguém a explica por A+B... Isso foi o que aconteceu há uns dias enquanto conversava com uma amiga Macaense (leia-se Luso-Chinesa de Macau).
Sempre estranhei como é que os Chinos podem ser ao mesmo tempo tão fantásticos quando são nossos amigos e tão indiferentes quando não nos conhecem. Pelos meus padrões, uma pessoa que não presta atenção aos outros é, no mínimo, antipática, mas reparo que os Chinos só prestam atenção aos outros quando já têm com eles uma relação.
Ora, essa minha amiga observou que a sociedade, conforme os Chinos a concebem, é formada pela família e os amigos, enquanto que a sociedade conforme os Europeus a concebem é formada por todos aqueles que partilham um determinado espaço, seja este uma cidade, uma aldeia ou um país. Assim, por um lado, os Chinos valorizam a família e os amigos imensamente, pelo que serão amáveis, atenciosos, etc. com a sua família e amigos. Por outro lado consideram que os desconhecidos não fazem parte do seu grupo de gente, pelo que ignorarão quem não fizer parte deste grupo: seja o vizinho e podem fazer todo o barulho que quiserem nas suas casas e obras todos os anos; seja nas pessoas que estão no mesmo espetáculo, e podem atender o telefone e falar uns com os outros; seja no trânsito e não respeitam regras nenhumas...
Bem, agora dou a impressão que eles são todos umas bestas completamente alheios aos que não conhecem e também não é assim, ou seja, há muitos que são atenciosos com os desconhecidos, dão o lugar no autocarro aos mais velhos, tentam ajudar quem deles precise na rua, seguram a porta quando nós vamos passar ou agradecem quando nós o fazemos... Mas esses parece-me que são uma minoria.
Mas surge-me agora uma dúvida: será que na Europa ainda são uma maioria?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cinema Japonês

Pois que cheguei aos 29 anos, quase, quase 30, sem alguma vez ter visto um filme Japonês! Vá, bem sei que não são daqueles filmes que andam por aí aos pontapés, mas em quase 30 anos nunca ter visto nem um é demais!
Vai daí, tenho aproveitado o ciclo de cinema sobre a "Idade de Ouro do Cinema Japonês" organizado pela Casa de Portugal em Macau para tirar a barriga destes 30 anos de miséria.
O primeiro que vi chamava-se Flores do Equinócio, de Yasujiro Ozu, e era uma estória passada nos anos 50 de um senhor que defende que os jovens devem ter liberdade para casar com quem entenderem em vez de terem o casamento arranjado, como ele teve. No entanto, quando a própria filha se quer casar com um colega de trabalho, de famílias menos ilustres, ele não aceita o casamento. É o que se chama: "em casa de ferreiro, espeto de pau"!
O segundo filme que eu fui ver chama-se "Os sete Samurais", realizado por aquele que é considerado o maior realizador da história do cinema Japonês, Akira Kurosawa. A versão original, que foi a que vi, é longa como tudo, dura mais de três horas. Parece que há uma versão encurtada. O filme é muito giro, mas ao fim de três horas, já não há posição possível! É a estória de uma aldeia de camponeses que contrata sete samurais para a defenderem dos ataques dos bandidos. Vale muito a pena não só pela estória, mas também pelas reflexões que vão sendo feitas e que revelam muito do espírito Japonês.
O último que vi (até agora) foi Rashomon, do mesmo Kurosawa. Trata-se de um diálogo sobre opções morais e a confiança na espécie humana de ser boa para o próximo. O filme começa com um diálogo entre um monge e dois homens humildes sobre um julgamento a que o monge e um dos outros homens assistiu. Um samurai foi morto e as diversas versões da estória não condizem: cada personagem contando uma versão que a deixa mais favorecida, quer porque a ilibam, quer porque lhe concedem um papel mais honroso.
Os três filmes têm em comum o facto de conterem reflexões sobre moral e costumes numa altura em que o Japão, derrotado pela guerra, se confronta com as humilhantes imposições Americanas e abertura ao Ocidente e aos seus costumes e moral tao diferentes dos Japoneses.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cozinhas do mundo

Que este mundo se está a tornar cada vez mais pequeno, nota-se principalmente na comida. Nós, Portugueses, estamos provavelmente entre os campeões da internacionalização da nossa comida: a nossa típica broa é feita com milho que foi introduzido no reino no século XVI, os nossos muitos pratos de arroz são feitos com esse cereal introduzido no século XVII, tudo o que é especiarias vieram da Ásia nos séculos XVI e seguintes (e o que seria da nossa doçaria sem a canela?). Mas se isto já é de esperar dos Portugueses, mais estranho é o mesmo acontecer com os Chineses: a quantidade de lojas de bolos que se encontram em Macau e até na China Continental é impressionante: bolos, essa coisa que os Chineses nunca tiveram no seu menú. Para além disso, produzem boa cerveja (tsing tao), péssimo vinho (great wall - mas importam mais do que produzem) e aos poucos também os hábitos alimentares deste povo outrora tão hermético se mudam consideravelmente.
Por isso agora, de cada vez que viajo compro algum ingrediente típico do país: trouxe côco ralado das Filipinas, Caril Amarelo da Tailândia, Verde do Cambodja e Encarnado do Vietnam, ervas da Provença de Paris, etc.. Há quem lhe chame cozinha fusion, o que parece chiquíssimo, mas na realidade não sei cozinhar suficientemente bem nenhuma cozinha tradicional, pelo que misturo todas as que sei mais ou menos.
Outro sinal de que os nossos estômagos andam mais internacionais do que os nossos passaportes é a marcação de um jantar:
- Vamos jantar? Tens alguma ideia de restaurante?
- Hummm... Preferes Chinês, Português, Vietnamita, Japonês, Tailandês, Italiano...?
Claro que já há mesmo restaurantes fusion: Macaense, quer dizer que são os pratos que as mulheres Chinas cozinham para os maridos Tugas a tentar imitar comida Tuga mas com técnicas Chinas ou mesmo os "fusion" Franco-Japonêses, Sino-Italianos, etc..
Este mundo está cada vez mais do tamanho de um estômago.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ele há coisas boas...

Ele há coisas boas aqui no fim do mundo, uma delas é as coisas de graça que a malta arranja. Já se sabe que de graça até choques eléctricos, certo? Ora aqui em Macau há muitas provas de vinhos portugueses principalmente de produtores que acham que Macau é o mercado perfeito para expansão na Ásia.
Hoje lá fui a uma dessas provas: bom vinho, óptimos aperitos que deram para ficar jantado, etc. Gosto disto!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Louquíssimo

(mail escrito à minha amiga noiva Mary C a relatar uma estória da vida real)
Ando a caminhar para a loucura...
Tu bem sabes que eu nunca fui 100% são, não sabes? Já me conheces há uns aninhos e isto para ti não é surpresa, mas agora estou a pirular de vez!
Também sabes que eu sou forreta, não sabes?
Pois agora conto-te esta estória da vida real que se passou comigo.
Não estando disposto a permitir que o sol de Macau danificasse as minhas azuis retinas, comprei uns óculos Ray Ban super estilosos e muuuito caros: cerca de 160€! Estás a ver que isto custou ao Diogo, forreta como é, não estás?
Há coisa de duas semanas, dois meses depois desta tremenda decisão, perdi os óculos. A última vez que os tinha visto tinha sido no meu gabinete, tinha a certeza que os tinha posto na mala do computador, fui ao bar da faculdade tomar um sumo de cenoura e dar 2 dedos de conversa com quem encontrasse, estive no bla bla bla e fui para casa já de noite (não ponho óculos). No dia seguinte não encontro os óculos na mala do computador nem em casa, vou ao gabinete na Uni: não estão lá - reviro papeis, olho em todo o lado. Vou ao bar: ninguém viu os óculos! Malandros dos alunos que encontraram uns óculos Ray Ban no bar da Uni e os palmaram! Malandros dos Chinos! E passam a vida a dizer que são honestos! Voltei a procurar em casa, estive 3 dias de mau humor e 2 semanas a queixar-me do dinheiro deitado à rua. Todos os dias, não fosse o diabo tecê-las, procurava um pouco mais em casa e no gabinete. Nadica de nada!
Domingo estava a almoçar no mesmo restaurante onde há dois meses almocei antes de comprar os óculos com os mesmos dois amigos com quem há dois meses almocei e a ter dificuldade em olhar o mesmo mar que me reflectia a luz do sol que há dois meses me convenceu a fazer aquela loucura de comprar uns Ray Bans. "Não sejas forreta" - diz-me um deles - "vamos mas é lá abaixo comprar-te uns óculos novos!" Os dois a zurzirem-me a cabeça... Cedo! Vou lá abaixo, o homem mostra uma sincera comiseração pela minha tirste situação, que sim, que se lembrava muito bem de nós, mas... Desconto? Nem pensar! Lá gasta o Diogo mais 160€ nuns óculos novos. Debate: compro iguais ou diferentes? Compro diferentes porque olha, já agora não repito muito.
Segunda uso os óculos, quando saio do gabinete ponho os óculos na pasta do computador dado que era noite e vou para casa. 3ª choveu, 4a choveu ainda mais, mas hoje fazia sol. Onde estão os óculos? Procuro os óculos em casa: "ah, cá está a caixa dos óculos dentro da mala do computador!" Vou a sair de casa, abro a caixa dos óculos, tiro os óculos e fico a olhar para eles: são os antigos!
MAS COMO É QUE É POSSÍVEL?!?!?!
Reviro a casa inteira, dou berros comigo mesmo, sai palavrão que ferve (em Inglês e Cantonês, que eu em Português tenho um bloqueio mental contra palavrões) juro que estou a ficar louco ou que alguém me está a pregar uma partida. Volto para o gabinete: a caixa com os óculos novos está em cima da secretária!
Pelos vistos, Segunda feira pus a caixa dos antigos na mala depois de eles terem passado 2 semanas em cima da minha secretária!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eneagrama

Muito simplisticamente falando, o eneagrama é um teste de personalidade que divide os muitos tipos de personalidade em nove tipos base. Cada pessoa com um desses tipos base de personalidade pode ter uma influência mais forte de outro tipo base e pode integrar-se ou desintegrar-se (ou seja, melhorar ou pior a sua reação consigo mesma) em ainda outros tipos diferentes de personalidade.
Eu fiz este teste há cerca de quatro anos integrado num curso de um fim de semana de eneagrama com o CUPAV, o centro universitário dos Jesuítas em Lisboa. Ontem ao jantar a conversa girou muito à volta do eneagrama - as diferentes personalidades, as diferentes reacções que cada pessoa tem às diversas situações, etc..
Gostei muito de fazer este teste porque me permitiu não só conhecer-me a mim mesmo mas também conhecer os outros. Mas um problema que sinto é que, uma vez conhecendo os nove tipos base de personalidade ganhamos maus hábitos tais como:
- presumir que as pessoas que conhecemos são um ou outro tipo base;
- quando sabemos que as pessoas são de um determinado tipo base, tendemos a esperar que elas correspondam sempre a esse tipo base ou à sua asa.
Por outro lado, também ganhamos alguns bons hábitos como:
- entender que reacções semelhantes nem sempre têm a mesma causa;
- procurar combater aqueles que são os nossos defeitos naturais, não os desculpando com um "eu sou mesmo assim."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Óculos

Estou mesmo chateado com a minha própria estupidez! Comprei há dois meses uns óculos caríssimos (mesmo, não estou a brincar como quando digo que uma massagem por 40 RMBs é caríssima) e agora perdi-os! A última vez que os vi foi no café da biblioteca na Segunda. Ontem procurei-os em casa, não encontrei, achei que tinham ficado no gabinete. No gabinete vi que não estavam, achei que não tinha procurado bem em casa. Hoje conclui que não estavam nem num sítio nem noutro, fui ao café da biblioteca e ninguém encontrou nada... Óbvio! Uns Ray Bans verdadeiros... Se fossem óculos da candonga de Zhuhai de certeza que ainda os tinha! Estou fulo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estadia

Durante três semanas no verão vou estar neste bonito sítio a fazer isto.
Ora, eles lá não têm alojamento, mas encontram casas de famílias locais para ficarmos.
Problemas com essas casas:
1. São 20€ por dia mesmo nos dias em que não dormimos lá, tipo se formos passar fins de semana fora, etc.;
2....
Ia arranjar mais problemas, mas pronto, o preço é mesmo O problema.
Vai daí decidi averiguar quem no couchsurfing tinha um quarto a mais que me pudesse arrendar durante os dias em que eu lá ficar nessas três semanas e mandei uns quantos mails. Problema 1: a maior parte deles leva o conceito de couchsurfing à letra e oferece um sofá na sala. Problema 2: a maior parte das pessoas mais novas em Haia, pelos vistos vive num género de repúblicas e o sofá ou colchão que oferecem é no próprio quarto. Problema 3: aqueles que, de facto, têm um quarto a mais vão estar de férias nessa altura!
A coisa não está fácil, mas algo me diz que vou ter que ficar no quarto arranjado pela academia numa família exploradora da quase capital Holandesa. Eles que não pensem que lhes levo pastelinhos de Belém!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

In vino...

Lembro-me lindamente da minha primeira bebedeira e quando eu hoje olho para trás, não percebo como é que ela pode acontecer! Fui com o meu primo André e um amigo meu, o António Talhé, a uma festa monárquica numa adega já não sei de quem algures nos arredores campestres de Lisboa (é assim que os monárquicos são recrutados). O vinho era à discrição e os três não nos fizémos rogados e saímos de lá quase nos braços da irmã mais velha do António que nos levou a casa.
Não me choca ter apanhado a primeira piela aos 15 anos. Não me choca ter bebido quantidades industriais capazes de assustarem qualquer fígado por mais laborador que este seja. O que me choca é que o vinho não era bom e, mesmo assim, eu bebi-o sem hesitações.
A minha relação com o vinho mudou profundamente no verão de 1996. Nesse verão eu passei cinco semanas em Paris em casa dos meus tios Jesus e Claude. Ora o tio Claude é um verdadeiro apreciador de vinho, mas só de bons (muito bons) vinhos. Durante cinco semanas ao almoço e ao jantar provei uma série de vinhos, nenhum deles menos que muito bons. O tio Claude, que é um contador de estórias nato, ensinava-nos (a mim e à Mariana) sempre alguma coisa sobre o vinho que estavamos a beber.
Foi remédio santo! Nunca mais consegui beber mau vinho! Não é que seja um conoisseur que consegue distinguir vinhos de diferentes castas ou regiões, mas topo um vinho mau à légua e não consigo mesmo bebê-lo.
Quando agora, passados quase 13 anos da minha última ida a Paris, parei numa escala em Paris e fui jantar a casa dos meus tios não pude deixar de me lembrar de como lá estar 5 semanas influenciou tanto o meu gosto no que toca aos vinhos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sou o Rui Rosário!

Ele há cada um, que eu até fico a pensar se serei eu que serei demasiado desconfiado...
No verão vou fazer um curso em Haia, na Holanda. Ora, a meio desse curso tenho que ir um fds a Portugal aos casamentos da Maria e do Tiago (no Sábado) e da Alexandra e do Rui (no Domingo), pelo que tive que comprar um bilhete de ida e volta entre Amesterdão e Lisboa. Ora, dado que o meu lugar de destino era Amesterdão, eles recusaram o meu cartão de crédito de Macau (já começo a ficar habituado), pelo que a reserva ficou feita mas eu tive que telefonar para a TAP (e para o skype não vai nada, nada, nada... TUDO!). Depois de esperar muito tempo e de gastar 8 HK$ a ouvir má música (podiam pôr fado, como a PT), lá me apareceu um rapaz com um tom de poucos amigos que, depois de ouvir o meu problema, me disse para lhe dar os dados do meu cartão de crédito.
Ante o meu espanto: "os dados do meu cartão! depois o senhor pode comprar um ferrari online com ele!!!" ele vira-se e diz com a voz mais natural do mundo: "sou o Rui Rosário, da TAP!"
E se o Sr. Rui Rosário passar os meus dados à Sra. Runa Rosária? Ou à Sra. Maria Breviário? Ou ao Sr. João Livro-das-Horas? E porque é que eu hei-de confiar que a TAP apenas contrata funcionários da mais alta idoneidade moral? Se eu fosse os administradores da TAP contratava os funcionários mais baratos: afinal de contas atender telefonemas e pôr uns dados no computador pode ser feito por qualquer um... Funcionários baratos têm amigos na droga e outros com dívidas, por isso como é que eu sei que o Sr. Rui do Rosário, que até se pode chamar José Naftalina ou até pode ser uma Maria Quiosque com uma voz bem abagaçada, não vai a correr dar os meus dados aos seus amigos toxicodependentes ou afundados em dívidas?
Ante todas estas dúvidas, pesei na balança os prós e os contras e achei que faltar aos casamentos da Maria, do Tiago, da Alexandra e do Rui era um trauma maior do que algum toxicodependente encomendar pó de talco da Colômbia com o meu cartão de crédito, pelo que lá lhe dei os dados.
Agora, meus queridos Maria, Tiago, Alexandra e Rui... AI DE VOCÊS... AI DE VOCÊS QUE:
1) decidam adiar os casamentos;
2) se divorciem
3) ão tenham, pelo menos, 5 piquenos nos 13 anos que se seguem a este feliz evento que é a vossa boda;
4) não bebam uma flute de champagne inteira quando vierem saudar a minha mesa.
Pagam-me a maldita viagem e todo o pó de talco que tenha sido encomendado da Colômbia com o meu cartão de crédito!!! E ainda vão andar à procura do Sr. Rui Rosário para eu ajustar umas continhas com ele!

Filipinas

A pedido de muitas famílias... Pronto, vá, a pedido de uma família, mas uma família internacional, aqui deixo um bocadinho do que foram as minhas férias nas Filipinas.
Comecei por visitar Manila, que é uma cidade muito gira porque mistura a parte colonial espanhola, a parte mais moderna de centro de negócios e a parte mais caótica típica de qualquer cidade Asiática. Desde logo pude verificar aquilo que já desconfiava: os Filipinos são super simpáticos e acolhedores mas, infelizmente, tão pobres quanto simpáticos. São um bocadinho os Brasileiros da Ásia, no fundo.
Para além da cidade, visitei o vulcão Taal, perto da cidade, que é um assombro de giro: uma ilha no meio de um lago com um vulcão que tem na sua cratera um outro lago com um poderoso cheiro a enxofre.
Depois de Manila, fui para a ilha de Bohol onde fiz praia e mergulho.
As Filipinas são um país cheio de encantos que eu recomendo mesmo para quem quer fazer umas férias mais prolongadas ou lua-de-mel.




Eleições antecipadas

"Meanwhile, amid concerns that contagion from Greece may spread to other countries, Portuguese bond yields climbed yesterday." In: Times online
É dura a lógica do mercado, mas uma coisa é certa: é que é bem lógica! Quando um país, uma empresa, etc. está por baixo, alguém se vai querer aproveitar disso. Pode parecer errado, mas não é, é muito lógico: se o meu dinheiro tem um maior risco de não ser pago, eu quero vantagens adicionais para o emprestar, ou seja, juros mais elevados. Por outro lado, se um investimento produz mais resultados, mesmo que seja menos seguro, torna-se mais atractivo para expeculadores.
Ora, quem quer expeculação assusta-se com uma atitude: a de seriedade e contenção. Na altura em que os investidores pensarem que o governo Português está a tomar decisões sérias e contidas, deixam de "rodear a presa" e vão cantar para outra freguesia. Se Portugal continua a aparecer como comparação à Grécia em todos os jornais internacionais, é porque o governo Português, nem com o PEC consegue tornar-se credível.
Parece que está na hora de termos eleições antecipadas...

Pater familiae


Quando, faz hoje 69 anos, o meu bonus pater familiae nasceu, foi destinado pela irmã mais velha ao sacerdócio. Quem sabe se, tendo seguido essa via, hoje em dia não seria já Cardeal Patriarca de Lisboa ou mesmo, porque não, Papa? No entanto, o mundo respira de alívio por isso não ter acontecido - não tanto porque o meu bonus pater não tivesse dado um óptimo Papa, mas mais porque se isso tivesse acontecido o mundo nunca teria visto a minha distintíssima, belíssima, extraordinaríssima mas, acima de tudo, humilíssima pessoa.
Para além disso, o mundo também não teria visto aquelas duas igualmente distintíssimas pessoas que podemos ver na foto, bem como outro distintíssimo que não se encontra na fotografia.
Mas por muito distinto que aqui se encontre, não foi assim, de fraque e bem cheiroso, que o bonus pater começou a sua vida. Ah pois é, começou a vida como um menino do campo que andava a preparar armadilhas para os pardais e que quase se afogou numa levada de água... Isto parece mesmo uma coisa do "intigamente": afogar-se numa levada de água! Ainda existirão levadas? Será que aquela coisa no Jardim Gulbenkian é uma levada?
Menino e moço deixou os verdejantes campos de Ourém, entalados entre a Serra d'Aire, e foi na movimentada Lisboa que conheceu a cosmopolita menina que enGraçou a sua vida. Sim, sim, a menina de vestido côr-de-rosa... 40 anos e 4 filhos depois desse conhecimento, o Pater é o que se vê: um distinto senhor que, não sendo cobrador de dívidas difíceis, ainda assim fica muito bem e distinto de fraque.
Paizão: muitos parabéns!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Gregos e outros

Quando abro os jornais cheios de notícias da Grécia, fico com a impressão que aquele é um país de loucos.
Uma coisa que eu expliquei aos meus alunos de ciência política no primeiro semestre foi que em cada opção política que um governo faz, este terá que escolher entre providenciar mais e, logo, gastar mais, ou providenciar menos e desta forma poupar. Parece óbvio, não é? Mas nem sempre é assim...
Em primeiro lugar, pode acontecer que o "balde esteja roto", ou seja, que haja muitas coisas em que o erário público está a perder dinheiro estupidamente. Más administrações, compadrios, corrupções, más decisões... De tudo isto a Grécia e Portugal estão cheios. Pois então, culpe-se os políticos? Numa Democracia, os políticos são aquelas pessoas que se dedicaram à política e conseguiram apoio popular para chegar ao seu cargo. Os outros que nunca se dedicaram à política e se limitaram a votar (ou nem isso) sem conhecer o que dizia o programa eleitoral do partido em que votam ou as qualidades pessoais, profissionais, morais ou académicas das pessoas em quem votam são, muito simplesmente, os palermas. Então, quando milhares de pessoas saem à rua para culpar os políticos, deviam começar a fazê-lo para culpar os palermas, que foi quem elegeu os políticos corruptos.
Para além disso pode acontecer que se esteja a pagar juros de dívidas passadas. Os jovens Gregos queixam-se que é tudo culpa da geração dos pais, mas não terão eles beneficiado pessoalmente de educação pública e do facto de os pais terem dinheiro para, por exemplo, lhes porem queijo feta na salada? A mim não me passa pela cabeça culpar os meus pais pela dívida portuguesa quando, entre Marquesa de Alorna, Filipa de Lancastre e Universidade Nova, eu quase sempre usei a educação pública e quando me vesti, calcei e comi o que os meus pais compravam com os seus ordenados!
Quanto aos sacrifícios "impostos" pela Alemanha e FMI em troca de um avultadíssimo empréstimo... Para quê tanta zanga e tantos insutos aos Alemães? Os Gregos podem sempre recusar e tentar resolver os problemas sozinhos. Do meu ponto de vista, eles só têm a ganhar com a ajuda: a curto prazo permite resolver parte da dívida pública a juros ruinosos para que esta geração não tenha que estar a pagar só juros. Quanto às medidas de contenção, têm que as tomar quer aceitem quer não aceitem o empréstimo.
Por último, quanto aos Alemães: se os Gregos os odeiam assim tanto, deveriam escolher passar férias em Portugal. Deutschern: wie lieben sie!

domingo, 2 de maio de 2010

Up in the air

Em Portugal, comprar um DVD é uma coisa reflectida, pensada... Afinal de contas ainda são, quê, uns 12€? Em Zhuhai comprar um DVD é uma coisa ocasional: por 8 RMBs (estão cada vez mais caros) a pessoa compra e depois pensa se tem pachorra para ver ou não.
Foi assim que comprei o DVD do "up in the air": estava a comprar uma data de DVDs, comecei a falar com um senhor Chinês que, surpreendemente falava lindamente Inglês, eu recomendei-lhe uns dois filmes, ele recomendou este. Isto já foi há umas semanas e só hoje vi o filme...
Atingiu-me como um trovão.
É a estória de um homem que tem um emprego que não tem discrição do mau que é: despedir pessoas. Trabalha para uma empresa de out sourcing cujo serviço prestado é o despedimento de pessoas! Surpreendemente, ele adora o emprego dele. Ficamos a pensar: "há pessoas para tudo", certo? Mas o mais surpreendente é que ele adora esse emprego porque passa a vida a viajar de avião de um lado para o outro e não leva nada nem ninguém na bagagem. Quando eu digo não leva ninguém, é que ele evita envolver-se com quem quer que seja e assim, em termos de emoção, é mais fácil não ter uma casa, dormir sempre em hoteis e, grande objectivo (alcançado) da vida dele, atingir 10 milhões de milhas no cartão de milhas. Sem família ou amigos, isso torna-se fácil.
Pode parecer um daqueles filmes lamechas mas não é, não acaba bem. O que eu gosto de um filme que não acaba bem!
Claro que este filme retrata o extremo, o quase inexistente. Alguém sem amigos, com duas irmãs que não vê há anos, logo, sem família também e, apesar de tudo isto ou, aliás, precisamente por causa de tudo isto, que se sente feliz.
Então o que é existente?
Existente é viver longe da família e dos maiores amigos, estar com eles duas vezes por ano... Vá, não estou numa de auto-comiseração, mas fez-me pensar... Nos últimos quase três anos em Macau fiz bons amigos (mesmo) e quando se vive longe da família os amigos passam a ser muito mais importantes ainda porque são a nossa família. Dois desses amigos, a Priel e o Bjorn, têm as chaves de minha casa, se alguma vez me esquecer de levar as minhas chaves ou precisar de alguma coisa, eles podem entrar em minha casa. Quando no ano passado fui passar o verão a Portugal, lembrei-me em HK que me tinha esquecido de pôr o lixo na rua: 1 mês de lixo a apodrecer em qualquer sítio do mundo, mais ainda com este calor e esta humidade, significa explosão de baratas, pelo que lá vieram eles a minha casa pelos piores motivos.
Agora eles estão de partida para a Alemanha. De vez.
E isto fez-me pensar... Eu também estou um bocadinho up in the air. Vá, um bocadinho, sem exageros... Afinal de contas tenho bons amigos quer aqui quer em Portugal mas e a família? Os meus pais não se chamam Bjorn ou Priel nem os meus irmãos Isabel, Christiaan ou Raquel mas quando eu preciso de alguma coisa é a estes que eu ligo. A minha casa está muito gira (na minha opinião, pelo menos): tenho mobília chinesa a imitar antiga, fotografias de amigos e família, quadros e estatuetas de toda a Ásia: mas os meus pais ou irmãos nem nunca cá vieram (pronto, a Mãe, a Mariana e o Gonçalo foram à antiga que era horrível) porque isto fica, literalmente, para lá de Bagdad. Vou fazendo experiências culinárias sempre que alguém cá vem almoçar ou jantar, umas mais bem sucedidas que outras, e nem nunca cozinhei para os meus sobrinhos.
E já nem falo de ter quase 30 e não ter encontrado uma rapariga de quem possa dizer "esta é para sempre"...
Vá, está bem, estou a ser um bocadinho dramático: bom ordenado, bons amigos, bons programas, uma vida gira... Um certo novo-riquismo de que gosto tanto. Mas, mesmo assim, um bocadinho "up in the air". Neste momento queria mesmo ter menos milhas e mais tempo com "os meus"!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Humilitas Sinensis

Há coisas que eu não entendo bem nos Chinos e não é por eles falarem Chino ou por serem "impenetráveis" como já ouvi dizer em Portugal, é mesmo porque, por vezes, eles são de extremos. Uma das coisas que eu não entendo nos Chinos é a sua soberba para com os empregados.
Hoje, na mercearia, andava uma senhora China com a empregada Filipina atrás. A senhora apontava para as coisas e dizia umas coisas ríspidas meio em Cantonês meio em Inglês e a empregada ia logo a correr escolher as frutas ou os legumes que a patroa dizia mas tudo isto com uma sobranceria tão grande da patroa que eu fiquei incomodado.
Logo a seguir, a caminho de casa, parei no banco e, mais uma vez, entra uma outra patroa China com a sua empregada Filipina (ou Indonésia) atrás. Note-se, os patrões Chinos nunca andam lado a lado, andam sempre à frente e os empregados seguem subservientemente atrás. Eu já estava na secretária de atendimento à espera da menina que me tinha ido buscar umas informações, pelo que notei que a patroa se sentou, a empregada, mesmo com um sofá vazio ao lado, ficou de pé e não houve a mínima atenção da patroa ou um gesto para que a empregada se sentasse.
Agora, quem não conheça os Chinos vai ficar com a impressão que eles são sempre sobranceiros, mas nada está mais longe da verdade. Em muito que ao longo dos últimos três anos tenho conhecido deles, eles comportam-se sempre com enorme humildade. Os alunos Chinos, então, tratam os professores como se fossem semi-Deuses. Às vezes até chateia de tão humildes que são e até me apetece dizer que não sou um semi-Deus, mas os meus paisinhos, coitadinhos, ensinaram-me a não mentir, pelo que me calo.
Como é que a mesma pessoa pode ser de tamanhos extremos: sobranceira e humilde ao máximo? Já antes falei disto com uns amigos Chinos mas eles negaram categoricamente que os patrões fossem sobranceiros com os empregados, pelo que eu não quis estar a insistir para não ofender. Mas a dúvida cá permanece...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Levanta-te e anda!

Ainda em período Pascal e em momentos de ressurreição, depois de na boda do mano Gonçalo ter levado nas orelhas por ter deixado morrer o blogadíssimo, decidi ressuscitá-lo.
Assim: "Blogadíssimo: levanta-te e anda!"
Poderia agora armar-me em Antero de Quental e escrever sobre as causas da decadência de um blog mas estas são demasiado deprimentes para serem escritas. Como todos os leitores deste outrora fantastiquíssimo, fabulosíssimo, inteligentíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog (hoje paupérrimo e desertérrimo), fui obrigado nos passados meses a levar a cabo uma série de viagens. Sempre fui contristadíssimo, que eu não gosto nada de viajar e gosto mesmo é de estar fechadinho no meu canto sem que ninguém me mace, mas sacrifico-me a bem da humanidade. Afinal de contas, já não basta estes países do Sudeste Asiático serem pobrezinhos, coitadinhos, mas ainda nunca terem tido uma visita minha já era sina demasiado amarga de carregar.
Assim, como aqui foi documentado, pelo Natal estive no Vietname, pelo Ano Novo (Ocidental) no Cambodja, pelo Ano Novo Chino nas Filipinas, pela Páscoa na Tailândia e agora, mais recentemente, pelo casamento do meu irmão Gonçalo, uns breves mas emocionantes dias em Portugal.
Mas agora chega! Fico-me por aqui! Sim, aqui, na Ilha da Taipa da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Espero, mas com uma esperança não muito grande, que isso possa significar um renascimento do blogadíssimo. Mas, perguntais vós, ilustríssimos e escalrecidíssimos leitores: porque é que a esperança não é grande? A verdade é que passou a novidade! Macau já não é novidade, já é a minha casa e dar aulas também não traz grandes coisas novas, pelo que as coisas que eu antes reparava como exóticas e engraçadas, hoje em dia já são banais.
Tenho que voltar a olhar Macau com os olhos da novidade...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Orgulho de ser Português

Ontem, finalmente, Portugal apareceu em todos os noticiários de HK! Coisa nunca vista! Toda a gente fala da desvalorização do rating do Estado Português de AA para AA-.
Numa apresentação na pearl (canal de HK), dizia-se que Portugal só podia esperar que a Merkel tomasse com Portugal a mesma iniciativa que com a Grécia, motivo pelo qual os governos Português, Espanhol e Italiano são os primeiros a defender um empréstimo à Grécia. Uma economista da UHK (bem gira até) concluiu a sua apresentação do problema com um "Portuguese, like Greeks, now expect that Germans foot the bill for their financial melting".
Fiquei tão orgulhoso! Nunca falam de nós nas notícias da China e agora até chamam uma economista gira da UHK para falar sobre nós! Pronto, já somos importantes! Aliás, falou-se mais no noticiário da Pearl de Portugal do que dos EUA! Eu quase sufoquei de orgulho!
Aliás, isto de nós esperarmos que os outros paguem as nossas contas é uma das nossas mais arraigadas e bonitas tradições (mais até que o fado ou as touradas): Dom Duarte e Dom Afonso V conseguiram trazer dinheiro de África (Mina e Arguim), Dom Manuel I da Índia, Dom João V do Brasil... O nosso mal foi termos tido este interregno entre a independência do Brasil e a entrada na CEE!
Em vez de ter voltado para Portugal, Dom João VI devia ter dado o rectângulo peninsular à Grã-Bretanha para nós sacarmos todo o dinheiro que podiamos. Isso sim, tinha sido sacar dinheiro aos bifes num fartar vilanagem! Quando eles dessem conta estavam pobres e vendiam-nos aos Franceses e tudo recomeçava.
Mas agora na Alemanha é que está o nosso futuro...
Viva a nossa madrinha Merkel! VIVA!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Complicações comunistas

Quanto mais conheço os procedimentos comunistas, mais me dá vontade de bater nos tugas idiotas que votam no BE ou na CDU. Mas bater à séria, de os deixar todos negros mesmo, que é para ver se ganham juízo e se deixam de querer isso para o meu Portugalinho, coitadinho, que já anda tão mal e ainda ter que ser governado por essa cambada...
Pois então a minha estória é que acordei feliz e contente, falei com a minha famelguinha no skype durante 40 minutos e, bem disposto e cheio de vontade de poupar dinheiro saí de casa e fui ao banco para abrir uma conta poupança.
Fui lá, bom dia para aqui, bom dia para ali, a como está o euro? A como está o US$? A como está o HK$? A como está a libra? A como está o RMB?
Escrevi tudo isto cuidadosamente num papel...
E quanto é o juro da pataca, do euro, do dolar, do HK, da libra, do RMB...?
Anotei tudo cuidadosamente...
Feitas as minhas continhas, vi que o melhor era abrir a minha conta poupança em RMBs.
"Muito bem, menina, quero abrir uma conta em RMBs e transferir para lá xxx patacas."
A menina começou a teclar furiosamente no computador... ERRO!
Teclava mais um bocadinho... ERRO!
E depois mais um bocadinho... ERRO!
"Não percebo!" Diz-me ela.
Telefona ao patrão... blablabla em Cantonês... mais blablabla... mais blabla... aha, aha, aha... (aha de compreensão, entenda-se)
Pelo menos, pensei eu, agora está a perceber o problema.
Desliga: "peço desculpa, não pode transferir xxx só pode transferir x por dia!"
Diogo, inteligentemente, faz as contas de cabeça: "mas isso ia levar-me 15 dias! Porque é que não posso transferir tudo hoje se é o meu dinheiro e é a minha conta?"
Resposta lacónica: "não são regras do banco! são regras do governo central (leia-se Pequim)... eles lá são comunistas, não sabe?"
Resultado: passei uma hora no banco e agora, ao longo dos próximos 15 dias, vou transferir a mesma quantia de Patacas para RMBs apenas para quando quiser levantar o dinheiro ter que fazer o mesmo de RMBs para Patacas. Haja paciência para aturar comunistas! Só mesmo à chapada!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Diogo no campo

Nesta minha viagem que dava para escrever uma colecção ilustrada para miúdos quase tão interessante como a Anita: "Diogo de mota em Saigão", "Diogo come gafanhotos", "Diogo no campo"...
Pois é, não é que eu seja uma rapazinho do campo e que tenha crescido a meter a mão para dentro das vacas a ver se a cria está a correr bem, mas digamos que tenho alguma experiência de passar férias na quinta da famelguinha na Mesquitela. Lembro-me de ir colher figos de manhã de podar os buchos e, quando era mesmo pequeno, lembro-me de lá termos galinhas e coelhos e de ver matar um coelho. Devia ser uma criancinha muito insensível porque não fiquei por aí além traumatizado...
Pois no Cambodja também tive oportunidade para conhecer um bocadinho do campo em redor de Phnom Pen e de mostrar os meus dotes Mesquitelanos. Foi ver o Diogo a colher fruta, ver o Diogo a conduzir um carro de bois... O Diogo parecia que tinha crescido no campo no Cambodja, com aquela particularidade de ter saído mais clarinho.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Não hei de morrer estúpido


Gosto imenso da expressão "não hei de morrer estúpido" para quando uma pessoa experimenta uma coisa nova. Durante a minha viagem ao Vietnam e Cambodja estava sempre a usar essa expressão quando fazia ou provava alguma coisa estranha. O que aqui podeis observar na fotografia é uma aguardente de arroz como tantas outras, mas tem lá dentro uma cobra, como é bem fácil de reparar, dado que não é uma daquelas cobras que passam despercebidas.
Já muitas vezes bebi aguardente de arroz pura e na China também provei uma com minhocas (ou lesmas, não sei bem) lá dentro. Comparada com essa, esta de cobra é para amadores, dado que não se bebe a cobra e na outra engolia-se uma minhoca (ou a lesma ou lá o que aquilo era) em cada shot (e nessa noite bebi muitos shots).
Já outra coisa que eu também comi no meu primeiro dia em Saigão por ignorância, dado que não sabia o que estava a pedir, foi sapo.
Mas uma das coisas que eu mais queria comer no Vietnam mas só já encontrei no Cambodja era gafanhotos fritos. Aqui, podeis ver-me a comer um gafanhoto depois de ter comprado todo um pequeno saco cheio de gafanhotos e grilos. Até que gostei, mas o problema está em serem fritos: acabam por ficar um bocadinho gordurosos e indigestos. Ao fim de uns 5 gafanhotos e uns outros 5 grilos já estava um bocadinho enjoado - demasiada gordura para antes do almoço, pelo que acabei de comer tudo ao lanche.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Massagens

Quando eu vivia na China, a minha amiga Lisa costumava ir a umas massagens de cegos e dizia que eram espetaculares porque a falta que eles têem na visão compensam com o tacto.
Ora, tendo isto em mente, num dia em que o C. e eu estávamos mais cansados e precisámos de algo para dar nova vitalidade a estas velhas carcaças, mais precisamente, o dia de Natal, decidimos ir a uma massagem e fomos a uma massagem de cegos.
Ora, quando um lá foi para o seu compartimento e, para terdes uma noção do que fui a massagem, adormeci! Ou seja, foi tão fraquinha, tão fraquinha, que eu mal a senti.
Vai daí, quando saímos de lá, ao comentarmos as nossas massagens, concluímos que precisávamos de uma outra (e assim se passa um fim de tarde de Natal). Fomos procurar o segundo lugar que nos tinha sido recomendado no nosso hotel e, ao chegar lá, optámos por shiatsu, uma massagem Japonesa.
Ora, a rapariga que me caiu na rifa parecia que não gostava muito de mim, porque me enfiava os dedos entre os ossos, punha-me pedras a escaldar nas costas e fazia-me trinta por uma linha. Ante a minha cara de dôr, ela ria... RIA! Achais normal?! Vai daí, o C., do outro lado do biombo, só perguntava o que ali se estava a passar, ao que eu respondia que achava que a rapariga tinha sido contratada pelos meus opositores políticos que não querem que eu chegue a São Bento.
Ela começou a enfiar-me os joelhos e os cotovelos pelas costas adentro, dava-me palmadas nas pernas que se deviam ouvir lá fora e o diabo A4! Quanto mais dôr este vosso humilíssimo amigo mostrava, mas a piquena se ria e eu já me estava a passar com aquilo!
Com algum alívio, a certa altura ouvi o alarmezinho que indicava que a minha hora de tormento tinha chegado ao fim, mas isso não impediu a rapariga de tentar o seu último e maquiavélico truque. Sentou-me com as pernas cruzadas, sentou-se atrás de mim e sentou-se puxando-me pelos braços para eu ficar em cima dos joelhos dela. Mas, dado que as minhas costas estavam todas oleadas, eu escorreguei e caí para o lado e aí comecei eu a rir-me de exaustão e ela não parava de rir também.
Vai daí, veio a massagista do C. para o nosso lado do biombo, enquanto o C. só perguntava "but what the hell is going on there?!" e eu lá me continuava a rir.
Nesse momento, a rapariga lá me sentou outra vez (e eu, aliviado, a pensar que a coisa tinha acabado), põe-se de novo com os joelhos contra as minhas costas e enquanto a massagista do C me puxava as pernas como se não houvesse amanhã, esta lá me pôs deitado de costas nos joelhos dela e puxava-me os braços para posições que o meu corpo considerava impossíveis enquanto que eu já berrava "aiiiiiii... aiiii... Chris, save me from these maniacs!"
Quando ela deu por terminado o sofrimento que me infligiu, ria que nem uma perdida e lá se foi embora com as mãos na barriga de tanto rir. Fiquei prostrado uns 10 minutos sem me conseguir mexer enquanto que o C só dizia que eu era um sortudo porque ele mal tinha sentido a massagem... Insultei-o! E um bom Natal!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cuchi




GOOOOOOD MORNING VIETNAM!
Pois é, este é apenas mais um dos muitos filmes que toda a gente conhece sobre a guerra do Vietnam, aquela que é sem dúvida uma das mais mediáticas guerras do século passado.
No entanto, é mediática porque lá esteve em força o povo que mais filmes produz, o povo Americano, pelo que acabamos por ouvir sempre a versão Americana da guerra.
Do outro lado da guerra estavam os vietcongs. Conhecer a forma como um povo com poucos recursos se bateu e venceu a grande potência militar do mundo é muito esclarecedora.
As fotografias que aqui mostro aos ilustríssimos leitores deste humilíssimo blog localizam-se na área de Cuchi. Ao longo de toda a guerra da independência contra a França e depois de reunificação contra os EUA, os Vietcongs foram escavando uma rede de túneisque os levava desde o Cambodja até Saigão (a base dos Franceses e Americanos). Mas, para além de lhes permitirem andar de um lado para o outro sem serem detectados, os túneis serviam também de esconderijo, de morada e de tudo o mais.
Lá eles viviam anos a fim e de lá lançavam os seus ataques surpresa contra os Americanos.
As condições em que eles viviam permitem-nos concluir duas coisas:
1) eram osso duríssimo de roer para conseguirem sobreviver daquela forma;
2) eram completamente fanáticos para não cederem naquelas condições anos a fim.
A segunda fotografia, na qual se vê o macérrimo (bolas, o superlativo de magro não vem com íssimo!) autor deste blog a entrar por um buraco a dentro é isso mesmo, um buraco. Havia buracos destes, mínimos, espalhados pela selva e, sempre que um Vietcong estava a ser perseguido escondia-se lá durante horas sem fim. Vá, não é muito de admirar que eu consiga, mas devo confessar que fiquei admirado quando um outro turista Inglês também conseguiu. O rapaz devia ter quase dois metros de altura com uns ombros que também deviam medir uns dois metros. Pois que lá se estreitou feito rato e entrou! Já o meu amigo Christiaan decidiu não experimentar devido à sua... Base para copos, que é como ele chama a barriga, dado que, estando sentado lá consegue pousar um copo.
Recomendo vivamente esta visita, apesar de serem três horas dentro de um mau autocarro até se chegar lá vindo de Saigão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tráfego em Saigão


A minha primeira impressão de Saigão foi de espanto. Espanto porque nunca na minha vida tinha visto uma cidade com o trânsito tão maravilhosamente caótico como Saigão.
Vou brincar agora ao imagine-se...
- Imagine-se uma cidade com qualquer coisa como entre 5 e 6 milhões de aceleras...
- Imagine-se uma cidade onde andar em contra-mão é apenas uma das várias formas de se conduzir...
- Imagine-se uma cidade em que para qualquer manobra, seja esta ultrapassagem, seja o que for, se apita para se dar a conhecer que se está prestes a realizar uma manobra...
- Agora imagine-se tudo isto junto mas com boa disposição: se apitas, se estás em contra-mão, se acabaste de bater contra a minha acelera... Não faz mal! Neste último caso trocamos umas calmas palavras, avaliamos prejuízos e, se estes não forem de grande monta, não vale a pena perder muito tempo e lá continuamos no nosso caminho.
Ah, já agora, porque em Saigão fui mais peão do que outra coisa: imagine-se atravessar uma estrada com aceleras e carros a passarem a centimetros de nós pela frente e por trás e nunca haver azar! Eu já nem olhava! Mas dizia sempre uma oração que me parecia apropriada: "though I walk through the valley of the shadow of death, I will fear no evil!"
Isto, prezadíssimos, inteligentíssimos, fantastiquíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores deste blog, é Saigão!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uón dolá Mr.!


Quem quiser viajar pelo Sudeste Asiático pode estar certo de duas coisas:
1) Vai ver lugares e pessoas lindas;
2) Vai ter pessoas a tentar vender tudo e mais um par de botas a cada 3 minutos.
"Books, Mr.?"
"Buy bracelettes, Mr.! Just one dolá!"
E usam todas as técnicas para nos fazerem comprar:
Uma miúda de uns sete anos: "Mr.: If you don't buy, I'll cry!"
Eu: "Yeah! Cry, go ahead, cry! I looooove to see little children crying!" (a Lonneke, Holandesa, ficou chocada com esta minha resposta)
Uma mulher na rua en Nham Trang: "Mr. you have beautiful blue eyes! Buy bracelettes for your girlfriend!"
Eu: "I don't have a girlfriend!"
Ela: "That's because you don't buy them bracelettes!" (comprei-lhe três pulseiras)
Um miúdo na rua em Siem Reap (eu nunca compro coisas a miúdos porque acho que têm é que ir para a escola): "Mr.! Buy me books!" (ele é que estava a vender...)
Eu: "No, your books are all very sad, I don't like to read sad things!" (no Cambodja só vendem uns livros muito deprimentes sobre os Khmer Rouges... Para dar um exemplo, um chamava-se "First they killed my father" - de cortar os pulsos com a faca serrada do pão, no mínimo!)
Ele: "Then buy me postcards!"
Eu: "No, I have no friends, nobody likes me, to whom would I send the postcards?"
Ele: "OK, then play tic-tac-toe with me!" (jogo do galo)
Eu: "Let me guess... If I loose, I'll have to buy the postcards, right?"
Ele: "Off course!" (joguei, perdi, comprei - abri uma excepção para nunca comprar a miúdos)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quero ver os peixes a bailar...


Tem sido já um programa a não perder nas minhas viagens por estas bandas, ir mergulhar.
É todo um mundo diferente o que se vê lá em baixo! Tal como "cá em cima", também lá em baixo se vêem paisagens naturais, tão ou mais bonitas que aquelas que se vêem acima da água e se descobre a História das gentes, em navios naufragados.
É claro que o mais importante é que se vê toda uma sociedade diferente da nossa: a dos animais subaquáticos: desde lesmas cheias de cores, a peixinhos pequenos que se alimentam da limpeza que fazem aos peixes maiores, a raias, cavalos marinhos, corais...
Todo um mundo apenas acessível a quem quiser mergulhar para o ver.
Conselho gratuito: se querem mergulhar numa destas viagens, não esperem até ao último dia para o fazer, dado que não podem andar de avião 24h depois de mergulhar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Room 202

Começámos a nossa viagem por Nha Trang, uma praia uns 200kms a Norte de Saigão. Normalmente as pessoas gostam de acabar as férias com uns diazinhos de praia, mas isso é porque não são tão altruístas como eu. Eu não quero ter a família lá em casa preocupada com a minha saúde, pelo que gosto de me bronzear logo no princípio para a família ter noção de que a Ásia não me anda a fazer mal quando vê as fotografias do resto da viagem. Tudo os outros, tudo os outros...
Ora em Nha Trang ficámos num hotel com pessoal muito engraçado, um deles este rapaz que se vê na fotografia, que era o recepcionista durante o dia. Ora, depois de levarmos as coisas para o quarto, o C. e eu fomos fazer uma reserva para no dia seguinte fazermos um cruzeiro pelas ilhas. Eis que vem uma rapariga Indiana muito bem parecida pedir as chaves e quando ela se afastou eu sou capaz de, discretamente (como é meu apanágio), ter comentado com o C. sobre o aspecto saudável da rapariga.
Ora, lá acabámos de fazer a reserva e, quando já estávamos a ir embora, o rapaz diz-nos "room 202!" Eu, puro e inocente como um pequeno cordeiro, logo respondi "no, no... we're in room 702!" ao que ele respondeu "no, the girl is in room 202!" Malandragem!


Viagem pela Indochina: Christiaan

Pois que começo o ano a desejar a todos os 2 ou 3 leitores deste brilhantíssimo, viajadíssimo, fantastiquíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog um óptimo ano de 2010!
E aqui começam as descrições da minha viagem pela Indochina durante o Natal / Ano Novo, com algumas fotos para aguçar a vontade de viajar por estas bandas.
Para começar, o primeiro post é para descrever a personagem com quem viajei: o Christiaan (sim, tem dois As, não foi erro).
Pois que o rapaz é um Australiano, amigo de amigos, que eu apenas conheci para aí uns 3 meses antes de partirmos em viagem. Logo que nos conhecemos, começámos a falar sobre viajar, eu disse que ia viajar para algures durante o Natal e Ano Bom a não ser que a minha amiga Inês mudasse a data do casamento para o meio das festas (o que a essa altura já era muito pouco provável e, de facto, não aconteceu). Ele disse que também queria viajar porque estava há um ano em Macau e não tinha ido a lado nenhum.
Logo aí começamos a ponderar destinos juntamente com a Mari e a Ana, ambas estavam a considerar juntar-se mas desistiram, pelo que fomos nós os dois.
Para alguém que eu conhecia há muito pouco tempo, tive muita sorte, que ele é um pachorrento cheio de paciência. Devo confessar que é precisa alguma dose de paciência para conviver comigo duas semanas em viagem.
Para começar porque eu não adiro a estados de espírito durante as viagens. Toda a gente tem os seus estados de espírito, certo? De vez em quando felizes, outras tristes e ajuda quando o companheiro de viagem compreende e adere a esses estados de espírito. Ora eu não sou assim: enquanto estou a viajar estou sempre elétrico a querer fazer coisas e posso não ser a melhor companhia para alguém com nostalgia. Ora, o rapaz é como eu, sem grandes flutuações de espírito.
Outra coisa que não ajuda é que ele levanta-se da cama e passados 5 minutos está pronto para sair, enquanto que eu levava pelo menos 40 minutos entre estar sentadinho a "pensar na vida", tomar banho e vestir-me e ele acabava por estar todas as manhãs à minha espera, mas não se queixou nem uma vez.
E falando em vaidades: oq eu eu gosto de ser fotografado! A fazer poses de modelo (a minha amiga Raquel é igualinha a mim! viva!), a fazer estupidezes, o que quer que seja. E o pior é que gosto que os outros fazem as mesmas estupidezes e ele aderia bem (na maior parte das vezes).
Por último não é fácil encontrar alguém que esteja sempre disponível a comer comida de rua no meio da Ásia e eu é isso mesmo que gosto. O que vale é que o Christiaan aderia a tudo, por mais nojento que o lugar parecesse, por mais saltitante que a comida ainda estivesse antes de entrar para a frigideira ou por mais encardidos que estivessem os panos que limpavam as mesas e os talheres...
Do lado negativo aparece apenas que o rapaz viaja com um touro Escocês chamado Sven porque gosta de tirar fotografias como no filme da Amélie Poulain com o bicho nos lugares mais exóticos. Eu ainda sugeri que ele desse a criatura a umas crianças pobres, mas ele não se livrava do Sven (nome do bicho) nem tinha pena do meu apuradíssimo e lusitaníssimo sentido do ridículo e tirava o bicho para fora da sacola estivesse onde estivesse e com quem estivesse e sacava-lhe uma foto.
A certa altura achei que era mais fácil aturar um touro Escocês que um Português que leva 40 minutos a arranjar-se todas as manhãs e passa a vida a ter ideias para fotografias parvas e desisti de sugerir que ele desse a criatura aos miúdos pobres.


Aqui estão o Christiaan e o Sven.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espírito de Natal II

Depois do último post, vós devereis ter ficado a pensar que todas as pessoas aqui em Macau não têm dó de um pobre esfaimado ser que anda por aí que nem alma penada pelas ruas da Taipa. Mas tal não é verdade! A fim de matar saudades dos bons sabores do nosso Portugal, o Zé Pinto, de vez em quando decide cozer broa e, como eu já muitas vezes me tivesse queixado das saudades de uma boa broa, na terça o Zé reservou-me uma broa.
Ela tinha este fantástico aspecto quando chegou a casa (só é pena que a fotografia não retrate o cheirinho maravilhoso, nem a consistência molhadinha nem o sabor a broa que parecia mesmo saída de qualquer forno do Vale do Mondego):


Infelizmente, não sei como ou porquê, 5 minutos depois dela chegar a casa, já tinha este aspecto:



E o mal mesmo foi que, sem me dar conta do que aconteceu, no dia seguinte era este o aspecto daquela outrora bonita árvore de Natal / broa:


O que terá acontecido?? Mistérios de Macau...
Obrigado Zé!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Espírito de Natal

Bem sei, bem sei... Não ando a ser assim muito regular, certo?
Resolução de Ano 2010: escrever pelo menos de 3 em 3 dias no blogadíssimo!
Mas escrevo este post para descrever aquilo que é o espírito de natal em Macau e que melhor se pode compreender pelo que me aconteceu um jantar de Natal que eu ajudei a organizar!
Pois alguéns (não aponto dedos acusadores a arquitectas louras) sugeriu que deviamos fazer uma troca de presentes estilo luta livre americana. Eu, ingénuo e incapaz de antever iniquidades do próximo aceitei.
Então o que fizémos foi isto: sorteámos quem seria o primeiro a ir sacar um presente do monte. Esse ia, desembrulhava o presente e mostrava a toda a gente. Óspois o 2º (pessoa à esquerda do 1º) podia escolher ir sacar um presente ou afiambrar-se ao presente do 1º. A partir daí era lua livre de malta a afiambrar-se aos presentes uns dos outros.
Então a mim calhou-me uma mega caixa de ferrero rochers e um creme de baunilha hidrante para o corpo. Eu fiquei a pensar se o creme também se comeria quando uma gaija (não há outro nome para uma rapariga que rouba chocolates a um rapaz) se afiambrou ao meu presente.
Olhando para os presentes na mesa, eu escolhi ir sacar do monte e calhou-me uma mega caixa de mini-toblerones. Já eu estava a babar a pensar nas sessões de filmes falsos de Zhuhai acompanhados de toblerones quando vem outra gaija (não há outra descrição) e se afiambra aos meus toblerones. Eu lutei, chorei, disse que não, pedi clemência... Mas ela, sem dó nem piedade do meu ar subnutrido levou-os como um abutre que leva a carne podre dos restos de uma zebra deixados pelos leões (se calhar ando a ver national geographics a mais).
Depois lá andei a espreitar pela mesa o que haveria de escolher, e afiambrei-me a uns copos de cerveja que depois de vazios, viram-se ao contrário e dizem "bottoms up"! Note-se que os copos estavam vazios, mas vá, espero enchê-los amiúde.
É este o espírito de Natal nesta terra, capital mundial do jogo... Estava aqui a babar por uns ferrero rochers ou uns toblerones nesta manhã fria e cinzenta e olha, posso encher os copos de água ou leite que não tenho mais nada em casa... Chuiff!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Engorda fazer compras com fome

Porque é que a sabedoria popular nos diz que não devemos fazer compras de barriga vazia?
Ora, porque pode acontecer chegarmos a casa com 8 pacotes de bolachas diferentes, cada umas mais calóricas que as anteriores...
Meio pacote de tim tams já marchou!