A mensagem de Greta Thunberg na ONU foi tão clara quanto toda a gente esperava que fosse. Uma condenação veemente das actuais políticas que prometem crescimento económico eterno com base no crescimento da produção de bens. Nem os seus apoiantes nem os seus críticos esperavam outra coisa.
Muitos dos seus detractores criticam-lhe o estilo. E eu também não gostei. Demasiado ao ataque...
Mas pergunto-me se há outro estilo possível... Afinal de contas, os números que a Greta apresenta não foram inventados por si mesma. São números que têm sido repetidos pelos cientistas que estudam a poluição atmosférica e o seu efeito no clima. Há tantos anos... E estes números são tão enervantes! São mesmo de se ficar irritado como ela estava!
Como é que não se faz nada? Como é que cada um de nós, no seu dia-a-dia, continua a viver como se estes números não existissem. Como é que nós nos atrevemos?
A resposta é que andamos anestesiados...
Se não andássemos anestesiados fazíamos alguma coisa para prevenir a degradação do nosso planeta. Mas não só isso...
Se não andássemos anestesiados, tínhamos que fazer alguma coisa pelas milhares de pessoas que morrem de fome todos os dias numa altura em que teríamos condições para que todas elas tivessem acesso a uma alimentação diferente.
Se não andássemos anestesiados, tínhamos que fazer alguma coisa para salvar os milhares de civis que morrem em conflitos como o do Iémene.
Se não andássemos anestesiados, tínhamos que fazer alguma coisa pelos muitos povos que continuam a viver oprimidos por regimes absolutamente desrespeitadores dos direitos humanos cujos líderes apenas trabalham para se manter no poder através de teias mafiosas de corrupção.
Se não andássemos anestesiados, faríamos alguma coisa... Mas andamos!
E incomoda-nos que alguém não ande anestesiado como nós. Incomoda-nos que uma miúda, por uma questão de princípio, não apanhe um transporte que consuma energias fósseis para atravessar o Atlântico.
Como isso nos incomoda, mais vale gozarmos com ela. Gozarmos com o facto de ir num yacht emprestado por um príncipe. Gozarmos com o estilo exaltado do discurso. Gozarmos com o idealismo de cortarmos no nosso consumo - não 50% mas muito mais.
Precisamos mesmo de mais aquela camisola? De mais aquele telemóvel novo? De irmos de carro para todo o lado? Nós bem sabemos que não precisamos de tudo isso, por isso gozamos com a Greta, para nos escondermos atrás do nosso humor.
Enquanto gozamos com ela, evitamos dar atenção ao que nos diz. E podemos continuar anestesiados.
Muitos dos seus detractores criticam-lhe o estilo. E eu também não gostei. Demasiado ao ataque...
Mas pergunto-me se há outro estilo possível... Afinal de contas, os números que a Greta apresenta não foram inventados por si mesma. São números que têm sido repetidos pelos cientistas que estudam a poluição atmosférica e o seu efeito no clima. Há tantos anos... E estes números são tão enervantes! São mesmo de se ficar irritado como ela estava!
Como é que não se faz nada? Como é que cada um de nós, no seu dia-a-dia, continua a viver como se estes números não existissem. Como é que nós nos atrevemos?
A resposta é que andamos anestesiados...
Se não andássemos anestesiados fazíamos alguma coisa para prevenir a degradação do nosso planeta. Mas não só isso...
Se não andássemos anestesiados, tínhamos que fazer alguma coisa pelas milhares de pessoas que morrem de fome todos os dias numa altura em que teríamos condições para que todas elas tivessem acesso a uma alimentação diferente.
Se não andássemos anestesiados, tínhamos que fazer alguma coisa para salvar os milhares de civis que morrem em conflitos como o do Iémene.
Se não andássemos anestesiados, tínhamos que fazer alguma coisa pelos muitos povos que continuam a viver oprimidos por regimes absolutamente desrespeitadores dos direitos humanos cujos líderes apenas trabalham para se manter no poder através de teias mafiosas de corrupção.
Se não andássemos anestesiados, faríamos alguma coisa... Mas andamos!
E incomoda-nos que alguém não ande anestesiado como nós. Incomoda-nos que uma miúda, por uma questão de princípio, não apanhe um transporte que consuma energias fósseis para atravessar o Atlântico.
Como isso nos incomoda, mais vale gozarmos com ela. Gozarmos com o facto de ir num yacht emprestado por um príncipe. Gozarmos com o estilo exaltado do discurso. Gozarmos com o idealismo de cortarmos no nosso consumo - não 50% mas muito mais.
Precisamos mesmo de mais aquela camisola? De mais aquele telemóvel novo? De irmos de carro para todo o lado? Nós bem sabemos que não precisamos de tudo isso, por isso gozamos com a Greta, para nos escondermos atrás do nosso humor.
Enquanto gozamos com ela, evitamos dar atenção ao que nos diz. E podemos continuar anestesiados.
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